27 julho, 2012

Querida Dieta,

Posted in Corpo tagged , , , , às 1:40 pm por Deborah Sá


Sei que você ainda pensa em mim, na verdade, continua me vigiando. Dizem, que éramos um belo casal, o que as pessoas não entendem é que você trazia malefícios, sua companhia era destrutiva e apenas cedia suas investidas se não me sentia segura. Se aproveitava da minha fragilidade, bem sabe. De querida não tem nada, se te trato nesse tom é pela formalidade de ser uma conhecida em outro tempo, além disso, quando percebem que estamos separadas falam que a culpa é apenas minha. Se descobrirem que estou lhe escrevendo para que suma da minha vida, ficarão possessos. Dizem que é um partidão (vê se pode?), pagam pra ter o ventre rasgado por sua influência, não sei como isso pode ser isso sinônimo de amor-próprio. Você me sugava ao ponto de me tornar uma sombra miúda beijando seus pés, causava tonturas, ânsias, ás vezes não compreendia se me fazia tremer por frio, ou medo. Me davam valor em especial quando em sua companhia, fazendo-me crer que jamais seria amada, desejada, querida e respeitada, se não fosse ao seu lado. Que bom que eu mudei! As pessoas não sabem o quanto fui arrasada, do quanto me sujeitei, das armadilhas psicológicas e de dependência. Não conseguia me alimentar antes de lhe pedir permissão e se tentava sabotar seus planos, sentia teus olhos pesando atrás dos ombros. O que me deixa furiosa acima de tudo, é ter de explicar o nosso rompimento para meus familiares, chegou-se ao ponto de desconhecidos oferecem panfletos com seu nome,  a TV, as revistas, as dicas infalíveis de como te reconquistar em até três semanas… Sei que é boa de lábia, fez sua fama por décadas e constantemente se renova, porém não estou disposta a lhe dar mais sangue, mais força. Detesto relações unilaterais e de possessão  e você é muito, muito ciumenta, por isso nunca quis me casar com você, firmar um pacto “até que a morte nos separe” com alguém da sua laia, é penar por tempo indeterminado. Os verdadeiros amigos são os que amam como sou e os melhores amantes beijam minha barriga (da qual, se referia por apelidos humilhantes). Você foi péssima e me mantinha em rédea curta, jamais admitindo uma melhora,  pois nunca serei suficientemente  boa em teus parâmetros surreais. Falam que se quero me reaproximar  basta “fechar a boca”,  no entanto farei uso dela para que saibam o quão desprezível é a sua presença. Sei que ganha muito dinheiro, tem contatos e adora colocar informantes a paisana, então não venho por meio desta rogar um pedido, mas decretar uma ordem: Vai-se embora, tenho mãos, dentes, facas e garfos, sem medo de usa-los.

8 Comentários

  1. fake said,

    Pô, que blog legal! Vou dar umas lidas pelo arquivo!

    Mas só digo uma coisa: isso tudo é relato de dietas mal feitas. Não, não acho que todo mundo tem que se enquadrar num padrão até porque o que é o “certo”? Vestir 36? Tá doido, né? E nem toda dieta é pra emagrecer, embora seja o maior atrativo de certas chamadas em capa de revista. Qualquer dieta bem feita tem sucesso. E isso não significa passar fome. Aliás, muito pelo contrário. Não comer não é dieta. Odiar o próprio corpo não é saudável.

    • Deborah Sá said,

      Fake,

      A auto confiança passa necessariamente por nos sentirmos confortáveis na própria pele. Além disso, é possível ser gorda, saudável e feliz. Atualmente, gostaria de fazer algum exercício físico para movimentar mais meu corpo, não com o intuito de perder medidas ou me adequar no padrão, mas para o exercício dele como um todo. Acho importante ter consciência da própria corporeidade, dançar, se movimentar, se masturbar, enfim, exercícios que integrem de forma harmoniosa nossa percepção e o formato da silhueta. Me oponho a dietas, mas sou a favor da reeducação alimentar, da alimentação “pensada”, consciente, saborosa, divertida, prazerosa.
      Várias pessoas pensam que só serão felizes quando perderem muitos quilos, quando na verdade, a auto-imagem deveria ser trabalhada dentro do presente, se o emagrecimento é uma meta tem de ser racionalizado como um projeto a longo prazo, dentro da reeducação alimentar. A dieta é um plano emergencial punitivo que corta bruscamente os hábitos construídos por anos, por isso as pessoas “sabotam”, ficam infelizes.
      Se a pessoa pratica atividade física, se alimenta bem, e mesmo assim é gord@, talvez os fatores hereditários ou biológicos sejam mais fortes. Não tenho nada contra quem deseja emagrecer, mas a minha defesa é no sentido que poucos fazem: De que é perfeitamente possível ser gorda e se amar.

      PS: Sou vegana há anos.

