18 abril, 2011

Folha de SP e o Veganismo

Posted in Animais, Consumo tagged às 11:03 am por Deborah Sá

Zumbi Vegan – Trocadilho de Grains (Grãos) com Brains (Cérebros)

Folha de São Paulo – 17/04/2011

Diário de um ecochato

Escritor encara 4 dias de “ecologista radical” e conta que se sentiu fraco com dieta vegana e que não topou fazer xixi só no banho

1º dia

A pior característica do nosso tempo é o desprezo pelo coletivo. Por isso aceitei o convite para passar três dias atento à quantidade de gás carbônico que emito. Também vou obedecer à “dieta vegana”. Não vou comer nem sequer ovo, leite ou derivados. O uso indiscriminado de energia é um vilão. Cortei o elevador. Logo cedo, desci sete lances de escada para buscar as compras, mas o zelador não permitiu que eu voltasse carregando-as. “Quinze dias de casado e já endoidou”. Ele colocou a caixa no elevador e interfonou para a minha mulher. No banho, o chuveiro ligado é só para enxaguar. A pasta de dente vegana é péssima e um tubo de 50 g custa R$ 13! Passei a manhã sem acender as luzes. Estava um dia claro. Fiquei ansioso demais com tudo isso e não consegui
trabalhar no meu livro novo. No almoço, enchi o prato de verdura. Logo, um constrangimento: havia ovo no arroz e, diante do olhar horrorizado de uma senhora, devolvi as duas colheres. Almocei 750 g de alimento exclusivamente vegetal, e não fiquei satisfeito. Passei a tarde irritado e com medo de falhar. Vim escrever em um café, mas mesmo os salgados vegetarianos levam leite na massa. Pedi uma salada de frutas e me acalmei. Talvez minha fome seja imaginária. (Não me sinto bem dizendo isso.) Mas algo é muito claro: meu corpo está estranho. O medo e a ansiedade são físicos. Não quero enfraquecer.

2º dia

Preparei uma “feijoada vegetariana” para o almoço. Ficou um horror. Precisei de uma porção de banana com quinua e linhaça para me sentir alimentado. Emocionalmente, o dia foi bem pior que ontem. Começo a me perguntar se não há algum fetiche no vegetarianismo radical. Por que vocês precisam ser tão fortes? Antes de começar meu “plano verde”, fiz várias pesquisas e concluí que conseguiria cumpri-lo sem prejudicar minha vida. Quanto à energia, tudo bem. Não uso mais o elevador do meu prédio. Além disso, não sei dirigir, tenho economizado muita energia e meu banho está sendo o mais racional possível. Quero continuar dessa forma para sempre. Prometo que nunca mais vou usar o elevador. A dieta vegana, por sua vez, está mexendo comigo. Estou irritado. Sem dizer de outros medos, que me envergonham: será que eu posso ficar burro? Não são os indivíduos, mas as empresas os principais emissores de gás carbônico. A China é um dos grandes poluidores. Essa gente, além de censurar e prender os artistas, ainda está acabando com o planeta. Devíamos parar de comprar os produtos deles. É tudo de péssima qualidade mesmo…

3º dia

8h: Acordei às 3h com um forte enjôo e assustado com os pesadelos. Sonhei com um boi que, mesmo abatido, continuava gritando comigo. Depois, fui atacado por uma horta. Estou me sentindo ridículo. Às 5h, estava com uma fome terrível. Talvez alguém diga que tenho obedecido à dieta errada: coma mais grãos e verduras. Tenho me alimentado bastante, mas não me sinto forte. Eu queria muito comer um pedaço de bolo que está na geladeira. De resto, tomei meu banho racional e usei a escada. Não acendi nenhuma lâmpada e fiz apenas uma xícara de café na máquina. Gastei um pouco mais de água porque me barbeei. Sinto-me fraco e nervoso. 22h40: O dia foi mais sossegado. Almocei em um restaurante vegetariano e passei a tarde comendo frutas. De noite, hambúrguer de soja e salada. Antes de dormir, leite de soja com melão. Não vou ser vegano (nem vegetariano). Só não jogo o tal extrato de clarofila fora porque custou uma nota. Talvez eu coma menos carne. Sempre me senti culpado por causa do abate dos animais e essa experiência me fez pensar mais nisso. Não acho cruel extrair leite de um animal para consumo. Por outro lado, com certeza não uso mais o elevador e meu consumo de água vai ser racional. Só não vou topar essa história de segurar a urina até a hora do banho, porque adoro ir para o chuveiro de manhã. Não vou passar, depois, 24 horas com vontade. Compenso esse pecadilho não dirigindo: não tenho um carro para lavar. Parece um bom negócio: um carro pelo xixi. Estou me sentindo fraco e com o raciocínio embotado. Também tenho vergonha.

4º dia

Encerrei a “dieta vegana” no jantar, com um peixe. Não tive nenhum prazer especial. Meu pedido por um copo de leite puro causou estranhamento, mas, quando contei os motivos, o garçom se solidarizou. Algo me surpreendeu: no final de tudo, engordei 300 g! Também fiz um orçamento: o veganismo é caro. Os preços médios dos restaurantes vegetarianos são altos. Falando com mais calma, tudo isso reforça a hipótese de que há fetichismo nesse radicalismo todo. Uma pergunta secundária: até o ovo? E outra, crucial: que culpa de fato está sendo expiada aqui? Não me resta dúvida de que preciso usar a energia de forma mais racional. Os chineses são péssimos, concordo. E é necessário discutir eticamente nossa relação com os animais. Mas o problema urgente é a fome.

Fonte

Meu direito de resposta,
Vegan desde 2008

Não sou assinante da UOL, nem da Folha, mas ontem durante a Virada Cultural observei que uma senhora ao meu lado lia essa matéria. É incrível o quanto as pessoas têm uma preguiça monumental de buscar informações. O mais espantoso é um jornalista produzir uma matéria sem o mínimo de pesquisa. Não é tão difícil encontrar Vegans dispostos a esclarecer dúvidas, embora reconheça que vivemos em um sistema no qual não questionamos como e por que as atribuições de cada humano e não-humano são repartidas.

Por que mulheres ganham menos que homens? Precisamos de Empregadas Domésticas? Por que a maioria das mulheres na mídia é Branca? Por que as cédulas têm escrito “Deus seja louvado”?  Um animal precisa ser sacrificado para nos alimentar? Por que o Brasil tornou-se o epicentro mundial de crimes contra homossexuais?

