28 novembro, 2011

Resiliência

Posted in Desabafos às 10:37 am por Deborah Sá


Quando bem pequena ganhei um brinquedo chamado Vira a Mesa, causava medo, não lembro bem o objetivo do jogo e a única coisa que realmente gostava era o pratinho com adesivo de espaguete, sei que o jogo era rápido e se demorasse tremia e virava a mesa jogando os acessórios longe. Virava de costas para TV ao abraçar minha mãe com medo da abertura de um programa do Chico Anysio onde esticava a cara, os olhos e o nariz com computação gráfica. Enxergava um monstro imaginário, um ursinho de pelúcia marrom com olhos vermelhos, dentes pontiagudos (como uma piranha) que se mexia mecanicamente com olhar aterrador, ele só aparecia no escuro na lateral do guarda-roupa, uma imagem holográfica com bastante relevo.

Gostava de ficar sozinha, solicitei para minha mãe aos três anos para dormir na casa de amigos dela,  para os amigos pedi um dos quartos para mim e dormi em uma cama de casal, dizem ainda, que não chamei durante a noite e quieta, fechei a porta. Na minha rua (já morei em quatro endereços), havia uma menina chamada Sheila e ela não tratava bem outras crianças, tenho quase certeza que era mais nova que eu, embora mais alta e magra, um dia brincando de pega-pega escorreguei em um barranco pequeno, ela me pegou pela mão e pedi que não me soltasse, ao dar um sorriso sarcástico me largou, achei que iria morrer. Quando cheguei embaixo percebi que a distância era pouca e praticamente não me ralei. Se minha mãe perguntava qual bolo queria, respondia “bolo de bolo”, o que significava “baunilha”, não sabia o que queria ser quando crescer; pedia os brinquedos mais baratos ou nem fazia muita questão deles. Apegava-me aos brinquedos que ganhava e nunca os rabiscava ou cortava cabelos das bonecas, e após brincar guardava-os na caixa. Alguns adultos me queriam mais enérgica, preferia brincar no Paint Brush a sair na rua, jogar Damas a Educação Física, escrever estórias a fazer contas. Tinha gente que dizia que eu parecia autista (mesmo sendo uma matraca), minha mãe irritada com meus modos dizia “Credo! Parece que você foi estuprada! Vive assustada, não pode ouvir um grito”, chorei quando me xingou de “Filha da Puta” pela primeira vez e minha avó, também perdeu a paciência mandando logo ir tomar banho e deixar de frescura, senão ela mesma iria me bater. Meus familiares não eram más pessoas, mas sem sombras de dúvida viviam a flor da pele.

Quebrando objetos da casa, gritos, paranóia religiosa, choro e berro, ameaças, direcionados a mim alguns tapas, chineladas, beliscões e chacoalhões. Sentia-me responsável de manter a estabilidade em especial depois que minha irmã nasceu, ela também se assustava, mas eu a chamava para longe (quase sempre na escada) e dizia que “iria passar” e “era assim mesmo”, quando tudo voltava ao normal olhava para ela de canto dizendo “Viu?”. Sempre que encontrava brecha a levava para escola, certa vez entrei para fazer companhia e as crianças gostaram quando substituí a professora que foi ao banheiro, eu levantava a placa com a figura de um animal e as crianças diziam juntas “Cachooooro”. Contei pra minha mãe sobre meu avô porque temi que ele ferisse minha irmã, brigava muito com minha “melhor amiga” para que não a desprezasse das nossas brincadeiras e durante as noites, fazia um teatro nas sombras da parede para fazê-la sorrir. Tentava proteger e apoiar, nem sempre consegui e errei um tanto de vezes.