      • fake said,

        sim, linda, eu concordo contigo (que estranho alguém me chamar de fake. HAHAHAHAH)! te contar uma coisa. eu era um patinho feio. minha mãe, toda perua, fazia questão de me dizer que eu era horrível. cresci no meio dos livros e tals. fui pra academia por um problema no joelho. e nunca mais parei. dentro da academia, eu fui entendendo que existem MIL tipos de corpos e todos são bonitos. e muita gente acha que quem treina tem preconceito com outros tipos de corpos… não, os que levam a sério e como uma coisa pra vida toda não têm (não temos) preconceito… descobrir isso me fez muito bem. pq eu chorei qdo o médico falou pra eu ir pra musculação.

        aí tive que aprender a comer qdo os treinos ficaram mais pesados. e entendi que comer bem não é comer nada e nem pular refeições. eu tive início de anorexia no fim da escola. fiquei bem mal. aí aprendi a comer. pra emagrecer, a gente tem que comer! até pra emagrecer! emagrecer não é ficar fraca, triste, se sentindo uma merda. tem que comer até pra não perder osso, pro humor ficar ok, pros hormônios funcionarem. mas tem que se amar o bastante pra não usar o comer/não comer como punição.

        eu tenho um tumblr onde guardo imagens que eu acho bonitas. eu sou mulher. tenho foto de gente de todo jeito e consigo sinceramente achar os mais diversos corpos super lindos. vi muita merda em uti nessa vida e sei que gente viva, gente de bem, gente que tem um corpo perfeito (que pode andar, sentir, etc)… essa gente é bonita.

        eu só queria que não tivessem preconceito comigo pq eu ando super feliz com meu corpo hj, mas vivo ouvindo que “homem não gosta de músculos” que “vou ficar masculinizada”. sério, qdo eu tava no pior da depressão, alguém foi me perguntar como eu tava? e desde qdo eu faço qualquer coisa em função de homem? pulei de um lado pro outro e o controle sobre o corpo continua. se é magra, tem que ter peitão. se é gorda, tem que emagrecer. se faz academia, tem que ser só esquema panicat… ou seja, nada pode. a verdade é essa. só que hj nada disso me afeta mais. ninguém nunca mais vai dar pitaco no meu corpo. desculpe pelo longo comentário. um beijo.

      • Deborah Sá said,

        Que bacana seu comentário, fake (é seu nickname, por isso lhe chamei assim :P)!
        Adoro quando as pessoas entram aqui e comentam suas experiências de vida, não peça desculpas . Interessante sua história, de fato mulheres “fortes” (sejam musculosas, grandes, ou gordas), não são bem vistas porque parecem visualmente “impositivas” característica muito desejada em homens, jamais em mulheres. Fico feliz que sinta-se bem hoje, que aprecie variadas silhuetas, contemplar e admirar a beleza dos outros faz bem. Comer conscientimente é uma forma de amor próprio, mas não é somente por “nutrição” que nos alimentamos, comemos também por prazer e sociabilização.
        O ideal é ter um corpo que não nos impeça de viver o cotidiano e atividades, uma atleta precisa de uma dieta diferente da minha que não uso o corpo em tais atividades, nosso corpo é um “instumento” e tem de receber “manutenção” e cuidados. Como havia falado, a questão é manter um corpo saudável e em movimento, ser gorda não anula essas coisas. O discurso que pouca gente fala é que pessoas gordas podem levar uma vida saudável e ativa, a sociedade coloca barreiras psicológicas para impedir que as pessoas se desenvolvam. Gord@s que dançam, usam biquini, listras verticais, cores chamativas, gostam de usar roupas justas ou decotadas são tratados como “sem noção”, querem esconder @s gord@s com roupas que cubram seus contornos, assim como as mulheres negras resignificaram o termo “preta” usando-o como vocábulo empoderador, nada impede que gord@s façam o mesmo, longe do eufemismo de “gordinhos”, “cheinhos”, “largos”.

        Não precisamos pedir desculpas pelo nosso tamanho ou como o corpo acumula gordura, pelo contrário, podemos usar isso para alimentar nossa segurança.

  2. A narrativa é muito bacana, especialmente a parte dos ‘panfletos’. Ao lado do meu trabalho há uma banca de jornais, a dona da banca coloca, de um lado, as revistas de receita; de outro, as de dieta, mais longe da primeira, os das beldades masculinas e lá no finalzinho, a das beldades masculinas. Perguntei pq, ela respondeu que se colocasse as de receitas ao lado das de dieta, as pessoas se sentiriam culpadas e não comprariam as de receita. XD

    • Gabriela Ribeiro Yokomizo said,

      A dona da banca conhece os clientes dela :)

    • Deborah Sá said,

      Fátima,

      Aqui em SP, algumas revistas baratas com dicas de dieta anexam uma revistinha menor, com receitas super calóricas. Talvez seja para as mães fazerem as receitas gostosas para família e as de dieta pra comerem sozinhas.

      • LOL perca os três quilos que vc ganhou semana passada fazendo as receitas que ensinamos!


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