15 dezembro, 2011

Virgem aos _____ anos

Posted in Corpo, Sexo tagged , , às 3:56 pm por Deborah Sá


Há muitas maneiras de aproveitar o sexo, juntinho com carícias e juras de amor, com a emoção aflorando, um retorno após o desentendimento, aquele delicioso, escancarado, de peito aberto, gemidos, arranhões e até daqueles que tiram sua alma e a devolvem mais leve, trôpega e levemente desorientada. Sexo pode ser um pedaço de transcendência, sentir-se vivo, pulsando dos pés a cabeça ou ainda um fardo, a monotonia das paredes, a indiferença. Não há como renunciar que praticá-lo é expor além da anatomia: Mostramos nossa corporeidade, a languidez performática na realidade está mais próxima dos pés que se enroscam ao tirar a calça. Imaginar-se como sujeito e objeto do desejo pode gerar medo e constrangimento das incertezas nesse momento cercado por suposições fantasiosas (não raro, falaciosas). O despertar da minha sexualidade não ocorreu no tempo que esperavam de uma mulher comum, o primeiro beijo foi aos 17 (quase 18), não conseguia me aproximar de quem sentia atração temendo que o amor próprio já escasso fosse reduzido a pó. De passos cautelosos diante do piso que range apresentei-me despida…  e adorei.

Um dos temores que a virgindade desperta é a reação que a nudez causará, antes de fazer sexo acariciamos, abraçamos e aproximamos os corpos o que oferece dados para noção espacial tornando possível imaginar uma “prévia” da silhueta, portanto se você é um sujeito magro não pense que esperarão um torso musculoso ou que por baixo das roupas de uma Betty Ditto se esconde uma Twiggy.

Há contemplação em cada corpo que a sua maneira (pintas atrás das costas, estrias, celulites e cicatrizes), traz demarcações que contam seu trajeto. Esse silêncio aberto de suposições pode ser angustiante quando não sabemos o que passa na mente de quem nos vê, será que miram exatamente o que nos deixa embaraçados? Não há como garantir o que essa nudez despertará, pode ser que tire um pouco do fôlego, pode ser um arrepio, pode ser amor. E são variadas as formas de amar, inclusive por uma noite de quem sequer sabemos o nome. O momento correto é o de maior segurança e conforto (o mesmo vale para o local escolhido), não existe idade limite, há quem realize antes dos dezessete e quem espere mais algumas décadas. “Esperar” é um direito que deve ser respeitado, um dos lemas do Feminismo é a autonomia aos corpos, inclua aí a escolha do momento propício para iniciar, pausar ou interromper a vida sexual. Cabe avaliar o motivo desse adiamento e se trás algum sofrimento, qual sua origem, por exemplo, o medo da rejeição.

Ser virgem é passear pelo Éden enquanto a publicidade da maçã diz que aquele é o pedaço mais sagrado, suculento e indissolúvel da existência, porém, nossos vínculos afetivos ultrapassam a troca de fluidos, somos capazes de amar outras espécies, pessoas que conhecemos on-line e não sabemos o cheiro do corpo e a textura da mão, permanecemos sentinelas se companheir@s adoecem, inclusive se não puderem oferecer a mesma quantidade sexual (a qualidade é subjetiva e continuamente reinventada). Sexo é imaginação e com nossa permissão concretude, sua recusa, adiamento ou execução devem partir tão somente da prerrogativa pessoal, fazendo valer os desejos ao invés de emular comportamentos que atendam expectativas para que nos considerem dignos de afeição, não há nada mágico em “perder a virgindade”, seu corpo não mudará, não se tornará mais sábi@, não é isso que nos faz criaturas maduras e gentis. Trata-se de uma das possibilidades de sentir prazer, cabe a você usufruir.

OBS: Não há consenso científico sobre Asexualidade sendo variadas suas interpretações, práticas e identidade entre os que nela se identificam, por exemplo, alguns fantasiam o erótico sem inclinação a torná-lo real, outros se masturbam e há quem busque uma relação romântica sem sexo. Não considero patologia ser assexuado ou o celibatário (são diferentes), para mais informações consulte esse site.

6 Comentários

  1. Paulo said,

    Penso que você disse tudo. Talvez tenha escapado dizer que isso não importa mais. O que ocorre é o que ocorre. Não precisamos mais de tantas lentes e filtros e correntes e questões sociais. Finalmente respondemos pelo que fazemos e fazemos o que queremos e queremos o que já está dentro de nós. Pouco importa o que as pessoas possamachar , inclusive eu o amor e o sexo são perenes como a relva. seu texto está otimamente colocado.

  2. Paulo said,

    É provável que você seja uma mulher quetenta racionalizar e antever o momento próximo . Não sei pensar assim. Preciso sentir atração . Preciso conhecer a pessoa. E não precisa acontecer nada mais do que sentir que a química está permeando nossos assuntos, acelerando nossos pulsos. Depois eu mergulho e me entrego. Não espero nada. Portanto, tudo o que possa vir depois é porque já estava dentro de nós e transformamos em realidade. é simples. Fico sabendo se vou querer continuar. Ou vou embora e deixou claro que não rolou a química certa.

  3. Sophia said,

    Oi Debora, conheci seu blog por acaso, adorei! Você escreve muito bem, parabéns.
    Gostaria muito de saber sua opinião sobre assexualidade, você tem algum texto sobre o assunto?

    • Deborah Sá said,

      Olá Sophia, tudo bem?

      Obrigada pelos elogios, ainda não escrevi nenhum post específico sobre Assexualidade, mas a encaro com muito respeito e uma escolha que não indica caráter ou a falta dele, as pessoas devem ser livres para decidir sobre seus corpos ;)

      Um abraço

  4. Kathleen said,

    lindo texto, muito delicado, parabéns!!

    • Deborah Sá said,

      Obrigada :)


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