É compreensível que essas questões sejam camufladas em um País repleto de preconceitos velados, entretanto, o mínimo que se espera ao elaborar uma matéria é assegurar-se de veracidade, sobretudo, se é de sua responsabilidade uma coluna em um Jornal de grande circulação. Esse desserviço corrobora com a hostilidade que os movimentos igualitários encontram em um contra-ataque envaidecido da própria mesquinhez.

“Hoje qualquer miserável tem um carro” ¹, primeiro foram os Negros, depois as Mulheres e seu Feminismo, e depois? Nem as vacas poderemos matar? Esses Comunistas, Anarquistas e baderneiros não tem limites!

¹ Frase de Luiz Carlos Prates, jornalista da RBS/TV Globo de Santa Catarina.

² Escrevi um F.A.Q Vegan dividido em duas partes. Inclusive esclarecendo que o Feminismo tem quase o mesmo tempo de “existência” que o Vegetarianismo.

³ A pasta de dente Vegana que uso chama Contente, custa R$ 2,50 e é vendida na maioria dos supermercados da Periferia da Zona Sul de SP.

14 abril, 2011

Pop x Rock

Posted in Corpo, O pessoal é político às 4:52 pm por Deborah Sá

Minha mãe adorava Elvis, meu pai era um jovem da discoteca (que participava de concursos de dança) com pôster da Donna Summer dividindo o mesmo espaço que Led Zeppelin.

A identidade musical é formada na medida em que selecionamos o que nos é agradável, não me reconhecia com algo “soturno”, preferia fazer testes da Capricho, idealizar um namorado atencioso e “artístico” (que declamasse poesias), ou admirar borboletas.

A música Pop foi a trilha sonora onde conseguia extravasar uma série de expectativas produzindo alguma esperança. Passei pela fase “séria” (Joy Division, Radiohead, Cure) e “Indie” (Los Hermanos, Weezer, Belle & Sebastian), não interrompendo as audições de Backstreet Boys. Minha irmã, porém, ouvia System of a Down, Nirvana e Iron Maiden.

Com isso o primeiro grupo de garotos que me aproximei (na 8ª série, “os roqueiros”), converteu-se em amigos dela após a interrupção dos meus estudos. Não que forçassem algo, mas o ambiente “masculino” com cerveja e Metal deixar-me-ia deslocada.

Porque o bate-cabelo vale menos que o bate-cabeça?

Com o passar dos anos conheci outras pessoas, mas uma situação persistia: Ninguém parecia gostar de música Pop e se admitiam falavam com vergonha, deixando bem claro que agora “tinham bom gosto”. Isso também valeria para memórias infantis: Jaspion, Kamen Rider e Cavaleiros do Zodíaco, eram aceitáveis, mencionar Caça Talentos, Backstreet Boys e Spice Girls era certeza de ouvir “Ah não, o papo estava legal, isso era lixo”.

O que nos leva a rejeitar as produções de entretenimento feminino julgando seu oposto algo de maior valor? Ir a um show de vocal gutural é considerado um espetáculo de virilidade, em contrapartida, quem são os fãs de Kylie Minogue?

Os entusiastas de Sexo, Drogas e Rock’n roll e as Divas da música POP expressam de forma distinta como comportar-se diante da ascensão ao poder.

Curiosamente algumas vertentes do Rock buscam resgatar esse “espírito”.

Adendo: O Lesbofóbico, Raul

Embora cantoras Pop sejam em sua maioria brancas, jovens e magras as composições aludem a uma série de anseios femininos, permitindo que outras mulheres sintam-se minimamente confortáveis e divirtam-se com isso.

A indústria e o advento da MTV formularam uma nova maneira de consumir música; de Madonna a Lady Gaga é preciso adaptar-se as lógicas de mercado (salientando que bandas de rock, não estão imunes).

Aos que supostamente pularam do ventre recitando Dostoievski

A “Síndrome Underground” e/ou “Síndrome Tr00” preza por um refinamento do qual um seleto grupo imbuído de sapiência, pode apreciar “a boa música” acima de manifestações corporais, cabe a nós reles mortais entregar-se aos impulsos “primitivos” e dançarmos sob batuques eletrônicos.

12 abril, 2011

Um estranho no ninho

Posted in Filmes tagged às 4:36 pm por Deborah Sá

Randle Patrick McMurphy foi preso por estupro (em verdade, fez sexo consentido com uma garota de 15 anos), na prisão não era disposto em colaborar com as tarefas e a solução foi simular algum desvio mental.

Atenção: Se pretende ver o filme sem surpresas, recomendo que encerre sua leitura aqui.

No Manicômio a rotina seguia tranqüila e aos poucos Randle criava laços com os internos, sua extrema camaradagem masculina ganhava algum reconhecimento seja pela leveza que os conduzia, seja pelo baralho Pornô que compartilha. A primeira figura feminina apresentada é a sisuda enfermeira Mildred Ratched, representando o arquétipo da Matriarca castradora.

As terapias gerenciadas por Mildred amedrontavam o grupo por expor publicamente o que os levou ali: Dificuldades de interação social e evidente impotência diante de mães controladoras, namoradas promíscuas e conseqüente repressão sexual. Rumo ao resgate da virilidade perdida, Randle inicia providências: Invade a cabine das enfermeiras pedindo por um som mais baixo, questiona os métodos terapêuticos e solicita uma nova televisão para assistir ao Campeonato com os companheiros. A enfermeira responde as provocações com ironia análoga ao Hal 9000.

Não vamos transferi-lo a prisão, é mudar o problema de lugar. O melhor é deixá-lo conosco.

Nesse raciocínio a tristeza, apatia ou violência na qual os pacientes são subordinados, não são responsabilidades do Estado ou da equipe interdisciplinar, o único pretexto para esses eventos é o autoritarismo de uma mulher que ocupa dissimuladamente um cargo de chefia.

Entediado, Randle executa a primeira fuga em grupo e os leva para pescar, antes de chegar ao destino buscam Candy, companheira de Harding (um intelectual com fama de “frouxo”), após distribui afazeres, Randle ocupa-se em levar Candy para um local reservado gerando a cena cômica na qual largam o timão para observar o ato (semelhantemente, a garotos que olham pela fechadura).

A segunda fuga planejada tem sentido inverso trazendo para o local “diversão externa”. Randle liga para Candy e essa leva dinheiro, bebidas e uma amiga, o Vigia noturno não gosta muito da idéia, mas com suborno e uma mulher (a amiga de Candy é oferecida em “moeda de troca”), a celebração é acobertada.

