14 abril, 2011

Pop x Rock

Posted in Corpo, O pessoal é político às 4:52 pm por Deborah Sá

Minha mãe adorava Elvis, meu pai era um jovem da discoteca (que participava de concursos de dança) com pôster da Donna Summer dividindo o mesmo espaço que Led Zeppelin.

A identidade musical é formada na medida em que selecionamos o que nos é agradável, não me reconhecia com algo “soturno”, preferia fazer testes da Capricho, idealizar um namorado atencioso e “artístico” (que declamasse poesias), ou admirar borboletas.

A música Pop foi a trilha sonora onde conseguia extravasar uma série de expectativas produzindo alguma esperança. Passei pela fase “séria” (Joy Division, Radiohead, Cure) e “Indie” (Los Hermanos, Weezer, Belle & Sebastian), não interrompendo as audições de Backstreet Boys. Minha irmã, porém, ouvia System of a Down, Nirvana e Iron Maiden.

Com isso o primeiro grupo de garotos que me aproximei (na 8ª série, “os roqueiros”), converteu-se em amigos dela após a interrupção dos meus estudos. Não que forçassem algo, mas o ambiente “masculino” com cerveja e Metal deixar-me-ia deslocada.

Porque o bate-cabelo vale menos que o bate-cabeça?

Com o passar dos anos conheci outras pessoas, mas uma situação persistia: Ninguém parecia gostar de música Pop e se admitiam falavam com vergonha, deixando bem claro que agora “tinham bom gosto”. Isso também valeria para memórias infantis: Jaspion, Kamen Rider e Cavaleiros do Zodíaco, eram aceitáveis, mencionar Caça Talentos, Backstreet Boys e Spice Girls era certeza de ouvir “Ah não, o papo estava legal, isso era lixo”.

O que nos leva a rejeitar as produções de entretenimento feminino julgando seu oposto algo de maior valor? Ir a um show de vocal gutural é considerado um espetáculo de virilidade, em contrapartida, quem são os fãs de Kylie Minogue?

Os entusiastas de Sexo, Drogas e Rock’n roll e as Divas da música POP expressam de forma distinta como comportar-se diante da ascensão ao poder.

Curiosamente algumas vertentes do Rock buscam resgatar esse “espírito”.

Adendo: O Lesbofóbico, Raul

Embora cantoras Pop sejam em sua maioria brancas, jovens e magras as composições aludem a uma série de anseios femininos, permitindo que outras mulheres sintam-se minimamente confortáveis e divirtam-se com isso.

A indústria e o advento da MTV formularam uma nova maneira de consumir música; de Madonna a Lady Gaga é preciso adaptar-se as lógicas de mercado (salientando que bandas de rock, não estão imunes).

Aos que supostamente pularam do ventre recitando Dostoievski

A “Síndrome Underground” e/ou “Síndrome Tr00” preza por um refinamento do qual um seleto grupo imbuído de sapiência, pode apreciar “a boa música” acima de manifestações corporais, cabe a nós reles mortais entregar-se aos impulsos “primitivos” e dançarmos sob batuques eletrônicos.

47 Comentários

  1. Thiago Beleza said,

    Muito bom o texto.. Cabe expandir o debate e levar em conta que música popular de verdade (aquela comercial, vendida em TODAS as banquinhas e que toca e TODAS as rádios também entra nessa onda de ue é menos legal-importante-artístico-fodao) também é escrachada como lixo cultural.

    Se o rock faz esse recorte de GÊNERO, RAP, axé, pagode e funk fazem recorte de CLASSE, por ser música de pobre.

    • Deborah Sá said,

      Sim, pensei em aprofundar, mas queria falar especificamente sobre Pop que é meu estilo preferido de música e ouço que “é um lixo comercial”. Como se ouvir Ke$ha me incapacitasse de ouvir um Chico Buarque quando dá na telha. Ouço música brega também, gosto de Paulo Sérgio e respeito muito o RAP como ferramenta de “voz” :)

      Conhece Ellen Oléria?

