10 maio, 2013

Misandria não serve nem pra piada

Posted in Gênero às 2:09 am por Deborah Sá

Eu, de pijama. Desenhada pela minha irmã

O feminismo e outros movimentos fazem isso há muito tempo, pegam um termo e dão um novo significado. Falar em “feminazi” e “misandria” por brincadeira é o mesmo que dizer que é um soldado da ditadura gay, mostrar o absurdo de não ter conjuntura política, histórica ou social quando se é acusado de promover um regime ditatorial. Simples. Faz alguns anos que não entendo essa brincadeira de “feminazi”, “sou misândrica”, imagens de ~odeio homens~. Quando li  SCUM Manifesto pela primeira vez, ri (conheço alguns homens feministas que também se divertiram), foi o momento de revolta da Solanas. Ela estava “pelas tampas” e resolveu dar um touché no discurso patriarcal mascarado de ciência. Como entretenimento, ótimo, pra levar á sério? Nunca. Compreendo a ironia e o propósito de se dizer misândrica na internet enquanto namora homens, gosta de intercurso, ama o filho, o pai, o irmão, o avô, faz parte da graça da piada, mostrar o disparate. Entre um caminhão de palavras pra ressignificar por que diabos vamos atrelar nossa identidade á esses parâmetros de interpretação obtusa do feminismo? Empoderamento, igualdade, empatia, pluralidade, união são termos que não dão mais conta? “Le Freak, C’est Chic?”

Não sei se é tendência, mas semana passada rolou um texto na internet sobre se assumir feia, parece um movimento similar a apropriação do discurso misândrico “de mentirinha” : Vestirei a carapuça. Percebo a ação mas não acho graça nem vejo o objetivo político. Por exemplo, se a feminista conseguir de fato se apropriar desse discurso e não ter preocupação com a aparência, ótimo. Porém, tenho a intuição de que apenas uma parcela ínfima ficaria satisfeita nesse esquema, se é que alguém realmente ficaria. Detesto ser repetitiva (digo isso há algumas postagens), todavia vejo necessidade de reiterar: Isso é separar mente e corpo. Ademais, saber do Mito da Beleza não implica na obrigação de jogar maquiagens fora, a própria Naomi Wolf usa brincos dourados e batom vermelho, a bunda da Simone de Beauvoir e seus pés em salto alto são de muito bom gosto no sentido mais comum da palavra. Não entendo esse “faz de conta” de “não me importo com beleza”, “odeio homens” e similares porque a maioria das mulheres que conheço que faz esse discurso tem problemas sérios de insegurança e de auto-estima. Não porque são fracas, mas porque são humanas e todo mundo se sente assim ás vezes. Então por que mentir pra si mesma assim? Pra quê passar essa imagem que foge tanto do amorzinho que vocês são na vida real? Qual o alívio de dizer “Ufa, não preciso me sentir linda”, esse não é um dos discursos mais fortes desde a segunda onda do feminismo? Que cada uma tem o direito de se reinventar? De mandar á merda os padrões e descobrir sua forma de ser feliz? Gente, cadê a historicidade?

Outra coisa, se não querem ser chamadas de lindas, deixem isso claro, as pessoas tem de respeitar, mas não é porque alguém te acha linda que está te reduzindo a um pedaço de corpo. Aproveitando a postagem, deixa eu falar uma coisa que mudei e muito de opinião sobre uma interpretação feminista corrente: Ninguém se objetifica. Uma postura corporal, uma roupa, uma dança, nada, nem ninguém, se objetifica, porque acreditar nessa possibilidade é dizer que a culpa do alvo de preconceito é ele mesmo, igual fazem com gay que dá pinta. Quem quer ser fabuloso e se jogar no vestidinho flúor ótimo, quem quer se jogar no xadrez e deixar a perna peluda, idem. Mas voltando ao papo anterior, se “misândricas” usam maquiagem, a maioria se relacionou (ou se relaciona) com homens e obtém prazer disso, qual a finalidade desse discurso? Aproximar uma panelinha como em uma piada interna? É um código interno de uma festa que não me convidaram (vai que…)?.