Billy Bibbit, o virgem, tímido e gago, encanta-se por Candy e pergunta a Randle se pretende casar-se com ela (aos 3:00 min. No vídeo abaixo) , Randle não só entrega-lhe a mão:

– Você quer um encontro? Tem de ser rápido…
– Não agora!
– Então quando?
– Em um fim de semana livre.
– Você está ocupado agora? Tem algo pra fazer nesse momento? Não? Que bom. Candy venha aqui um instante. Quero que conheça o famoso Billy Bibbit. Tem que fazer isso por mim, ok? É só um garoto.
– Sim
– Billy? Aposto vinte e quatro dólares que vai “incendiar” essa mulher.
– Minha nossa…
– Candy, querida. Eu te amo. Dê conta dele.

A sádica enfermeira Mildred descobre na manhã seguinte o ambiente devastado e pune severamente Billy, tornando-o ciente que sua mãe, amiga e companheira de fé,  ficará profundamente desapontada ao ouvir a transcrição do ocorrido. Desesperado, Billy tenta o suicídio e Randle em resposta, estrangula a enfermeira quase lhe dando fim.

É o momento de vingança “pelas próprias mãos” onde se pode vibrar por um homem defensor da “boa vida”, asfixiar a vilã. O que antes poderia tornar-se uma excelente crítica ao cárcere ou a patologização humana reduziu-se a enaltecer a forma despretensiosa em que homens desenvolvem-se, e os propósitos femininos; encerram-se em servir de entretenimento ou restringir esses “impulsos naturais”.

Criticar um clássico do cinema (vencedor de cinco Oscars e seis Globos de Ouro), por seu conteúdo misógino é não relevar o teor das representações femininas onde quer que estejam: Na Bíblia, em um quadro, ou uma obra de arte, atentando para as limitações que a mentalidade de cada década produz, obviamente.

Um Estranho no Ninho de 1975 é incontestavelmente mais retrógrado (sob o aspecto da autonomia sexual feminina) do que o musical Cabaret de 1972. O intuito feminista não é “queimar” obras de valor histórico, mas evidenciar o quão injustificável é isentá-las de seu machismo introjetado.

8 abril, 2011

F.A.Q Vegan – Parte 1

Posted in Animais, Consumo tagged às 3:46 pm por Deborah Sá


Por que se tornou Vegan?

O que prorrogou minha decisão em tornar-me Vegetariana foi a falta de informação, embora estimulada a “racionalizar” a ingestão de alimentos através de dietas (e pressões estéticas), não houve qualquer estímulo para associar o bife ao pedaço de  boi, a bisteca ao porco até os casos mais extremos como comer coração de galinha eram atividades despretensiosas.
Adorava o sabor da carne vermelha e também dos vegetais, minha mãe (Pernambucana) tem por hábito cozinhar inhame, abóbora e maxixe, o que evidentemente contribuiu para diversificar minha alimentação muito além de arroz, feijão e nuggets. Não cresci rodeada de alimentos orgânicos e integrais, o que havia em minha mesa é o que a safra ou momento permitia: Acelga, repolho, carne moída, salsicha, mortadela, queijo, frango assado e macarronada. Em alguns fins de semana meu pai fazia Feijoada e Churrasco, em outros dias cozinhava Lasanha de Brócolis.
Em 2007 a ingestão de carnes tornou-se indigesta: Sentia culpa e nojo em compactuar com a morte direta de não-humanos com único propósito de atender caprichos gustativos, provavelmente meus pais não entenderiam, seria taxada de radical, anêmica, ou subtenderiam uma busca pelo emagrecimento, a primeira atitude foi manter esse “status” entre os mais próximos, evitando conflitos. Na semana na qual minha irmã “iniciou” o Vegetarianismo aproveitei o estímulo e a segui.

Posteriormente minha Avó trouxe filés de frango frito, atentei que adiar o pronunciamento seria inevitável e com sinceridade, esclareci porque encerrar minhas refeições sem sangue no prato. Cerca de oito meses após tornar-me o ovo-lacto, optei pela coerência de ser Vegan.

É associada a alguma ONG? O que acha da PETA?

Não sou associada a nenhuma ONG, embora simpatize bastante o Sea Shepherd e ALF. Sei que muitos chamam esses grupos de “terroristas”, a ALF por libertar animais de laboratórios, quebrarem equipamentos e depredar esses ambientes.

Ao invadir um espaço de tortura amparado pelo governo para libertar prisioneiros, é justo que esse patrimônio seja danificado. O Sea Shepherd também atua no enfrentamento direto, contra Baleeiros.

O PETA é absolutamente questionável, a começar pelo uso de mulheres seminuas em suas campanhas, misoginia não combate especismo. Além disso, vegetarianos não são todos brancos, magros, loiros, ricos e famosos.

Campanha da PETA


Esse desserviço reitera uma série de estereótipos que devem ser combatidos, o que nos leva a próxima questão.

Vegan é um termo “importado”, como as camadas de baixa renda vão aderir essa “onda”?

Os termos Rock, Hip-hop, RAP, Diet, Emo, Shampoo e tantos outros foram adaptados a realidade Brasileira. Na era digital os conceitos multiplicam-se e interagem com outras mídias, programas dominicais possuem quadros dos “Vídeos mais divertidos da Internet” em similar proporção que trechos de uma novela são revistos no You Tube.

A alimentação Vegan não é mais cara ou pouco acessível, todavia implica maior consciência de consumo. Se uma família tem condições financeiras de comprar engradados de cerveja e organizar churrascos, o Veganismo tornar-se-á financeiramente viável. Novas ideologias e padrões de comportamento são difundidos inicialmente entre jovens e mulheres, gerando reportagens, matérias, personagens de novela…

A ingestão de alimentos sob a perspectiva do gênero

Calorias fazem parte do cotidiano de milhares de jovens antes mesmo da adolescência, pergunte para uma mulher com que idade fez sua primeira dieta e faça a mesma questão para um homem, esse último no máximo evita sobremesa, ao contrário de privações constantes.

O gênero feminino flerta com a transcendência dos desejos abdicando de refeições em “penitência” (jejum) pelo “pecado” (brigadeiro), em contrapartida, homens entregam-se ao hedonismo glutão. Esse pode ser um dos fatores que incentivam a adesão feminina ao Vegetarianismo, o outro é a associação de longa data entre mulheres e agricultura. Renunciar o “direito” de comer carne é questionar o Antropocentrismo, os animais precisam morrer para que humanos festejem?

Post: O vestido de carne da Lady Gaga

Ser Vegan emagrece?

Não, se o propósito é emagrecimento recomendo um@ Nutricionista, prática de exercícios e alimentação equilibrada. Lembrando que saúde não é sinônimo de manequim 36. Sou Vegan e uso manequim 46/48/50 (etiquetas são variáveis, pergunte para profissionais de Moda), uma camisa GG feminina pode equivaler a uma PP masculina, sua família inteira pode não ser “mignon” entre outras circunstancias que resultam na distribuição específica de massa e gordura.