      • Thiago Beleza said,

        É, eu sei que é bem complicado, complexo demais.. até comecei a escrever algo, mas as idéias fervilham na cabeça e ue não consigo organizar.. de repente depois do post, rola…

        Adorei a Elle… E pra quem gostar, achei o link pra download do CD

        http://www.4shared.com/file/LlLXdzzj/Ellen_Olria_-_Pea__2009_.htm

  2. Raiza said,

    “Aos que supostamente pularam do ventre recitando Dostoievski” ahauahauaha adorei essa.
    Cara hoje eu vi um post falando exatamente de preconceito musical,mas perdi o link =/
    Mas enfim,concordo com você,o pop só é menosprezado por ser considerado feminino.Morro de sono dessa gente.E detalhe que o que eles consideram boa música às vezes não passa de um panelaço sem sentido,quando não bandas neonazis que eles não entendem as letras.
    Obs:Que tipo de pop você gosta?Eu ouço bastante o pop latino,Shakira,Thalia,Paulina Rubio,você curte? de vez em quando as cantoras latinas tem umas canções bem girl power.

    • Deborah Sá said,

      É, também tenho preguiça dessa gente…
      Gosto de Shakira, adoro a música “Pies descalzos”, o álbum Aphrodite da Kylie Minogue é perfeito e ultimamente ouço MUITA Britney XD

      Gosto de Ke$ha também

      • Raiza said,

        Ouve essa mulher aqui:

        Acho essa letra ótima!Totalmente feminista =]

      • Deborah Sá said,

        Gostei!

  3. Carina said,

    Cncordo com o texto. Eu curto metal por afinidade com a música, por temperamento tb, mas reconheço que grupos e cantorxs de música pop (principalmente mulheres) costumam ser menos valorizados. Por isso sempre tomo cuidado ao criticar esse gênero, porque é uma questão que passa pela desvalorização da produção musical feminina mesmo. Amo e defendo a Madonna pelo mesmo motivo, a vejo como um símbolo de emancipação feminina. Adoro a Beyoncé tb, pq mesmo tendo algumas coisas muito senso comum em sua feminilidade, ela é uma mulher talentosa, incentiva instrumentistas mulheres, fala contra o sexismo e a violência doméstica. Também tenho receio de criticar os emos porque acho muito parecido, a crítica pesada aos emos me parece mais uma crítica homofóbica e de ditadura de gêneros do que uma crítica musical em si.

    • Thiago Beleza said,

      Falou dos emos me lembrei…

      Dava aula em uma ONG em Embu Guaçu.. ONG católica, uber conservadora… Em um encontro com pais e alunos, o presidente da instituiçao, um senho de 50 e poucos anos solta a pérola:

      “Eu acho que esses jovens que ouvem essas músicas, usam essas roupas coloridas, essas calças apertadas é pq ainda não decidiram o sexo, sabe? Tem que vigiar…”

      Tenso demais…

      • Deborah Sá said,

        Te entendo Carina,
        Contra emos eu não tenho nada e sinceramente, se um estilo permite que jovens sintam-se mais livres para usar as roupas que tenham vontade, eu acho ótimo 8)

        Beijos,

  4. Tee said,

    As musicas que ouço passam algo tem haver comigo, como posso gostar de funk se a batida me irrita e a letra prega contra um tipo de coisa\vida\atitude que vai contra o que gosto

    A arte para mim requer talento qualidade esforço trabalho dedicação, não consigo gosta de algo artificial vazio sem alma rock, jazz, musica classica na sua maioria é tocada com paixão por que não esta lá só pela fama glamour dinheiro, esta pelo amor a musica não por que achou um meio fácil de ganhar dinheiro fazendo o que a massa quer, você pode ser um idolo e não fazer só o que sua gravadora produtora quer, deixar de cantar algo por que não vai vender.

    Odeio sindrome de underground por mim as musicas que eu gosto tocariam e todos os lugares, na verdade fico feliz qundo ouço ao fundo de uma reportagem ou algo assim, uma musica que gosto ou anoite em uma radio, não ouço madonna por que ela é pop e todo mundo gosta, não ouço radiohead por que é indie e todo mundo acha depressivo e não gosta, ouço por que me agrada me identifica em momentos da minha vida.
    dizer que sou superior por calsa do meu gosto musical? quem acha isso realmente tem que rever seus conceitos.

    não vou diexar de ouvir algo por que me disseram que é musica de pobre lixo pop, nem vou ouvir para dizer que sou do contra ou sei lá ouço o que gosto e o que me indentifica.

    só pra cutucar XD Kelly minogue é milhoes de vezes mais legal que lady gaga, na na na na na na na na na na na na na

    • Thiago Beleza said,

      Enton.. Com Funk rola uma parada que quase ninguém sabe… O que vende é oq (talvez) diga coisas com as quais vc não compactua… Mas ele também existe como forma de resistência cultural de determinado grupo… Não sei se vc sabe, mas com base nesses argumentos (de que não é música, é barulho e de que só fala putaria) há um movimento no RJ, SP e MG de criminalização dos espaços dedicado a este estilo MUSICAL.

      O RAP tbm é ultra machista (em geral) mas as mulheres estão levantando este debate a as mudanças já são visíveis… E aí.. vai dizer que não é música pq vc nao gosta, pq a batida te irrita? É oq eu falei.. Eu não curto Chico Buarque, Milton Nascimento e Caetano.. MAs em nenhum lugr que estiver tocando uma música dos caras no último volume, ainda uqe me incomode, vão chamar a polícia e mandar prender todo mundo… E isso rola com Funk… Como faz?
      E quem falou que rap ou funk não são feitos com paixão?

      Também gosto de jazz, blues, mas não da pra negar q as outras pessoas tem tanto direito de gostar de coisas que talvez não me agrade…

      Tem um detalhe socio-econômico que vc ta deixando de lado quando fala da sua música.. Quem é que tem acesso a estudo de mpusica erudita, clássica e o escambau? Funkeiros fazem música com o que eles tem a mão. Um computador e acesso a internet (com programas pra sintetizar)… Nem todo mundo teve a oportunidade de apreciar Kind Of Blue desde o berço. Nem todo mundo ouviu Led Zeppelin ou Deep Purple na barriga.. Nem todo mundo cresceu ao som de Chopim.

      Sexismo e machismo não é privilégio de um estilo musical (taí Raulzito, Chico Buarque [quer mais machista que FEIJOADA COMPLETA?], ACDC, Metallica que não me deixam mentir)….
      É questão de CLASSE sim… Música clássica e MPB são músicas pra elite (desde sempre, né?).. Houve um tempo em que samba era música de favelado.. Daí colocaram um violão e uma flauta e chamaram de bossa-nova, música pra elite… E não importa que, individualmente, você não escolha suas músicas fazendo esse recorte, ele existe

    • Carina said,

      Acho que é exatamente por causa dessa paixão que curto metal, é até um certo fervor, saca? Gosto também de jazz, blues, música clássica, maracatu e pra mim tem muito a ver com isso. Mas não deixo de ouvir outras coisas além dessas tb. Gosto de música tocada com sentimento, paixão, que vibre forte. Por isso que sou baterista tb, gosto de sentir a música vibrando no peito, gosto que a música me arrebate. Enfim, acho que saí um pouco do foco aqui, que é o recorte de gênero… é que eu sou daquelas pessoas que falam de música com lágrimas nos olhos. hahahaha

    • Deborah Sá said,

      Gosto da batida de alguns Funks.
      Le Tigre tem músicas que seriam “bons batidões”.

      O legal do funk são as mulheres cheias de “marra” sabe? Uma resposta descarada a um monte de cara machista. Mas isso é novo no Brasil, porque já faziam isso a um tempo no exterior.

      Quem disse que a Britney Spears (ou a Kylie) não podem cantar com o coração? O Kiss foi “fabricado” e monte de outras bandas também…

      “ouço o que gosto e o que me indentifica.” – Idem

      Concordo com o fato de Kylie ser melhor que a Gaga XD

      • Carina said,

        Claro que elas podem (e devem) cantar com o coração. Eu quis dizer mais em relação a quem ouve do que em relação a quem faz. O que pega em vc, saca? O público do metal, por exemplo, é conhecido por ser muito “fervoroso” a esse tipo de música. E até porque, se a pessoa não se identifica com o ritmo, por mais que o músico se esforce, dificilmente tocará àquela pessoa. Música é um assunto complexo, tem muito a ver com identificação, temperamento, personalidade, humor etc.

      • Carina said,

        Ah, e sobre as funkeiras, também gosto da marra delas. =)

  5. Tee said,

    Acho que na verdade o problema é o seguinte para mim e para maioria das pessoas você o que você, se você me diz que gosta de ouvir isso

    “Agora estamos ficando muito doidões, derrubando latas de lixos.
    Todo mundo quebrando garrafas, é uma confusão sexy e obscena.
    Vou apagar², não sou a motorista da vez então
    Eu não dou a mínima…”

    Take It Off
    Ke$ha

    vou pensar que vc curte esse tipo de atitude, logo eu não gosto disso desse tipo de atitude não vou gostar da musica vou acabar te tratando como trato esse tipo de pessoa com desprezo, claro se te conheço sei que não é por que você esta ouvindo black metal que vc queima igrejas no fim de semana, mais uma pessoa desconhecida vc tende a criar um conceito imediato quando se confronta com ela, por mais que tente não criar esse conceito ou esse pré conceito ele sempre vem, esta ai a dificuldade

    • Deborah Sá said,

      Eu sei Tee,
      Não estou falando que o POP é perfeito nem nada assim, mas eu gosto das músicas da Ke$ha para dançar e ela tem músicas mais legais do que Take it Off…

  6. Thiago Beleza said,

    Sorry, people.. Acho que acabei desviando (e muito ) do foco também.. Enfim, sobre música, concordo com o texto da Deborah.. É questão de identificação.. De sentir como se a parada falasse pra você e com você.. E socialmente há um recorte do caralho sobre oq é de menino e oq é de menina…

    Entre as tribos de rock rola muito disso.. Qualquer som que não é feito com guitarra, baixo e bateria, não é digno… Sou apaixonado pelo som da Shakyra (até o DONDE ESTÁN LOS LADRONES.. desanimei depois q ela começou a cantar en inglês), e rola uma babaquice de que é coisa de bichinha… Como tenho um amigo que era fanzaço das Spice Girls e da Sandy e era infernizado por isso…

    • Deborah Sá said,

      Sem problemas, querid@s, podem falar sobre os assuntos correlacionados :)

  7. Deborah Sá said,

    Carina,

    Conhece esse vídeo?:

    Desculpe pelos comentários adicionais homofóbicos, não fui eu quem fiz a legenda.

    • Carina said,

      hahaha, conheço. É… agora fiquei sem argumentos. hahahaha

      • Deborah Sá said,

        As cantoras Pop tem fãs “fervorosos” também.
        Uma música da Britney que me toca (adoro Overprotected), não impede de chorar com Beatles ou Belle and Sebastian :)
        Nesse caso música é muito do “sentir”, o Daft Punk faz uma música incrível com uma só frase, nem por isso é ruim:

  8. Suri Blackest Eyes said,

    Amo metal e rock. Progressivo principalmente, avant-garde também. Amo dark cabaret, hoje em dia tanto quanto metal…

    E já tomei muito pito de colegas tr00zentos por falar que admiro DEMAIS o marketing pessoal da Lady Gaga, atualmente Born this Way me toca tanto quanto composições do Genesis, Dream Theater, Blind Guardian, Porcupine Tree ou Therion. E por falar que escutar Hanson e Spice Girls me deixa toda emotiva, me lembra uma época e um espírito muito bonito e importante? :)

    Em relação aos “lixos de infância” eu sempre me lembrei com carinho dos Cavaleiros do Zodíaco, Jaspion, Yu-yu Hakusho e companhia… mas, sabe algo que eu curtia muito também? Mexicanada! Chaves, Chapolin, Vovô e Eu, Carrossel, Luz Clarita, a Usurpadora :D- Divertia-me demais com aquilo, com os exageiros, a teatralidade, era tão… catarse!

    Irrito-me com piadas manjadas, do tipo “mate um funkeiro, eu curto de tudo, menos pagode e axé, ÓBVIO”. Elitismo manda um beijo.

    Melhor remédio pra vida: parar de andar com molecada que se curte por ser nerdcult. Faz um BEM pra alma.

    • Deborah Sá said,

      Suri, querida,

      Também cansei de escutar que eu era alienada por ouvir Pop, o complicado é que os fãs de Pop não tem identidade, ninguém é “popeiro” e sim “metaleiro”, “punk”…
      Os fãs “gerais” do Pop são os que se entregam e divertem com a música, Clash, Smiths, Cure, tudo isso era Pop nos anos 80.

      Pop é o que atinge a popularidade de uma época, de certa forma é o gênero mais fiel que a mentalidade (geral) possui.

