30 março, 2014

I Festival Autônomo Feminista

Posted in Eventos às 11:45 pm por Deborah Sá

 

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Nesse final de semana ocorreram  palestras, debates, exposições e apresentações no I Festival Autônomo Feminista, com a organização do coletivo 2ª Opinião.  Pude reencontrar mulheres que há algum tempo não abraçava. Bruna, Jéssica, Elisa, Djamila, Estela, Marina, Tamara, entre outras, uma grata surpresa! As comidas à venda eram da Arde Patriarcado – Culinária vegana (quão genial esse nome!) e Lar Vegetariano. As fotos são da página do coletivo no Facebook!

Os debates versaram sobre vários aspectos, entre eles, mulheres negras na luta, invisibilidade lésbica, a não monogamia, a política sexual da carne, violência obstetrícia. Agradeço ao coletivo 2ª opinião pelo convite e oportunidade em falar sobre a relação entre feminismo e consumo de carne, foi experiência de muito aprendizado. Estendo o agradecimento também a todas que deslocaram-se pela cidade comparecendo ao festival, ajudando na organização, participando, dividindo experiências e inquietações. Que venha o próximo!

19 março, 2014

Debate – A Política Sexual da Carne no Brasil

Posted in Eventos às 2:55 pm por Deborah Sá

programaçãocolorida

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Estarei no I Festival Autônomo Feminista no final de Março. O debate “Mulheres fruta? A política sexual da carne no Brasil”, será introdutório e versará sobre a conexão entre onivorismo e patriarcado, por essa razão, não é necessário conhecer o tema de antemão. O festival contará ainda com outras rodas de conversa, apresentações, filmes e experimentações cênicas protagonizadas por mulheres.  Haverá espaço para crianças no evento, sendo os homens colaboradores, responsáveis por esse cuidado. Para mais informações, clique no folder.

Onde:  Tendal da Lapa – Rua Constança, 72 – Lapa – CEP 05033-002

18 janeiro, 2014

Rolezinho

Posted in Eventos tagged às 9:24 pm por Deborah Sá

Em Junho de 2006 fui em um Orkontro. Era assim que nós, rejeitados e desajeitados encontrávamos nossos pares. Escolhíamos um shopping com o intuito de conhecer pessoalmente quem desabafávamos on-line em conversas privadas, MSN. O fórum/comunidade era Orgulho Nerd. Foi assim que conheci Yuri, meu companheiro até hoje, além de outras pessoas queridas com as quais mantive contato na migração ao Facebook. Mas por que milhares de jovens fazem há tempos Orkontros e simulares e isso nunca foi notícia? Nosso grupo não era tão grande e a cor majoritária de nossa pele branca sequer levantava suspeita.

Desrespeitoso supor que o rolezinho não tem o direito de existir, criticar a expansão da inclusão digital. Se são barrados e ridicularizados por fazer coisas que sempre fizemos, está posto o privilégio. Não é só aí que eles são impedidos, nos fóruns de discussão on-line é exigida certa etiqueta gramatical, por exemplo, se faz piada com quem não tem ensino superior ou estudou até o ensino médio. Passar mais de dez anos dentro da instituição escolar, cursar a universidade, nada disso nos dá, senão, privilégios de uma organização social meritocrática, vantagens no mercado de trabalho. Quanto maior a grana, maior a grade, a diferença é muitos ganham pulseirinha, brindes, chaves e acesso a conteúdos exclusivos. O rolezinho escancara esse manto fino, quase transparente, mas, fortemente distintivo. O que barra a circulação desses jovens é a hexis corporal: A história e os signos inscritos no corpo de cada indivíduo.

Integrantes do rolezinho provavelmente sentam-se calados em ritos religiosos. Fazem barulho no templo do consumo porque estão em grande número, assim como fazemos em aglomerações. Encontro com amigos e gente nova não é procissão ou enterro onde se tira o boné em respeito. Que o rolê esteja em toda parte.

18 junho, 2013

A tarifa baixou? Não? Então a luta continua!

