10 dezembro, 2013

A certeza mora dentro de uma gaiola

Posted in O pessoal é político às 10:29 am por Deborah Sá

Todo movimento, por mais bem-intencionado, pode acreditar que basta resolver sua pauta para um mundo perfeito. O patriarcado. A monogamia. A propriedade privada. O capitalismo. O racismo. O especismo. A hegemonia heterossexual. As igrejas. A escola. Porém, essas estruturas são gigantescas e estão diluídas em nossas práticas, nossos hábitos, nos nossos afetos, na organização do tempo, na vivência. A militância não pode ser um estágio finalizado como quem diz “Pronto, já pensei nessas questões, agora estou imune”, não dá para ser isento, se você não revê suas práticas, se não faz uma análise constante de suas certezas, se não se refaz, você é dogmático. Acomodou, solapou o discurso, colocou ponto final, estagnou. Se a prática é a mesmíssima de anos atrás, sem crises, sem rupturas, a militância virou caminho sem surpresas, a rota de sempre, o piloto automático. Tais estruturas e as respectivas especificidades são atreladas umas nas outras, é relacionamento dialógico, eleger única proposição é dormir e cobrir os braços -por vezes, a cabeça- deixando os pés do lado de fora.

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