18 março, 2011

Percalços de uma boa moça

Posted in Desabafos, Memórias tagged às 7:05 pm por Deborah Sá

Quando cursava a Sétima Série houve uma seqüência de trotes para minha casa, não sei como conseguiram o telefone (talvez da contracapa do meu caderno), mas o fato é que durante algumas semanas era comum ouvir:

– Aquele rapaz que se diz seu namorado, ligou novamente.

Qual o propósito de ligar para a casa de uma adolescente retraída e provocar seu Pai? Talvez esperassem que fosse repreendida, mal sabiam que minha família não julgava inapropriado namorar. Certa vez, enquanto limpava a casa, o telefone tocou e atendi:

– Alô?
– Quem fala?
– É o namorado da Deborah.
– É a Deborah quem está falando, que história é essa? Não tenho namorado nenhum! Vá cuidar da sua vida!
– Calma… Você tem uma voz tão bonita… Vamos nos conhecer melhor…
– Não quero saber!

Ao subir as escadas para continuar a faxina, o telefone voltava a tocar, tornei-me cada vez mais nervosa ao ouvir os assédios, que encerraram após meu pedido com voz embargada: “Por favor… Me deixa em paz!”
Nesse mesmo período um aluno me perseguia na escola – e fora dela, acompanhando diariamente até o ponto de ônibus- tecendo comentários amedrontadores:

– Fica ligada hein? Se vier um cara “do nada” e te beijar, pode saber que fui eu quem pagou!

Eu era dessas que os adultos adoravam e crianças/adolescentes desprezavam, nunca tive grande aptidão para o Esporte, se obrigada a jogar futebol faziam sinal da cruz ao chutarem na minha direção e era alvo fácil no jogo de Queimada. Nunca escalei uma árvore, não sei andar de bicicleta e só falei palavrão depois dos dezoito, o primeiro beijo veio idem.

Já fui chamada de “Autista”, “Burra pra Matemática”, “Virginal” e certamente outros adjetivos não declarados que tolheram meu desenvolvimento social.

Autista

Enquanto minha Mãe estendia roupas no varal entregava o cesto dos pregadores para brincar, o entretenimento consistia em tirá-los um a um e depois os guardar individualmente, fazia isso por horas. Em um desses dias um menino mais velho acidentalmente (?) colocou o carrinho de fricção na minha cabeça. Meu pai conta que pareci um frade.

Adorava observar insetos no jardim em especial tatus-bola e formiguinhas deixando que andassem pela minha mão, em determinada ocasião, resolvi que adotaria uma formiga que julguei mais bonita (não perguntem, não sei o que tinha de especial). Idealizei que a fortificaria com folhas e um pote de maionese limpo (daria uma boa casa), me acompanharia cronologicamente e talvez morrêssemos juntas (imaginação fértil, eu sei).
Feliz, resolvi beijá-la, me mordeu e quando a tirei puxando dos lábios estava morta, chorei muito.

Enquanto outras crianças corriam e brincavam, gostava de ficar sozinha “no meu mundinho” fazendo chá de bonecas – que foram poucas, preferia bichinhos de pelúcia- ou “conversando sozinha”. Tive amigo e até “monstro” imaginário.

A vida é difícil, Tommy/Ás vezes penso que essa é a coisa mais díficil

Burra para Matemática

Ir a escola era uma oportunidade interessante (até a Terceira Série) de conversar com pessoas diferentes, principalmente os adultos (Coordenadoras, Inspetoras, Pessoal da Limpeza), minhas Redações eram sempre de maior pontuação, em compensação, era a pior em Matemática.
Nunca esfreguei na cara de ninguém minhas notas, mas os elogios públicos dos professores fizeram enaltecer meu déficit:
“Então você não é tão inteligente assim!”
“Se é esperta, porque é tão burra para matemática?”
“Você tem algum problema pessoal comigo? Então porque tira notas tão baixas só na minha matéria?”

Na Sétima Série indaguei a Professora se passaria de ano (meu boletim era repleto de “D” nessa matéria), ela disse que sentia muito e reprovaria. Entrei em desespero, pensei em me matar, chorei e voltei para casa pedindo ajuda a D-uz com toda minha fé. Ela não reprovou, não sei se mudou de opinião ou mentiu.