Posted in Eventos, Só falam nisso às 11:27 am por Deborah Sá

Muito legal, rua cheia. E preciso reconhecer as pessoas que foram no ato de ontem em SP, elas compareceram para apanhar se fosse necessário. Louvável. Muitas pessoas que nunca saíram pra protestos na vida, saíram. Ótimo. Mas é preciso reconhecer algumas coisinhas:

  • O Brasil não acabou de acordar, os movimentos sociais se organizam há anos, não é porque você não vê na TV que não existe. Essa invisibilidade não é culpa dos movimentos sociais. Situações dessa grandeza não mudam da noite pro dia, essas pessoas não tem o poder da grande mídia nas mãos. Quer se informar para além dos veículos convencionais? Que tal começar a seguir outras pessoas virtualmente? Não precisa romper com atuais amigos, fazer voto de pobreza, usar camiseta do Che. Você só fará isso se e quando quiser. Tente se despir dos preconceitos. Há tempos essas pessoas lutam pra conseguir melhorias para todos, inclusive pra você. Essa luta é coletiva, não é pra conseguir privilégios, é pra tornar eles acessíveis, torná-los um direito.
  • Contra a corrupção todo mundo é. É como falar que “odeia falsidade e gente que se acha”, um termo genérico, sem foco, sem direção, que logo é diluído. Pautas são importantes, a primeira desse movimento é: Baixar o preço da passagem. Conseguimos? Não. Então é hora de ir pra rua novamente. Não faz sentido abandonar um movimento onde a ÚNICA pauta sequer foi modificada. Sim, não é só por vinte centavos, mas é o primeiro passo e é importantíssimo que seja atingido. Pode não fazer diferença pra alguns, mas pra pessoas com menos dinheiro, faz. E repetindo, essa luta é para melhorar a vida de todos.
  • Pobres e negros são agredidos de forma sistemática nas periferias. Isso não é vitimismo, é um dado estatístico. Foi horrível o que aconteceu na Paulista? Sim. Mas quanto mais longe das câmeras estão as pessoas e mais afastadas dos grandes centros, mais a borrachada come solta. Esse “basta” deve acontecer em toda parte, não só quando brancos de classe média são atingidos. Não sou eu que defino que uma dor e sofrimento é menor que o outro, é a desigualdade social que assim o faz.
  • Sabe quando você tem uma ideia e seu amigo a usa, leva a fama e fica com o mérito todinho pra ele? É esse meu medo. Os movimentos sociais lutam faz tempo e a imprensa responde com vista grossa¹. Quando são atingidos, mobilizam mundos e fundos pra reverter esse quadro. Agora até o Pondé², está do lado da mobilização. Não quero polarizar entre mocinhos x vilões, mas é como diz o ditado, quando a esmola é demais…
  • Sejam bem vindos, novos e antigos manifestantes. O movimento é sexy ; )


¹ O importante é vender notícia, então vamos focar naquela meia dúzia ali quebrando a cidade….
²  Se não conhece, é um cara que disfarça preconceitos com suposto sarcasmo que de inovador não tem nada.

Deborah Sá, nasceu na Periferia de São Paulo, concluiu o Ensino Médio no EJA e já se fudeu muito nessa vida. Hoje estuda Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo. É feminista, vegana, atéia e de esquerda (sem filiação partidária). Tem certeza que só não tem medo de polícia quem nunca se manifestou contra o Estado.

Update: Há um ato hoje, ás 17:00 na Praça da Sé! Vem pra rua!

15 junho, 2013

Medo de multidões – Do lado de dentro, para o lado de fora.

Posted in Desabafos, Eventos, O pessoal é político tagged , às 10:42 am por Deborah Sá

A faculdade é meu novo trabalho, isso consome meus dias mais do que qualquer outra profissão que executei antes e recebo muito menos por isso. Mesmo com o crucial apoio do meu companheiro, familiares e da bolsa auxílio, minha renda mensal teve uma queda de 70%. Isso significa repensar minha relação com o dinheiro, como por exemplo, não comprar um presente para o Yuri no nosso sétimo ano de namoro.

