9 maio, 2011

Larica dos Vegete

Posted in Historietas tagged às 4:51 pm por Deborah Sá

Talvez conheçam a Larica dos Muleke, em uma conversa entre eu e minha irmã, me comprometi a adaptar a letra para uma versão Vegan. E aí está (se não conhece a original, clique aqui):

Cupcake da Chubby Vegan

M I X Q U E R O U M A V E R S Ã O V E G Ã O

Tô com fome, menos leite
E eu assumo a pipoca me sacode
Tofu-Croquete sem maionese
Eu te apresento a larica dos Vegete
Nem sempre encontro, um salgado
Mas eu só quero, o de soja e tá gelado
Traumatizado e irritado
Mas por favor, me dá
O Mupy que eu tô entalado

Tô com fome, menos leite
E eu assumo a pipoca me sacode
Tofu-Croquete sem maionese
Eu te apresento a larica dos Vegete

Me dá batata, sem ovo frito
Pra encerrar a fome não precisa morrer pinto
Quero um X Veicon, eu sou sincero
Ele quentinho, com salsa não tem mistério
Um seitan quente, na chapa quente
Se tu não curte dá pra mim, corto no dente
Mas tu é intransigente e muito persistente
“Me dá a carne porque senão fico doente”
“Me dá a carne porque senão fico doente”

Tô com fome, menos leite
E eu assumo a pipoca me sacode
Tofu-Croquete sem maionese
Eu te apresento a larica dos Vegete

Filé de glúten ou empanado
Ele fritinho no meu prato eu me acabo
Se tenho insônia, sei logo o culpado
Foi muito açaí com guaraná, eu tô lascado

Tô com fome, menos leite
E eu assumo a pipoca me sacode
Tofu-Croquete sem maionese
Eu te apresento a larica dos Vegete

Já fui na Zona Norte, Zona Leste, Zona Sul
Mas o sorvete da Soroko, é o meu número um
Colocaram presunto, até na minha polenta
Mas eu não como morte, porque tenho consciência

Tô com fome, menos leite
E eu assumo a pipoca me sacode
Tofu-Croquete sem maionese
Eu te apresento a larica dos Vegete

M I X Q U E R O U M A V E R S Ã O V E G Ã O

22 maio, 2009

Indício

Posted in Historietas às 2:08 pm por Deborah Sá

Josefina estava esfregando o chão na terça-feira. O pequeno passou de patins por entre a sala.

– Ô Jôse! Faz um chocolate pra o menino por favor?

Largando o esfregão lavou a mão e enxugou no vestido florido. Feito em amarelo e cor-de-rosa, o tecido era leve e dava mesmo pra notar a fisionomia corpulenta que se desenhava em tantas curvas arredondadas. Josefina contava 57 anos, seus cabelos eram brancos e compridos em um coque. Com seu andar que lembrava um pinguim,  via-se aquele corpo caminhando no corredor. Pés levemente arrastados e meias finas curtas, um pouco desfiadas nas laterais. O pouco que se via das suas batatas, eram as veias azuladas de varizes distribuídas de maneira espaçada.

– Jôse, você joga videogame?
– Menino, eu não sei dessas coisas não. São muito caras.
– Não são não, toda vez que eu quero um meu pai me dá, quer que eu peço pra ele? Aí você pode ter um também.
– Não, obrigada viu menino? Mas olha, lembra sempre que você tem muita sorte!
– O que você faz quando sai de manhã?
– Eu vou no mercado, faço feira. Essas coisas.
– Eu posso ir?
– Acho que não tem problema não.
– Eu posso levar o carrinho?

As rodinhas se arrastavam e o pequeno demonstrava alguma dificuldade em descer as calçadas com o carrinho. Josefina ficava contente em ter companhia. Aquele quartinho era mesmo solitário.

– Eu quero de pizza!
– E pra senhora?
– Eu quero os de vento mesmo. E um caldo de cana.

Sentaram cada um em um banco. O garoto olhava intrigado para o modo que ela comia: Segurava o pastel com as pontas dos dedos, mordia, recheava com a salada. Ao limpar os cantos da boca fazia um biquinho engraçado enquanto passava os dedinhos gordos pra limpar.

– Cuidado que está quente!
– Eu agüento!

Ele mordeu com cuidado e puxou a cabeça pra trás pra fazer aquela “liga” do queijo. Começou a abanar a boca em um gesto frenético.

– Tá -(assoprando com força o pastel) um pouco…fuuuuuu…quente.  Dizia com um sorriso e as bochechas rosadas. -Quer?

– Não menino, obrigado, é muito gorduroso pra mim, queijo tem muita gordura, não tenho idade pra isso.
– Olha Jôse! Que vestido bonito!
– É, mas é de menina.
– Claro, todo vestido é de menina! Mas é mesmo bonito…Jôse…(falando baixinho) você me dá uma boneca?
– Acho que não tem problema não.

Ele correu para o quarto e bateu a porta eufórico, suas mãozinhas suavam pra abrir a embalagem. Ele cheirou a cabeça da boneca e esse era um dos melhores cheiros adocicados que sentira. Sabia que era isso que ele queria. Por toda a sua vida, até o fim. Cães e gatos rolando no chão, giz de cera nas paredes e massinha incrustada nos tapetes, ele queria muitos bebês, ele queria ser mãe.