25 novembro, 2013

Troublemaker

Posted in Egotrip às 1:18 pm por Deborah Sá

Outro tempo. Outra forma de levantar, de sentar, de respirar, de cuidar de si. Outra forma de sentir a ansiedade. Outra forma de distribuir o peso. Outra forma de se perdoar. Outra forma de doação. Eu, outra. Eu discordo. Eu sou a antítese. Para que haja síntese. Para que haja tese. Para que nunca pare. Para que aja o incompleto sem preenchimento. O vazio. Naive. É uma das palavras em inglês que mais gosto, faz o som de navegar. Ela alonga o pescoço, empina o queixo. Ingenuidade, um pedaço de desconhecimento e fé no que virá sem precisão. Eu não busco a verdade, eu busco potência. Não esquentava banco de escola, por isso saí. Não esquentava banco de igreja, por isso. Não esquentava escritórios. Saí. Eu leio, eu devoro, eu conjugo, eu escrevo. Movendo de lugar em lugar. Eu largo. Eu não esquento. Minhas mãos, meus pés, meus quadris, arrefecem sem o calor do outro. Julgava ser espécie de repelente, ser gelada, ser das extremidades. Mas é frescor da mudança, novos ares. O cabelo muda nas próprias mãos e tesouras cegas. E vou. E vamos. E se vir, será, bem vindo.

19 novembro, 2013

Você escreve?

Posted in Enquetes às 1:45 am por Deborah Sá

Aproveitei para criar uma enquete que me atiça há um tempinho, mas só agora resolvi desenvolver. É sobre o hábito de escrita de vocês. Peço que respondam com sinceridade, por favor, assim os conheço um pouquinho melhor. Beijos =*

6 novembro, 2013

Deus é monogâmico

Posted in Crenças às 12:33 pm por Deborah Sá

Deus vigia sua vida e sabe com quem conversou, em qual data, a duração do seu último telefonema. Assiste o dormir e o acordar, conta teus passos. Quer que você o ame acima de todas as coisas, segundo seu entendimento, quem ama de verdade não tem olhos para mais ninguém. Especialmente ele, que é generoso o bastante para te manter respirando. Ele não aceita “dividir” porque você é “dele” e o ciúme é chamado “cuidado”. Não te quer de qualquer jeito, quer o corpo, a alma, o pensamento, os desejos direcionados, entrega total, devotada, penitente e resignada. Ele te testa rotineiramente para provar pro rival o quanto te tem na mão e o quanto você é leal. Deus, diz que você sem ele não é nada, a folha da árvore só cai com seu consentimento e até onde a vista alcança, é em tudo, domínio. As criaturas não humanas estão igualmente em poderio (esposos controladores usam animais para coerção de esposas e filhos). Deus permite que suas coisas quebrem e igualmente te quebrem, escolhe livrar de algumas coisas e outras não. Deus escreve certo por linhas tortas na certeza de ser muito mais inteligente e superior. Se por alguma razão você apanha, é porque merece e se não merece, há de merecer. És pecado original e perpétuo, é esposa submissa, valorosa, aguardando os desígnios. Incontáveis depoimentos descrevem quão desgraçados são os que abandonaram à Deus, pois marido possessivo que é, afirma ao fiel que o abandono, adultério e/ou a fornicação tornarão a vida um inferno, ou ainda, na versão mais sádica, postergará o sofrer aos excluídos. Os que duvidam, os que desejam além da superfície, os que dão vazão, os que explodem, os que instigam, a criancinha honesta ao constranger o adulto com boca grande, simplicidade explícita, os loucos, com e sem laudo, os dúbios e irônicos, todos, irremediavelmente condenados. Tradicionalmente o casamento arranjado com Deus é feito na idade em que não se pode tomar as próprias decisões, dizem ser um “partidão”, quase unanimidade. As divorciadas, isso é, as insubordinadas de coração e mente, trocam o cronograma fixo do paraíso por outro registro, feito de intervenção e reinvenção. Úmido e brilhante como a tinta fresca da caneta que não cessa de deixar estrias no papel.