Uma vez minha tia bateu o carro e tomada por uma calmaria, tranqüilizei ela e minha irmã, era essa minha responsabilidade, nos momentos de tensão trazer alguma harmonia, acobertei e tomei a frente de erros dos outros para assumir o dever sozinha, entrava na frente dos meus pais para proteger nossos animais de estimação. Não tive que trabalhar cedo para sustentar o lar, mas a carga assumida foi emocional sendo um ponto de equilíbrio comum que ligava as pessoas, se elas brigavam me reunia separadamente com as partes e tentava conciliá-las. Parece que o instinto de preservar outros era muito maior que o de cuidar de mim, a dor era um estado de permanência. Ainda carrego esse traço, quando alguém próximo começa um atrito é inevitável não sentir um frio na barriga e prever que está na hora de agir, é preciso apartar, apaziguar, é instintivo.

Não entendia bem (e confesso que ainda não compreendo em totalidade) o que me tornava alvo fácil se tentava o melhor que podia, por que quando tinha alguns meses de idade uma garotinha veio correndo na minha direção e tascou-me uma mordida? Por que com garotas ainda mais gordas na escola os valentões me expunham ao ridículo? Por que uma menina que nunca vi disse não gostar de mim e torceu meu braço no banheiro da igreja? Por que estava sob a mira do ódio se tentava doar amor? Não devolveria aquelas sensações, não daria o troco, me achavam imatura, retardada, ingênua, fraca, por ser imaginativa, chorona, não dar vazão a minha sexualidade. Só de imaginar que magoava alguém pranteava de remorso, cheguei ao ponto de pedir desculpas ao tapete que me fazia tropeçar (parece piada, mas é verdade que só me dei conta porque minha tia viu e mandou largar mão de ser idiota). Se derrubava o tacho de salada no chão ou quebrava um prato, abria o berreiro, era como se vivesse em estado de atenção, um Vira a Mesa eterno, com seus tremores prestes a espatifar minha tentativa de remendar a realidade quebradiça. Provavelmente as pessoas davam mais ênfase a essa faceta, por isso o choque em me perceber serena quando o caos rondava “Justo você, “a bunda mole” do grupo, agüentou o tranco sozinha”, esses também foram incapazes de ver que entrei na puberdade e menstruei primeiro que qualquer outra garota do meu círculo social, que imaginava meu pai esquartejando meu avô se lhe contasse a verdade, que a família me culparia e seria desintegrada. Quando confessei a verdade a minha mãe, meu avô morreu e chorei por culpa.

Ao me chamarem de retardada acreditei em cada uma das acusações, por isso me sentia limitada, incapaz, burra, sem a malícia que a vida exigia, escolhi abrir mão se isso significava ferir alguém, era incapaz de matar um caramujo e não compreendia o sadismo, como alguém consegue desejar e executar a violência? Essa sempre me pareceu nauseante, desesperadora, repulsiva.

Traduzido com legenda aqui

Bloqueei a Matemática do meu aprendizado, não sabia tabuada até esse ano de 2011 quando entrei no Kumon, as pessoas realmente não entenderam (e muitas ainda não compreendem) quando chorando parei diante de um problema e não conseguia lê-lo, fui a uma livraria, achei que precisava mudar de ambiente, no entanto minha vista não conseguia processar, olhos mareados, cinco linhas para decifrar e me sentia a criatura mais estúpida da face da terra. Nesses momentos esqueço-me de toda a força, do que superei, do esforço em revidar escrevendo minhas angústias, não há chão, não existe caminho percorrido ou origem, estou diante do infinito e das limitações. Isso não significa que quero ser perfeita, não significa que “estou correndo atrás do prejuízo”, aprendi a fazer subtrações “cortando o zero” apenas esse ano, tamanha minha dificuldade, resolvi os primeiros problemas, aprendi a tabuada até dez, fatorações e frações. É uma espécie de analfabetismo, me exigiam Camões sem o conhecimento das vogais. Sabia que aprender Matemática seria doloroso porque mexe com minha insegurança intelectual, diziam que era incapaz de certas coisas e aprender Matemática era uma delas, a inteligência que elogiavam em mim é a que flerta com a loucura e o devaneio, aquela de quem é alheia ao meio em que vive, daquela que se perde em uma lógica própria, covarde, a inteligência quase imbecil.