Ainda estou em processo de adaptação, consegui uma orientadora (recebi duas propostas no semestre passado, aceitei uma). O tema é bacana, assim que concluir o relatório final, compartilho com vocês. Segunda-feira terá um evento obrigatório na faculdade, além de um procedimento pré-agendado com a coordenadora pedagógica na escola que acompanho, são compromissos inadiáveis na minha agenda. Porém, sou mais do que uma namorada, amiga, filha e estudante. Sou alguém com medos e inseguranças, uma porção, uns maiores, outros nem tanto. O período que vivo tenciona todos eles. O medo de reprovar nas matérias está no grupo de medos médios, porque embora aprenda na faculdade que avaliações são um meio e não um fim, um bom desempenho acadêmico é o que garantirá bolsas de estudo e pesquisa, o que aliviaria as ajudas de custo que meu namorado oferece (se o patriarcado dá um limão, faço uma limonada). No grupo dos medos maiores, está o maior de todos meus medos: O medo de multidões.

Ele não veio do vácuo, tive uma trajetória de contenções, de represar tudo o que sinto. Talvez por isso não lembre nenhuma ocasião onde senti fúria, só das que deram medo, tristeza, vontade de sumir, culpa. Determino as regras do jogo até certo ponto, mas admito minhas limitações. Uma delas é que ás vezes quando sinto muito medo (como em uma multidão) paraliso e choro, as pernas ficam pesadas, me sinto vulnerável e imagino a cidade engolindo. Tudo começa com um linchamento, por alguma razão absurda todos se voltam contra mim e esse crescente de violência bárbara com direito a estupro e esquartejamento continua com o chão rompendo, os prédios de metros e metros dobrando com o ranger de suas gigantescas estruturas, tudo implode, esse é meu fim. Não alucino enxergando esse cenário aterrador, ele está na minha imaginação, sei que não é realidade. Isso não impede de sentir o coração batendo, a boca seca, o suor, as pernas duras ao ponto de doer quando me movo. Fui incapaz de reagir à violência direta na infância, a violência sexual que passei ocorria no silêncio. Aguentava aquilo pra proteger a família, imaginava meu pai matando meu avô com um instrumento da cozinha que parecia uma machadinha de carne (ou seria um martelo?).  Atacando aquele que como outros indivíduos, humilhava em público como maneira de me controlar. Imagine a tensão que é ter de fingir não demonstrar medo para não causar uma morte, um colapso da estrutura que mantém não só a si, aos dez anos de idade.

A onda de protestos toma o país, não estou lá, mas gostaria. Todas as noites em que ocorrem os atos, choro e torço para que fiquem bem as pessoas que quero bem e as que nem conheço. Fogem de balas de borracha, da tropa de choque, da cavalaria, enfrentam o próprio medo. Armados até os dentes, línguas e gargantas, a imensa maioria dos manifestantes usa apenas a voz como escudo e ataque. Para mim, é um impasse á cada convocação, sinto que meu coração está ali, assisto ás aulas na faculdade com o celular próximo, durmo impaciente. A implosão de sentimentos que desperta esse fantasma e faz regredir sensações de impotência no corpo, tem ligação direta com a implosão violenta imaginada que me mantém rígida. A assimilação ocorreu agora no período de três horas e meia redigindo esse texto, dada todas as pausas necessárias para chorar e retomar a escrita. Só tenho a agradecer a quem toma as ruas. Vocês me enchem de orgulho e deram munição em palavras para racionalizar. É um dos estilhaços brilhantes que saltam da ferida que me fizeram por dentro e agora, posso retirar.

12 junho, 2013

Os últimos atos contra o aumento da passagem e o vandalismo

Posted in Eventos, Só falam nisso tagged às 12:46 am por Deborah Sá

Imagem

Imagem genial retirada do Facebook – Rolet 20Conto

Já participei de atos contra o aumento da passagem em SP e reitero: Só não tem medo de polícia quem nunca se manifestou contra o Estado. É lindo ter gente na rua, mais de 10 mil! Não fui nessa, nem sei se irei nas próximas. Não que não ache legítimo, mas tenho medo: Medo de polícia e medo de sobrar pra mim, medo de ter uma crise de ansiedade lá no meio (quem já viu eu nesse estado sabe que não é legal). Na multidão não há coesão, um grupo isolado pode decidir tacar ovos (ou algo mais explosivo) e acertar em qualquer um. Já fugi de polícia em ato, já estourou bomba no meu pé, já me acertaram ovo acidentalmente. E os atos de vandalismo, mesmo que pequenininhos (como chutar uma lixeira) são ampliados zilhões de vezes pela imprensa. Apoio fogo e enfrentamento em casos como Pinheirinho, quando as famílias defendem ocupações de espaços inutilizados que aguardam a próxima especulação imobiliária. Porém, não sei se apoio esse enfrentamento no momento em que vivemos. Não quero ser taxativa nem dizer como e onde as pessoas devem militar, talvez esse seja o momento de medidas mais extremas, talvez não, quem dirá é o tempo, não há como prever.

