4 dezembro, 2013

Estudos apontam: Pessoas inteligentes tem mentes inquietas

Posted in Só falam nisso às 2:15 pm por Deborah Sá

Entre gifs – de gatinhos às mulheres brancas de feições pouco à vontade – a rede mundial de computadores (é com você, Evaristo), apresenta intermináveis listas com as características de pessoas inteligentes. Quadris grandes? Inteligência. Dorme tarde? Inteligência. Ansioso? Pensa muito em sexo? Distração? Introversão? Uau! São sintomas da mais pura clareza mental. De fato, é divertido achar um pedaço de texto que nos descreve, cataloga em algum tipo bom de pessoa, de comportamento. Especialmente se é o da exceção superior. Contudo, não há nada de excepcional em ser impaciente considerando a pressão da perfeição que ninguém alcança. Nem aquele rapaz que já tem carro e casa própria aos 22 anos. Nem ser modelo de passarela. As imagens de sucesso alimentam a indústria de frustração por faltar pouco. Só perder uns quilos. Só comprar um carro novo. Só aumentar o pênis. Um quase lá.

O corpo, seja qual a forma assumida, é marcado pela trajetória, bolhas nos pés cansados, a coluna dobrada de acanhamento, o sotaque. Não se mede aí a inteligência. Uma alta pontuação de Q.I. pode indicar boa memória, escolarização voltada para a dinâmica dos vestibulares, treino. Mas não garante inteligência. Saber muitos idiomas, diferenciar um quadro de outro. Isso também não é inteligência. Ter uma mania, uma fobia, tampouco. Vivemos no império dos medíocres? Sim. Fazemos parte dele? Sem sombra de dúvidas. Um acúmulo de fórmulas, métricas e pontuações não responde tudo (para mais, ou para menos). Pode-se esperar a subversão “inteligente” de um aluno encrenqueiro. Dificilmente se espera uma postura transgressora do sujeito “engomadinho”. Prevemos o sangue frio dos “racionais”, nenhum remorso dos “casos perdidos” (Breaking Bad é solo fértil para discutir além disso, a masculinidade hegemônica e sua fragilidade). A inteligência, ao fim, é atenuante irrefutável. O sujeito é petulante, mas não se pode ignorar a genialidade. Parece viver em outro mundo, todavia é uma mente de fronteiras abertas. Não consegue ler um livro de literatura, é brilhante matemático. Não é um beberrão qualquer, é boêmio contemplativo. Não é uma prostituta de esquina, é articulada, escreve bem, vamos ouvir o que ela tem a dizer. A inteligência legitimada pode ser dissimulação de aceite, um pedido de desculpas. Um jogo de esconder. A permissividade de ser banal se antes for em alguma medida, extraordinário.

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