Sentimental demais, dizem, mas lhes digo queridos, a força que me move não tem outra causa senão o amor. Tateio um terreno ainda desconhecido, no entanto abandonei a vergonha de mostrar minhas cicatrizes e se não as querem ver, que procurem outros que atendam anseios de rigidez.

23 Comentários

  1. Deborah, passei por situações bem parecidas com as suas que não se consigo expor do jeito que vc fez aqui. Inclusive também tive um Vire a Mesa que adorava ver como os objetos voavam, mas um dia sem nenhum porquê minha prima o jogou em cima do telhado de casa, dizendo que era brinquedo de menina e como sou medroso não tive coragem de subir e pegá-lo. Acho que foi a primeira vez que senti vontade de ver alguém sangrando por ter me magoado.

    Minha família é eternamente barulhenta e briguenta, mas não tenho a paciência (e o amor) que vc tem. Chego a desejar que se matem de uma vez e parem com brigas estúpidas por causa da igreja e de comida. Culpo a religião dos meus avós por tanta desordem familiar. Apenas UM dos meus 17 tios terminou o ensino fundamental. Na igreja em que iam, os pastores diziam que as mulheres não precisavam estudar porque não aprenderiam a servir bem ao marido. Resultado: De todas meus/minhas tios e tias, acho que uns cinco sabem ler e escrever razoávelmente. Ninguém tem ensino superior ou técnico. E acho que sou único que tenho vontade de estudar além da escola convencional. Além disso, o ensinamento religiosamente rígido que receberam os tornaram seres racistas, machistas, homofóbicos e sexualmente bagunçados. Minha tia de 36 anos está com depressão porque na igreja que ela frequenta lhe disseram que não é digno namorar alguém fora da igreja, mas ela está apaixonada por um rapaz que não frequenta esses lugares. O resto da família diz que isto é frescura e fogo no rabo, falta de homem. Coisas que acho repugnante ouvir.

    Na escola sempre fui maltratado. Batiam em mim qdo não qria passar as respostas, me xingavam por gordo e me perguntavam se eu era menino ou menina. No ensino médio mandavam eu calar a boca porque eu tinha voz de travesti e um dia me derrubaram da escada, entre tanatas outras coisas. Em casa meu pai fica bravo e berra me dizendo pra ser mais macho e me pergunta porque não namoro.
    Isso me fez ficar fechado, acanhado e medroso até hoje. Vc deve ter visto como tenho dificuldade de formar frases, explicar algo ou simplesmente falar. Também tenho extrema dificuldade com matemática. Até em contas de somar eu levo minutos pra responder.
    No Enem e na Etec chutei praticamente todas as questões de exatas.

    Não tenho as mesmas forças que vc teve pra driblar tudo que passou. Admiro muito sua força, seu amor apesar de tudo. Me vi em muitas linhas do seu post. Não consigo mais me senti mal por tudo isso, criei uma barreira estranha e me fechei. Queria ter a mesma facilidade q vc tem de falar com pessoas desconhecidas. Eu acho isso incrível.

    Não se sinta mal por causa da matemática. Ela não me diz quase nada, eu praticamente a ignoro.

    Abraço e perdão pelo comentário gigante.

    • Deborah Sá said,

      Adriano,

      Não precisa pedir desculpas pelo comentário, o achei muito sensível e agradeço a sinceridade de compartilhá-lo aqui, sinto muito pelo quanto as pessoas tornaram sua vida dura e difícil, mas acredito que ao seu modo, aprendeu a resistir a isso. Espero que continue seus estudos porque a academia precisa dos que são tirados dela, é claro que teremos de forçar a entrada que para tantos é escancarada e de tapete vermelho, entremos pelo elevador comum, social, sem a bizarra plaqueta de “Área de Serviço”.