Fama de vândalo, desordeiro, caricato e brutal todo indivíduo não conservador tem, mesmo se “nos comportarmos direitinho”. Quem espera uma representação na mídia que dê voz, é melhor desistir. Ás vezes, medidas drásticas são necessárias, mas não sei se o pessoal dentro do busão que vê um monte de jovem pixando e balançando o ônibus pela janela, concorda com isso. Na verdade, não tem muito como saber. Quem faria uma pesquisa desse tipo? Quem realmente quer ouvir tais sujeitos? A única certeza que tenho é que as pessoas não são estúpidas, seja se informando pelas redes sociais ou pelos jornais, elas não são palermas. Sabem que a polícia é truculenta, que o preço da passagem é absurdo e esperar do Estado raramente resolve algo.

Querendo ou não, os policiais são parte da classe trabalhadora, assim como os seguranças de banco e de shopping. Alguns podem gostar da violência que exercem? Certamente. Da mesma forma uma mãe pode gostar de bater no filho pra extravasar a raiva às vezes. Isso não anula o fato de que eles tem a vantagem da força bruta, do cacetete, o maior porrete, além da permissão para agredir e até matar. Levanta menos suspeita matar nos confins da periferia do que um estudante branco na Paulista. Que fique evidente que acredito na empatia e que é justo que todos os incomodados se mobilizem, mas espero que fique mais evidente ainda que quanto mais escura a pele, mais o cacetete pesa. Já vi muito policial batendo “de graça”, sendo racista e abusivo na abordagem de negros que apenas caminhavam. Um absurdo atrás do outro. Contudo, mesmo com desconfiança, é um aparato que tem sua utilidade. Já vi casos de gente que tentou impedir denúncia de violência contra a mulher porque a “polícia é o braço armado do estado”. Sim, a polícia e o estado não são mil maravilhas, mas tem seu uso, quero dizer, o Estado e seus representantes deveriam antes de tudo, responder aos interesses democráticos e de justiça social. E no momento, não creio que a suspensão do Estado (desculpem, anarquistas), a criminalização dos que se manifestam ou a demonização de trabalhadores que fazem defesa de patrimônio, resolva algo.

E o trânsito? Fica tranqüilo, essa mobilização não findará, amanhã haverá horas e horas de congestionamento esperando por você.

6 junho, 2012

A nudez como arma política, ou não

Posted in Corpo, Eventos tagged às 12:07 am por Deborah Sá

Em 2009 me manifestei contra o Lingerie Day, a insatisfação foi ter surgido como uma data criada para um grupo pequeno: “As gostosas”. O banner de divulgação era objetivo: Feias, gordas ou qualquer mulher fora do padrão não seria bem vinda. Tampouco, creio que pornografia com mulheres gordas seja a evidência de que os paradigmas estéticos alcançaram um novo patamar, facilmente grupos marginalizados encontram admiradores na web ou espaços fetichistas, inclusive aqueles que os usam como um prazer descartável aproveitando da baixa auto estima para tê-los como acessório em dependência emocional. Andar de mãos dadas em via pública; ouvir indiretas e comentários por namorar um portador de necessidades especiais, um cadeirante, uma gorda, uma travesti, esse é um “peso” que poucos estão dispostos a enfrentar, ás vezes leva um tempo para levarmos á prática nossas pulsões, outros ainda preferem levar em segredo esses desejos.

Ano passado não fui à Marcha das Vadias, embora o caráter fosse feminista (o respeito aos corpos independentemente do vestuário) pensei que o título era limitante, não são apenas as “vadias” que sofrem assédio, mesmo quando usava uma saia cobrindo os calcanhares ouvia declarações que faziam corar e retornar para casa constrangida, a mulher livre é aquela que sorri faceira de saia curta, mas também aquela que planeja o casamento, a que é virgem, a que tem pênis e nem pensa em tirá-lo, a que se sente tranqüila para seguir seu próprio ritmo, seja ele qual for, portanto o leque de possibilidades está em contínua expansão e cada grupo, embora com especificidades, é tolhido de se manifestar por um inevitável (?) mal entendido.

