23 maio, 2012

Quatro considerações, dos quatro últimos posts

Posted in Cotidiano às 1:50 am por Deborah Sá


As aulas na Unifesp ainda estão suspensas, a greve continua (e sou favorável).  Aos poucos conheço gente que parece bem interessante, alguns costumes me irritam consideravelmente como fumar em grupo nos ambientes fechados (mas como aparentemente 99% dos estudantes de Humanas fumam, me calo). Ou ainda o hábito de espantarem cães insistentes com um pouco d’água se acaso tentam mexer nas mochilas ou se tornam inconvenientes, o campus é gelado porque o bairro dos Pimentas é “Winter is coming” e acho que não é uma boa saída usar água em um pêlo que é exposto ao vento. Os ânimos agitados (agora entendo porque tanto choro no dia que fui na USP e sim, continuo achando que estudar em Federal é privilégio de poucos, que o Movimento Estudantil ás vezes age no calor das emoções e aos berros) contagiando até os cães que ficam com o comportamento melindroso e ao mesmo tempo ansioso.

Sou fã de figuras de linguagem como as metáforas, mas acho que andei pesando a mão (não disse?), e se pareço confusa peço desculpas, algumas pessoas vieram com essa sugestão, de que eu torne o que escrevo um pouco mais evidente e pensando nisso, reli meus últimos quatro posts, que imagino eu, sejam os que sofreram maior impacto nessa nova fase que passo: Desempregada, não sei se o semestre da faculdade será cancelado, se tudo que resumi e li até o momento será passado “uma régua” , se terei que intervir em (mais) brigas no meio do movimento estudantil, da aproximação sincera com o Queer e da honestidade que busco respeitar meus desejos.

Desanuviando:

A Novidade (que de nova, não têm nada): A música “A Novidade” de Gilberto Gil poderia (entre outras interpretações) ser uma percepção de um@ Vegan de quem esperam que aceite a morte e exploração dos não-humanos como dano colateral inevitável e deve ser colocado em segundo plano, pois o mais importante nesses termos é fortalecer a própria espécie.

Ao direito do pesar: Nem sempre o caminho da salvação é estreito, ou seja, nem sempre para alcançarmos a alegria e algum êxito precisamos penar, sofrer, nos machucar, ás vezes a alegria vem sem a dor e sem um “preço”. Mas nem sempre. E se por acaso nos ferimos, é possível que isso nos fortifique pra seguir em frente. Somos crianças incertas, viramos adultos ainda mais incertos. Os demônios que a cantora Florence (a parte em itálico é um trecho da música) pede pra sacudirmos das nossas costas nem sempre avisam quando chegam e como qualquer ser com passado, sou assombrada pelos meus, o mais familiar é o meu avô, que já decomposto em algum pedaço de terra não faço questão nem de cuspir, veio, estourou e roubou o pouco de esperança que me era possível e surge feito uma múmia que ri da peça que prega. E por fim, pelo direito de falhar, de mudar de idéia, de perder o sentido.

Nós:  É uma declaração de afeto como outras que fiz, estão na categoria “Desejo” do blog.

Videodrome e outras vias para o método perigoso: Videodrome é um filme trash, gore e pós-humano que virou clássico, fala sobre snuff movies e um sujeito que não sabe o quanto esse universo o afetará, uma mulher o introduz ao mundo BDSM o que o deixa excitado mas completamente aterrorizado, já Um Método Perigoso é um filme mais recente mas do mesmo diretor e que de uma forma mais soft (no sentido de sofisticação e atenuação de vísceras explodindo na tela, sangue e outras formas mais chocantes e explícitas usadas em Videodrome) mostra uma personagem feminina que também pede para apanhar e introduz um personagem mais “cabeçudo” nessa equação: Carl Jung. Em ambos os filmes quem é levado a segurar o chicote entra em conflito com a antiga “racionalidade” entrando aí toda a discussão sobre os desejos, separação entre corpo e mente e o medo de se abrir para experiências ainda mais novas e difíceis de precisar (até onde vai nossa imaginação se a alimentarmos)? E por fim, creio que de uma forma ou outra encobrir de si mesmo essas pulsões é dar motivo para que retornem cada vez mais fortes, pois as fortalezas que colocamos ao redor serão corroídas pelo tempo (ferrugem, cupins e traças).

De todo modo, se meus textos parecerem demasiadamente confusos (cada um tem um processo cognitivo e o que pode parecer muito simples dentro da nossa cabeça é completamente sem sentido para quem nos ouve/lê) me perguntem via comentários, pois é um prazer interagir com vocês ; ]

2 Comentários

  1. Raiza said,

    Agora ficou mais claro aquele texto.Sobre o processo cognitivo de cada um,tem textos astrológicos fantásticos que ajudam a dar uma luz acerca do nosso processo cognitivo e das outras pessoas.Tipo,seu processo cognitivo é “Mercúrio em câncer na casa 11”,já o meu é “Mercúrio em touro na casa 9” eu iria levar horas e horas escrevendo sobre.Vou resumir dizendo que vale muito a pena dar uma olhada.Ainda nesse assunto,amanhã vou postar no blog um comentário sobre um artigo que eu li hoje acerca da influência os elogios na capacidade cognitiva das crianças e queria sua opinião.Voltando um pouco sobre o assunto dos filmes,bdsm,acho que o que pega,pelo menos pra mim é conciliar esse tipo de desejo com uma proposta de vida livre.Porque pra mim parece óbvio que o bdsm tal como é estruturado e a subcultura que o envolve,é um produto direto do patriarcado,tal qual a prostituição talvez.Mas não sei até que ponto isso deslegitima o desejo,entende?

    • Deborah Sá said,

      Sobre processos cognnitivos aguardo seu texto, muito embora não acredite em astrologia, gosto de ler e estou aberta sobre outras formas de compreenssão do mundo. E aguardo seu post sobre os elogios :)

      O BDSM é como o casamento, ser mãe, morar junto ou outras coisas que podem parecer conservadoras e/ou não libertadoras. Não estamos imunes ao que nos cerca e um belo dia uma idéia que parecia impossível de nos atingir, ou nem sabiamos da sua existência nos acerta em cheio. Daí é pesquisar e ver se aquilo realmente nos cabe. Mesmo sabendo de toda a teoria feminista, uma mulher pode se sentir realizada como dona de casa sustentada pelo marido, vai saber? No fim, acho que deslegitimar o desejo é algo que foge do nosso controle, porque quanto mais se resiste, mais intenso fica e não é algo que conseguimos ficar indiferentes, nos afeta diretamente. Como diria Britney “and this type of love isn’t rational, it’s physical”.

      Parto do seguinte ponto: Se o que querem que você faça te deixa desconfortável, não faça. Não acho sexo anal ou oral algo humilhante, por exemplo, mas há quem ache determinadas posições vexatórias, então é simples: Se não quer (seja o que/como/onde for), não faça ;)


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: