6 maio, 2011

No Diet Day

Posted in Corpo às 5:03 pm por Deborah Sá

O International No Diet Day (INDD) é uma celebração anual de aceitação corporal em sua forma e diversidade. Nesse dia é também promovida a discussão sobre um estilo de vida saudável e um alerta aos riscos das dietas em voga.

Quando pequena meu corpo não era gordo, embora possuísse barriguinha e bochechas saltadas. A primeira vez que senti que “precisava” emagrecer foi aos sete anos, quando as provocações na escola começaram; na época comia biscoitos recheados e salgadinhos, contudo eu e minha irmã pedíamos que meus pais fizessem mais salada para o almoço e a dividíamos ao terminar as refeições, para nós, era uma finalização agradável.

Por volta dos meus nove anos algumas familiares ficaram preocupadas: “Passe um creme contra estrias, você está crescendo e ficarão horríveis!”, achava entediante todos os avisos “Emagreça agora, quanto mais velha, mais difícil de perder peso”, “Viu o perigo (ao assistirmos reportagens sobre obesidade infantil)?”  Não passei nenhum creme anti-estrias, comia o pacote de bolacha ao perceber que o escondiam de mim, o resultado? Continuei gorda e ganhei estrias em várias partes do corpo, não achando tão ruim, afinal, outras meninas da escola também as tinham. Estudei com garotas maiores e mais gordas, mas por alguma razão, o título de “gorda oficial” recaia sobre mim.

Um dos primeiros que li, a protagonista só é aceita depois de emagrecer

A perseguição tornou-se cada vez mais intensa, não só os garotos da escola relembravam o fato de ser “uma bola de sebo”, os moradores do bairro (inclusive o que mais me humilhava, tentou me agarrar na primeira oportunidade a sós), engrossavam o coro, mas as críticas dentro de casa eram as mais difíceis. Especialmente o meu avô que usava a minha irmã (que na época era muito apegada a ele aos três anos), para me humilhar na sala de casa, na frente de outros familiares:
– Vai! Imita a Deborah, faz como ela anda!

Empinava a barriguinha e desfilava diante do riso de todos. Sorrindo, claro, estava recebendo estímulo e aprovação. Envergonhada me calava, sabendo que ela era marionete do mesmo avô que me molestava. Quando cogitei até onde ela poderia ser marionete dele, criei coragem e contei para mãe, o resto da história vocês já sabem.
Minha irmã sempre foi mais magra que eu, comendo praticamente o dobro, o que gerou uma série de especulações “Por que você é gorda se sua irmã é magra?”, “Não é possível, deve comer escondido!”

Após as últimas humilhações que passei na escola tive uma certeza: Todas as grandes dificuldades da minha vida foram “culpa” de ser gorda (até o abuso do meu avô, culpei por muitos anos o fato de ter coxas grossas). Iniciei meu plano de emagrecimento, caminhadas, muita água e pouquíssima ingestão calórica, perdi dez quilos rapidamente, o inconveniente era me esconder para tremer de frio, não conseguir raciocinar direito, sentir tontura e nenhuma disposição. Mas a maioria das pessoas me felicitava: “Gostei de ver! Finalmente ganhou vergonha na cara, está linda!”.

Cansada e preocupada com o princípio de anemia, suspendi a dieta engordando novamente, aos dezenove anos tive o primeiro namorado e estranhei ser “disputada” por ele e outro rapaz da classe no curso que realizávamos. Esse primeiro namorado teve muita paciência, eu sentia tanta vergonha do meu corpo que não conseguia ficar completamente nua, ora tirava a saia, ora a blusa e depois fui perceber: Se me apertava e beijava, deveria existir algum interesse. Claro que a insegurança e o medo de ser humilhada não se dissiparam tão cedo, era esse o tratamento no qual estava habituada, então surge alguém que me acha linda e parece realmente disposto em ver o que tenho embaixo das roupas? Parecia invenção, mas acreditei nele e na minha capacidade atrativa. O relacionamento terminou, passei a marcar encontros com quem julgava atraente e em um desses conheci meu atual companheiro. Então percebi no quanto acreditei nas mentiras que diziam: Não era atraente e jamais qualquer um se interessaria.

Quando passei a  freqüentar danceterias era recorrente ouvir “O que você bebeu/tomou? Eu também quero”, aparentemente a única justificativa para uma gorda dançar das 22:00 ás 06:00 é alterar a consciência… O estereótipo da gordinha isenta de vivacidade incapaz de amarrar os sapatos é um embuste que coage e estigmatiza a mobilidade de mulheres gordas, por experiência pessoal e convivência entre iguais: Nada impede uma mulher gorda de levar uma vida feliz, ativa e saudável.

Só uma coisa choca mais as pessoas do que ser uma gorda com amor-próprio e resistência física considerável: Ser gorda e Vegan, o maior dos paradoxos! As acusações são enfáticas: “É impossível ser Vegan e gorda”, “Aposto que come escondido“.

Para quem queremos emagrecer?

Creiam-me, a maioria das gordas não sofre taquicardia ao subir escadas, fazer sexo por duas horas ou caminhar no parque, o maior incomodo em ser gorda é a intolerância de terceiros, se fosse inventado uma fórmula de emagrecimento imediato quantas gordas restariam?  Se existem poucas gordas felizes e confiantes ao mirarem o espelho, não é por que uma dobrinha a mais na barriga nos impede, a responsabilidade disso é o discurso propagado de modo ensurdecedor: “Não será aceita enquanto não se adequar ao que esperamos de você”. Milhares de Abdominoplastias são agendadas quando de modo prático, a silhueta atual não impede qualquer atividade: Pular de asa-delta, usar um biquíni ou travar uma guerra de travesseiros.

O corpo carrega nossas histórias, com cicatrizes, manchas e assimetrias sendo possível reconhecê-las enquanto expressão singular. Sejamos a inspiração, subvertamos o discurso de ódio em símbolo de poder, criemos desde o presente momento mecanismos de empoderamento. Não esmoreça diante daqueles que desejam sombra diminuta! Sejamos grandes! Imensas! Colossais! Sejamos em sensatez e força: Gordas.

28 Comentários

  1. Pata said,

    “Não era atraente e jamais qualquer um se interessaria.” Vidas parecidas as nossas. =*** linda

    • Deborah Sá said,

      **abraça**

  2. cely said,

    Lindo Deba, inspirador *_* Amo gordas <3

    • Deborah Sá said,

      Obrigada linda, eu também ;)

  3. Carla said,

    Como pode ser tão linda? :)

    • Deborah Sá said,

  4. Tate said,

    Sempre fui magra, desde que me conheço por gente, apesar de sempre comer mais do que um adulto. Achava engraçado ir nos lugares, comer horrores e me perguntarem onde eu enfiava tanta comida e ser tão magrinha. No ensino médio, nunca fui das mais desejadas no colégio por não possuir o padrão de beleza típico das “mulheres frutas” que os brasileiros tanto gostam. Aos 18, 19 anos, finalmente comecei a me aceitar a ser magrinha, afinal, via modelos magérrimas, magras e lindas e acabei notando que afinal não era tão feio assim não ter curvas e me aceitei como mulher. Quando finalmente tive esse meu aceitamento, comecei a trabalhar e tomar anticoncepcional. Já viram o resultado né, alguns quilinhos a mais (mais precisamente 5kg em menos de um ano). Fiquei louca, queria fazer qualquer coisa pra perder aqueles quilos, comprava tudo light e diet, vivia infeliz por causa desses quilinhos a mais. Meu namorado desde o começo do namoro disse que gostava de eu ser magra do jeito que eu era e não me preocupar com o que os outros achavam, aí que comecei a ficar mais preocupada ainda com o peso, coxas e seios maiores… Sei que ele não me trocaria devido aos quilinhos a mais (e até ficou preocupado com esse meu novo período de me achar horrível, comer só legumes e verduras…) e sempre me falava isso, mas na minha mente, a primeira magricela que ele encontrasse, me trocaria no mesmo ato. Resultado: Acabei desencanando disso, deixando minha barriguinha saliente ali feliz, até porque sempre achei muito sexy meninas mais cheinhas (antes de namorar, ficava com meninas também). Minha mãe vive me falando que to ficando gordinha, minhas colegas da faculdade vivem reclamando do peso, que deixam de comer tanta coisa para tentar perder os quilos, mas quem se importa? Como quase tudo o que quero (claro que como menos do que comia antes) e sou feliz com as minhas gordurinhas a mais. E OBS: você é linda :)

    • Deborah Sá said,

      Tate,

      Que bacana sua história, obrigada por compartilhar aqui.
      Nunca passei por uma fase onde reclamassem da minha “magreza”, mas conheço muitas amigas e familiares que já estiveram nos dois “lados”, de “sem sal” a “com ‘algo’ sobrando”. Quando conheci meu atual companheiro também fiquei preocupada, imaginava que tod@s amig@s e familiares dele reclamariam de mim :”Nossa, porque você namora a gorda da Deborah?”, conheço mulheres próximas que ouviram esse comentário dos “melhores amigos” do namorado. Mas hoje conhecendo melhor meu companheiro, sei que ninguém é “louc@” de fazer um comentário desse na frente dele, vai ser resposta “atravessada” na certa. 8)

      Ninguém é obrigad@ a conviver com maus tratos, infelizmente conheço moças que aturaram indiferenças e xingamentos implorando por migalhas de atenção durante anos, uma pena.