      Um abraço forte

  2. Renata Lima said,

    Não conheço assim tão bem a bíblia, Deborah, mas sua fala me lembrou um trecho biblíco que li em outro livro:
    “Eis que vos envio como cordeiros em meio aos lobos”.
    Não sei em que contexto está, na biblia, nem com os cristãos e católicos, pastores e padres, a interpretam.
    Mas seu texto de hoje, e sua doçura, sua empatia, sua sensibilidade, me fez pensar nessa frase.
    Beijos e abraços
    (De uma cordeira em pele de loba)

    • Deborah Sá said,

      Que comentário lindo, loba querida <3

      O trecho é Mateus 10:16, procurei no Google.

  3. Nisia said,

    Deborah,
    o que há de mais bonito na humanidade é o que está dentro de você.
    É justamente aquilo que vai além de simplesmente “ser humano”.
    Da fragilidade nasce a força, o amor surge no meio do sofrimento.
    Como isso é possível?
    Um grande abraço, com muito carinho – extensivo ao Adriano.

    • Deborah Sá said,

      Obrigada Nísia, um abraço.

  4. Carla said,

    Engraçado que um amigo, nos tempos de escola, escreveu-me uma carta e nela havia exatamente esse trecho citado pela Renata.

    Eu não gostava de ser “doce”, houve uma época em que me ressenti muito disso. Acho que era pq eu não era, de fato, sempre doce: algumas vezes era mais uma menina tímida que não sabia gritar. Me sentia apagada, invisível, ninguém, diante de pessoas belas e brilhantes e com tantas histórias para contar. Acho que era uma coisa de guardar minha história e minha voz e de guardar um pouco de minha família tb. Havia dor em minha casa, uma dor que eu não compreendia bem quando criança e quando adolescente: apenas temia.

    Talvez minha paixão por psicologia e por história tenha a ver com isso: com uma vontade de “ouvir a voz do mundo” e, quem sabe, a minha. Então, encontro-me com vc nesse ponto:

    “a inteligência que elogiavam em mim é a que flerta com a loucura e o devaneio, aquela de quem é alheia ao meio em que vive, daquela que se perde em uma lógica própria, covarde, a inteligência quase imbecil.”

    Acho-a uma historiadora mesmo antes de cursar história de fato. Vc escuta as histórias do mundo e escuta as suas – pq a história das miudezas tem tanto a dizer sobre o mundo, a sociedade, os modos de viver.

    Com essa delicadeza que é tão sua, tão tão tão sua, vc nos encanta!

    Beijos com amor, loucura ou imbecilidade (que chamem como quiserem a sabedoria que se desmancha em beijos),

    Carla

    • Deborah Sá said,

      Obrigada Carla, pela sua ternura e carinho.

      Beijos,

  5. Dos olhos mais negros said,

    Bom, primeiramente parabéns pelo texto. Sensível e delicado. Mesmo assim é de uma força incontestável.

    Eu as vejo dizendo sobre a doçura e acho isso tão belo, apesar de doloroso. Vejo-me nessas histórias, mas pelo oposto: pelo caos. No meu caso em algum momento da vida a criança doce se perdeu. Eu senti que precisava ser respeitada, levada a sério. Então criei, sei lá, garras, dentes, ruína. Despejava comentários sarcásticos. Toda redação transformava em textos sobre violência infantil e bullying (na minha época era “zoeira”). Ganhava parabéns dos professores e os mandava às favas, dizendo que não queria ser parabenizada, eu queria ser salva.

    Em algum momento entre uma péssima relação com o pai, uma mãe que quase morreu e acusações de “louca, ingênua, feia, que vive no mundo da lua” eu me tornei o caos. Machuquei muitos e me machuquei. Eu era o lobo na armadilha roendo a própria pata, o tempo todo.