23 Comentários

  1. Giovana said,

    Eu me considero misândrica e isso não é só piada, pra mim, não. Me encaixo no que você falou: tenho relacionamento com um homem, certos homens são caros à mim. Mas Deborah, tu percebe que essas 2 características valem pra homens misóginos? Homem misógino muuuitas vezes é hétero. Misandria pra mim é ódio a uma classe, assim como misoginia. Me considero misândrica por detestar homens autodeclarados feministas quase sempre. Me considero misândrica por dar preferência quase total a grupos exclusivamente femininos para falar de feminismo hoje. Me considero misândrica por saber que mesmo os homens que mais amo e confio no mundo tem poder político pra me FODEREM se quiserem. Me considero misândrica porque acho que a não-violência não tem salvado as mulheres.

    • Deborah Sá said,

      De modo algum acredito em determinismos de gênero, genéticos ou afins. Socialmente mulheres são criadas para baixar a cabeça, os homens para atacar. Tudo isso tem de ser revisto claro, mas pra isso não é preciso misandria. Ser feminista faz eles merecerem uma medalha? Não. Mas é ótimo que as pessoas através da empatia defendam causas que não dizem respeito só quando “a água bate na bunda”. Defendo a auto-defesa para todas as mulheres, mas não chamo isso de misandria. Resumidamente, não se resolve misoginia com misandria. Os homens tem que parar de ser misóginos, ponto. Conheço lésbicas feministas que já sofreram agressão de suas parceiras, isso não é intrínseco a relação hétero não feminista, ninguém deve achar que é dono do parceir@ ou amar acriticamente. E como disse, tudo isso pode ser feito sem misandria. Gostei do exemplo, misóginos podem amar suas mulheres, é verdade. Mas o melhor não seria ele “tratar” sua misoginia? Não digo que todas as mulheres devem amar homens (ou mulheres, pouco importa) incondicionalmente, mas será que o problema não é o sentimento de posse? O ódio? Você acha que adianta combater ódio com ódio? Eu acho esse pensamento muito diferente daquela frase clássica “Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem”. Porque eu chamo as margens de violentas, okey? Sei que são, mas a misandria não é a saída.

      É possível quebrar ciclos de violência sem misandria. É possível questionar os padrões de beleza e tudo mais, sem misandria. Feminismo passa pelo empoderamento, que a meu ver é: Se amar e se defender. O que não significa necessariamente: Transformar medo de homem em ódio de uma classe que como qualquer outra, não é homogênea.
      Não sabia que a coisa era séria assim, juro. Achei que era “faz de conta da internet/brincadeira”, piada interna, panelinha, um discurso sem prática na vida real, mas vejo que estava enganada e que bom que vocês responderam (aqui e no Facebook), assim aprendo em que outras vias o feminismo se articula. Não quero cagar regra, por favor, vocês (e qualquer um) pode seguir a vida como quiser, não acho que todo feminismo tem que me representar, mas é bom saber o que vocês pensam. Se for uma espécie de síndrome de Estocolmo, eu sinto muito por vocês (não é deboche, isso deve ser sofrido) e espero que um dia consigam parar de se relacionar com homens e se juntem exclusivamente com mulheres (se isso as faz mais seguras e felizes).

      Continuo me opondo a misandria e não vejo perspectiva política de mudança dentro dela :)

      • Marcia said,

        Oi Débora! Concordo com vc quanto as questões sobre misandria. quanto às questões sobre beleza, confesso q não sei o q andam falando pela web, as acho importante qestionar a real importância de ser belo. O discurso q escuto muito de homens cis é “sou feio, mas tenho bom papo” e assim demonstram sua segurança.
        Não seria ótimo q fosse assim para as garotas? Será q a beleza ñ é supervalorizada? beijo!

