19 junho, 2013

“Conseguimos conquistar com braço forte”?

Posted in Atos, O pessoal é político, Só falam nisso às 1:42 am por Deborah Sá

Imaginei que a Copa despertaria união e as propagandas chamando pra rua nomeando a pátria de chuteiras, traria mais gente, despertaria um momento de junção. E despertou. Pensei que seria uma oportunidade de crescimento para todos por integrar mais gente. Errei. Não sou de partido político, mas entristeci ao quebrarem a bandeira de um manifestante hoje. Ao que parece, a única permitida nos atos é a verde e amarela, aquela com o slogan pavoroso de “Ordem e Progresso”.  Esse partidos com bandeiras vermelhas que muita gente chama de oportunista está aí há tempos tomando borrachada (antes de você ir pra rua essa semana) e pode notar, haviam bandeiras vermelhas diversas. Pois, embora esses movimentos tenham aproximações, possuem formas de organização distintas em um espaço para todos. Quando uma multidão reivindica que só sua bandeira pode ser hasteada é amostra clara de silenciamento, de pasteurizar. Saem as cores do arco-íris, entram os tons pesados e bicolores.

Não usaria nariz de palhaço, bandeira de manto. É genérico demais ser “contra a corrupção”, “contra o que acontece no Senado”. Os poderes estão diluídos, capilares, não tem essa de “é só tirar o fulano e tudo resolve em um passo de mágica”. Lembram do filme Tropa de Elite 2 onde a trama reforça que o sistema possui uma lógica própria e mesmo trocando as peças o “relógio” continua funcionando? Então.

O objetivo é paradoxal, pedem paz e um país sem violência através do Nacionalismo. Ah, o nacionalismo…inflou o peito de muita gente a favor da ditadura, mobiliza aparatos bélicos, assassinatos em massa, perseguições que invadem a casa de “possíveis subversivos”, acossam moradores da periferia, o  “Ame-o ou deixe-o”, o Hino Nacional obrigatório nas Escolas. A ordem em primeiro lugar e o progresso a qualquer custo, mesmo que isso implique “cortar o mal pela raiz”. Pedir um não envolvimento “partidário” e sim “brasileiro”, é ao contrário do que a precipitação indica, se posicionar politicamente. Não pela liberdade, autonomia e diversidade, mas pela vigilância assistida, a voz comedida, a clandestinidade aos olhos de um Estado controlador das liberdades individuais e coletivas. Precisamos caminhar, mas é realmente necessário lutar para bater continência?. Se esse é o gigante que acordou, que volte ao sono dos injustos.

Trilha sonora: Manchester England

2 Comentários

  1. Hanna said,

    Ótimo post Deborah. Também não gosto desse nacionalismo. Estou feliz com as manifestações, pela capacidade de mobilização e ação que o povo está mostrando ter. Então, o brasileiro não é tão apático e preguiçoso como diziam. Pretendo participar aqui na minha cidade (vai ser amanhã). Seu texto me fez pensar. Obrigada.

    • Deborah Sá said,

      Por nada <3

      E obrigada você também!


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