A única forma de permanecer Vegan é pelos animais, por motivos espirituais a crença muda de diretriz e a utilização do cardápio Vegan em dietas é incorrer ao erro.

O que possibilitou nosso desenvolvimento foi o consumo de carne!

Não moramos em cavernas, não vivemos nus, nem produzimos os próprios utensílios para caça. Existe a “Dieta Paleolítica” seguida por aqueles não querem “fazer uma dieta da moda que uma irmã seguiria”. Eles guardam tudo em freezers bem refrigerados, em Nova York.

Quer convencer um leão a comer couve-flor?

Você não é um leão e em parâmetros humanos é onívoro, seu cão pode cometer incesto sem ser penalizado, tal qual o argumento anterior é permitido associar-se a pré-história e equiparar-se aos animais por subterfúgio comodista.

Ser Vegan é ser perfeito?

Não. Existem Vegans homofóbicos, LGBTT elitistas e Feministas especistas, uma coisa não implica outra. Respeitar quem é diferente de mim em raça, espécie, gênero, classe e credo não me tornam “perfeita”, defender a liberdade de seres sencientes é ambicionar emancipação coletiva (inclusive de vacas que por interação diferenciada com a humanidade, não são capazes de organizar Sindicatos).

Ratos e baratas

Baratas e ratos são atraídos para habitações humanas enquanto as mesmas propiciam o ambiente ideal para abrigo e alimentação. Ratos não possuem um sistema de comunicação interligado em uma “Central de Roedores” que é acionada a cada vez que um deles é assassinado: “Alerta! Não vá para Casa da Josefa, um dos nossos foi sumariamente executado”
Matar um rato (ou uma barata) não impedirá que novos “intrusos” voltem ao seu lar, o ideal é manter a higiene e caso encontre um rato existem maneiras simples de afastá-lo: Bater o pé ou uma vassoura próximo ao animal é suficiente.

Chumbinho

O chumbinho é uma substância proibida de ser comercializada, não possui registro oficial. Quem o faz está na ilegalidade, quem o compra também, ambos estão sujeitos as penas prescritas em Lei. A intoxicação irá causar uma interferência no transporte de substâncias que promovem os estímulos do Sistema Nervoso Central, isto é, imagine uma via rápida cujo sistema de sinalização está desligado. O volume de acidentes entre os carros seria enorme!

Na prática, ocorre hemorragia interna intensa, convulsões violentíssimas em praticamente todos os órgãos internos, enfim, os estragos são praticamente irreversíveis.
Algo parecido ocorre dentro do organismo animal e do ser humano. Pela sua alta capacidade de ser absorvido e seus efeitos ocorrerem rapidamente (por necessitar de mínimas doses para levar à morte), as chances de salvar vítimas da ingestão do chumbinho são mínimas.

Fonte

Alternativas: Repelente sonoro e óleo de citronela.

Vegans tomam cerveja?

A cerveja não tem nenhum produto animal como ingrediente, mas somente malte (cevada), lúpulos e água. (Sim, a história da cevada e do lúpulo é verdadeira). Na verdade, segundo a legislação brasileira (Lei nº 8.918/94), complementada pelo Decreto Lei nº 2.314/97), é proibido adicionar produtos de origem animal à cerveja. Suponha que alguém queira colocar mel na sua receita de cerveja, a bebida resultante não poderia ser comercializada com o nome de cerveja. Isto dito, vemos que considerando somente os ingredientes, cervejas são Vegans. No entanto, a produção de cerveja não se limita aos ingredientes. São utilizados conservantes, aromatizantes e substâncias filtrantes e clarificadoras. E é aí que a coisa fica um pouco mais complicada.

Regra geral, as cervejas condicionadas em barris (tradicionalmente inglesas e consideradas as “verdadeiras” cervejas) são clarificadas com uma espécie de cola de peixe (“isinglass”). Essa cola de peixe é uma forma de gelatina muito pura que se obtem a partir das bexigas de alguns peixes de água doce, especialmente do esturjão. As refinações aceleram o processo que de outra forma ocorreria naturalmente.
(Centro Vegetariano)

Ou seja, algumas cervejas podem ser feitas por processos não veganos. Grande parte das cervejas hoje, no entanto, são produzidas de modo totalmente vegan. Cervejas de tipo Lager, cervejas em lata e a maior parte das engarrafadas são purificadas em filtros minerais.

Mas e se eu quiser ter certeza de que minha cerveja é vegan?

É possível encontrar na Internet diversas listas de cerveja vegan provenientes dos Estados Unidos, Inglaterra e Portugal. Não encontrei nenhuma lista desse tipo voltada para os produtos nacionais. Mas vou passar adiante as informações que encontrei. Para começo de conversa, (até dói o coração dizer…) Guinness, Newcastle Brown, Bass e Stella Artois não são veganas.

Continuando com as importadas (para mencionar somente alguns nomes):  Harp Irish Lager, Heineken, Budweiser, Kronenbourg 1664, Sagres, Imperial e a maior parte das cervejas portuguesas (as das empresas Central das Cervejas e Unicer) são veganas.

Dentre as nacionais, recebemos a informação que a Kaiser e a Ambev não utilizam produtos de origem animal em suas cervejas. Entramos em contato com outras cervejarias e assim que tivermos novas informações atualizaremos o nosso post no Vegan Brasil. Quem tiver alguma informação e puder contribuir, ficaremos muito gratos.

Moral da história: cervejas são feitas com ingredientes vegan, mas podem não ser 100% vegan. Mas não é preciso parar de beber, para ser vegan (ninguém iria te pedir tamanho sacrifício). Basta atenção para saber qual marca de cerveja tomar.

Fonte

O que quer dizer, afinal, que algo contém traços de leite ou ovos?

Essa expressão indica que um produto que não leva ovos e leite como ingrediente pode ter sido processado em um mesmo maquinário ou recipientes onde produtos que levam ovos e leite foram processados. Obviamente, esse maquinário é lavado, mas como muitas pessoas possuem alergias, é importante que as empresas fabricantes deixem claro que pode haver quantidades mínimas dessas substâncias em produtos que não as têm como ingredientes.

Contém traços de leite. Você aceita?

Mas então, é vegan ou não é? Em minha opinião, não há problema nenhum que um produto contenha traços de produtos animais (a menos que você seja alérgico, obviamente :) ).Se um produto não é feito diretamente da exploração animal e não contém ingredientes de origem animal, ele é vegano. Alguém deixaria de ser vegano por comer seu alimento preparado na panela ou na mesma cozinha que outra pessoa pode ter usado para fazer uma receita que continha produtos animais? Se alguém achar que sim, dificilmente se encontrará qualquer pessoa vegana no mundo.

Fonte

O biscoito Negresco e o achocolatado Nescau possuem traços de leite, embora não sejam formulados com esse ingrediente.

Porque vocês não usam mel, gelatina, camurça, couro e lã…?

Mel

Abelhas morrem na produção de mel, e no pior caso, a colméia inteira pode ser destruída se o apicultor não estiver disposto a protegê-las em caso de clima frio ou frente fria. Não é todo apicultor que faz isso, mas a pratica comum é que se consideram todos os seres viventes como objetos meramente materiais que não tem valor intrínseco por si próprios além do valor comercial que puder extrair deles.

A inseminação artificial das abelhas envolvendo a morte do zangão é a pratica comum para a geração de novas abelhas-rainhas. O método praticado na obtenção de esperma do zangão é arrancando a cabeça do inseto (a decapitação provoca um impulso elétrico em seu sistema nervoso que causa uma resposta sexual). A parte de baixo do zangão decapitado é então espremida para fazer sair o esperma. O liquido resultante é colhido em uma seringa hipodérmica.

Alguns fatos sobre a apicultura no Brasil são que:

1) As abelhas que produzem mel são “importadas”, ou seja,  não pertencem a fauna brasileira. Eles tem provocado um enorme  impacto na sobrevivência de espécies nativas de abelhas e vespas,  devido a competição por pólen e néctar. Talvez muitas dessas  espécies nativas já foram extintas devido a ganância dos produtores de mel.

2) Alguns apicultores matam parte dos zangões, para aumentar a  eficiência, alegando que os zangões não “trabalham” apenas comem o mel. A ciência ainda não descobriu se os zangões têm alguma função na colméia, além de fecundar a rainha (o que  ocorre uma vez por ano).

3) Dependendo das condições climáticas, a produção de mel pode  ser baixa. Nesse caso o apicultor não deve retirar todo o mel, pois durante o inverno as abelhas vão precisar dessa reserva. Entretanto, alguns apicultores gananciosos retiram todo o mel. Resultado: morte na certa de toda a colméia durante o inverno ou períodos de chuvas  prolongados.

4) Para perpetuação da espécie, as abelhas costumam criar uma  nova rainha (ou melhor, uma princesa). Isso ocorre no final do inverno. Então, a princesa pode tornar-se a nova rainha da colméia, expulsando a atual ocupante do trono, ou pode migrar. Nas duas situações elas levam consigo simpatizantes, ou seja, uma boa parte da população da colméia. Resultado: menos abelhas operárias, menor produção de mel. Solução de alguns apicultores: matar a princesa, quando esta ainda está na forma larval (que é facilmente identificável). Em Agosto é o mês de revistar as colméias para caçar as princesas (em forma de larva).

5) Em 1999, apareceu no Brasil uma nova técnica para produção  de pólen (que vem tendo uma demanda crescente no  mercado). Eles forçam (artificialmente) as abelhas a extraírem apenas o pólen das flores (as abelhas necessitam do pólen e do néctar: o pólen é a fonte de proteína e o néctar, que resulta no mel,  é a fonte energética). Resultado: num raio de 8 km, que é o alcance das abelhas africanizadas, as abelhas extraem todo o pólen existente nas flores, fazendo com que todas as outras  espécies de insetos que necessitam de pólen morram do fome,  incluindo as abelhas africanizadas de outros apicultores vizinhos que produzem mel da maneira tradicional.

6) No meio da floresta há muitos animais silvestres que se alimentam de mel e abelhas. Exemplo: tatus e iraras. Há apicultores que instalam armadilhas, capturam e matam estes mamíferos, alegando prejuízos.

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Gelatina

A gelatina (muito usada em sobremesas) é feita de ossos, peles e tendões de animais bem fervidos. Há uma substância alternativa chamada agar-agar, derivada de algas. Outra é feita de raiz de kuzu (planta oriental, usada deforma semelhante à araruta). Vende-se agar-agar em fios semelhantes a macarrão, em pó ou em barras compridas, e sua cor geralmente é esbranquiçada.  Algumas gelatinas casher são feitas de agar-agar, mas a maioria não é. Algumas substâncias que são vegan e substituem a gelatina são a goma guar e a carragena. Só alguns “emulsificantes” são vegans. Usa-se gelatina em fotografia. Embora exista tecnologia para substituir o filme fotográfico, seu preço ainda é proibitivo e a demanda insuficiente. Esperamos que, com o crescimento do vegetarianismo e do veganismo, esta situação em breve se altere.

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Camurça

Camurça é um tipo de couro felpudo feito com a parte de baixo da pele de cabras, porcos, bezerros, cervídeos e principalmente cordeiros. Exclui-se a camada de pele exterior do animal (mais grossa), e por isso é menos durável (mas mais macia) que o couro comum. A suavidade, leveza e flexibilidade do material tornam satisfatório seu uso no vestuário e outras aplicações que requerem materiais delicados, como luvas. Também é popular em tapeçaria, calçados, bolsas, e como forro para produtos de couro.

Fonte

Couro

O couro é a pele curtida de animais, utilizada como material nobre para a confecção de diversos artefatos para o uso humano, tais como: sapatos, cintos, carteiras, bolsas, malas, pastas, casacos, chapéus, entre outros.

Fonte

As ovelhas são criadas para produzirem lã de modo não natural (ondulada), causando infestações de insetos ao redor da cauda. A solução dos fazendeiros é o doloroso corte da área ao redor. Na tosquia as ovelhas são presas com violência e tosquiadas rudemente. Por vezes a sua pele também fica com cortes. Todos os anos, centenas de milhares de ovelhas tosquiadas morrem por exposição ao frio. A produção de lã utiliza ainda enormes quantidades de recursos e energia (para procriar, tosquiar, transportar e abater as ovelhas). Alguns derivados da lã são a lanolina, a graxa de lã e a gordura de lã.

Fonte

Abrem exceções? Comem um Peru no Natal ou a incrível Feijoada do meu Tio Antunes?

Não, se buscar informações notará que as implicações morais e éticas Veganas são bem mais profundas do que “manter rituais de socializações humanas”, é compreender o processo e a industrialização dos alimentos e seus efeitos em escala mundial.

Animais são sagrados?

Muitos dos que crêem em Deus utilizam algumas passagens bíblicas para sustentar o vegetarianismo:  Gênesis cap 1 versículos 29 e 30,  Levítico cap 17 versículos 10, 11,12,13 e 14 ou Isaías cap 1 versículos 11,15,16

Se essa perspectiva lhe interessa, recomendo esse texto.