      • Deborah Sá said,

        Oi, Márcia,

        Também acho importante pensar sobre a necessidade de ser belo. Mas veja, não é porque um homem diz que vive tranquilo com o fato de ser “feio” que ele de fato se sente assim. Quantos caras não são rejeitados por mulheres e revidam ficando bombadões para “dar o troco”? Procure “Zyzz” no Google, esse cara era um sujeito magrinho que bombou e saiu pegando geral, usou muita droga e tomou anabolizante, morreu aos 22. Esse indivíduo é uma inspiração para dezenas de caras, procure as comunidades dele no Facebook, é espantoso o impacto que ele causa na vida dessas pessoas. Os caras são obcecados pra ficarem fortes, pegar mulher, tem muita pressão, o mito da beleza é ruim pra todo mundo.

        E eu pergunto: A inteligência também não é supervalorizada? Por que o cérebro vale mais que um rosto bonito? Por que trabalhos manuais tem menos status social? Por que não podemos respeitar as pessoas independentemente do tamanho do seu capital, seja estético, cultural ou econômico?

        Beijos!

  2. feia said,

    desculpa fugir do assunto principal, mas vou me ater ali ao segundo paragrafo, onde vc diz: “por que mentir pra si mesma assim?”

    ue, me acho feia mesmo. nao quero q me chamem de feia, nao me ofendo se me chamarem de linda, sou indiferente. só estou cansada desse papo de beleza, beleza, beleza. as mulheres ja sao totalmente neuroticas com beleza o tempo todo, da licença pra gente dizer que nao se importa com isso, poxa… pq talvez, sim, quem se acha feia tenha problemas de autoestima, eu tenho, mas talvez começar a dizer a si mesma que beleza nao importa, nao serve pra nada, e q ta tudo bem ser feia, seja algo empoderador. n tenho como saber se nao tentar.

    eu nao tenho nada contra quem é bonita, se acha bonita, se sente vaidosa. acho a naomi linda de morrer. mas eu nao sou, nao me sinto bem dizendo que eu tenho q me amar, me sinto como se estivesse me enganando.

    uma das coisas que mais me causa sofrimento é a sociedade me dizendo que eu devo ser bela. pq se eu nao for bela, nao vou conseguir aquele emprego, ou aquela oportunidade, ou vou ser tratada feito lixo pelas pessoas. nao adianta eu tentar me sentir bonita se todo o resto do mundo continua me maltratando por ser feia. nao da certo, nao tem funcionado.
    se todo mundo sentir repulsa sexual por mim, nao me importo, ja desisti de ter parceiros sexuais ha muitos anos. só estou muito cansada de me ver anulada em todos os outros campos da vida, estou cansada de ser alvo de piadas quando vou ao boliche, à praia, ao trabalho, à faculdade.

    nao sei a forma certa de lidar com isso, mas certamente nao é mentindo pra mim mesma que a aparencia que eu odeio é maravilhosa e me faz feliz, pq nao me faz.

    • Deborah Sá said,

      Feia,

      Você não precisa ser linda ou se sentir assim, também não precisa ser inteligente. A gente não precisa ser “foda” pra existir e ser respeitada. Se essa pressão é generalizada (e eu acredito que seja) tente enfrentar essas pessoas, ninguém merece ser humilhado ou destratado. Se acha que a melhor saída é “desencanar” de tentar ser linda, faça isso, mas perceba se isso realmente te empodera ou só alimenta o auto-ódio, se faz você se desligar do corpo. Porque se for o caso, não é nada saudável, achar que dá pra separar mente e corpo e só trabalhar a mente, se não cuidar da sua saúde uma hora a coisa vai travar (e quando falo de saúde do corpo isso incluí bem-estar mental).

      Um abraço e boa sorte ;)

  3. Phê Brito said,

    Debora, amei com todo meu coração a resposta que você deu para a Giovana, principalmente essa frase: “É possível quebrar ciclos de violência sem misandria. É possível questionar os padrões de beleza e tudo mais, sem misandria. “

    • Deborah Sá said,

      Obrigada :)

  4. luiza kame said,

    não entendi

    • Deborah Sá said,

      Algumas feministas se diziam misândricas, eu achava que era era brincadeira de internet, mas descobri que não é.