Era humilhante ano após ano ir até o Professor de Matemática explicar essa dificuldade tão “primária” e jurar que não, não era um problema pessoal. “Vai! Tem mais gente para ir à lousa! Corrige logo essa conta” e eu ia ás lágrimas, molhando a manga da blusa e passando na lousa para apagar falhas.

Não sabe resolver uma conta?

Virginal

Não gostava da comparação com a Sandy, porque sabia o que falavam dela.
Sonsa, não sexy, dependente e risível e é duro ouvir tudo isso, a Sandy ao menos tinha fãs e dinheiro. Imagino que houve empenho para ganhar o reconhecimento das “pessoas comuns” que pouco a conhecem e fazem uso de uma imagem que a mídia reforçou.

Ledo engano supor que “boas moças” não sejam depreciadas, poucos estão dispostos a ouvir o que têm a dizer, infantilizam seu discurso, rejeitam sua sexualidade e se exercerem qualquer aptidão, dificilmente serão “levadas a sério”.
Sentir-se abjeta, incapaz de despertar o desejo, insípida, desinteressante, é isso que nos levam a crer, sugestionam roupas novas, posturas extravagantes.

É claro que ocupar o lado oposto da dicotomia Santa x Puta trás repressões diferenciadas, mas perdi as contas do quanto ouvi de mulheres “bem resolvidas”: – Se eu fosse certinha como a Fulana seria simples, é fácil se enquadrar.

Embora falar em profusão nunca me foi dificultoso, pouco expunha conflitos. Ao passo que com sinceridade admiti motivações e temperamento, encontrei outro dilema: Se me sacudiam, beliscavam e agrediam em inércia até onde iriam por me conhecer “de verdade”?

Se não me abria com ninguém além de D-uz (minha consciência) e havia poucas pessoas confiáveis ao redor, seria necessário me reapresentar diante de conhecidos? Três amigas dos tempos de colégio receberam a notificação via e-mail: Havia escondido durante todo esse tempo o que realmente era, não por incapacidade delas em amparar, mas por não conseguir verbalizar e compreender tudo o que passei durante esse período soturno, vivido em silêncio enquanto próximas.

Não obstante, sentia falta de desabafar entre “iguais” e na internet me aproximei (timidamente) das mulheres que admirava; se outrora fui um livro trancado a sete chaves ao redigir gerei páginas translúcidas, sem perder a Capa Dura.

29 Comentários

  1. Raiza said,

    Que bonito!

    • Deborah Sá said,

      Obrigada ♥

  2. Carla said,

    Deborah,

    Entendo tão bem isso, querida. Essa sensação – de ser bobinha/sem-graça – me acompanhou durante a adolescência e um pouco depois. E o complicado de tudo isso era que eu pensava muitas coisas – meu pensamento fervilhava, era uma voz potente e viva -, mas eu não sabia como expressar. Como me fazer presente, bela, viva. Eu era um silêncio. Uma submissão quase completa.

    Obrigada por compartilhar. Eu me sinto aí, com vc.

    • Deborah Sá said,

      Carla, sua linda,

      Obrigada, é exatamente isso.
      Por isso me magoava muito ouvir que era “uma pamonha”, “frígida”, “frouxa”, sentia pulsar dentro de mim a energia, tudo, mas é dificílimo expressar, se expor, saber que vão usar suas “fraquezas” contra você.
      Acho que é por isso que lido bem com trolls, o que eles me dizem, ouço desde muito nova.

      Um beijo grande.

  3. Vanessa said,

    Adorei, Deborah!

    De fato, fala-se muito das ‘putas’, mas leio tão pouco sobre as amarras que prendem as ‘boas moças’… Estou me unindo ao grupo das identificadas, posso? rs

    Do pouco que experimentei, sinto que expressar é melhor do que calar, mas ainda estou no processo.

