18 janeiro, 2014

Rolezinho

Posted in Eventos tagged às 9:24 pm por Deborah Sá

Em Junho de 2006 fui em um Orkontro. Era assim que nós, rejeitados e desajeitados encontrávamos nossos pares. Escolhíamos um shopping com o intuito de conhecer pessoalmente quem desabafávamos on-line em conversas privadas, MSN. O fórum/comunidade era Orgulho Nerd. Foi assim que conheci Yuri, meu companheiro até hoje, além de outras pessoas queridas com as quais mantive contato na migração ao Facebook. Mas por que milhares de jovens fazem há tempos Orkontros e simulares e isso nunca foi notícia? Nosso grupo não era tão grande e a cor majoritária de nossa pele branca sequer levantava suspeita.

Desrespeitoso supor que o rolezinho não tem o direito de existir, criticar a expansão da inclusão digital. Se são barrados e ridicularizados por fazer coisas que sempre fizemos, está posto o privilégio. Não é só aí que eles são impedidos, nos fóruns de discussão on-line é exigida certa etiqueta gramatical, por exemplo, se faz piada com quem não tem ensino superior ou estudou até o ensino médio. Passar mais de dez anos dentro da instituição escolar, cursar a universidade, nada disso nos dá, senão, privilégios de uma organização social meritocrática, vantagens no mercado de trabalho. Quanto maior a grana, maior a grade, a diferença é muitos ganham pulseirinha, brindes, chaves e acesso a conteúdos exclusivos. O rolezinho escancara esse manto fino, quase transparente, mas, fortemente distintivo. O que barra a circulação desses jovens é a hexis corporal: A história e os signos inscritos no corpo de cada indivíduo.

Integrantes do rolezinho provavelmente sentam-se calados em ritos religiosos. Fazem barulho no templo do consumo porque estão em grande número, assim como fazemos em aglomerações. Encontro com amigos e gente nova não é procissão ou enterro onde se tira o boné em respeito. Que o rolê esteja em toda parte.

2 Comentários

  1. Pili said,

    Posso por link desseseu texto lá no facebook? Todo mundo (que se sensibiliza) deveria escrever sobre suas experiencias de adolescencia no shoping. Na minha época tinha o grupo das patricinhas, em que eu nunca me encaixei muito bem. E mais tarde encontrei espaço nas reuniões de otakos do Meu Amigo Passaro. É o nome era esse… Adolescencia pode ser meio trash… Mas debaixo de porrada fica bem pior.

    • Deborah Sá said,

      Claro :)


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