Esse ano fui á Marcha das Vadias de SP por simpatizar com os cartazes produzidos no Distrito Federal, sempre que possível busco participar dos eventos e ver com os próprios olhos do que me basear nos noticiários, escolhi um vestido e sem calcinha ou sutiã (não por causa da Marcha, ás vezes gosto de sair de casa assim), fui até a concentração do ato, era um belo dia ensolarado. Encontrei algumas das Blogueiras Feministas, amigas e outros rostos conhecidos, algumas estavam sem camiseta com os corpos pintados e me senti confortável, pois é assim que lido com a nudez de forma geral. Optei por não ficar completamente nua e se o fizesse, não seria necessariamente para protestar, mas para ficar mais “á vontade”. Aquelas mulheres usavam seus corpos como armas e então foi imediato lembrar do Femen, as ucranianas que usam sua nudez como reivindicação. Segundo o Femen, não há qualquer requisito para se filiar, o fato de só reproduzirem as imagens de loiras, jovens, brancas e magras é uma predileção da mira dos fotógrafos e também uma coincidência do biotipo do país. Fato é que a nudez na Marcha das Vadias desse ano causou indignação, incompreensão e até mesmo censura em algumas reproduções. As perguntas que perduraram foram: Vale a pena correr o risco de ser mal interpretada? Não é ingenuidade esperar que o nu feminino em nossa sociedade tenha reação oposta?

É bom ter em mente que toda manifestação pode cimentar as caricaturas de quem as reivindica, principalmente se levarmos em consideração a forma que isso será documentado e divulgado, uma passeata com duração de quatro horas pode ser noticiada na primeira folha do jornal através do recorte de um ato isolado, onde um único indivíduo encapuzado chuta uma viatura policial. Entre fotografar um casal lésbico de negras, ambas vestidas ou dois gogo boys loiros e depilados na Parada Gay, certamente a mira do fotógrafo centralizará o que a audiência quer enxergar. Imaginar que o discurso não seja apropriado de forma palatável e vendável é um engodo, com ou sem roupa, de megafone e estandarte, de cartolina na mão e esparadrapo na boca, pouco importa, a falha, portanto, não é do(s) método(s) proposto(s), mas da distorção na ignorância de quem desconhece outras manifestações do novo, do que foge a dedução imediata.

Reconhecer essa condição não implica resignação, fatalismo, perceber nossas limitações e a consciência de nossos privilégios não deve engessar as ações que podemos executar, somos seres condicionados e ao mesmo tempo capazes de mudar o rumo. O mundo que não compreende os seios expostos de uma mulher comum, é o mesmo que prefere que gays se beijem em âmbito privado, é o que classifica baseado em aparência ou bagagem acadêmica, que julga pelo tamanho do lattes e pelo tamanho do pau. Ademais, nem sempre o nu é político, nem sempre o beijo é premeditado e militante, ás vezes o nu é para quem gosta de ser visto, quem gosta de sentir a brisa, quem chega cansado do trabalho e fica com o mínimo de roupa para relaxar, o beijo de língua pode ser carinho, pode ser tesão, pode ser a faísca no momento propício que surgiu quando menos esperávamos.

A militância quando vira um cargo é fardo que faz adoecer, pesa ao espírito, rouba o brilho dos olhos e a cor dos lábios, deixa o semblante carrancudo, as palavras amargas, vigilante e por isso mesmo, fatigado, nesse estágio qualquer um que pise fora de rijo traçado é jogado aos leões, perde a credibilidade, vira inimigo.  De minha parte, carrego o coração leve por não trair o que desejo, quando almejo abotôo até o pescoço e quando não, calcinha no chão.

14 janeiro, 2011

Só não tem medo de Polícia, quem nunca se manifestou contra o Estado

Posted in Eventos às 12:52 pm por Deborah Sá

Ontem (13 de Janeiro de 2011), estive ás 16:50 em frente ao Teatro Municipal, sei que a maioria da população não possui um emprego que abre exceções e libera a participação em passeatas durante a semana, mas tive essa sorte e quero dividir isso com quem estiver disposto a ouvir o que “a grande mídia” não faz questão de noticiar.