      • luiza kame said,

        Entendi… Mas, lendo seu texto, senti um desconforto… Como se eu precisasse de uma cura para passar a confiar nos homens. Sabe? Não posso ignorar a violência que todas sofremos no dia-a-dia… Quando um homem levanta a mão pra mim, meu primeiro reflexo é me encolher e desviar. Por exemplo, no outro dia estava voltando pra casa à noite com duas amigas e fomos abordadas/assustadas por 6 homens que saíram de trás de uma moita, e eles disseram que estavam se divertindo muito com o nosso medo. A falta de confiança nas figuras masculinas não vem do nada… Sou eu que preciso ser “curada”? Como faz pra esquecer completamente o background que construímos durante toda a nossa vida numa cultura patriarcal? Acho difícil. Você não acha que a incoerência está em dizer que adora os homens e que acha ótimo que eles se apropriem/roubem do/o discurso feminista? Eu me sinto desconfortável na maioria das vezes que um homem se apresenta assim. Até já ouvi um desses ladrões de voz proferir a pérola: “você está dizendo isso só porque acha que eu sou cis. [pausa] MAS EU SOU MESMO! Vocês só estão reclamando da minha fala porque eu tenho um pênis.”
        Posso dizer sem medo que eu ODEIO esse tipo de cara, que pega duas páginas de teoria feminista e de queer, e usa pra se disfarçar de oprimido para poder exercer, mais uma vez, o seu papel de macho alpha, branco, bissexual-não-praticante.
        Não sei… Só joguei umas idéias pra gente poder pensar um pouco… O que você acha?

      • Deborah Sá said,

        Luiza,

        Não estou falando que o medo de homens é injustificado, já senti medo de homens de bigode porque meu avô tinha um (passei por violência sexual, sei o que é enxergar em um desconhecido os trejeitos do seu agressor, mesmo que ele nem saiba da sua história). Sei que a rua não é um lugar acolhedor para mulheres, minha intenção não é dizer que você ou qualquer mulher precisa ser curada do medo de homens, só tento dizer que não é necessário transformar esse medo em ódio irrestrito a um grupo não homogêneo. Dá pra combater o patriarcado sem misandria. Acredito na autonomia das pessoas, é importante nos mobilizarmos além do próprio umbigo. Sou humana, humanos são especistas, porém, parei de consumir produtos de origem animal, logo, nem todo mundo é igual porque faz parte de um grupo. Também já fui evangélica mas nunca do tipo “Feliciano”.

        Não se trata de aprender a esquecer o background, mas de saber trabalhar com ele. A vida e as situações cotidianas não são previsíveis e repetitivas, isso é, é possível contar até dez e separar as coisas do tipo “calma, esse é um cara de bigode e não o meu avô, devo ficar tranquila, ninguém vai me atacar”. Bato na tecla que toda mulher deveria aprender defesa pessoal pra se empoderar, é justo, faz bem, mas isso não significa ter que viver em alerta o tempo todo, tensa, triste, com medo, infeliz. Feminismo não é só força bruta, é também dar o direito das mulheres buscarem o próprio prazer e a felicidade, a vida já “não é bolinho”, o mundo não é cor de rosa e creio que se pudermos tirar mais um pouco de peso do ombro das mulheres ótimo. Viver tensa e desconfiada é desgastante e cansativo.

        Não adoro homens, gosto de homens e de mulheres. Ser um homem feminista não impede que o sujeito seja escroto em outros aspectos da vida (inclusive afetivo) e o mesmo vale para mulheres feministas! As pessoas pisam na bola, erram, fazem merda e o feminismo não é uma bolha de proteção contra isso. Além disso, o argumento de um cara não deve ser invalidado porque (talvez tenha, talvez não) um pênis, mas sim porque há lacunas argumentativas com muitas falhas. Se um homem não pode ser feminista, eu não posso defender o movimento por ser branca, certo? Ou ainda, nem posso ser vegetariana. Sou otimista, há pessoas com empatia o bastante pra ir além dos próprios privilégios.