    Beijo grande! :)

    • Deborah Sá said,

      Olá Vanessa,

      Claro que pode ^_^
      Também aprendi a me soltar “aos poucos”

      Beijos
      =****

  4. said,

    Hahaha,,legal Débora ;)
    Já tinha reparado nisso tb….
    Não sei se se expressarei bem , mas, várias das discussões acompanham uma dinâmica bem parecida ao meu ver, isto é,q o caminho mais progressista ao meu ver é: Não é nem um, nem outro (sem uma dicotomizção), tampouco um tanto faz relativista….rsrsrrs Tô sendo confusa , mas por exemplo, neste caso,um caminho emancipatório-livre para a mulher não está (obviamente) na Santa (pamonha, conservadora, quietinha etc), mas tampouco, em ao querer fugir disso, uma análie prematura q iria p o oposto ,,da Puta (sem desmerecer as prostitutas como profissão), só p ser “livre”, não ser “igual a minha mãe q casou virgem” etc etc….Nem numa anáise de tanto faz…

    Sempre digo q o mundo é tãoooo mais complexo q isso né..:)
    Várias destas situaões já me ocorreram, só p ilustrar…
    Conheci meninas ao longo da vida que, ao quererem ser diferentes, se consideravam “mulheres q fazem e acontecem” do tipo q “não levam desaforo p casa”, do tipo “falo mesmo o q penso”…estas mesmas meninas, pelo menos uma q conheci, desprezava com todas as forças as “menininhas santas” (santas p ela, so porq a menina era quieta, na dela,,,,), ridicularizava em púbico estas meninas “bobas” p ela….
    Bom, eu q conheci de perto gente assim e via de outra maneira, Para mim, esta mulher era apenas uma grosseira, q com toda a pompa de “sou mulher forte” fazia de tudo p o namorado, cozinha-passa-lava e faz tudo, porq ele não sabia fazer…..No vamovê, não falava as coisas mais difíceis de serem ditas…pois é fácil ser “sincera” com os “fracos” p ela….e em situações q realmente precisa de força p lutar, não acredito q essas terias coragem p dizer o q pensam…..

    Não sei se o q vc estva dizendo era por aí,,,,mas me lembrei dessas meninas mesmo….
    Acho q temos uma cultura q é muito valorizado o “Vc tem q se vender o tempo todo, vender seu peixe e demonstrar o tempo todo quem vc é…” Se vc simlesmente é na sua,,,,quieta porq é quieta não vale. Uma análise tosca diria q vc é idiota…..só porq vc não esfrega o tempo todo na cara dos outros o q pensa….

    Eu por exemplo não sou quietooona, mas tb não sou do tipo “gente me olhem como sou mulher forte e liberada…”rsrrss.. mas o fato de ser bem baixinha, magrinha, menina, quando abro a boca e brigo em situações q acho necessário, as pessoas assustam…..
    Acho engraçado isso….como a imagem conta né….como isso é cruel e mal sabem q isso não diz nada….Quantas e quantas “mulheres liberadas” por fora não sofrem opressões e quantas quietinhas (não Santa…) vivem tão mais em liberdade com o mundo…rsrsrrs
    Me considero uma mulher forte (com todas as minhas neuras..),,mas por exemplo não me identifico com nenhuma mulher considerada “forte” da mídia etc….

    Bjao e ficou muuuito longo…..viajei geral…:)
    (só p ficar mais longo :) com isso não digo q a luta feminista ou o q pensamos devem silenciar,,pelo contrário, deve botar p quebrar, mas o caminho p isso não é simplemente em “parecer ser forte e transgressora”,,,é muuito mais complexo q isso, se a luta fosse fáci assim já teriamos conquistado o mundo..rsrsrs)

    • Deborah Sá said,

      Eu gosto de comentários longos *_*

      Cada uma deve seguir as vivências ao seu modo, se alguém é “quieta” e isso não a constrange ou afeta negativamente (no sentido de tentar se expressar e não conseguir), não há porque forçar uma extroversão.
      Sempre falei muito e fui expansiva, mas os acontecimentos me fizeram experimentar a introversão de uma maneira ruim, pois sentia uma pulsão enérgica e tinha vergonha de expressar, “não me encaixava”.
      São dessas idéias que repetem tanto que nos convencemos que somos inaptos, feios e desengonçados. Atualmente percebo o quanto essas coisas mexeram com a auto-estima e minaram uma série de possibilidades do meu passado.
      Isso faz com que entenda quem tem essas angústias, “vergonhas” e sentimentos conflitantes, se consigo lidar da melhor forma possível com os ataques que dirigem a mim, é porque notei certo padrão de “ataque” que pouco contra-argumenta e prefere apontar características físicas, minha (não) formação acadêmica ou o fato de ser “mulher”.