  9. Carina said,

    Deborah, agora fiquei com uma dúvida. Não sei se vc concorda, mas será que o pop é menos levado a sério justamente por causa da indústria fonográfica americana mainstream? Vc citou o Kiss, que é uma banda fabricada, ok. Mas no pop isso é muito mais evidente. Vemos muitas cantoras (e cantores) deixarem de tocar e cantar aquilo que gostam para satisfazer às gravadoras americanas. Falando paixão pela arte da música em si, de fazer música, pra mim parece que falta algo mesmo, não em todos os casos, claro. Pensei isso pq (vai soar elitista) mas no jazz há um público específico que adora as cantoras, e isso é tratado como algo cult e bonito. Além da clara divisão de gênero e da desvalorização do feminino, será que a desvalorização do pop não passa pela forma que ele é comercializado? É uma dúvida genuína.

    • Ághata said,

      Acho que tem muito isso, sim. Da música pop ser comercial. Mas também tem uma boa dose de ilusão da parte dos fãs de outras músicas (tais como rock e heavy metal) de achar que isso não pesa para seus cantores também. Fora que em outros estilos, tais como sertanejo, as pessoas não ressaltam a questão comercial.

      • Deborah Sá said,

        Concordo com a Ághata :)

  10. clementine said,

    eu gosto de muitos tipos de música do brega do jorge drexler, passando por yann tiersen e CLARO smashing pumpkins. só acho paia qdo alguem vem dizer que a preferencia musical de todxs nós vira sertanejo depois de uma certa idade. como se vc nao pudesse passar dos 40 gostando de rock, funk, belle & sebastian, etc.

    minhas ressalvas são com qse todas as musicas sexistas. tem mta coisa que eu gosto, ouço e cantarolo por aí que é um machismo só (inclusive a água no feijao)! é triste ver isso acontecendo com cantores/bandas que vc costumava gostar até debaixo d’água estrangando o walkman (que eu nunca tive)

    qto a funk, aprendi a gostar me jogando na buatchy. adoro madonna, mas nao tenho paciência com os novos icones do pop (lady gaga me dá nos nervos ééééé, é preconceito, sim!)

    já falei com o beleza que eu parei de reclamar da galera que ouve musica alta no busu desde o dia que eu sentei do lado de uma menina que tava ouvindo do celular e abri um livro. ela perguntou se me atrapalhava. mesmo eu dizendo que nao ela foi lá e desligou a musica o_O” ja ouvi gente com sofoda no onibus e até dancei. ontem qdo tava voltando pra casa um cara tava tocando titãs e legião urbana alto. oi? incomoda igualzinho que nem funk, nao é o tipo de musica que atrapalha sua narcolepsia onibusística.

    tb tenho mto preconceito com metal, mas é pq meu irmao é “metalero” e, por mais que eu seja a mais velha da casa, construi minha identidade bem me opondo ao que ele fazia (já que ele “imitava” todos os meus gostos), mas já até cantei em banda de gothic metal (nao com ele, claro)

    * tudo isso me fez lembrar duma discussão numa aula de teoria da literatura II [disvirtuar tópico é o meu dom maior]: o professor levou um monte de “poesia marginal”: um cara mais velho ficou dizendo que era tudo muito bonito e que aquilo nao podia ser marginal. pra ele marginal tinha que usar máscara de meia na cara e andar armado assaltando banco e pessoas de bem. vai saber!

    • Thiago Beleza said,

      Vai ver ele não sacou o conceito de marginal… fico me perguntando o que será das marginais dos rios pinheiros e Tietê, em sampa…

      • Deborah Sá said,

        O POP é a apropriação de tudo o que “digerível” no momento e se hoje Joy Division é Cult, outrora não, assim como Smiths. A Madonna também já foi muito xingada por feministas (do passado, especialmente) e hoje é celebrada, me questiono: Será que a música Pop não precisa de “distanciamento histórico”?

        Será que somos imaturos para apreciar Lady Gaga ou Beyoncé e daqui a 15 anos elas serão referenciadas?

        Será que ao se tornar “Clássico”, perde-se o medo de interpretar como a “massa”?

      • clementine said,

        haha ele não sacou mesmo. o professor ficou horas tentando explicar…

  11. Falar de gosto musical pras pessoas todas é como falar da sexualidade. É como falar dos desejos oprimidos de algo que a sociedade diz que é feio, bobo, imoral e sujo. Tipo: “Eu sinto vontade de escutar o RBD e o Restart mas se eu fizer vão me confundir, vão pensar que eu sou bichinha…” Que pode ser traduzido assim: “Sinto vontade de beijar um homem, mas se eu fizer vão me chamar de bichinha…” É bem assim. A gente caga pra nossas vontades com medo do que vão pensar. E fazendo assim fortalece mais ainda a porra toda.

    Mas uma coisa ninguém repara: a raiz da música é uma só e geralmente a raiz fica enterrada. Ninguém vai escutar as influências, as fontes. Qualquer ritmo que existe nesse mundo é derivação de outro que é derivado de outro…que um dia foi musica de gente “inferior”… Sacou?

    O caso do Elvis: ele misturou a música country (dos caipiras) com o rhythm and blues (dos negros) e a música gospel (dos católicos) e por ser branco e “smart” foi alavancado pela mídia/população mega preconceituosa dos EUA, virando o rei do rock.
    Rei que roubou a coroa dos outros ritmos, né?

    O pop é a mesma coisa. Se pesquisarem, verão que a música pop veio da música folclórica e erudita. Música erudita é considerada arte, mas o que deriva dela não? Arte e entretenimento somados são a mesma coisa, gente.

    O forró é música folclórica, o samba, o axé também. Folclore deriva da erudita… percebem como é estúpido demais separarem os generos (tanto musicais qto sexuais)? É tudo interligado. Um depende do outro que são reflexos da realidade de um grupo dependente do outro…

    Claro que prefiro a uns do que a outros. Mas não julgo quem escuta funk carioca como burro. O funk carioca e o rap podem ser bem mais complexos do que a música clássica, e são populares porque acabam por dizer muito mais do que uma ópera em latim.

    As pessoas que aqui disseram cultuar o heavy metal se fossem na raiz iam perceber que é uma extensão do folk, do country…. que foi taxada como música de gente inferior e brega.

    Se apropriar das coisas que surgem da cólera da sociedade, enfeitar um pouquinho pros católicos, brancos de classe média que se julgam inteligentes é o que o mercado burguês mais faz de melhor. E se rotular e dizer que o pagode, o axé e o funk carioca são lixos e a MPB, o rock das antigas, a música alternativa é bem melhor e são verdadeiras artes é fazer exatamante o que o sistema quer: separar, julgar e excluir. Isso é compactuar com o sistema e aprová-lo.

    Escuto tudo que posso. Sou um caçador de música e não me importo se esse tipo de música é destinada pra vender pros emos, aoutra pros bregas, esse pros manos e a outra lá pros evangélicos e essa pra apreciar como arte pura. Se existir já é uma arte, então porque julgar?

    Porque achar que uma dançarina de funk não tem a capacidade intelectual de uma jornalista? Por que achar que a música que o Daniel canta é menos bonita e poética do que a do Chico Buarque? Bebem da mesma fonte.
    Foi o que escreveram aqui: http://mingaudeaco.blogspot.com/2011/01/idolos-do-brega-popularesco-nunca.html e qdo discordei o cara me taxou de burguesinho da favela da direita dente-de-leite que não sabe como é uma favela… e ainda enfiou o Thiago no meio: http://mingaudeaco.blogspot.com/2011/01/direita-dente-de-leite.html
    Pode isso?

    Ótimo tema, Deborah.
    E eu também desviei o foco do post… =/

    • Deborah Sá said,

      Gostei muito do seu comentário Adriano :)
      E esse Link que me passou é bem “Aos que supostamente pularam do ventre recitando Dostoievski”. Pre-gui-ça

      Um abraço,

    • Carina said,

      Concordo com o comentário, Adriano. Acho que vc só deve se atentar às origens de algumas músicas que vc citou como o heavy metal, por exemplo, que tem mais origem no blues do que no country e no folk, como foi citado. Assim como não foi o Elvis que criou a mistura do rhythm and blues e da música gospel com o country, mistura que gerou o rock. O que o Elvis fez foi cantar aquilo que os negros americanos já estavam fazendo, mas claro que o Elvis que ficou co ma alcunha de Rei do Rock, por motivos óbvios.

      • Deborah Sá said,

        Sempre achei que o Rei do Rock fosse o Buddy Holly…

      • Exatamente. Perdoe a falha, por isso coloquei reticências. Mas percebe como tudo é derivação de um ritmo avacalhado e taxado, que foi apoderado e enquadrado pra ser vendido pra um tipo de público específico?

