6 novembro, 2012

Veganismo não é mamão com açúcar

Posted in Animais tagged às 9:32 am por Deborah Sá

As pessoas querem (e devem!) ter o prazer de comer besteiras de vez em quando. Esse é um dos impasses do veganismo e a questão de classe, fácil falar que existe arroz, feijão, mandioca, lentilha (existe mesmo e é uma delícia), ignorando a larica que bate de comer bobagem. Se você precisa pegar um busão pra comer coxinha de soja de R$ 3,50 enquanto acha uma de R$ 0,90 no seu bairro é porque as coisas estão BEM demarcadas.

“O mundo é vegan se você quiser” uma ova, existem muitas questões nesse meio tempo e ás vezes mesmo quem tem consciência da indústria, do trabalho escravo e sente uma pontada de compaixão não quer largar mão do queijo, do chocolate. Se essas pessoas são minhas inimigas políticas? Não. Tomei uma atitude porque a consciência pesou e tive informações pra me alimentar, pude escolher o que comia. Fui criada a leite com pêra? Não, rolava um churrasco ás vezes. Nunca passei fome. Mas simplesmente não podia esperar abrir uma lanchonetezinha Vegan na Belmira Marim pra tomar uma postura, assim como não esperei o mundo ser Feminista pra enfrentar o machismo, ou que o mundo aceitasse eu ser gorda pra usar biquíni. As coisas não caem no colo, de mão beijada, ainda mais quando o que se luta é por uma justiça que parece absurda para tanta gente. Você vira motivo de piada, querem que tire da cartola todos os argumentos teóricos mais fodas pra te testar.

Porque ser empático é tão démodé….nossa, que engraçadão ela defende “os animaizinhos” diz o cara hétero que se sente oprimido por tomar cerveja e comer carne #Lastimado

Sim, muito do “progresso” da humanidade veio com o uso de não-humanos, mas é em nome desse mesmo “progresso” e “ciência” que negrxs, indíos e mulheres foram mortos. O dono dos meios de produção paga um pobre diabo pra matar outros pobres diabos, um após outro. Somos todos propriedade privada. Por um veganismo de esquerda, feminista e laico, sem medo de se apresentar com todas as letras.

18 Comentários

  1. letícia said,

    Eu sou ovo-lacto e sinto uma dificuldade em comer fora, ou de vez em qdo, comer algo em casa mesmo.
    Por exemplo: tem dias que na minha casa a comida é arroz e alguma carne. Eu acabo comendo pão, ou batata frita ou misturo farinha temperada com limão e o arroz e como alguma salada junto.
    Para comer fora, as opções são sempre com queijo. Raramente tem algo somente de legumes. E mesmo assim, não sei do que a massa é feita. Quando eu comia carne, gostava de hambúrguer. Uma caixa de hambúrguer com 8 unidades, no mercado, custa 17,00. Comecei a fazer o meu, em casa. Mas tem vezes que a gente não ta a fim de cozinhar e quer comprar a comida já feita. Aqui em São Bernardo, até hoje, só achei um lugar que vende hambúrguer de soja pronto, no sanduíche. Dá para comer, mas falta MUITO tempero. De resto, existem 3 locais que vendem salgados congelados e opções do tipo para assar/fritar em casa. E é super caro. Do tipo: 1 bandeja com 8 mini cozinhas custar 20,00. E são mini mesmo, daquelas de festinha de criança.
    Para quem é vegan é mais complicado, pq além dessa procura por algo que não tenha a carne, vem todos os derivados do leite e dos ovos. Eu confesso que parte minha é preguiça, parte é meu paladar, parte é a “facilidade” que eu tenho em sair e comer algo que eu “queira” e parte o *medo* de ficar doente (pq eu ainda não sou o exemplo de pessoa que se alimenta bem).
    Falta muita coisa no mercado ainda. Se houvesse maior distribuição, os valores de alimentos veganos seriam mais baixos. Mas né, a indústria da carne e dos laticícios/ovos é algo muito grande, que gera muita grana, então ainda demora um pouco para que alimentos para vegans apareçam com mais frequência no mercado. E com opções, não tudo de soja (eu particularmente odeio qualquer doce que seja de soja).
    Eu mesma to indo, com passos de bebê, para esse caminho. Eu sei o quanto os animais sofrem, mas eu preciso primeiro me adaptar, fazer no meu ritmo, para que seja uma decisão definitiva.
    Enfim! É complicado, mas é possível. E somente com o crescimento desses vegans que haverá mais opções de alimentos no mercado.

