9 outubro, 2013

À barriga positiva

Posted in Corpo às 10:26 am por Deborah Sá

barrigapositiva

O que eu tenho contra mulheres e homens magrelos? Nada. O que eu tenho contra a pressão por corpos “perfeitos”? Tudo. O que eu tenho por pancinhas? Amor. Aliás, quer coisa mais deliciosa do que alguém apertando gordurinhas (costas, barriga, braços, quadril)? difícil, difícil. Como disse certa vez um amigo: “É mais fácil ver gente bonita na rua”.

Milhares gostam de usar celebridades de motivação para emagrecer, colocam foto da modelo no desktop, querem o shape da famosa X ou Y. Isso em um mundo onde Fabiula Nascimento existe! Nadia Aboulhosn samba na cara e Beth Ditto sai divando. Certo, elas não ganham o mesmo destaque, também sei que gente insensível com a baixa auto-estima alheia humilha, diz pra perder uns quilinhos “para seu próprio bem”. Nas condições atuais, passou do manequim quarenta já se é gorda. Aliás, nem precisamos chegar a tanto, se sentar e a barriga fizer dobra já é considerada gordinha e o pior, barriguda. Bem sabemos o tratamento honroso que não-magros recebem, ninguém quer fazer parte de um grupo desse, dos desleixados e preguiçosos. Ao ligar a tv ou abrir uma revista, conte quantos anúncios emagrecedores verá. Insatisfação gera dinheiro para a indústria das cintas modeladoras, dos cremes rejuvenescedores, do gel anti-problema-inventado-nas-últimas-décadas, dos iogurtes pastosos e queridinhos das dietas que prometem desinchar, dos shakes e  dos queijos processados, das carnes grelhadas, da água da grande corporação que diz limpar mais seu organismo do que a concorrente.

Notícia de última hora: Um corpo gordo não é um corpo sujo, ele não precisa ser “limpo por dentro”. Um corpo gordo ocupa espaço, talvez mais que o seu e o mundo continua a girar. Lamentável é ter uma cidade inteira planejada para tamanhos diminutos, especialmente para mulheres menores (uma camiseta GG feminina é um P masculino). Vergonhoso é policiarem o que o gordo coloca no prato e em conclusões precipitadas o taxar como frouxo de caráter. Risível é não crer no gordo vegetariano, não sedentário e de exames em dia. Amar o próprio corpo é resistência das mais subversivas, dessas que fazemos aos beijos.

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