        Não disse que o Elvis criou o rock n roll, mas que ele se apoderou de algo que era de uma cultura dos “excluídos”, pra que os brancos pudessem ouvir tranquilamente. Me expressei mal, acho.

    • clementine said,

      nó eu tb gosto de forró pacaraleo, tem umas combinações de letra e ritmo que quase me fazem chorar! mas fico com medo de sair do armário e acharem que eu quero ir pro arrasta pé. hahaha

      a primeira vez

      • clementine said,

        droga! apertei enter sem querer. (continuando…)

        a primeira vez que ouvi jorge drexler achei ele um brega meloso intragável, mas aí ele veio fazer um show no brasil e a folha publicou uma entrevista com ele. o cara escreveu umas coisas tão bonitas sobre o fazer poesia que eu fui obrigada a começar a escutar com outros ouvidos…

      • Todos nós julgamos os ritmos, e acreditamos nos rótulos que foram impostos. É inconsciente, mas acho importante prestar atenção e analisar.

        Pode surpreender, né?

        Meu pai tinha uns discos dum cara chamado Waldick Soriano. Achava horrível, brega, tosco só porque ouvia dizerem por aí que era música de corno. Mas um dia, desenhando meu pai ligou o som e eu prestei atenção numa música, que me arrepiou. Daí percebi que tava errado e achei linda a obra que ele tinha. Outro que eu não gostava era o Reginaldo Rossi, o Genival Lacerda… Os caras fodas e eu perdendo…

        Mas ainda assim não consigo gostar dos Beatles… acho que eu preciso de uma maturidade, sei lá…

        Mas dance, Clementine, sem se importar, faça um par com vc mesma, que nem eu…

        Drexler é um fofo.

  12. Sara Joker said,

    Adorei o post! Eu sempre vivi entre o rock e o pop e não vejo defeito nisso não!

    • Deborah Sá said,

      Nem eu ;)

  13. Escarlate said,

    Mesmo eu sendo uma pessoa considerada culta (ou chata-poser-cult) por algumas pessoas, eu falo com o maior orgulho que eu A-DO-RO Lady Gaga. E eles podem falar que ela é escrota, que é cópia da Madonna, que é comercial, e mimimi, que eu não ligo. Qual o problema das pessoas em querer julgar as outras? E ainda aproveitam pra me espezinhar:”Nossa, vc gosta disso? Você que é metida a cult intelectual alternativa?”

    FO-DA-SE. Vai lá ouvir seu Chopin matinal (lógico que quem julga não deve nem saber o que é) e me deixa aqui com os meus “lixos comerciais”.

    • Deborah Sá said,

      São os outros que se irritam por perceber que não nos comportamos como esperam, dentro de categorias bem “fechadinhas”.

      Beijos,

  14. Roy Frenkiel said,

    Todo elitismo e fdp. Leia com atencao, Deborah, TODO elitismo, rsrs.

    Beijos

    RF

  15. Manu said,

    Muito bom o post, Deborah. Adoro o seu blog. Eu não gosto de pop, mas é como falaram ali atrás, é uma coisa pessoal, questão de identificação mesmo. Elitismo bobo existe em fã de qualquer coisa. Tá cheio de gente por aí que acha um absurdo uma menina tão “pequena e delicada” como eu gostar de metal, por exemplo. Ou achar que é música de gente desmiolada também.

    Amo o peso, a “violência” musical, os riffs de guitarra do metal. Não acho que isso seja necessariamente viril. A maior parte da cena é tomada por homens, mas não significa que mulheres não possam se identificar também. Ué, não diz a sabedoria popular que somos NÓS as loucas, histéricas, barraqueiras? Hehehe.

    Olha, não achei a letra da Kesha tão terrível. Metal tem várias letras de “vamos quebrar tudo”, mas mesmo assim, são mais para extravasar do que uma sugestão de modelo de comportamento.

    Bom, vou deixar duas músicas que eu gosto também. A primeira é do Warlock, banda com vocais femininos e cheia de energia, sempre me ajudou a botar pra cima. A outra é uma das letras mais sensíveis que eu já vi sobre abuso sexual doméstico, e foi escrita e interpretada por Lemmy, do Motörhead.


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