27 abril, 2012

Nós

Posted in Desejo às 8:15 pm por Deborah Sá

Não me falta teto, não me falta sangue
Não me falta tremor e gozo, não me falta corpo
Não me falta amor, não me falta o som das unhas no pêlo
Não me falta um gosto.
Sede ampla, sede aberta e desabrochada,
Sede úmida e tenra, como a manga em toda polpa
Sede líquido que desce por entre as pernas em torrente
Sejam nossas mãos entrelaçadas
Sejam os arranhões e as marcas nas ancas
Sejam seus sussurros em meu ouvido
Sejam rompantes das gargalhadas que escapam
Seja meu peso sobre o teu
Que o tempo seja uma categoria lá fora
Daquelas tantas que não nos cabem
E que sua língua me habite
Para quase todo sempre

20 abril, 2012

Ao direito do pesar

Posted in Desabafos às 2:41 pm por Deborah Sá

E estou condenada se o fizer, e estarei condenada se não o fizer. Então estou aqui para brindar no escuro, ao final da minha estrada estou pronta pra sofrer e estou pronta para a esperança. É um tiro no escuro mirando para minha garganta, porque procurando pelo céu, encontrei o Diabo em mim. Bem, que se dane, eu deixarei acontecer comigo. É difícil dançar com um demônio em suas costas.

[videolog 711028]

Resquícios de pesar são o pó acumulado de  móveis antigos, sendo mais suscetíveis as teias de aranha ao descaso e alguns dizem, ao arrastar de correntes. Esses fantasmas podem nos perseguir desde pequenos quando não compreendemos o que nos cerca, ou perdurar quando somos crescidos na certeza de que não sabemos. Minhas assombrações são do tipo que pregam peças, sem o menor aviso ou cerimônia me tomam de assalto, podem esperar que todos saiam para se aproveitar (como meu avô fazia) ou podem invadir em público, fazer troça da desorientação. Abarco sabotadores como elemento surpresa sendo o maior deles o supracitado que se decompõe em algum pedaço de terra, os outros, bem…São todos os outros. Ele queria pedaços de minha carne e tal qual um grupo de crianças atacou a mesa de doces, deixando copos descartáveis no chão, forminhas vazias e alguns balões estourados. Pode parecer estranho minha defesa, sobretudo em tempos de busca irrestrita de felicidade, de entorpecimento e fuga, mas requiro o direito do pesar, da dúvida, do remorso, de remoer falhas, o direito de errar, perder as chaves, mudar de direção, de perder o sentido, habitar o caos. Por certo o júbilo não é tão somente acessado em via de mão única no estreito lamaçal, mas por vezes, é essa massa anti-séptica que nos cicatriza e depois do banho na chuva, pomo-nos á dança.