Do meu ponto de vista (Ateísta), animais não possuem qualquer ligação cósmica ou mística com o Universo, o que ocorre é que muitas espécies habitavam a Terra antes da presença humana e se por ventura nos extinguirmos, haverá outros animais que ocuparão esse espaço. Qual o benefício de matar um inseto? Sentir-se superior diante de uma criatura de outra espécie?  Dou a esses o benefício da dúvida, pois se em nada me ameaçam opto pela coexistência.

O que aconteceria com os animais de abatedouros se imediatamente o mundo virasse Vegan?

Nenhum posicionamento em massa sucede abruptamente, os acontecimentos históricos ocorrem em processos, diminuindo a procura diminuirá a oferta. Lembrando que quase sempre uma idéia que vá de encontro com valores antigos, encontrará resistência conservadora em reação. No Brasil existe o Instituto Pró-Carne.


O que acham do sacrifício de animais em Rituais Religiosos?

Escrevi sobre aqui

E os vegetais, coitados, não podem correr T_T

Ceifar a vida de uma alface para fazer salada é similar a encerrar a vida de um cão para servi-lo “no rolete”? Caso responda afirmativamente, procure acompanhamento Psicológico.

Vocês vão a churrascarias?

Vou a churrascarias se não houver opções (e geralmente há), ou se uma amiga chama um grupo para comemorar o aniversário. Só não sento perto de onde assam as carnes porque (para mim) cheiram mal e impregnam roupas e cabelo. Minha reação ao ver um pedaço de picanha no espeto é de indiferença, mas se cair no meu prato a sensação mudará para nojo.

Qual o problema de “brincar” com um@ Vegan passando a Picanha perto do prato?

Por favor, leia a outra parte do FAQ Vegano, esse ato (“brincadeira”) demonstra falta de empatia e ignorância sobre as motivações dessa filosofia. Você acha mesmo que é original e criativo fazendo piada de “bifinho”? Eles são “estúpidos” e por isso merecem morrer? Você comeria crianças com interações sociais (autistas, ou com algum retardo mental, por exemplo) distintas das suas?

F.A.Q Vegan – Parte 2

Zoológicos? Circos com animais?

Zoológicos me deixam deprimida ao ver aqueles animais confinados em espaços reduzidos em simulacros de habitat natural. Circos com animais são opressões com propósito de entreter, qual a utilidade de um elefante se apoiar em uma única pata? Um cão será mais respeitado na matilha se souber andar de bicicleta e pular corda?

Confira a Segunda Parte do FAQ Vegan

F.A.Q Vegan – Parte 2

Posted in Animais, Consumo tagged às 3:02 pm por Deborah Sá

FAQ é um acrônimo da expressão inglesa Frequently Asked Questions, que significa Perguntas Frequentes

Peixes sentem dor?

Para muita gente, o peixe não passa de uma rica fonte de proteínas sem sentimentos. Mas um livro polêmico revela que os cientistas acreditam que esse animal, que já foi símbolo de estupidez, não só sente dor como possui uma vida emocional complexa.

A autora do livro “Os peixes sentem dor?” Victoria Braithwaite, explica que não existe um motivo lógico por que as pessoas não devam tratar esses animais com a mesma consideração que dão aos mamíferos e pássaros. O livro não foi escrito por um vegetariano radical, mas por uma bióloga marinha imparcial… E que come peixe.

Mas a conclusão de Victoria é surpreendente porque não estamos acostumados a ver os peixes como criaturas conscientes, revelou o jornal inglês DailyMail . A “face” sem expressão dos peixes, sua falta de membros e seu ambiente aquático meio alienígena tornaram difícil saber se eles deveriam ser tratados no mesmo nível dos pássaros, répteis e mamíferos ou agrupados junto a vermes, insetos e lagostas.  Os mamíferos possuem detectores de dor especializados, chamados nociceptores, que transmitem sinais ao cérebro quando eles se ferem. Os peixes também.

Leia a matéria completa aqui

Matam a vaca para tirar o leite e a galinha para tirar o ovo?

Vacas só produzem leite quando grávidas (assim como as humanas), é junto inseminá-las, apartá-las dos filhotes e quando não “produtivas” serem mortas?

Trecho de Raise your glass- Pink

Ovos

Os animais vivem vidas miseráveis do nascimento ao abate. As galinhas têm a má sorte de servirem aos humanos de duas maneiras: pela sua carne e pelos seus ovos. O grau de confinamento ao qual a galinha poedeira está sujeita é extremamente alto e impõe severas restrições ao seu comportamento normal. Normalmente, são usadas gaiolas contendo 2 ou 3 aves medem de 30 a 35 centímetros de largura por 43 de comprimento (menos que uma página de jornal aberta). Sob tais condições, as aves não podem esticar suas asas, nem se mover sem esfregarem-se umas nas outras ou se levantar totalmente no fundo da gaiola (o chão da gaiola é inclinado para o ovo rolar em direção à calha coletora). Grande parte do padrão de comportamento normal é frustrada pelo engaiolamento. O comportamento de acasalamento, incubação e cuidado com os pintinhos é impedido e a única compulsão reprodutiva permitida é o pôr dos ovos. Elas não podem voar, ciscar, se empoleirar nem andar livremente. É difícil para a galinha, limpar suas penas e é impossível se “sujar” com terra.

Fonte

Bem-estarismo

Há duas frentes de Libertação Animal, a primeira é Bem-Estarista e a segunda é Abolicionista. No primeiro caso, o consumo é admitido se o abate for “humanitário” ou a vida do animal for minimamente “feliz” até o óbito.

Se lhe dessem a escolha para decidir a morte de uma criança:

1)    Ela viverá privada do sol e interação com outros da mesma espécie, tomará hormônios e logo atingirá a maturidade para o abate, não há garantia que será indolor e certamente antes de morrer estará em uma fila vendo outros “companheiros de cela” antecipando o que lhe ocorrerá.

2)    Ela viverá mais, interagirá com outros da mesma espécie, viverá alheia do seu destino. Quando julgarmos apropriada para o abate, será o menos traumático possível.

O ideal seria possibilitar a liberdade, minimizar os traumas não impede a morte de um animal para manter tradição.

E anemia?

Se não for o mais recorrente de todos os mitos, o ferro certamente está entre os mais freqüentes quando o tema é a nutrição vegetariana. No entanto, a incidência de anemia ferropriva (por deficiência de ferro) não é maior na população vegetariana quando comparada à população onívora. Na verdade, ela é a deficiência nutricional mais comum em todo o mundo – estima-se que 500 milhões de pessoas sejam anêmicas. As mulheres estão em maior risco e as fases da vida de maior vulnerabilidade são: até os 4 anos de idade, durante a adolescência, durante a vida reprodutiva da mulher e durante a gestação. Esses grupos de risco precisam de atenção redobrada.

