19 junho, 2013

Bolo Verde e Amarelo – Pra comemorar

Posted in Atos tagged , às 12:23 pm por Deborah Sá

Ingredientes da massa

Apito
Bandeira verde e amarela
Guache
Canetões
Cartolina
Patriotismo

Modo de preparo

Demonize movimentos de esquerda. Todas as bandeiras que não sejam verde e amarela são dispensáveis. Quebre dois ovos em cima das com símbolo anarquista (uns arruaceiros). Se qualquer grupinho histérico radical aparecer, jogue leite com nescau. Exemplos: Feministas, afinal, somos humanistas! Idem pra veganos, pois querem comparar um bezerro com uma criança humana! Etc, etc. Bata bem, reduza a maioridade penal e coloque pra assar em forno médio. Espere ficar dourado e espete, se o palito sair limpo  e sem gosto de nada, está pronto.

Cobertura: Depois que a massa estiver bem fria, jogue brigadeiro pra ficar gostoso o “sem partidos” da anarquia, isso mascara qualquer resquício dos sabores antigos. Para decorar, escreva Ordem e Progresso com marshmallow verde e faça um contorno circular com fios de ovos bem amarelinhos.

5 Comentários

  1. punkbeat said,

    Deborah! Eu leio qse todos os seus posts por e-mail, mas esse, em especial, quis deixar um comentário: sensacional!

    • Deborah Sá said,

      Obrigada!

  2. Fabi said,

    Outro dia, quebrei o pau com uma amiga muito querida e que considero “esclarecida”. Dizia eu que era um absurdo e atentava contra liberdades e garantias individuais uma pessoa constranger a outra a não portar uma bandeira qualquer, que o neo-integralismo estava por aí etc. Ela respondeu que achava legítimo porque as pessoas estavam cansadas dos partidos que não as representam. Sim, que não portem bandeiras, então, que não votem neles, que se discuta democraticamente se eles devem existir e como, simples assim. Ela não se convenceu e como é juíza de direito tentei argumentar (sou dessas chatas) mais ou menos nessa linha: depois da segunda guerra mundial, tribunal de Nuremberg, o escambau, as pessoas perceberam que existem direitos que precisam estar nas Constituições dos países e que estão acima dos demais. Por isso nosso art. 5º consagrou liberdades individuais, manifestar-se é uma delas, ir e vir é outra. E isso é colocado lá e dessa forma para momentos como esse, de crise e não para os de paz social e bla bla bla. “Se não quer ouvir a razão, ao menos será legalista, impossível que um aplicador da lei, como ela, não concorde”, pensei eu. Pois, que nada! A pessoa fez uma ginástica jurídica imensa (e ruim) para dizer que quem portava bandeiras é que estava ferindo o direito de quem não queria que elas estivessem lá portando-as! Depois de muito conversé mais arrematou com uma pérola: “Ué, você não é anarquista? Sem partidos! Anarquismo!”
    Nem vou reproduzir aqui as explicações e os impropérios que teci. Mas, olha, sinceramente, esse episódio serviu para me deixar muitíssimo preocupada, já vinha percebendo esse movimento conservador e fascista, mas não sabia que ganhava tão rápida e efetivamente corações e mentes. Corri para reler a Hannah Arendt (e aí pirei de vez – rs).
    Abs.

    • Deborah Sá said,

      É uma apropriação sem fim! Mas acredito que felizmente a história é construída e não podemos prever seu rumo e de todo modo, sou otimista, essa nova onda de aproximação política pode trazer para o debate pessoas afastadas dessas discussões!

      Um abraço!

      • Fabi said,

        Sim!


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