Encontrei amig@s e pessoas que saiam do trabalho com faixas, cartazes e apitos, jovens (em maioria), idosos e até crianças eram vistas no local. A caminhada iniciou em direção da Prefeitura passando pelo Viaduto do Chá, as frases incluíam: “Dança Kassab, dança até o chão! Aqui é o povo unido contra o aumento do busão”, “Vem pra rua, vem, vem contra o aumento”, “Pu-ta que Pa-riu! É a tarifa mais cara do Brasil” e “Ei Kassab, vá tomar busão!”.

Percorremos a Rua Direita e Vale do Anhangabaú contando com a adesão de alguns passantes e trabalhadores que aprovavam a iniciativa, embora nem todos abandonassem o expediente. Panfletos foram distribuídos aos passageiros de ônibus e a quem aguardava no ponto, todo o trecho foi percorrido por escolta policial acompanhando de olhos atentos a concentração.

Quando chegamos na Av. Ipiranga na esquina com a Sete de Abril, parte do grupo decidiu seguir na rua lateral (da Feirinha da República que ocorre aos Domingos) e pediu para que os que estavam à frente (seguindo a direção da Av. Ipiranga) acompanhassem, nesta bifurcação a polícia agiu: Ouvi tiros e me afastei, retornando quando senti alguma segurança, a segunda onda de disparos foi mais intensa sendo possível ouvir o som de vidros quebrando, pessoas correndo em todas as direções e eu tentei me abrigar em uma loja quando uma bomba de gás explodiu muito próxima. Temendo o risco e prejuízos, lojistas fecharam as portas e só consegui me abrigar na terceira tentativa: Um bar.

O local completamente invadido pela fumaça branca fazia meus olhos lacrimejarem causando falta de ar, garganta seca e ardência no rosto, quatro manifestantes conseguiram entrar no mesmo lugar e aguardar com portas fechadas o tumulto se dissipar. Funcionários, clientes (incluindo três idosas) tentavam como podiam, respirar e beber água para conter as reações do gás. Logo o Yuri me ligou garantindo que havia conseguido um bom lugar para se proteger.

Permaneci no ambiente por cerca de quarenta minutos, é difícil aceitar tamanha truculência para conter uma manifestação pacífica, a atendente do bar disse que a Polícia acertou duas bombas quebrando painéis de vidro de uma lanchonete ao lado. Uma mulher trouxe na mão uma cápsula (?)

É o nome disto? Não sei identificar essas coisas...

Julguei imprudência tomar para mim este objeto que causaria repreensão violenta em uma abordagem, deixei o local e fui para casa encontrar-me com o Yuri e um amigo querido (que participou do ato).

Imagino o quão doloroso foi o período da Ditadura, bastaram algumas balas de borracha e bombas para sentir medo. A violência (e o despreparo) policial não é exclusividade no trato do Movimento Estudantil: Moradores de rua, Bolivianos, Negr@s, ambulantes (não raro, idosas que vendem milho correm de policiais)… Qualquer resistência pode gerar este confronto uma vez que o alvo não possui treinamento militar, instaura-se o medo para que a força de trabalho não cesse os lucros do capital. Tomemos as ruas de forma crescente! Nos negligenciam saúde, educação e distribuição de renda, certamente não concederão oficinas gratuitas de Krav Maga.

Foto: Marcos Gomes

29 novembro, 2010

Avenida Q

Posted in Eventos tagged , às 12:24 pm por Deborah Sá

Adoro musicais, entre meus preferidos estão West Side Story, Chicago e Funny Girl. Ontem, após a prova da FUVEST passei em frente ao Teatro Brigadeiro e o cartaz anunciava: Avenida Q. Aproveitando a oportunidade de relaxar, aguardei até o início da peça. Além da careca, era a única mulher de havaianas e “sem produção” – um sujeito com a camiseta “I don’t Need Viagra, Im Italian” me olhava como se eu usasse o boné 1DASUL.
E de fato, é de onde vim.