    Não tive os mesmos problemas com a matemática e nem recebi rótulos como “burra e incapaz”. Ao contrário, esperaram demais de mim. Inclusive que eu levasse a família à ascensão financeira. Bati nos valentões que me encheram a paciência. Fui adolescente de crucifixo invertido, navalha na mão, cortando a própria pele ou ameaçando outros. Queria me integrar ao mesmo tempo que não queria. Enfrentava meus pais em almoços de família e dizia “bate agora, vamos ver se você é capaz”. Eu não perdoava ninguém. Era eu contra o mundo.

    Hoje eu cansei de ouvir “aceite o que aconteceu”. Não, eu não aceito. Eu não aceito que adultos molestem crianças (aliás, eu não aceito que ninguém moleste ninguém), que desde novinhos tenhamos que ser enquadrados como “viados, feios, gordos, loucos”. E eu aceitei não aceitar, tudo bem, apenas basta que eu aprenda a conviver comigo e com o mundo assim, sem pender para a destruição, mas ainda lutando para conquistar o que acho correto. Isso deu-me paz de espírito.

    Déborah, Carla e Adriano, obrigada pelos relatos. Eles dão força para que, pouco a pouco, eu recupere a doçura que perdi. Para que eu possa, um dia, deixar a armadura e a espada de lado, um pouco. faz tanto tempo…

    Obrigada mesmo =)

    • Deborah Sá said,

      Dos olhos mais negros,

      De cortar o coração seu relato, tenho alguém próxima a mim que é semelhante em suas dores (embora não seja tão dura ao ponto de partir para cima), agradeço a coragem de compartilhar isso.

      Um abraço,

  6. Roberta said,

    Ai ai ai Deborah.
    Vc ainda não aprendeu que amor é um remedio temporario?
    Não dá pra usa-lo nas feridas pra sempre.Vc tem que usar algo mais forte que a faça gritar ou mesmo amputar o membro ferido.
    O mundo é assim,não dá chance para quem se mostra fraco e exigir isso dele é ser ingenuo demais.
    Poesias não vão te ajudar a sobreviver em uma guerra.Fosse pode até ser lembrada como aquela que lia no meio do tiroteio mas só isso,não vai viver muito tempo,uma hora a bala vai atravessar seu papel e suas palavras e vai rasgar seu peito.
    Não dá para exigir serenidade do mundo,não faz parte da natureza humana e os que,infelizmente,nascem com tal qualidade aprende a esconde-la para si mesmo para sobreviver e tbm pq aprendem que é um tesouro precioso que todos querem tirar dela.
    Eu vivi minha vida assim desde que compreendi que minha mente pensa diferente de boa parte das pessoas e que você tem que ser forte,parar de chorar e mostrar os dentes se quiser manter-se são até poder comprar uma casa nas montanhas.
    Infelizmente o mundo é assim mesmo,você tem que aprender a revidar ofensas,a torcer o braço de quem torce o seu ou viver num canto se lamentendo…
    Não quero ser fraca.
    ………………
    Desculpe o postão,mas tive que escrever

    • Deborah Sá said,

      Roberta,

      A falha é crer na existência de uma natureza humana, ela não existe.
      Separe um humano da sociedade dita civilizada e ele terá dificuldade na fala e provavelmente interação social, não creio que vivemos para andar conforme a corrente se não concordamos, afinal, “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, se me apegasse aos conceitos desprezíveis constituintes da norma abraçaria mentalidades abomináveis como o racismo. Se o mundo me quer bruta e amarga, dispenso. Suas acusações de “acorda pra vida” já estão mais do que batidas, através dessas quem demasiadamente sente está perdido, o esperado é a apatia ou fúria entorpecida.

      Você subestima o amor e a força que provém dele, é um direito seu, entretanto é inevitável não recordar duas músicas dos Los Hermanos, “O vencedor” e “Tá bom”, se não as conhece recomendo que ouça.

