12 junho, 2013

Os últimos atos contra o aumento da passagem e o vandalismo

Posted in Eventos, Só falam nisso tagged às 12:46 am por Deborah Sá

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Imagem genial retirada do Facebook – Rolet 20Conto

Já participei de atos contra o aumento da passagem em SP e reitero: Só não tem medo de polícia quem nunca se manifestou contra o Estado. É lindo ter gente na rua, mais de 10 mil! Não fui nessa, nem sei se irei nas próximas. Não que não ache legítimo, mas tenho medo: Medo de polícia e medo de sobrar pra mim, medo de ter uma crise de ansiedade lá no meio (quem já viu eu nesse estado sabe que não é legal). Na multidão não há coesão, um grupo isolado pode decidir tacar ovos (ou algo mais explosivo) e acertar em qualquer um. Já fugi de polícia em ato, já estourou bomba no meu pé, já me acertaram ovo acidentalmente. E os atos de vandalismo, mesmo que pequenininhos (como chutar uma lixeira) são ampliados zilhões de vezes pela imprensa. Apoio fogo e enfrentamento em casos como Pinheirinho, quando as famílias defendem ocupações de espaços inutilizados que aguardam a próxima especulação imobiliária. Porém, não sei se apoio esse enfrentamento no momento em que vivemos. Não quero ser taxativa nem dizer como e onde as pessoas devem militar, talvez esse seja o momento de medidas mais extremas, talvez não, quem dirá é o tempo, não há como prever.

Fama de vândalo, desordeiro, caricato e brutal todo indivíduo não conservador tem, mesmo se “nos comportarmos direitinho”. Quem espera uma representação na mídia que dê voz, é melhor desistir. Ás vezes, medidas drásticas são necessárias, mas não sei se o pessoal dentro do busão que vê um monte de jovem pixando e balançando o ônibus pela janela, concorda com isso. Na verdade, não tem muito como saber. Quem faria uma pesquisa desse tipo? Quem realmente quer ouvir tais sujeitos? A única certeza que tenho é que as pessoas não são estúpidas, seja se informando pelas redes sociais ou pelos jornais, elas não são palermas. Sabem que a polícia é truculenta, que o preço da passagem é absurdo e esperar do Estado raramente resolve algo.

Querendo ou não, os policiais são parte da classe trabalhadora, assim como os seguranças de banco e de shopping. Alguns podem gostar da violência que exercem? Certamente. Da mesma forma uma mãe pode gostar de bater no filho pra extravasar a raiva às vezes. Isso não anula o fato de que eles tem a vantagem da força bruta, do cacetete, o maior porrete, além da permissão para agredir e até matar. Levanta menos suspeita matar nos confins da periferia do que um estudante branco na Paulista. Que fique evidente que acredito na empatia e que é justo que todos os incomodados se mobilizem, mas espero que fique mais evidente ainda que quanto mais escura a pele, mais o cacetete pesa. Já vi muito policial batendo “de graça”, sendo racista e abusivo na abordagem de negros que apenas caminhavam. Um absurdo atrás do outro. Contudo, mesmo com desconfiança, é um aparato que tem sua utilidade. Já vi casos de gente que tentou impedir denúncia de violência contra a mulher porque a “polícia é o braço armado do estado”. Sim, a polícia e o estado não são mil maravilhas, mas tem seu uso, quero dizer, o Estado e seus representantes deveriam antes de tudo, responder aos interesses democráticos e de justiça social. E no momento, não creio que a suspensão do Estado (desculpem, anarquistas), a criminalização dos que se manifestam ou a demonização de trabalhadores que fazem defesa de patrimônio, resolva algo.

E o trânsito? Fica tranqüilo, essa mobilização não findará, amanhã haverá horas e horas de congestionamento esperando por você.

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