A peça iniciou de modo encantador, é inegável o quanto os atores são talentosíssimos. Mas aos poucos, da primeira fileira pude perceber: Avenida Q era de Status Quo. Um Glee às avessas, por mais absurdo que seja. No número “Todo mundo é meio racista” ouvi piadas que me deixaram sem chão, principalmente pela reação da platéia que só faltava engasgar das piadas escancaradamente racistas que prefiro não reproduzir aqui.
Este número inicia com a idealista, ingênua e romântica Kate Monstra que compartilha com Princeton seu sonho: Criar uma escola para Monstrinhos, ele indignado diz: E você aceitaria alguém como eu lá? Não? Então você é racista também… (sabe quando afirmam que identidade negra é racismo ao contrário? Feministas são machistas ao contrário? )

Ao sair, notei que a Veja deu quatro estrelas para Avenida Q (porque será?).

Princeton, o rapaz, se relaciona ocasionalmente com uma prostituta (uma mulher feliz, que usa sua sexualidade pra conseguir o que quer), Kate Monstra fica triste mas é aconselhada por sua amiga JapaNeusa a esperar, afinal, algumas pessoas demoram para amadurecer e se amor e ódio andam sempre juntos, restava esperar, Princeton era seu.
Em Schadenfreude (expressão em alemão para designar o sentimento de prazer pelo sofrimento dos outros), o personagem negro canta o quanto está feliz ao ver um colega virar mendigo. Há também um número de nostalgia aos tempos de colégio, onde ali era o espaço de aceitação.

Enquanto feminista “calejada”, ouvi “Uma mulher pode ser gorda e pode ser feia, nunca as duas coisas”. No número “Internet é Pornô” senti a revanche reacionária e temi, não minto; que os holofotes caíssem sobre mim quando perguntavam a mulheres na platéia se elas gostavam de pornografia. A piada era eu. Só faltava ser negra. Porque a cultura de auto-ódio faz isto com mulheres, negras e gordas, quando nos humilham somos nós, que acostumadas sentimos vergonha. E é de nós, cobrada a postura da diplomacia, não importa o quanto humilhadas nos sentimos.

Em termos técnicos a apresentação é impecável, friso o talento e a dedicação do elenco. Minhas críticas são direcionadas exclusivamente a narrativa pertubadoramente reacionária, não estava preparada para esta enxurrada, o preconceito costuma vir até a mim em doses homeoticas, inclusive daqueles que amo. Quem não tem um parente reacionário, homofóbico ou elitista que atire a primeira pedra.

A Avenida Q é Berrini, Jardins, Leblon. É onde rir de mendigos é a norma e assumir o contrário é mentir. Em verdade, quando reconheço a série de privilégios que tenho em relação a outras pessoas e não humanos me sinto um lixo.

Sempre há uma onda conservadora (Backlash) quando novas idéias surgem, este musical (originalmente de 2003) é uma brisa suave á aqueles de suspensórios que podem ver sob os holofotes, todas suas piadinhas de quem não encontra riso na marginalização.

Atualização em 30 de Novembro:

Peço, atenhamo-nos ao debate sincero sem ofensas pessoais.

Não tenho paciência para troll

Em nenhum momento xinguei os atores de elitistas, ou parti para ofensas pessoais, tenham o mínimo de maturidade, por favor.

Não tenho potência de Estado, não sou colunista de jornal.

Estão me ofendendo no Twitter da Avenida Q com o fato de eu prestar FUVEST, terminei meu ensino médio com Supletivo. Invalidar a minha opinião porque não tenho diploma, isso sim é elitismo.

Repetindo: Respeito o trabalho da produção, o elenco, todos os envolvidos, mas não acho graça de racismo.

24 setembro, 2010

Entrevista – Data

Posted in Eventos às 12:14 pm por Deborah Sá

Abaixo, e-mail da moça que me entrevistou:

Oi, Déborah! Td bem?

As matérias da 5ª Mostra Árabe de Cinema irão ao ar neste sábado. Não sei te dizer se passará tudo neste sábado, ou se as matérias passarão uma parte neste sábado e depois em outro, pois ainda não vi o programa finalizado. Qq dúvida, entre em contato.

Bjos
Sanny Hosney Mahmoud Mohamed

TV Chams (canal da comunidade árabe brasileira)

Sábado 10:30 e 18:00
Quinta: 00:00

NET – 9
TVA Analógica 99/72
TVA Digital 186
Ou assista online aqui

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