      Sobre a analogia do tiro, por baixo de nossa pele há músculos igualmente distribuídos e não importa o teor de nossas idéias, não são couraças contra o óbito.

      Sei que comenta no blog há um tempo, por isso me espanta que busque aspereza nesse ambiente. Incentivo que procure algo que a fortaleça, se sua diretriz faz moradia em outra parte, siga-a.

  7. Cintia Costa said,

    Somos mais parecidas do que eu pensava, amanha temos mt oq conversar! ☺

    Amei o artigo!

    Bjauuuum!!!!

  8. letícia said,

    Eu to me segurando aqui para não chorar.
    Tem muita coisa q vc fala que eu sei como é. De vez em quando é bom identificar-se com alguém, saber que vc não está sozinho.
    Admiro sua atitude em relação ao Kumon. Não é uma fraqueza sua, é algo que vc não processou e tá indo atrás. É ótimo a forma como evoluímos e só nós podemos fazer essa escolha.
    :)

    • Deborah Sá said,

      Obrigada <3

      ~abraça~

  9. Maria Angela said,

    Deborah,

    Acho que a grande maioria gostou do texto e já disse, vc escreve muito bem.

    Vou compartilhar um pouco das minhas fatias amargas:

    – pai no álcool (diga-se de passagem, até hoje), doente e desempregado por 18 anos;
    – mãe que não queria se submeter ao trabalho e embora forçada, teve que segurar toda a nossa casa nos lombos;
    – brigas e gritarias, as vezes substituídas por convulsões do meu pai quando estava em abstinência da droga;
    – necessidade extrema de coisas intrínsecas;
    – gorda e vestindo roupas fora de moda;
    – sem dinheiro para um lanche na cantina e quem dirá um tênis novo.

    O q quero dizer é q não é privilégio da Deborah.

    O q muda é a superação.

    Precisamos reagir aos combates, Deborah. Ignorar o sofrimento as vezes. Uma vez superado, pra sempre esquecido. Que só fique o aprendizado.
    Fui forçada a amadurecer. Hj tenho 25 anos e trabalho desde os 15. Fui obrigada a conciliar o serviço ao estudo. E não sou a única.

    Mas procuro sorrir 90% do meu dia. As vezes rola uma TPM, rola um desamor, rola uma ira…quem não sente? Mas tornar uma fatia, a pizza toda? Sei lá, acho meio deprimente viver assim.

    E o lado positivo? E o meu respirar? E meus amigos? E ouvir as músicas que amo? E comer aquela salada deliciosa? E ligar a TV e dar de cara com um documentário que adoro, sem ter me programado?

    Acho que mudar o foco faz bem. Primeiro p o coração, segundo p quem convive conosco.

    Prefiro esbanjar coisas boas e esquecer os episódios ruins. Passar uma borracha neles.

    Desculpa se não gostou da crítica. Espero que tenha sido delicada e construtiva.

    Maria Angela

    • Deborah Sá said,

      Não acho que sou a única a sofrer no mundo Maria, estou inclusive bem ciente dos meus privilégios de moça jovem, branca, de classe média (no sentido de ter acesso a informação, de nunca ter passado fome na vida, em contrapartida cresci na periferia da ZS de SP e estudei em colégios públicos). Não te culpo por essa conclusão precipitada sobre minha pessoa, deduzir o que é ou não reação, achar que não sei apreciar as miudezas do cotidiano. Veja, gosto de Amélie Poulain e nem precisa ir muito além, se lesse o comentário que coloquei para a Roberta algumas linhas acima constataria que vou à contramão de sua crítica.

      Compreendi o que escreveu, mas honestamente isso é uma evidência que está equivocada ao meu respeito, mas é direito seu persistir nele, se desejar.

      Não há como passar uma borracha nas cicatrizes que carregamos o que ajuda é reconhecer porque elas ainda doem, em quais circunstâncias e aprender a usar a dor para nos fazer melhores, mais fortes. No dia em que não me comover com a doçura ou me espantar com a desigualdade; serei uma dopada em comercial de margarina. Não somos robôs e se o pulso ainda pulsa é por mexer com nossos brios. E os meus são bem polidos; muito obrigada.