  5. Maiara said,

    Eu concordo com a Luiza Kame. E já ouvi do meu próprio irmão que as feministas são burras porque não incluem os homens, que a opressão do patriarcado prejudica a todos. Sabe, não concordo com o jogo “quem sofre mais”, mas simplesmente não dá para igualar as coisas. Historicamente a mulher foi apagada, negada, reduzida a um ser infantil que nunca chegaria a fase adulta. Historicamente justificou-se a opressão de gênero e a violência de gênero, tanto que hoje “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. E como a Luiza disse, se não me sinto segura ao conhecer um cara, se tenho medo de ser violada, desrespeita, eu estou me respeitando, ouvindo os meus sinais, as minhas inseguranças. E não acredito que isso seja misandria.

    E se eu gosto de fazer piadinhas me chamando de “feminazi” entre meu grupo de amigas, é uma reapropriação que eu tenho todo o direito de fazer, debochando de quem realmente acredita nisso. Você pode considerar uma ofensa ser taxada de nazista, e qualquer um se sentiria assim. Mas prefiro partir pra ridicularização do que ficar me doendo com xingamentos infundados.

    • Deborah Sá said,

      Maiara,

      De fato são opressões diferentes, uma mulher tem dificuldade de ganhar mais que um homem na mesma função, uma mulher que precisa provar que é mulher sequer consegue um emprego sem ter sua vida transformada em um inferno (quem contratou esse traveco? (sic)) . Se você prefere não se envolver com homens não há nada de errado nisso. Você pode não usar o termo misandria para se definir si, ou falar feminazi de brincadeira, mas descobri depois dessa postagens que algumas mulheres não usam esses termos de brincadeira, elas se dizem misândricas de verdade. A Giovana, por exemplo, que está no primeiro comentário desse post é uma delas, e ela tem um namorado.

  6. Hailey said,

    Gostei do texto e eu penso mais ou menos como vc Débora. Eu acho legítimo, em um momento de expressão de desespero, de raiva (e a raiva é legítima) o oprimido lançar mão de discursos que o empoderem e “ataquem” o grupo opressor. Eu não acredito em misandria como uma opressão institucionalizada, obviamente. Se existe misandria, ela parte de ações individuais e não estruturais (porque não tem força institucional). Nesse sentido, o que vc fala de “não levar a sério” (a Solanas) é o que eu penso de que isso individualmente é legítimo, mas construir uma política em volta disso é complicado. Eu penso muito, por exemplo, no famigerado (e comentado) “die cis scum”. Costumo dizer que é um termo que surge em momentos onde as pessoas trans* estão tão vulneráveis e tão agredidas que o que resta é esse “backlash” contra o grupo opressor. Eu acho legítimo, mas acho que NUNCA deve ser inserido como política ativista. Casos individuais não podem ser tornar regras. A opressão também não opera de forma universal – você disse que não acredita em determinismos – nem eu. Não somos robôs, até porque se determinismo social existisse e socialização fosse imutável não existiria espaço para feminismo não? Todas as mulheres socializadas para serem submissas nunca sairiam disso. Dito isso, meu problema recente com (algumas/certas) feministas que se dizem misândricas é elas chamarem mulheres trans* de homens e tentarem nos shamear e deslegitimar através da ridicularização dos nossos genitais. Temos que tomar cuidado para, nessa expressão legítima de cansaço contra os homens cis, não usarmos transfobia (ou qualquer outra forma de discriminação que às vezes ocorre, como por exemplo especismo, capacitismo, gordofobia e afins, infelizmente).

    • Deborah Sá said,

      Oi, Hailey,

      Concordo com as questões que você levantou ;)

  7. Quando eu vi a capa do SCUM Manifesto, pensei que era algo sério. Que susto, lol =P
    Ótimo post! Atacar o patriarcado com misandria é como atacar racismo com violência contra brancos.