    • Deborah Sá said,

      Letícia,

      Tenho uma amiga que enjoou de comer queijo justamente por isso, onde quer que ia só encontrava essas opções. Ás vezes é complicado dividir a casa com alguém onívoro, em especial se é essa pessoa que faz as compras. Um impasse super comum quando se mora com os pais. Lembro de uma época em que chegava cansada do trabalho, fazia comida (pra sobrar) e levava de marmita, quando voltava no outro dia meus familiares tinham comido o que eu havia feito. Ficava um pouco irritada, mas ia pro fogão novamente. O vale refeição que recebia era só de oito reais de uma empresa localizada em área nobre da Zona Sul onde o mínimo que se pagava em um almoço era quinze, ou seja, marmita não era só a opção mais econômica como não havia muita alternativa além dela. Mas aos poucos os hábitos foram mudando inclusive dos familiares, quando visito minha avó ela nem pergunta mais nada, faz um arrozinho com feijão (temperados com alho e sal), uma mandioca cozida e um quiabo <3

      Essa obsessão da indústria brasileira pela soja é um saco, nos EUA há pelo menos sete tipos de leite vegetal (arroz, aveia, amêndoa…), também somos muito apegados a tomar leite, lembro que meu pai tomava todo o cuidado pra não deixar "faltar o leite", mesmo que fosse de saquinho e classe C, o importante era não faltar, sendo que suco de fruta é tão gostoso quanto, dá pra colocar umas bananas em rodelas pra congelar na noite anterior e de manhã bater com água e açúcar, fica bem gostoso. Ou abacate batido com água ao invés de leite.

      É difícil para uma empresa pequena investir nisso quando as gigantes do setor pecuarista contam com investimento pesado em publicidade e estratégias de vendas agressivas. Sobre ao "tempo" concordo que deve considerar o seu ritmo, tem quem corte primeiro as carnes, os ovos depois o leite e assim até ser vegano definitivamente. Na minha interpretação veganismo não deve ser imposição ou sacrifício, mas uma prática pautada em uma consciência que foi modificada. Não se culpe se "demorar", ou se por engano comer uma coisa não-vegan. Costumo brincar que é a mesma coisa de perguntarem “Você come insetos pelo nariz?” e a resposta correta seria “Só quando entram por engano e estou distraída”.

      Um abraço!

      • Pili said,

        ouvi dizer que muitas cozinheiras estragam a sopa, mas mesmo assim, posso meter a colher? rs. É uma idéia bem simples: temperar o abacate com limão (tangerina, carambola, etc). A absorção de ferro melhora quando em presença de vitamina C. O ideal seria mesmo ir desvoodoozando das nossas vidas o açucar branco. Mas pra quem não abre mão de adoçar as receitas vale usar açucar mascavo, stevia, ou melado (que já é outra fonte de ferro). Enfim, tô adorando as dicas e vou tentar a batida de banana =)

      • letícia said,

        É, chega uma hora que o queijo cansa…pior que a maioria deles me deixa sentindo pesada depois.
        Esses dias eu fui ao Sonda, lá tem umas opções bem legais de alimentos vegetais. Eu nunca tinha visto leite de arroz em caixinha e lá tinha, sabe quanto? 20,00 UMA caixinha de leite de arroz (igual caixa de suco, sabe?) fiquei abismada. Uma vez eu fiz leite de aveia, mas não gostei, sentia uma sensação de que repuxava na boca (e não tomei puro, tomei com morango).
        Isso que vc disse das frutas, é algo que eu vou testar, já vi algumas pessoas na internet falando que dá para fazer sorvete de banana (deixa elas congeladas, bate no liquidificador e coloca no congelador, que dá liga) mas eu tenho que testar mais, tentar fazer leite de amêndoas e outras opções.
        Gostei da sua resposta ao que eu disse…tem vegano que se sente ofendido quando descobre que ta falando com ovo-lacto. Eu imaginava que vc seria uma lady, mas foi além do que eu esperava :)

      • Deborah Sá said,

        É mesmo muito caro o industrializado desse tipo, péssimo. Também não sou fã de leite de aveia e não há porque me sentir ofendida com você! Beijos!

  2. Pili said,

    Tô aderindo à sua linda conlusão, mas adaptada pra mim. Tudo bem?
    Por uma ecologia de esquerda, feminista e laica, sem nenhum medo de se apresentar com todas as letras! =)
    … mas como onívora que sou, fiquei muito curiosa com essa história da farinha temperada com limão. Me explica?