Por que é então que existe o mito com relação ao ferro na dieta vegetariana? De fato, parte do ferro encontrado nos produtos de origem animal é mais bem absorvido do que o ferro encontrado nos produtos de origem vegetal e de fato algumas fontes animais de ferro são muitíssimo superiores quando comparadas às fontes vegetais do mineral. Mas isto não significa que as fontes vegetais de ferro não sejam suficientes para suprir a necessidade do organismo humano. O fato de haver uma alternativa superior não faz da outra uma alternativa insatisfatória. No caso do ferro, a alternativa vegetal é satisfatória, mas alguns cuidados ajudam a garantir a ingestão e adequados. Esses cuidados compreendem a seleção de boas fontes do mineral, a inclusão de alimentos que melhoram a sua absorção e a exclusão de alimentos que a atrapalham.

Boas fontes vegetais de ferro são as leguminosas (com destaque para a lentilha, o grão-de-bico, a soja e o tofu), as castanhas e sementes (com destaque para as sementes de abóbora, de gergelim e a castanha de caju), os vegetais verde-escuros (especialmente a couve), as frutas secas (damasco, ameixa e uva-passa) e o melaço da cana-de-açúcar. Alguns cereais integrais também ajudam a complementar a ingestão de ferro entre os vegetarianos. É notável que estes mesmos alimentos ricos em ferro sejam também boas fontes de cálcio e muitos deles também de proteínas. Ou seja, uma dieta vegetariana que esteja adequada em proteínas e em cálcio, estará necessariamente adequada em ferro. Há, no entanto, uma exceção a essa regra: se o cálcio estiver vindo primariamente dos laticínios, a ingestão de ferro poderá ser prejudicada, pois os laticínios estão entre as fontes mais pobres de ferro que existem. Toda vez que um vegetariano escolhe usar os laticínios como fonte de proteína ou de cálcio, ele opta por consumir uma fonte pobre em ferro. Isso é o mesmo que dizer que ele deixa de consumir uma boa fonte de ferro, já que essa proteína ou cálcio poderiam ter vindo acompanhados do ferro tivesse ele escolhido, por exemplo, uma castanha, uma leguminosa ou o tofu no lugar do derivado lácteo. Esse é um ponto crucial na questão do ferro na dieta vegetariana: a maioria dos vegetarianos que desenvolve anemia ferropriva o faz porque inclui na dieta uma quantidade grande de um alimento pobre em ferro (laticínios), o que acaba por roubar o espaço de outro alimento que poderia ter sido escolhido dentre as boas fontes de ferro. O alerta é bastante claro: os lacto-vegetarianos e os ovo-lacto-vegetarianos têm maior probabilidade de desenvolver anemia ferropriva do que os veganos. Alimentos refinados como o açúcar branco e a farinha também são fontes nulas de ferro. Prefira as versões integrais e o seu aporte de ferro aumentará.

Fonte e explicação completa, aqui.

Como vocês vivem sem chocolate? E sorvete?

Muitos chocolates meio-amargos são Veganos, basta ler a embalagem para certificar-se.

Bolo trufado com morangos (feito por mim)

Existe o Sorbet, uma espécie de “raspadinha” com bastante açúcar que impede que a água congele uniformemente, deixando-o “macio”. O limão quebra o doce e por isso, algum líquido cítrico é importante para que o sorbet não fique enjoativo. A Nestlé vende o sorbet La Fruta de limão em pote.Uma sorveteria na Rua Augusta, 305 – SP que oferece um Freezer inteiramente Vegan com vários sabores de sorvetes de massa, coberturas, caldas (inclusive aquela com chocolate que endurece)…

Sorveteria Soroko, Rua Augusta

As receitas são difíceis de adaptar?

Não espere uma cópia fiel de um bacon ou de queijo mussarela, mas algumas adaptações são simplesmente deliciosas, a comida Vegana oferece variedade, sabor e maior valor nutricional, sem colesterol e baixa ingestão de gordura (se comparada a uma dieta onívora comum).

Cupcakes do Vegacy – Rua Augusta, 2061

X- Tudo Vegan do Lar Vegetariano – (11) 3978-8681

Vocês lêem todos os rótulos?

Sim, com a prática a leitura torna-se rápida, também mandamos e-mails e telefonamos para o SAC das empresas questionando algum ingrediente desconhecido, se foi testado em animais… Depois é só compartilhar com outros Vegans para poupar-lhes o tempo. No Orkut existe a comunidade SAC Vegano com esse único propósito.

O que é cochonilha?

Originário do México, mede de 2 a 5 milímetros de comprimento, é geralmente marrom ou amarelo, e se alimenta parasitando a seiva de cactos e plantas e da umidade ali presente. Dentro da classe dos insetos, as cochonilhas são classificadas na ordem Hemiptera, sendo parentes próximas das cigarrinhas, cigarras e dos pulgões. São conhecidas mais de 67.500 espécies de Hemiptera. Para defender-se da predação por outros insetos, produz ácido carmínico, que extraído de seu corpo e ovos é utilizado para fazer o corante alimentício que leva seu nome. Seu predador natural é a joaninha, assim como alguns tipos de vespas.
O corante de cor vermelho-escura é utilizado em larga escala pela indústria cosmética e alimentícia, emprestando sua cor a biscoitos, geléias, sobremesas, sendo também utilizado em medicamentos e roupas, normalmente especificado como “Corante natural carmim de Cochonilha”, C.I. 75470 ou E120 nas composições dos produtos.

Fonte

Obs: Nunca encontrei biscoito recheado de morango sem cochonilha

Os vídeos de abate são muito fortes, isso é inconveniente! Não estrague meu apetite!

Compreender a ideologia Vegana é possível sem a exposição aos vídeos de abate, entretanto ter acesso a essas imagens pode ser a dose de realidade crucial para mudança dos hábitos alimentares. O melhor documentário que assisti nesse propósito é Terráqueos (veja on-line ou baixe gratuitamente aqui).

Crianças podem ser Veganas?

Sim, confira o depoimento de uma mãe que passou a gestação inteiramente Vegan e a declaração de um médico, pai de duas crianças Veganas.

Tenho uma necessidade emocional/biológica fortíssima de comer carne, sinto tontura!

Violência e exploração são injustificáveis, sobretudo por pretextos gastronômicos ou para manter “tradições”.

As leis permitem comer carne de algumas espécies, acha que permitiriam maus-tratos?