  8. Sobre beleza. A postagem traduziu em grande parte o meu pensamento. Meus elogios.
    Beleza é conceito subjetivo, só não podemos nos ater aos padrões. Cada um precisa encontrar a sua forma de sentir-se bem, se sentir-se bonita é uma dessas formas, porque não? Independente de loira, morena, hasta, pin-up, estilo fluor ou xadrez. Bonita é a forma que você se sente bem.

  9. T said,

    Não entendo muito bem disso, mas me sinto justamente numa situação contrária. Não me sinto segura perto de mulheres,pelo contrario. Sofri magoas terríveis desde cedo, são poucas as que me relaciono e posso dizer que tenho uma amizade. Vivo em meio a homens que me passam segurança e que me respeitam. Cada um com suas opiniões e seus argumentos. Mas sempre com respeito a isso.

    As vezes parece que só o que falta é o minimo de respeito, E só o respeito. Vejo demais a vontade de um se sobrepor ao outro(mulheres x homens). Pra mim não faz muito sentido. Respeito mutuo já seria o suficiente pra uma convivência tranquila.

  10. Monica Kukulka said,

    Olá Deborah, tudo bem?

    Acredito e apoio sua proposta de reflexão sobre mudança de mentalidade e respeito mútuo entre gêneros. Conheci um misógino e me relacionei com ele por seis meses e com base na experiência que obtive posso afirmar que a comunicação com um radical é distorcida, praticamente inexistente. Não há troca e a luta pelo poder torna-se sufocante. Em relacionamentos ditos normais, o poder oscila entre os parceiros mas em um relacionamento misógino o controle é dele e não há o que discutir. Quando atingimos situações deste tipo existem duas saídas: aceitar e arcar com as consequências (nefastas) ou dizer adeus. Optei por colocar um ponto final, embora ele fosse um homem encantador (às vezes). Não foi nada fácil mas o que me ajudou foi a crença que tenho na justiça (quando digo justiça, quero dizer meu senso do que é justo, o que é muito importante pra mim).
    Talvez eu seja idealista, quem sabe? Entretanto acredito profundamente que uma consciência límpida e a busca por aperfeiçoamento pessoal em prol do coletivo pode modificar algumas realidades brutas. Para tanto, não precisamos ser todos iguais basta aprendermos a lidar e respeitar as diferenças, sem que haja prejuízo do amor próprio. A diversidade é rica e pode ser estimulante se houver humildade.

    Abraços,
    Monica

    • Deborah Sá said,

      Monica,

      Desculpe a demora em responder (ás vezes me atropelo), obrigada por compartilhar e fico feliz sabendo que conseguiu romper com quem lhe fazia mal.

      Abraços feministas,
      Deborah

  11. axndopemin said,

    Oi Deborah,

    Fiquei bastante feliz em ler seu texto, venho acompanhando o feminismo brasileiro na internet há algum tempo e sempre o apoiei, mas eu tinha percebido mais recentemente o crescimento dessas “brincadeiras” e “ironias” de misandria, as quais eu também achava que eram só brincadeiras, e descobri que não eram.

    Lembro que algumas meninas que eu conheci antes tinham completa rejeição por esse termo, mas depois acabaram se declarando totalmente misândricas e fazendo piadas de muito mal gosto comigo. Isso me fez sentir um pouco mal. Até achei que todas as jovens feministas tinham aderido a essa forma de militância, pra mim foi um alívio ler um texto tão bem embasado e vindo de uma pessoa que mostra inteligência ao escrever.

    Obrigado por fazer meu dia um pouco mais feliz ;)

    De um “omi”

    • Deborah Sá said,

      “Omi”

      Creio que as feministas que se dizem misândricas são minoria e sendo bem realista, a misandria não mata ninguém, a misoginia sim. Temo que a critica ao discurso misândrico recaia mais uma vez na culpabilização de mulheres. Ah, agradeço os elogios, mas não sou mais inteligente por discordar delas ;)

      Saudações


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