20 março, 2013

– Inteligente – Quem? Eu?

Posted in Desabafos às 10:54 am por Deborah Sá

Uma vida ordinária numa história que poderia ser a de qualquer um. Os fatos que me abateram são aqueles que as estatísticas produzem aos milhões. Por me sentir parte de uma verdadeira massa que se vê em nada excepcional, não conseguia me aceitar como “inteligente”. Em tempo algum me percebi como exemplo pra alguém, já que aquelas pessoas que gostamos de nos inspirar são as que mais se aproximam de uma não-humanidade. Aí está, sou humana até o talo, tropeço demais, admito demais. Guardo segredos dos outros aos montes, mas os meus? Esqueça! Morro pela boca! Não consigo segurar uma tristeza, um rancor, uma admiração por mais tola que seja. Distribuo elogios e abraços quase gratuitamente, quase, porque há dias que acordo azeda (humana que sou). Isso até ver um gato na janela, uma criança acenar, um abraço quentinho me surpreender. Sou fácil até demais.

A crença de que a inteligência é só para as pessoas sólidas e isentas de erros, me deixa confusa. Se me chamam de inteligente, oras, então não é a esse tipo que classificam: A enciclopédia sem sangue nas ventas.  Já desejei não levantar da cama para não expor a fraude que sou, pois, durante décadas, me disseram que gente torta feitassim só quebra a cara e não dá certo. Se “toda a rosa é rosa porque, assim ela é chamada”, que faz a rosa após ser chamada por outro nome, senão olhar para os lados e procurar por quem invocam? É a sensação de que aquele aceno do outro lado da rua pode ser pra qualquer um, menos pra você. E eis que o quadro se inverte. Desse modo, não é que não saibam como me chamar, eu que ainda não aprendi a ouvir em outro adjetivo. Onde charmosos desarranjos de formas estão, é onde também faço morada, isso não faz de mim uma fraude, sou antes, um ensaio permanente com a franqueza de suas rasuras.

6 Comentários

  1. Luis Lorca said,

    Eu leio seu blog faz tempo, e a acho inteligente, sim. Acho, inclusive, que você é inteligente o bastante para enfrentar a desilusão. Para extrair as consequências da sua experiência. Ainda espero vê-la fazer a crítica do feminismo e do veganismo. Romper definitivamente, de maneira geral, com as práticas da esquerda militante. Apesar de que, para isso, a inteligência somente não basta. Também será necessária uma dose maciça de força.

    • Deborah Sá said,

      Olá, Luis,
      Obrigada pelos comentários e elogios. De toda forma, se pesquisar nos arquivos certamente encontrará críticas ao feminismo, veganismo e até mesmo da esquerda. Não é porque faço parte desses grupos que não os critico. Aliás, acho importantíssimo que tenhamos honestidade intelectual suficiente para admitir contradições, dúvidas, inquietações. Minhas percepções de mundo podem mudar com o passar dos anos? Certamente. O percurso histórico (e individual) não é previsível porque somos incapazes de prever ou controlar os eventos e isso é ótimo. Posso voltar a acreditar em Deus e defender Tradição Família e Propriedade? Sim. Mas você também pode virar representante de um coletivo de esquerda. Esquentar os miolos e sofrer pelo devir não nos livra das transformações que porventura ocorrerão. O que reforço, é maravilhoso. É um alívio não ter controle sobre tudo.

      Um abraço,

  2. Flávia said,

    o que me irrita nisso tudo é que a felicidade geralmente está associada à ignorância.

  3. Débora (minha xará) amo a sua franqueza, é de uma delicadeza e sensibilidade muito grande, e ela flerta diretamente com a minha intensidade e humanidade!. Sempre quando estou perturbada e quero refletir sobre tudo o que o estado das coisas provoca em mim venho ler seu WordPress, entre outros sites que debruçam sobre a melancolia da vida em sociedade!. E quanto ao texto, é incrível o quanto as pessoas exigem de nós quando sabem que assumimos um posicionamento libertário, tanto os alheios a esse mundo, quanto aos envolvidos com a contra cultura. E é justamente isso que eu venho reparando faz um certo tempo e me incomodando profundamente com esses supostos juízes que buscam uma postura retilínea dos outros, não reparando nos seus próprios modos de ser e agir, sabe?. Evidencia esse desejo em reduzir a luta a uma mera religiosidade, onde todos correm desenfreadamente para ser o ganhador do rótulo :” puta engajadx”, rótulo marcado por um ser supostamente isento de escorregar nos próprios princípios que defende. Enfim, gostei muito do seu texto por dialogar com algo que tenho pensado tanto, foi um alivio lê-lo aqui e ver: ”porra, alguém percebe isso também, cara.”, e queria saber se posso coloca-lo (com os devidos créditos) na minha zine impressa que vou vender por um preço simbólico no circuito hardcore de minha cidade!. Beijos, dé!. (:

    • Deborah Sá said,

      Olá!

      Essa é uma das maravilhas de se escrever, não se sentir só. Obrigada pelos elogios e o carinho! Exato, esperam rótulos fechados, mesmo que em roupagem libertária. Fique a vontade para divulgar o texto no seu zine. Peço que coloque o link do blog para que as pessoas tenham acesso a outros textos se assim desejarem.

      Um abraço!

  4. Aeeee, que maravilha, vou colocar sim, pode deixar!. (:


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: