22 maio, 2012

Videodrome e outras vias para o método perigoso

Posted in Corpo, Filmes tagged , às 12:41 pm por Deborah Sá

Videodrome (1983) e A Dangerous Method (2011) são dirigidos por David Cronenberg e perpassam a temática do prazer e da dor, a descoberta e culpa em novas formas de expressar a sexualidade e a conseqüência irreparável que sucede.

Acenar para o vizinho, ir ao ambiente de trabalho, interagir com quem em nosso íntimo repudiamos por aspirações medíocres e concepções ingênuas. Somos atores em maior ou menor medida e os lençóis não se distanciam em hesitação. Max Renn, assim como Jung são personagens dos quais esperamos o não envolvimento em condutas que colidam com sua racionalidade, o primeiro, é um indivíduo que com zombaria retransmite em um canal de televisão obscuro conteúdos violentos e pornográficos, o segundo, um grande nome da psicanálise.

No despenhadeiro vertiginoso entre o que compreendem e o que o desejo exige, são lançados em absorta perplexidade e para tornar a proposta ainda mais irrecusável, encontram assistentes que prontificam seus corpos ao açoite, fivela e a punição. Rendem-se e enquanto cedem, experimentam a desorientada excitação embebida de um ato impulsivo e pouco racional. Desejosas mulheres gozam sem remorso no alívio aterrorizante diante dos olhos incrédulos da blasfêmia que pedem repetidamente, assim, o paradoxo está nos homens atormentados pelas mulheres que seguras pedem o corpo marcado, sendo a mão que apanha a que constrange seu carrasco pela bestialidade ascendente.

Essas pulsões “pouco nobres” podem encontrar caminho fértil na literatura, nos videogames, nas canções, esquinas, pocilgas e orquestras, na fotografia detalhista de um aclamado diretor e na batida do baile funk. Mas por que atividades intelectuais e abstratas recebem maior prestígio do que as habilidades corporais? Porque são nossos trunfos enquanto espécie, a racionalidade, a compostura. E onde está a compostura quando em movimentos repetidos a masturbação nos faz ofegantes e com feições distorcidas? Onde está a racionalidade quando desejamos uma prática sexual que tantos classificam como humilhante, ao passo que nos excita com rubor?  O referido método se faz perigoso para os que temem a possessão completa de sua identidade e que ao abrir uma porta, será pisoteada por elementos que jamais viram a luz. Porém, tomar consciência de nossos desejos controversos e secretamente deliciosos é evidenciar a vulgaridade que poucos admitem.

Desejos fortuitos nos tomam de assalto, podemos extrair um prazer mais intenso da resistência do que da prática, o trunfo dos virtuosos, ou deixarmos que gemidos entoem as melodias que precedem o sorriso tolo. Assombram-se os que abafam tão vigorosamente suas entranhas que enquanto dormem, por precaução lançam mais uma camada de tecido sobre seus retratos morais desfigurados como os de Dorian Gray, todavia, para o pano há traça, para a porta, cupim e para a chave, ferrugem.

3 Comentários

  1. Raiza said,

    Vou falar uma coisa,espero que você não me entenda mal.Eu gosto das reflexões que você propõe,mas sua escrita é difícil de entender.Ás vezes eu tenho a impressão que você só publica as conclusões,sem o processo que levou a elas,o que me dá a sensação de ter perdido uma parte do relato.Também acho que a linguagem poética dificulta,pois abre espaço a interpretações subjetivas que podem afastar as leitoras do objetivo final do seu texto.Acho que esses problemas poderiam ser resolvidos com a adição de exemplos aos textos.Espero que não me entenda mal,são só alguns pontos que eu acho que facilitariam a comunicação.Beijos.

    • Deborah Sá said,

      Raiza,

      Fico muito grata pelas dicas! De verdade :D
      Ás vezes uma série de inquietações que sinto são melhores compreendidas (na minha cabeça ;P) por metáforas ou algumas figuras de linguagem que na hora fazem muito sentido. Você não é a primeira que me diz isso, que o que escrevo ás vezes se torna difícil. Hahahaha, mas eu preciso realmente prestar mais atenção nisso, porque o que escrevo é cheio de significados internos, como piadas internas e não tem graça só eu rir delas, né? XD

      Estou pensando em detalhar melhor esse post, decompor ele, me fez pensar um bocado. Obrigadão mesmo, adoro seus comentários <3

  2. Raiza said,

    Disponha.Fico feliz ter ter sio útil e de você ter levado numa boa <3


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