    • Deborah Sá said,

      Claro :)

      Acho que é temperar a farinha como se fosse salada…É isso, Letícia?

    • letícia said,

      Oii :)
      Respondendo sua pergunta: quando não tem mistura para comer e ‘só” o arroz e o feijão, eu coloco arroz, feijão no prato, meia rodela de limão eu pingo em cima e coloco 1 ou duas coheres de farinha temperada (dessas de saquinho) e como. Eu acho que fica muito bom, minha mãe falava que o prato fica parecendo cimento, hahahaha.

  3. Vivi said,

    Deborah, gostei d texto. Este é meu impasse -como pensar o ser de esquerda e vegetariana?, sou ovolacto, mas acima de tudo sou de esquerda, digo isso porque como brevemente dá para entender em seu texto, não é todo mundo que pode-consegue -ser vegetariano (ainda mais vegan!). Sinto muito, sou ovoacto há 9 anos, tenho a empatia, mas se tiver que “escolher” escolho o ser humano,
    Digo isto porque na atual situação do mundo -e da maioria dos brasileiros sempre!- dizer que “basta escolher” me soa muito classemedismo. Felizmente apesar de ser da classe trabalhadora, posso escolher ser ovolacto, mas entendo que a maioria da classe trabalhadora nao tem escolha, sua cultura, necessidades fisológicas e objetivas fazem da carne o seu sustento.
    Quero que acima e tudo todos os seres humanos da face da terra possam ter o que comer e tenham condições de autonomia para depois- um dia- talvez pensarmos na ética que envolve o animal.

    Confeosso que este é um assunto que me faz pensar um bocado..

    Bjos

    • Deborah Sá said,

      Oi, Vivi,

      Sim, nem todo mundo pode ou consegue ser vegano. É fácil julgar quem mora em uma cidadezinha do interior e não consegue virar vegan por que a única opção de sobremesa na cidade, é a sorveteria local. As pessoas tem o direito de comer besteiras ás vezes, de sair e interagir com os outros em bares e restaurantes, ser vegan não é o fim da vida social e divertimento, freqüento bares com amigos mas a diferença é que tomo um chá gelado ou um suco de acerola (há vegans que adoram cerveja, o que não é meu caso). A intenção não é ser meritocrática (quem quer consegue), mas fugindo das condições de miséria a maioria das pessoas teria condições financeiras de bancar a dieta vegana, inclusive com a suplementação de B12 (270 comprimidos custam R$ 50,00, toma-se um por dia, portanto dura quase um ano) é mais barato que celular, tv de plasma ou organizar um churrasco. O que falta é informação sobre como é a culinária além do bife com arroz. As pessoas são instruídas pelo Globo Repórter sobre a geléia real, as revistas de dieta fazem muito sucesso, pratos de outros países são comercializados: Sundue, hot-dog, beirute, yakissoba… A influência sobre como nos alimentar já está no cotidiano, minha sugestão é que as pessoas repensem sua relação com os alimentos e desmistificar o Veganismo como algo inalcançável que só os de caráter forte e muito perseverantes são capazes de seguir. Berinjela com pimentão não é coisa de outro mundo, abobrinha também não.

      Entrementes, o perigo é adotar um discurso de que o consumo de derivados de animais é dado impregnado na classe trabalhadora, como se a classe trabalhadora só comesse arroz com feijão todos os dias, não fosse no Mc Donalds esporadicamente tomar uma casquinha, ir ao cinema, fazer umas comprinhas de roupas e aparelhos eletrônicos. Acredito que a capacidade empática e de reflexão está em todas as instâncias da sociedade, minha avó não sabe ler duas linhas de texto mas compreende meu posicionamento, meu raciocínio. É bom considerar que não é da noite pro dia que as coisas mudam e o mercado atende a demanda. Quem mais ganha com o consumo de carne não é o trabalhador dessa indústria problemática que movimenta bilhões com trabalho escravo e péssimas condições de trabalho, quem ganha é o latifúndio, o patrão, o dono dos meios de produção. Obviamente defendo melhor distribuição de renda e não ignoro que muitos ainda passam fome no país, isso precisa ser alterado essas pessoas precisam de melhorias na educação, saúde, segurança e todo o amparo necessário para se desenvolver, “a gente não quer só comida”.