  10. @umpassonocaos said,

    me identifiquei com este post como nunca antes havia me identificado com qualquer coisa. parabéns pela sensibilidade. adorei.

    • Deborah Sá said,

      Obrigada ;)

  11. Erica said,

    Deborah me encanta a forma como você escrve.
    Há sinceridade e amor.
    Me identifiquei muito com esse texto.
    Tbm tenho problemas com a matemática,tive problemas com bullyng,por conta do meu estrabismo, escuteei ( e escuto) coisas do tipo “so um cego ficara com vc” ou “sua família nao tem vergonha de você?”..
    Ações,palavras que machucam no entanto tbm podem nos fortalecer.

    Desejo muito que continue escrevendo assim,textos do coração.

    • Deborah Sá said,

      Obrigada Érica, sinto muito pelo que passou e se me permite o elogio, te acho muito bonita =)

      Um abraço

  12. Adriana said,

    olá Déborah,

    tenho lido suas postagens com certa frequência e me peguei surpresa por ter encontrado esta postagem apenas hoje.
    Ao ler seu desabafo, vi um pouco de mim nas suas linhas, assim como outros leitores o confessaram.
    Admiro a forma como superou tudo e ainda se tornou um ponto de equilibrio na família.
    Infelizmente não me sai bem na vida. Isto é, luto muito para me manter bem psicologicamente. Meu marido e filhos sofrem comigo. Ao rever minha infância notei que a bagunça vem da minha infância. Luto com meus fantasmas e em alguns momentos os venço e então sou boa mãe e esposa. Há pouco tempo percebi que falar com minha mãe não me faz bem. Sei que isso soa mal para mim mas ela ainda me critica ou põe defeitos, mesmo nos meus quarenta anos não me vê como alguém que pode viver sem sua proteção. E pior acha que meus filhos são tão bobos quanto é a filha.
    É complicado isso. Desisti da terapia. Falhei com meus filhos mas não totalmente. Acho que eles são inteligentes e têm mais confiança em si mesmos do que eu tinha na idade deles; vê-los assim me faz pensar que em algumas coisas acertei com eles.
    Vc nos conta que tem dificuldade em matemática. Em compensação é ótima em português. Escreve com lucidez, com boa argumentação e domina tudo aquilo que tenho dificuldades como pontuação, concordâncias, etc.
    Discordo do seu leitor Adriano, meu xará, gostei do comentário dele. Achei que ficou bem claro e bem escrito. Doeu em mim os desabafos dele e seu.

    Numa de suas postagens, li que um dos seus leitores sugeriu que escrevesse ou publicasse um livro. Achei a ideia interessante e concordo com ele, vc é ótima escritora, poderia pensar no assunto.

    Bom, adorei sua postagem. Parabéns pela boa pessoa que se tornou.

    abçs
    Adriana

    • Deborah Sá said,

      Adriana,

      Já usei o blog inúmeras vezes para expor minhas falhas e inseguranças porque assumir limitações ajuda a compreender melhor o que sinto, escrever me ajuda a voltar aos eixos. Fico feliz que tenha desabafado e espero que com o tempo seja menos rígida consigo, disse que desistiu da terapia, mas peço que não desista de si, escreva, desabafe, chore, faça o que estiver ao alcance para se livrar desse peso que carrega sobre os ombros, escreva com ou sem vírgulas, do seu modo, do seu jeito, porque a linguagem não tem dono e você tem o direito de fazer uso dela a seu favor. E se por ventura criar um blog, entre em contato que terei prazer de ler ;)

      Um abraço, comente sempre que desejar.

      PS: Não consigo me imaginar escrevendo um livro, mas fiquei lisonjeada com o elogio, obrigada.


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