22 agosto, 2013

O uso de anti-depressivos (e porque não, outras drogas) para lidar com a dor

Posted in Corpo às 11:50 am por Deborah Sá

Quando pergunto que tipo de drogas alguém já experimentou e qual sua relação com elas, na verdade quero saber como a pessoa lida com a dor, como busca outras sensações, como reage ao medo, à insegurança, as pressões que caem em seus ombros, como ela celebra o momento com os amigos. Não é pra fazer julgamento de valor, o corpo não é templo, ele é permanentemente modificado e induzido em diferentes estados de espírito, seja pelas circunstâncias, seja por auxiliadores como escutar música ou fazer sexo.

Como tudo o que tenho é o material e primordialmente, o sensorial, isso é, os canais de percepção que existem em meu corpo no contato com o mundo, absorvo e deixo mesclar ao tátil, ao olfato, o gosto de ver. Se me abate uma tristeza sem tamanho, prefiro sentir, pois não tenho a obrigação de ser forte o tempo todo e porque lá no fundo, tenho esperança de que é uma crise como as outras, vai passar. Quando algo me desestabiliza vou procurar na filosofia, na sociologia, nas conversas de amigos, todo o aparato de reflexões e experiências que carregam sobre o tema, pois se estou triste, preciso ter a certeza de ser algo que afeta a humanidade e eu como parte dela, sou acertada em cheio vez ou outra. Uma das interpretações mais precipitadas sobre minha filosofia de vida é de ser racional demais, abandonada do corpo, quando em verdade, não se trata disso. É o concreto, seja pela tentativa de me situar enquanto ser social e histórico, seja pela faculdade contempladora no intento do olhar não acostumado e apático diante da vida, é junção do reinventar-se. Pois as estruturas a qual estou sujeita me tiraram por décadas o prazer de existir, de gozar a liberdade dentro de uma margem possível de autonomia. Mas essa, é a minha forma de reagir. E se por um lado menosprezam quem usa entorpecentes por uma suposta fraqueza, desprezam tanto quanto quem leva a vida com sobriedade laica, o pressuposto é de não sofro o bastante para buscar a Deus, um fármaco ou a birita. O mais precioso presente que alguém pode me dar (seja na alegria ou na tristeza) é a companhia, é pele, é cheiro, é voz, é toque, para que eu aprenda a lidar de volta. Se os olhos são a janela da aula, a minha está escancarada por toda a extensão, distribuída nos poros, epiderme.

%d blogueiros gostam disto: