17 setembro, 2013

O corpo modificado é meu, não dei permissão para tocar/assediar

Posted in Corpo às 5:30 pm por Deborah Sá

Hoje, enquanto tomava um mate, um homem com cerca de cinquenta anos me abordou. Intrigado com a tatuagem, boquiaberto, aproximou ao ponto de deixar desconfortável. Na época em que eu estava careca, um senhor de meia idade o qual atendia uma loja de tintas de cabelo fantasia, puxou assunto e assim, sem mais nem menos, detalhou memórias sexuais de sua infância. Tenho alguns piercings, uma tatuagem (pretendo fazer mais, em breve), já usei cabelos coloridos, mas nada que se compare a minha irmã: Ela tem tatuagens pelo corpo todo, muda de cabelos constantemente, alargadores enormes. As abordagens são no seu caso, ainda mais invasivas. Ela já perdeu a conta de quantas vezes pegaram sua orelha sem pedir permissão. Corpos modificados chamam atenção, mas veja bem, só toque em outro corpo se perceber intimidade e abertura. Se a pessoa está distraída, envolvida em uma tarefa cotidiana, aborde com toda a educação. Não fique bravo se a pessoa não gostar da sua intromissão. Ela não pediu sua opinião, ela não te conhece, você pode pegar a pessoa em um dia ruim. Respeite o espaço dos outros. Simples assim. Você meteria a mão na coxa de um homem desconhecido, alto, forte e musculoso sem ao menos tentar um flerte? Se ele fechasse a cara, você continuaria? E se esse homem com olhos obsessivos se aproximasse ao ponto de te assustar? Se fosse com você?

O mesmo vale para um corpo curvilíneo dentro de uma roupa justa ou um decote, é bonito de se ver? Pois sim. Mas não é porque a genética e a modificação corporal (malhar ou ser sedentário é modificar) deram abundância que o dono do corpo deve possuir recato com suas formas. É lamentável esperar que toda sexualidade e expressividade corporal não normativa, isso é, recatada em público, “devassa” com extremo decoro em ambientes privados, seja constrangida ao ocupar a via pública. Ademais, geralmente, muitos desses “admiradores” buscam envolvimentos “secretos” por vergonha do próprio desejo. Ser espalhafatoso, efusivo, modificado, usar roupas justas ou ser sorridente não implica na obrigação de corresponder investidas agressivas. Empatia e bom senso são ferramentas no combate da moralidade dogmática e o melhor, são gratuitas.

3 Comentários

  1. Juliano Carlos Bilda said,

    Muay Thai rules!

  2. said,

    As pessoas acreditam que só pelo fato do outro ser diferente, agem como se estivesse escrito em suas testas: “bulime-me!”. E o fazem, sem a menor cerimônia. E ai daquele que ficar indignado com isso.


    Nem lembro onde vi o link do seu blog, mas enfim, gostei daqui.
    Saudações capixabas! =)

    • Deborah Sá said,

      Exatamente, Vã!

      Seja bem vinda! Um abraço!


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