A escravidão de seres humanos foi institucionalizada outrora, a legislação tem de se adequar a moral vigente, isso também implica a situação econômica. O Brasil é pioneiro em Pecuária, causa essa de maior impacto na devastação da Amazônia (não só para criação de gado, como para produzir soja destinada a ração desses animais – a menor parte da soja produzida aqui é para consumo humano). Em 2009 a Pecuária foi considerada a campeã em trabalho escravo no País, superando a indústria do carvão.

Faz mal virar vegetariano “do dia para noite”?

Não, mas é indispensável informação para alimentar-se de forma balanceada (independente de sua dieta), transitei de onívora para ovo-lacto e depois para Vegan sem restringir separadamente os alimentos. Alguns, porém, sentem-se confortáveis em separar por etapas: Primeiro retirar as carnes vermelhas, depois as brancas em seguida o leite…

Quais os tipos de dietas? O que é ovo – lacto?

De forma genérica, vegetariano é o indivíduo que não utiliza nenhum tipo de carne (vermelhas ou brancas) na sua dieta.Vegetarianismo é sinônimo de alimentação sem carne. Essa é a característica comum de todos os vegetarianos. O vegetariano pode ou não utilizar derivados animais na sua alimentação.

Ovo-lactovegetariano: é o vegetariano que utiliza ovos, leite e laticínios na sua alimentação.

Lactovegetariano: é o vegetariano que não utiliza ovos, mas faz uso de leite e laticínios.

Vegetariano estrito: é o vegetariano que não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação. É também conhecido como vegetariano puro.

Vegano: é o indivíduo vegetariano estrito que recusa o uso de componentes animais não alimentícios, como vestimentas de couro, lã e seda, assim como produtos testados em animais. Em inglês você vai encontrar o termo “vegan” como referência a esse indivíduo. No Brasil esse termo foi traduzido como vegano.

Crudivorista: é, na grande maioria dos casos, um vegetariano estrito que utiliza alimentos crus, ou aquecidos no máximo a 42oC. Alguns podem aceitar leite cru e carne crua também, descaracterizando o termo vegetariano estrito. A utilização de alimentos em processo de germinação (cereais integrais, leguminosas e olegaminosas) é comum nessa dieta. Diferente do que se pode imaginar, essa dieta apresenta preparações bastante sofisticadas e saborosas.

Frugivorismo: vegetariano estrito que utiliza apenas frutos na sua alimentação. O conceito de “frutos”, nesse caso, segue a definição botânica, que inclui os cereais, alguns legumes (abobrinha, beringela…), oleaginosos e as frutas.

Macrobiótico: designa uma forma de alimentação que pode ou não ser vegetariana. O macrobiótico tem um tipo de alimentação específica, baseada em cereais integrais, com um sistema filosófico de vida bastante peculiar e caracterizado. A dieta macrobiótica, diferentemente das vegetarianas, apresenta indicações específicas quanto à proporção dos grupos alimentares a serem utilizados. Essas proporções seguem diversos níveis, podendo ou não incluir as carnes (geralmente brancas). A macrobiótica não recomenda o uso de leite, laticínios ou ovos.

Semi-vegetariano: indivíduo que faz uso de carnes, geralmente brancas, em menos de 3 refeições por semana. Alguns consideram essa terminologia quando em apenas uma refeição por semana. Esse termo ganha importância nos estudos científicos, na comparação dos efeitos à saúde entre vegetarianos e onívoros, já que, teoricamente, o semi-vegetariano consome carne, mas menos do que um onívoro. Atenção: esse indivíduo não é vegetariano.

Onívoro: é o indivíduo que aceita qualquer tipo de alimento na sua dieta.

Fonte

É possível ser um atleta com essa dieta?


Conheça esse e outro atletas aqui e aqui.

Qual a relação entre vegetarianismo e feminismo?

Vegetarianismo é a forma que muitas pessoas, especialmente mulheres, expressam uma conexão com animais específicos – aqueles destinados a virarem carne – afirmando “Eu me importo com essas criaturas. Não vou comê-los”. É uma forma de rejeitar um mundo masculino que objetifica a ambos: Mulheres e animais; anunciando não somente essas conexões, mas definindo-se como sujeitos com o poder de decisões éticas e ao mesmo tempo enunciando animais enquanto sujeitos e não objetos.

(…)

A recente história do vegetarianismo e feminismo também oferecem pontos de intersecção. Ambos experimentaram um renascimento através dos livros que sugiram anos após a Revolução Francesa. Havendo de se considerar reuniões importantes realizadas na década de 1840:

A reunião de 1847 em Ramsgate¹ na qual o termo vegetarianismo foi concebido, ou seja, ratificado e o Encontro de 1848 em Seneca Falls no qual mulheres americanas exigiram direito ao voto. Segundo algumas análises históricas, cada causa tem sido ao seu modo levada ao esquecimento, o feminismo após a realização do sufrágio em 1920 e o vegetarianismo praticamente a partir do momento em que se tornou um movimento auto-identificado.

Reconstruir a história feminista-vegetariana requer atenção redobrada para os significados ocultos em registros atrelados a instituições de saúde e dieta. Por exemplo, em um livro de entrevistas orais com sufragistas sobreviventes, podemos descobrir uma declaração com pistas que apontam para o vegetarianismo. Jessie Haven Butler ao descrever sua infância afirma:

“Minha mãe era muito inteligente. Ela tinha um grande livro sobre saúde, do qual estava totalmente familiarizada. Ela também era receptiva a novas idéias, então é natural que eu tenha um pouco desse interesse por “novidades” ao longo de minha vida. Ela tinha todos os livros de um homem chamado Dr. Jackson, que iniciou e promoveu um novo sistema alimentar.”

Os indícios de que ela está descrevendo uma dieta vegetariana é sua referência a “receptividade a novas idéias” que pode ser erroneamente confundida com um ”modismo” de sua mãe², rótulo ainda presente em interpretações levianas acerca do vegetarianismo. Por fim, o citado ”novo sistema alimentar” soma-se a confirmação final ao invocar o nome de Dr. James Caleb Jackson³.

¹ A criação da Vegetarian Society
² O texto original usa o termo “Faddish” que possui o sentido dúbio de “aberto a novidades” e “suscetível a modismos”.
³ Dr. James Caleb Jackson (1811–1895): Abolicionista, propagador da alimentação vegetariana e inventor do primeiro cereal.

Adams, Carol J – The Sexual Politics of Meat: A feminist-vegetarian critical theory – 10th-anniversary ed. – Pgs. 182, 183
Tradução livre (minha)

[Atualização] O livro foi traduzido para o português, saiba mais clicando aqui.

Confira a Primeira Parte do FAQ Vegan