      Fico muito feliz que esteja bem :)

      PS: Obrigada pelo elogio

  5. Flávia said,

    Deborah, vc viu o turma da Mônica jovem desse mês? Tipo, nem sei se vc lê esse mangá/gibi, mas nesse mês fala sobre isso, de magreza e gordura, tem a personagem anoréxica q não come nada e vive infeliz e doente com o corpo, e a personagem gorda e feliz com seu corpo, auto-confiante e atraente pros meninos legais(Cebolinha, Titi e outros babacas não entram nessa lista).

    Eu acho meio chatinho turma da Mônica jovem, mas até q achei legal a idéia que eles quiseram passar com a edição desse mês.

    Ainda assim, algo na revistinha não me desceu. Não sei se foi o fato da personagem gorda ter hipotireoidismo (pra mim ficou parecendo “olha só, ela só é gorda porque não pode evitar, ela tem realmente uma doença!!!”) ou se foi o fato da maioria dos personagens serem MEGA babacas e ficarem tirando ela de baleia/botijão/etc e tal…mesmo com outros personagens defendendo-a, ficou uma mensagem meio ambígua, não me parece q realmente condena o bullying…enfim.

    Se puder ler, adoraria saber sua opinião!

    PS: sua linda!

    • Deborah Sá said,

      Flávia,

      Ainda não li! Procurarei nas bancas ;)
      Já assistiu o seriado Glee? É meu favorito! Há duas gordas (felizes) nele ;)

      Beijos e obrigada por comentar =****

  6. Daniela said,

    Oi, Deborah!

    Fico chateada com histórias como a sua. É terrível ter que lidar com mais isso quando já se tem tanta coisa acontecendo com nosso corpo enquanto crescemos. Mas fico feliz que isso a tenha deixado forte e segura de si, e linda!

    No meu caso, eu sempre fui magra, magra demais na minha concepção, mas minha mãe achava isso lindo – ela acha que mulher tem que ser esquelética, uma de minhas brigas com ela – e outras pessoas também, então talvez por isso nunca tenha grilado muito com ela, apesar de sempre ter desejado uns quilinhos a mais. Com os anos os quilinhos a mais vieram e me senti melhor, mas agora já não gosto da barriga e das gorduras localizadas, sei que são normais e tal, que não gostar delas é por esse padrão de beleza que nos exigem, mas me incomoda, pois não estava habituada a ser assim e ter que escolher roupas que fiquem bem quando, antigamente, qualquer coisa ficava bem. Enfim, ainda assim não faço dieta e estou tentando me acostumar com as gordurinhas, quero ficar feliz por tê-las.

    Belo post!

    • Deborah Sá said,

      Olá :)

      Conheço magras que engordaram e encontram dificuldades nisso, parece difícil também para aquelas magras de barriga “não chapada”.
      Na verdade “o que falta” ou “o que sobra” em nossos corpos são definições externas, porque o nosso corpo encontra a distribuição de gordura individual, em tese, ninguém é “desproporcional” se usar a si como parâmetro.