      Contudo, não acho que a história demande etapas universais pra que as coisas mudem, é tudo ao mesmo tempo. Explico melhor: Se fôssemos esperar a consciência coletiva e universal de que liberdade e igualdade entre os gêneros é importante para começar a agir, o movimento feminista não teria existido. É preciso uma reação, uma resposta para os problemas que estão postos, pode-se ao mesmo tempo lutar pelo direito dos não-humanos, da educação de qualidade, do movimento negro e pela diversidade sexual. Uma bandeira que levanto, por exemplo, é a de que as pessoas devem se sentir confortáveis em seus corpos, que os padrões de beleza são amarras psicológicas que incapacitam e sugam a vitalidade e disposição, isso é incoerente quando tanta gente passa fome no mundo? Não. Porque tem a sua medida de importância quando milhares de jovens desenvolvem distúrbios alimentares e disformia corporal, que tentam o suicídio ou passam por violência devido a baixa auto-estima. É possível e recomendável lutar em várias frentes, importante que as idéias circulem, que tomemos partido, que façamos na prática o que nem sempre “o mundo aceita” ou incentiva, se for pra esperar a bandeira estar pronta pra ajudar a carregar não participamos da escolha do material do mastro, das cores, signos e costuras que podem enfeitar o pano.

      • Vivi said,

        i Deborah, obrigada pela resposta!
        Concordo totalmente com esta mistificação do vegetarianismo (não vegan, no meu caso), diferentemente da maioria que sim é classe média mesmo, sei por exempo próprio que é perfeitamente possível não comer carne e comer coisas do cotidiano mesmo. Niguém precisa começar a frequentar lojas direcionadas para os vegetarianos, com a alimentação básica que temos em mercados e feira é possível sim viver livre de carne.E acreditem, gasto menos do que se comprasse carne.

        Sobre o
        “Entrementes, o perigo é adotar um discurso de que o consumo de derivados de animais é dado impregnado na classe trabalhadora,”

        Acho que sim, por um lado, e não por outro (rs). Digo isto (não só da classe trabalhadora aqui, mas de todas as classes neste caso) que é um discurso dominante (o de comer carne), porém- não fatalmente determinante. Ou seja, quero acreditar que pode mudar, mas dizer que “basta querer” (liberalismo) é falso, como muitos vegetarianos classe media privilegiados fazem crer (não é o seu caso).

        E dai sim que neste caso entra a classe trabalhadora que vc diz:

        “Acredito que a capacidade empática e de reflexão está em todas as instâncias da sociedade” .

        Sim, tb credito totalmente (p mim, são os únicos com a capacidade de mudar o mundo), mas, além dos aspectos financeiros (em teoria alguém da “classe C”- minha renda- pode viver, do ponto de vista financeiro sem comer carne, pois não passa fome e pode comprar verdura). Mas penso, do ponto de vista prático, com toda a cultura dminante e ideologia do comer carne como tradição (de todas as classes ), como que alguém da classe trabalhadora, que em sp por exemplo, gasta mais de 3 horas (média) de transporte por dia, no caso da mulher que cozinha e tem outros trab, domésticos (com carne que já tá costumada a só fritar e ponto), vai pensar em fazer uma comida vegan para sua família?
        Sim, na vida prática da brasileira acho muito, mas muito difícil sinceramente.
        Gostaria que fosse diferente, mas na atual situação das coisas acho muito difícil esta mudança.
        Eu tb acho que nem todas as demandas são simultâneas, concordo, mas há demandas que se entrelaçam (tipo, dificil acabar com a opressão da estética da mulher (questão de gênero) sem acabar com a iindústria do cosmético (capitalismo)).
        Digo isto para dizer que tb me solidarizo e tento praticar a ética animal como posso, mas acho que temos demandas e contracorrentes , umas mais forte que outras(pressão do latifúndio para continuarmos comendo carne), tradição cultural de se comer carne, e vida cotidiana da classe trabalhadora que já é esgotante demais para eu não ter ilusão de que seja possível tal demanda agora… (infelizmente).
        Na verdade, vc não transparece nada disso, mas me incomoda em demasia o vegetarianismo(vegan) como opção e livre vontade-desconsiderando toda estrutura social, condilções de vida (objetivas e subjetivas) da classe trabalhadora tão presente em alguns meios.
        Digo isso, parece contraditório, mas tenho orgulho de não comer carne há tanto tempo.
        Mac como disse, são questões que me fazem pensar..
        Bjos!!!

      • Deborah Sá said,

        Exato, uma tradição que faz parte dos ritos cotidianos, de nossa memória afetiva (um doce que lembra a infância, por exemplo), não é “simples” porque a coerção se faz presente todos os dias. Quanto ao tempo para cozinhar com a vida atribulada, bem, não é muito demorado refogar uma couve. Um fator que julgo positivo na classe trabalhadora é que em sua maioria as pessoas vão mais para o fogão, tem mais contato com o que vira alimento, comer só comida congelada é caro. Acho mais fácil uma mulher da classe trabalhadora diferenciar um maço de manjericão de uma hortelã do que uma universitária classe média que vive de trakinas e danone.

        As pessoas comem batata, brócolis, cenoura, vagem, chuchu…Geralmente quem não tem contato com o fogão tem a mãe que cozinha ou uma empregada. É importante que as pessoas ganhem essa independência em preparar o próprio alimento, não é coisa de outro mundo, não é “para poucos”, faz parte de “saber se virar”. É útil que tod@s saibam cozinhar na família, a sobrecarga da mulher na tarefa doméstica não é culpa do veganismo, mas das disparidades nas funções atreladas ao gênero. Por que ela é obrigada a fazer o bife do maridão se ele nem encosta nas panelas? A mulher não pode decidir sobre a própria alimentação enquanto tiver a família presa na barra da saia? Por que isso não é uma questão relevante para os homens também? Por que as crianças são estimuladas a comer no Mc Donalds desde muito novas? Por que a educação alimentar (do núcleo familiar inteiro) só cai nos ombros da mãe?

        “me incomoda em demasia o vegetarianismo(vegan) como opção e livre vontade-desconsiderando toda estrutura social, condilções de vida (objetivas e subjetivas) da classe trabalhadora tão presente em alguns meios.”²

        Justamente por não acreditar que o Veganismo seja uma solução mágica e única que responde essa questão multifacetada que é pertinente levantar essas considerações.

        Um abraço!

      • O mundo pode ser sim Vegan, mas esse mundo só vai acontecer se esse ‘alguém’ que não acha que é possivel, mudar, e se adotar a filosofia Vegan, e pra isso, se tem que parar de consumir produtos que financiam essa matança, já que maioria das pessoas não tem tempo, e se utilizam de comida rapida, de fácil preparo, que não tem a disposição alimentos organicos, faça com que as industrias mudem, a todo momento tem uma pessoa abolindo essa cultura de matança, assim como eu correndo atrás de um mundo melhor, eu não consumo industrializados, minha alimentação hoje em mudando a si, uma parte do mundo muda também, aonde eu morava não existia NENHUMA opção industrializada vegana no supermercado, e eu morava na grande São Paulo, com uma cidade que em 2009 já tinha mais de 157.294mil habitantes, eu com certeza era uma das poucxs veggies de lá, e vegan então desconhecia haver mais de 1, eu e um colega, que ajudei na transição para o Veganismo, cada pessoa que escolhe seguir por essa ideologia se liberta de varias formas além de direcionar a quantia que seria gasta em financiamento da morte e exploração de animais a pequenas empresas, ou até mesmo agricultures locais, eu mesma quando passei de lacto-vegetariana a Vegan, não tive nenhum apoio familiar, comiam carne e derivados como se o mundo fosse acabar, mas a minha postura e ideologia, sempre vai ser mais importante do que qualquer desejo passageiro pelo consumo desenfreado de derivados animais, adotando o Veganismo você passa também a adotar uma postura muito mais ética e não tão consumista no day by day. Os fatores ambientais como vocês podem ler nessa cartilha feita pela SVB, podem baixar o PDF com o nome ”IMPACTOS SOBRE O. MEIO AMBIENTE. DO USO DE ANIMAIS. PARA ALIMENTAÇÃO” Ou comprar sua cartilha na Vegan Pride localizada na galeria do rock, existe um grupo no Facebook por exemplo que se chama ‘Cozinha Vegana’ onde você esncontra muitas fotos, receitas e exemplos de pratos do dia-a-dia, da marmita, pratos para festas, comemorações, com opções de alimentos balanceadas, variadas, e que encontra em qualquer super mercado, e aquilo que você não acha nos Super, pode achar pela internet, o Quebra Cabeça por exemplo, e uma pequena fabrica no sul, que dispoões de entregas para todo o brasil, varios produtos em pó, mistura pra hamburguer, queijo vegetal (mandioqueijo) que é a coisa mais similar ao queijo que já experimentei só que sem as quimicas, os hormonios, o pus ; ) acho o o ovo-lacto-vegetarismo apenas uma fase de transição ao vegetarianismo estrito, quem se mantêm tempo demais ness estilo de vida não ameniza o sofrimento animal, mas contribui diretamente a exploração e morte de animais (pesquisem sobre a vida de uma vaca leiteira, ou como são ‘armazenados’ as aves para venda de ovos e sua carne) Você continua sustentando a industria. Nem mesmo o Vegano está livre do dano ambiental, causamos sim, mas em menos escala, e tentamos cada vez diminuir isso ao maximo. Afinal a filosofia Vegan é evitar AO MAXIMO o sofrimento animal, e beber o leite fruto do emprenhar, tirar filhote da mãe quando macho para o corte do baby beef, e depois matar a mãe que viveu menos de 1/3 do que deveria viver, e em condições subhumanas não acho lá muito digno de respeito. Para quem faz musculação existe o grupo também no Facebook, ‘MUSCULAÇÃO VEGANA’ lá é onde você poderá achar mais informações a respeito das proteinas, do mito da whey protein, do poder da proteina isolada de soja, hoje existe muito mais informação sobre o Veganismo do que quando eu comecei, e muito mais opções vegetais.

      • Deborah Sá said,

        O mundo é muito grande, há de se levar em consideração aspectos sociais, culturais, geográficos, econômicos. Não basta querer. Sim, interromper o consumo de derivados de animais seria o ideal do ponto de vista ético, mas há quem sequer tem o que comer e isso não pode ser ignorado. A própria forma como as informações circulam prejudicam a divulgação do veganismo como uma alternativa viável, uma reeducação alimentar acessível para quem desconhece essa possibilidade. Tampouco, não adianta culpar os vegans (não estou dizendo que você faz isso, mas é uma acusação comum) pela falta de divulgação desses dados. É a mesma coisa que culpar o feminismo por não ser divulgado nos grandes meios de comunicação. A culpa do especismo, do racismo, do machismo e da trans-lesbo-homo-fobia não é dos vegetarianos ativistas, movimento negro, feminismo ou LGBTTT. Há centenas de pessoas que tentam fazer desse um mundo melhor, informando, dialogando, porém, o que enfrentamos são estruturas sociais maiores que nós. Felizmente, os valores morais e éticos são construídos por indivíduos e como somos parte disso, progressivamente revertemos o quadro. Somado a esses fatores, ser Vegan no Centro de SP é muito mais fácil que em Maringá e é ainda mais fácil ser Vegan em países onde há sessões veganas nos mercados. O consumo de industrializados também precisa ser repensado e é inquestionável que ao nos tornarmos veganos melhoramos nosso apetite, nossa relação com os alimentos e o funcionamento do organismo.
        Sobre o Mandioqueijo, provei e não gostei :(
        Quanto aos impactos ambientais prefiro me abster (como motivação para o veganismo), porque meu intuito primeiro é a questão ética. Por mais que me comprovem com estatísticas que a produção vegetal causa dano similar ao de carne ou que meus caninos servem pra comer isso ou aquilo, continuará sendo anti-ético tratar animais como produtos com data de validade pré-definida. Essa é a linha argumentativa que escolhi, não que seja a única “correta”, mas a meu ver é a mais “estável”. Certamente é mais fácil ser vegano hoje do que anos atrás e acredito que a tendência é melhorar ;)

        Um abraço,

  4. Natália said,

    Eu tb me sinto assim, mas não desanimo. Tem açaí *-* hihiihi

    • Deborah Sá said,

      Açaí com xarope de guaraná é ótimo :D

  5. K. said,

    oi! :D
    Seu guestpost no blog da Lola ajudou muito! Estava me tornando uma ovolacto preguiçosa e aí a sacudida que vc deu sobre escolher bolo de chocolate x sofrimento (algo assim), era oq tava faltando.
    ainda tô na transição, tive uma fase com muita besteira e não ligava muito pra comer bem até uns meses atrás. depois fui me interessando, vi aquele documentário Troque a faca pelo garfo e acho que até o fim do ano vou numa nutricionista vegetariana pra veganizar mesmo haha
    ainda acho que de vez em quando vou abrir mão da dieta por falta de escolha – cidade pequena, casa dos outros, etc. mas é isso que vc falou: não dá esperar que o mundo seja vegan, portanto, que a mudança de pensamento fale mais alto! :D

    • Deborah Sá said,

      Oi!

      Que bom que gostou :)
      Sim, ás vezes precisamos de uma “sacudida”, boa sorte e vai com calma no seu ritmo!

      Um abraço


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