1 março, 2013

Perdeu, Playboy!

Posted in Cotidiano tagged , , às 11:16 am por Deborah Sá

O Lelek, a Piriguete e a Bicha Poc Poc, são versões não aceitas do mauricinho, da patricinha e do viado culto. Todos brancos e instruídos, claro. Daí nasce aquele horror nem sempre dito: “Não que não goste de viado, mas tem que ser culto, parecer hétero, falar o português muito bem”. As maquiagens desejadas, são aquelas ensinadas pelas meninas de cabelos castanhos no You Tube, definitivamente, a sombra azul da caixa de supermercado e o batom da Vult da mulher do Hot Dog, não são um exemplo a seguir. As roupas da adolescente na Oscar Freire e até seu sapato sem salto, são uma inspiração, ao contrário da moça de igual idade que passeia no Largo Treze, de piercing no umbigo. O mesmo vale pro Lelek, todos seus cortes de cabelo são considerados esdrúxulos e essa vertente metrosexual não é reconhecida. E a Bicha Poc Poc, que usa Avon e fragrância genérica de Carolina Herrera? Ca-fo-na. Não que seja revolucionário cantar de ostentação, carros de luxo, ser “patrão”, mas isso está em quase todo gênero musical, o desejo de uvas na boca. Porém, a crítica que se faz a essa juventude cabeça oca (aparentemente não importa a época, são sinônimos), não é tanto o vazio das letras, mas o divertimento em rir do “primo pobre”. Quando a mocidade branca e de classe-média celebra o consumismo é chamada de fútil, mas ao menos “serve de exemplo” nem que seja pelos sapatos. 

A intuição é que por não ter pais endinheirados, Leleks praticam furtos enquanto Piriguetes e Bichas Poc Poc saem a caça por homens que os banquem, como se não existissem jovens de outros extratos sociais que fazem exatamente o mesmo. Talvez, essas piadinhas sirvam pra disfarçar o medo de perder a marca que adora, a exclusividade daquela estampa, as bugigangas tecnológicas, as visualizações do Vlog para um vídeo de Funk e até a fila no Starbucks, conservando a esperança que sejam modas passageiras e que com o passar dos anos, não tenham de ouvir em ritmo de funk “Jorge Maravilha” da boca do futuro genro.

2 Comentários

  1. Natália said,

    uia! Classe média sofre vai reblogar isso..rsrsr
    Mas até quem é o tal ‘primo pobre’ rí dos outros primos pobres e alguns tentam se travestir de primo rico na tentativa ou de negar/ se proteger todo o estigma que se lhe impõe. Que fere, que humilha, que impõe o ‘correto’, o socialmente respeitável. Que o só a classe média passará.
    Como diz o lindão do Gog, as pessoas ‘tem guetofobia, anomalia sem vacinação’.

    • Deborah Sá said,

      Sim, Natália, tem razão, é o caso do vizinho que chama quem mora ao lado de “favelado”.


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