      Um beijo,

  7. Lili said,

    O que é ser gorda?
    Passei a vida toda me achando gorda e inadequada. Minha mãe carinhosamente me chamou de patinho desde a tenra infância e vivia repetindo: “O pediatra falou que ela sempre ia ter essa barriga”. Desde então tudo gira em torno da minha barriga. Quantas vezes tive de recusar educadamente a lipospiração que minha mãe sonha em pagar… Inúmeras! Parece que na cabeça dela tudo dá errado por causa desse acúmulo de gostosura no meio do meu corpo.
    Confesso que já acreditei nisso e aos 16 anos comecei uma dieta de quase inanição e que incluia uma caminhada de quase 1h30min da escola até minha casa todos os dias. Sequei e fiquei um palito e ascendi socialmente na escola. Mas, tinha um problema novo, as “pochetes” atrás das costas, a gordura que não iria embora (tá até hoje aqui).
    Logo, percebi que essa “batalha” patética com o meu corpo está vencida. Tenho lá minha barriga, meus seios fartos, as coxas grossas e as tais “pochetes” nas costas. Não curto sair por ai de biquiní e nem abuso de roupas curtas, mas isso porque eu não gosto mesmo, já passei por violência sexual e prefiro mais reserva quanto ao meu corpo, opção minha.
    Sempre namorei, até passei da conta, tod@s sempre gostaram muito da minha companhia. Portanto, não é uma barriga ali, uma coxa acolá que faz qualquer diferença. Uma coisa que sempre me salvou foi pensar: quanto mais apego ao corpo mais tempo perdido, um dia ele se deteriora e no outro ele morre, quero mais é ser feliz.
    E, te achei uma linda! Belo texto! Obrigada!

    • Deborah Sá said,

      Lili,

      Parabenizo pela força em superar tantas experiências complicadas… Igualmente passei por abuso sexual e só fui comprar meu segundo short aos 23 anos. Acredita que chorei no provador? Foram mais de 13 anos para ter coragem de me mostrar “um pouco mais”. Talvez goste desses outros posts:

      Barriga
      Gorda E Linda
      Defletindo ataques gordofóbicos

      Essas “prisões” restringem nossa liberdade, tudo isso porque sistematicamente nos dizem que mobilidade e autonomia vestem 38!

      Um forte abraço,
      Deba

      • Lili said,

        Obrigada pelas dicas dos textos!

        Eu só comprei shorts com 29, entendo bem! Beijo grande e, novamente, parabéns!

  8. Gabriela L. said,

    Me identifico muito com alguns posts seus, alias, foi por essa identificação que conheci o seu blog, passei por problemas parecidos, tive meu primeiro namorado com 19 anos e, muitas vezes, acho interessante perceber que ele me deseja, me acostumei tanto a ser pisada que acho engraçado quando ele aperta a minha barriga com muito carinho na rua e diz que ela é linda, que adora o meu corpo e que eu não tenho nada fora do lugar, assumo que, é difícil me olhar no espelho e me achar bonita, justamente pelo costume e fico muito feliz em perceber que você faz isso com tanta naturalidade. (:
    Parabéns e tudo de bom pra você.
    PS.: Se você não conseguiu passar no vestibular, não desista, eu consegui depois de tentar bastante. (:

    • Deborah Sá said,

      Olá Gabriela ^_^
      Interessante esses sentimentos mútuos, gosto muito do retorno que recebo nos comentários do blog. Sou tão acostumada a hostilidade que o blog chama “Aquela Deborah, que discorda de você”, não só pela minha aparência, mas pelas idéias que as pessoas ridicularizam antes mesmo de desenvolver “Ah, mas você é sempre do contra, sua opinião não vale”. Escrever aqui me ajuda a entender melhor o que sinto e o carinho de vocês me deixa mais feliz, obrigada :)

      Um abraço
      PS: Um dia serei Historiadora ;)
      PS²: Barrigas fofinhas são uma delícia de apertar ;)

  9. Verônica said,

    Oi Deborah!!!

    Teu blog é demais! O encontrei no “Escreva Lola Escreva”!

    Então, depois de ler seu post lembrei do caso da Preta Gil e do quanto as pessoas têm uma dificuldade ridícula em aceitar gordas felizes. O quanto essa mulher é ridicularizada por causa das gordurinhas muito bem aceitas por ela mesma não está no gibi…

    Isso sem falar dos programas de emagrecimento que passam na TV… outro dia vi por acaso um tal de “você é o que você come”… fiquei arrepiada! A tal da nutricionistas não economiza adjetivos “elogiosos” com as pessoas acima do peso tido por ideal por nossa sociedade hipócrita. O mais surpreendente são as pessoas que se submetem a humilhação pública em programas televisivos que passam em várias partes do mundo. É realmente lamentável.