      Um abraço,

  5. Mari Biddle said,

    Nossa, nossa, nossa!

    Li de um folêgo só. Que texto sucinto, maravilhoso. Que história-passagem mais triste. Como é dificil adolescer!

    Beijocas

    • Deborah Sá said,

      Obrigada Mari,

      Um beijo,

  6. anonima said,

    Deborah, vc escreve mt bem! Tmb me identifiquei mt, tive experiências mt parecidas. E a Carla soube expressar mt bem como me sentia.

    • Deborah Sá said,

      Obrigada Anônima :)

      Um abraço

  7. Bom, sei que esse texto é sobre as “boas moças” e tal, mas sei bem do q vc fala porque vivo nessa onda inteligente pros adultos, sonso pros adolescentes. Sou péssimo em matemática também e os professores dessa matéria faziam o mesmo questionamento q te fizeram.

    Na escola, desde a 4a série sofri bullying praticamente todos os dias.

    Sabe como é, né? O menino delicadinho da escola e tal…

    O pior de tudo é saber que ainda hoje, com meus 20 anos, ainda sou o mesmo acanhado da escola… Desconfiado de todos e ao mesmo tempo, nem aí pra esse povo. Mas incomoda muito qdo alguém te olha e fica cochichando ou vem te perguntar da sua sexualidade só pra tirar uma onda.

    Por isso evito ao máximo me enturmar. Não qro mais ser julgado ou ser o mistério. Por isso ainda vivo no meu mundinho fechado só pra alguns, que podem ser contados nos dedos da mão direita.
    Por isso que achei na internet um jto de me exibir. Gosto de chamar atenção na net, porque na vida real é sem sal, sabe?

    Entendo perfeitamente pelo q vc passou e ficofeliz em saber q não sou o único, apesar da diferença de genero… (bah, pra mim é tudo gte).

    Valeu Deborah por compartilhar suas histórias e nos fazer pensar sobre nós e o resto do mundo.

    E que não confundem timidez com covardia…

    • Deborah Sá said,

      Adriano,

      É uma boa sensação saber que não estamos sós. Quanto ao gênero, sei que isso também pesa para os homens, porque vocês tem de ser “os ativos”, “os garanhões” e todas essas pressões desnecessárias…

      Um abraço,

  8. Deborah,

    quando falou da matemática me lembrei de quando eu estava na quinta série e minha mãe foi convocada a comparecer no colégio. A professora perguntara: “Sua filha é a única que não está conseguindo acompanhar a disciplina, noto que isso acontece somente em minha aula. Em outras disciplinas ela é excelênte, o que está acontecendo?”
    Que constrangimento!
    Quanto aos comentários e pressões de pessoas do meu convívio social, tive que aprender a “ligar o fôda-se” (desculpe o termo, mas nada traduz melhor o que quero dizer).
    Bom, amei seu blog. O acompanharei.

    Leia: A cada duas horas uma mulher é estuprada no Estado do Rio. http://aislaaraujo.com. Participe da enquete: Você participará da hora do planeta?

    • Deborah Sá said,

      Aisla,

      Interessante perceber que esses percalços não foram só meus. Eu também mandei muitos ás favas ;)

      Beijos e obrigada por comentar (ás vezes demoro pra responder comentários, pois vão parar na caixa de Spam, desculpe)

  9. Roy Frenkiel said,

    Tem uma coisa muito bacana nessa auto-analise baseada tambem na otica violenta dos outros. Pra quem acha que e facil, esta enganado. Eu nao consigo falar bem sobre esses meus traumas de infancia.

    Abrax

    RF

    • Deborah Sá said,

      Sei como é Roy, só fui me abrir para essas coisas depois de mais de 20 anos de vida…

      Um abraço,

  10. Liana said,

    Lindo texto Deborah! Fez muito bem em compartilha-lo… faz bem em compartilhar suas experiências. Outras pessoas que passam por este tipo de coisa podem ler e ver que há luz no fim do túnel, que elas são normais apesar dos outros as tratarem como “anormais”.

    Parabéns.

    • Deborah Sá said,

      Obrigada Liana,
      Esse retorno das pessoas me deixa muito feliz!

