13 maio, 2010

Carta aberta ao homem genérico

Posted in Corpo, Desabafos, Gênero, O pessoal é político tagged às 3:47 pm por Deborah Sá

Homem genérico,

Aglutinação de conceitos representados em seu caminhar, bruto no chorar. Avaliando por direito forçar a cabeça da namorada, aproveitar a amiga bêbada com os companheiros, subjugar as putas. Gera incômodo mesclado ao ódio.

Tontura sinto ao te ver na Augusta com seus coleguinhas compartilhando a moça que nem parece ter 20 anos. Sinto-me perdida em seu egoísmo nojento, sorriso cúmplice.

Teu cedro é pinto-rei por excelência, a diadema que te coroa escorre em sangue na testa, teu manto é camisa de futebol, brinde é cevada, o aperitivo é espeto morto escorrendo mal passado aos lábios. E mais uma rodada, que o mundo foi feito pra você.

Ela ganha pelos drinks que te faz beber, assim pode colocar todas as frustrações desse perturbado que é. Seu chefe oprime, o trânsito cansa, você mora com a mãe, você é da bolsa de valores, é pastor e pai.

Com a estranha você xinga e bate, mete e fere. Pra você é isso, Reto, boca, ódio.
Ninguém vai ligar se ela sangrar, sendo mãe que cria um filho com esse dinheiro. Ela exime a culpa enquanto expurga teu suor, neste confessionário alivia sua bestialidade alcançando o perdão do seu ego. Lava sua alma no teu cuspe, suga uma fumaça pra sentir menos medíocre, usa teu dinheiro de plástico pra completar o álbum de figurinhas da copa. Haverá arrependimento dessa ferida que causa no corpo de mulheres que nunca vi? Das sem rosto e sem voz? Mulheres genéricas para as quais se despe de qualquer gesto empático, onde o monstro brota diante daqueles olhos que ninguém será testemunha?