    • Deborah Sá said,

      Bem vinda, Verônica!
      A Preta enfrenta além do Racismo a Gordofobia, péssimo =/
      E as cintas do Dr. Rey? E os Shakes? Minha Avó já quis usar o dinheiro da aposentadoria dela para comprar uma cinta modeladora para mim -_-
      É claro que falei para pelo-amor-da-Deusa ela não fazer uma coisa dessas, mas ela disse que eu ficaria muito melhor com a “barriga lisinha”.
      As pessoas ficam desapontadas por eu não querer perder “barriga” ou deixar o cabelo (só porque ele é liso, ondulado e castanho escuro) crescer mais, sei que se entrasse “na faca”, deixasse o picumã crescer, usasse salto e lingerie “sexy”, viveria infeliz, um bando de macho ia ser bipolar e me tratar na mesma medida como uma “vagabunda”, “fútil” e “gostosa”. Ou seja, não importa para onde escolhemos ir, o Patriarcado diz que somos inadequadas.
      Então prefiro ser adequada aos meus desejos, que é o realmente importa e quem desejar, junte-se a mim: Gorda, careca, morena, loira (estou platinada, agora), ruiva ou conforme qualquer outra inspiração.

      Beijos,

      • Ana said,

        O post já saiu de contexto, mas vi sobre a Preta Gil e fiquei com vontade de comentar: gente que tira com ela só porque ela é gorda é tão “engraçada” quanto gente que ri de erros de gramática, assim. Tenho preguiça de pensar que divido o mundo com essas pessoas.

        E aliás, na linha desses programas, tem aquele um que são noivas se esforçando pra caber no “vestido dos sonhos”. Acho no-jen-to ver os comentários de nutricionistas e personal trainers (não sei escrever, desculpa) malhadérrimos apontando as gordurinhas pulando pra fora da roupa de ginástica agarrada com tanta cara de repugnância, como se fossem, sei lá, tentáculos pelo corpo ao invés de só… gordura.

  10. Giovana said,

    Eu sou magra, acho que sempre fui. Mas eu sou magra, não gostosa; minhas coxas são finas e meus seios, bem pequenos. Resultado: também tinha uma grande dificuldade pra aceitar meu corpo. Além disso, é difícil achar roupa (tenho 1,54m e 43kg, ou seja: visto PP ou 36 ou 14 infantil), o que fazia eu pensar ainda mais “pqp, meu corpo é escroto”. Hoje em dia, eu me aceito bem. Tenho 16 anos e namorei com um cara maravilhoso que tentava sempre me colocar lá em cima, e acho que vou levar pro resto da vida os benefícios de ter tido alguém que fez eu me sentir tão aceita. Vejo também, hoje, com muito mais clareza como o padrão da mídia é inalcançável pra maioria das mulheres – e que mesmo as que se aproximam muito dele, nem sempre estão felizes. E, fugindo do tema: me irrita pra caramba gente que detesta gordos e alega questão de saúde. Até parece. Tem muita magra sedentária (como eu), com pouco fôlego, ou fumante, ou que só ingere fast food, assim como gordas muito saudáveis (eu tinha uma amiga gorda e excelente na ginástica rítmica).

    • Deborah Sá said,

      Giovana,

      O Mito da Beleza se alimenta da insegurança, nunca somos boas o suficiente, é como se qualquer mulher para ser considerada bela precisasse “lapidar”, não há espaço para diversidade e o ideal pula de fôrmas com bisturi e próteses. Mas é bom perceber que alterar ou não nossas características pode ser uma escolha e que é possível amar nossa barriguinha, pernas e nariz ;)

  11. Risa said,

    Foi muito bom pra mim ler esse seu post… porque me sentia e sinto exatamente como você descreve, especialmente na escola. Havia meninas mais gordas que eu, e não sei por que pegavam só no meu pé. Em casa também, e isso acontece até hoje (e olha que meus pais também são gordos). E pior… eles se irritam quando vêem que não me sinto mais mal como antes por isso.

    Vou acompanhar seu blog ;)

    • Deborah Sá said,

      Fico feliz que se sinta melhor, seja bem vinda Risa ;D

  12. letícia said,

    nossa, parecia que vc estava falando de mim, da coisa de comer bolacha recheada, de aparecer estrias, de piadinhas na escola e tudo mais!
    tenho 23 anos e só agora que eu me aceito melhor.
    antes disso, passei ANOS e ANOS com vergonha de mim mesma.
    adorei o post.

    • Deborah Sá said,

      Incrível como certos preconceitos tem o mesmo Modus Operandi!

      Um abraço,

  13. Menaia said,

    Nossa, tenho uma história parecidíssima! haha acho que muita gente passou por isso :) achei lindo você colocar uma foto sua. Espero um dia me amar como você se ama. Admiro você! Um beijo.

    • Deborah Sá said,

      Obrigada, também espero! Beijos ;)


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