      Um forte abraço
      =***

  11. hal2112 said,

    Cresci admitindo que amo Ballet, música clássica e reconhecia o valor de uma boa poesia.
    Foi difícil, até que amadureci.
    Até hoje lidou com estereótipos, mas hoje acho graça.

    Gostei do seu texto.
    [comentário desconexo, haha]

  12. hal2112 said,

    Corrigindo: “Lido com…”

    • Deborah Sá said,

      Hal2112 (adorei o pseudônimo :D),

      É sempre bom saber que outr@s também superaram

      Um abraço,

  13. Leyla said,

    Oi Debora,
    Sempre leio seu blog e gosto muito. Nunca comentei antes, talvez por timidez, mas hoje decidi comentar e te fazer um pedido.
    Gostaria que você escrevesse sobre os neutrossexuais. Estou me descobrindo nesse novo mundo, e com muito medo ao mesmo tempo.
    Ontem conversei com meus pais sobre o fato de não gostar de sexo, de ter me descoberto como neutrossexual ou assexual. Meu pai levou numa boa, mas minha mãe ficou bem preocupada, disse que eu nunca irei encontrar um homem que também seja assim, disse que essa coisa de neutrossexuais só acontece na Europa, que nunca viu nada parecido por aqui (mesmo eu tendo mostrado vários artigos para ela). Deixou claro que preferia que eu fosse homossexual, ninfomaníaca, qualquer coisa, menos isso, pois acredita que irei sofrer muito preconceito.
    Você acha que uma pessoa que não gosta de sexo pode viver tranquilamente numa sociedade que supervaloriza o sexo, numa cultura que cultua o sexo até em comerciais de margarina?
    Tem um artigo muito bom se você quiser: http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/1,,EMI186425-17596,00.html

    Grande abraço da Leyla

    • Deborah Sá said,

      Leyla! Que bacana que comentou :)
      Gosto muito de receber esse retorno, prometo que escreverei sobre o tema, não sei quando (porque trabalho bastante e quase não “encontro tempo” para escrever e responder comentários).

      Outro forte abraço e comente sempre que sentir vontade

      =****

  14. Oi, Deborah.

    Cheguei até o seu blog através do blog da Lola, onde pesquisava sobre feminismo.

    Me identifiquei muito com esse texto. Também já fui a “autista”, a “burra pra matemática”, e a “virginal”.

    Também tirava a maior nota da turma em redação e, como a professora adorava ler minhas redações para turma, meus colegas a-do-ra-vam saber minhas péssimas notas em matemática. Também sofri bullying de professor. Sim, pq eu acho que professor também pratica Bullying, e que a história de como você chorava diante da lousa ilustra bem isso. Toda vez que eu ia para a faculdade com um esmalte vermelho meus colegas reagiam como quem está pensando “Olha que gracinha, a Letícia está tentando não ser a Letícia”.

    Também me identifiquei com a Carla quando ela falou sobre ter mil pensamentos fervilhando na cabeça, e não conseguir dividir, por não saber como, e também pq ninguém quer ouvir a “bobinha”.

    A pouco tempo, comecei a escrever em um blog na esperança de aplacar um pouco essa angustia. Adoraria se vc desse uma olhada. Eis o link:

    http://letrodrigues.blogspot.com/2010_08_01_archive.html

    • Deborah Sá said,

      Letícia

      Também passei por isso: “como a professora adorava ler minhas redações para turma, meus colegas a-do-ra-vam saber minhas péssimas notas em matemática.”.

      Lerei seu blog ;)

      Beijos,

  15. Sei muito bem como é se sentir isolada por ser a “certinha da sala”, vivi isso durante todo o meu ensino médio, e posso dizer com toda certeza que não superei, a raiva não é um sentimento bom, mas foi o que eu consegui nutrir contra todas aquelas pessoas que me ignoravam e/ou ridicularizavam, não sou hipócrita e vou dizer que fico feliz sim ao ver a maioria deles se dando mal, não todos como eu queria. Entendo perfeitamente o que disse no post, também guardava comigo todas as minhas tristesas e decepções nao tinha coragem de falar com ninguem, o meu maior confidente era meu travesseiro.

    • Deborah Sá said,

      Garota invisível,

      Espero que esse período de invisibilidade passe e em breve seja mais feliz.

      Um abraço sincero,


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