16 janeiro, 2013

Então quem vai te ver morrendo?

Posted in Baú, Memórias às 9:21 pm por Deborah Sá

:: Quarta-feira, Janeiro 31, 2007 ::

Me resta o caminho solitário nesta vida
Meus prazeres foram substituídos
Admiro um algodão-doce
Mas ele não tem o mesmo sabor de antes
Meu sorriso já é mais amargo
Minha tristeza mais tímida
E minha força sai devagarinho entre os troncos
Os pássaros ainda cantam
Mas nem é tão mais doce
A mesma melodia que ouvia
Quietinha na barriga da minha mãe
Um mundo tão incerto
Mas que pelas dores que eu sentia
Sabia que era maior que tudo isso
Talvez eu ainda esteja neste útero
E quando o mundo sofre
Eu sofro um pouquinho também
Pois é muito difícil não sofrer
Com algo que intimamente faço parte
Eu não tenho saudades não
E as que tenho são cada vez menores
Talvez porque quando perco
A lembrança nem é mais tão doce assim
E acostumar com a ausência é tão natural
Que chega uma hora que a gente nem sente mais
E os prazeres desta vida são como dependência
E deles eu me alimento
E corro, arranho e amasso
Todos os velhos desenhos que fiz
Principalmente os cor-de-rosa
Tamanha ingenuidade…
Nem tempo perdido
Muito menos ganho
Pois provar do amargo pode sim
Ter uma pitada de não sei o que
E esse não sei o que é assim
Desse modo mesmo
Encarar-se por alguns minutos pode ser perturbador
Desconfio que Narciso afogou-se ao tentar fugir de si mesmo
O tempo maldito sacerdote
Rasga todas as estrelas
Sentir seus braços presos
Cair no chão novamente
E todos os que te olham
Vêem como você se sente aqui
E como eles vivem ali
Mas o que não percebem
É que mais do que nunca
Você está tentando sair daqui
Sempre me faltou coragem
Mas não vontade
Sempre me faltou decência
Mas não verdade
Sempre me faltou sanidade
Mas não bondade
Sempre quis explodir o mundo
Porque assim me fez
E não adiantou nada
Pois eu descobri que me fiz
Me faço
Me escondo
Sentir uma mente aprisionada
Pelo simples medo de se aceitar
Medo da palavra a seguir
Se vai te chocar
E me trair
E se chover eu nem vou sentir
E se me chamar eu não vou sair
E se sorrir eu vou chorar
E quando chorar vou olhar meus pulsos
E eles estarão lá
E quando eu abrir meus olhos
Continuarei aqui
Precisamos todos!
Desesperadamente acreditar em nossa imortalidade
Esquecer da morte na próxima esquina
Riscar todos os rostos velhos
Os olhos velhos irão morrer
Os ossos velhos vão doer
E quando o velho estender a mão
Eu vou ignorar
Quando o velho me pedir perdão eu vou chorar
Eu vou correr mais uma vez
Pois minha mente não consegue ser liberta
E onde ela se sente a vontade é na palma da minha mão
Eu tenho uma mente que quer se trancar aqui dentro
Eu tenho um corpo teimoso que pesa muito
Eu sou um engodo
Eu sou um fardo, enfadonho e repetitivo
Eu sou a birra e a artimanha
O que questiona e discorda de tudo
Eu sou o que é idiota
Eu sou o que pensa errado
Eu sou alguém que está do seu lado
Alguém que por mais que você tente
Nunca ficará calado
Esse mundo todo tá todo fudido
E eu fico pregando em uma praça pública vazia
E os que passam me olham com desdém
Tem vezes que passam uns loucos
Eles sentam e me ouvem
Conversam comigo
Há alguém que me conheça só pelo meu olhar
E esse alguém sabe ver como esta cabeça confusa
Está sempre correndo atrás da própria cauda
E este alguém tem o maior valor
Se você puder me ouvir eu gostaria que soubesse
Muitas vezes eu até tento gritar
Mas a voz não sai

Esse é um dos textos do meu antigo blog do qual fiz backup

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