6 novembro, 2013

Deus é monogâmico

Posted in Crenças às 12:33 pm por Deborah Sá

Deus vigia sua vida e sabe com quem conversou, em qual data, a duração do seu último telefonema. Assiste o dormir e o acordar, conta teus passos. Quer que você o ame acima de todas as coisas, segundo seu entendimento, quem ama de verdade não tem olhos para mais ninguém. Especialmente ele, que é generoso o bastante para te manter respirando. Ele não aceita “dividir” porque você é “dele” e o ciúme é chamado “cuidado”. Não te quer de qualquer jeito, quer o corpo, a alma, o pensamento, os desejos direcionados, entrega total, devotada, penitente e resignada. Ele te testa rotineiramente para provar pro rival o quanto te tem na mão e o quanto você é leal. Deus, diz que você sem ele não é nada, a folha da árvore só cai com seu consentimento e até onde a vista alcança, é em tudo, domínio. As criaturas não humanas estão igualmente em poderio (esposos controladores usam animais para coerção de esposas e filhos). Deus permite que suas coisas quebrem e igualmente te quebrem, escolhe livrar de algumas coisas e outras não. Deus escreve certo por linhas tortas na certeza de ser muito mais inteligente e superior. Se por alguma razão você apanha, é porque merece e se não merece, há de merecer. És pecado original e perpétuo, é esposa submissa, valorosa, aguardando os desígnios. Incontáveis depoimentos descrevem quão desgraçados são os que abandonaram à Deus, pois marido possessivo que é, afirma ao fiel que o abandono, adultério e/ou a fornicação tornarão a vida um inferno, ou ainda, na versão mais sádica, postergará o sofrer aos excluídos. Os que duvidam, os que desejam além da superfície, os que dão vazão, os que explodem, os que instigam, a criancinha honesta ao constranger o adulto com boca grande, simplicidade explícita, os loucos, com e sem laudo, os dúbios e irônicos, todos, irremediavelmente condenados. Tradicionalmente o casamento arranjado com Deus é feito na idade em que não se pode tomar as próprias decisões, dizem ser um “partidão”, quase unanimidade. As divorciadas, isso é, as insubordinadas de coração e mente, trocam o cronograma fixo do paraíso por outro registro, feito de intervenção e reinvenção. Úmido e brilhante como a tinta fresca da caneta que não cessa de deixar estrias no papel.

2 Comentários

  1. be said,

    Que da hora!

  2. she said,

    Que deus nos livre de Deus


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: