11 março, 2011

F.A.Q Feminista

Posted in Educação, Gênero, O pessoal é político às 2:44 pm por Deborah Sá

FAQ é um acrônimo da expressão inglesa Frequently Asked Questions, que significa Perguntas Frequentes

Você fala por quem? É uma porta-voz do feminismo?

Minhas opiniões são resultados das experiências que vivenciei, em dado momento optei por compartilhá-las através de um blog e fóruns da internet, quando essas declarações atingiram pessoas, elas reagiram: Algumas me contaram processos de superação similares aos que expus (abuso na infância e imagem deturpada por humilhações, por exemplo), outros “trollaram”.

Cada feminista possui convicções e exerce a individualidade de modo conveniente, há Feministas Onívoras, Fumantes, Espíritas, Atéias, Veganas, Católicas… Com essa pluralidade há de se esperar que ocorram divergências entre correntes de pensamento e suas associações com outras lutas, portanto, o que expresso aqui é uma interpretação pessoal.

“Os animais existem por suas próprias razões. Eles não foram feitos para humanos, assim como negros não foram feitos para brancos ou mulheres para os homens.” Alice Walker

Faz parte de algum coletivo? Acha que para ser feminista é preciso sair às ruas? Faz parte de algum partido?

Não possuo filiação em nenhum partido, já frequentei coletivos, mas hoje não sou associada a nenhum. As mulheres não são um número expressivo em manifestações sendo pouco estimuladas a participar da vida política (pública), a maior parte das tarefas “femininas” são reservadas ao “privado”. Logo, é indicado que mulheres ocupem os espaços (inclusive virtuais, as “web celebridades” são em sua maioria homens), mas isso é uma escolha que cabe a cada uma de nós (se expor ou não).

Acho que sou um pouco feminista, não sou radical. Gosto de homens.

Existem feministas hétero, qual seu conceito de “radical”?
Ser radical é ir na “raiz do problema”, no caso feminista é ir contra valores Patriarcais: A soberania do homem (e o que é associado) sob a mulher (e tudo o que ela representa). São os homens que criam as categorias “de foder” e “de casar”, gabam-se ao trepar com mais de seis mulheres em uma única noite, contando suas “performances” entre outros homens propiciando “a essas tais o que merecem”.

Os equívocos nesse método restringem tod@s em seus genitais, um homem que bate no peito para dizer “Gosto é de cu e buceta” expõe quão limitada é sua prática sexual. É lastimável reduzir uma mulher disposta sexualmente em: “buceta-pau”.

Não sou feminista nem machista, sou humanista.

Feminismo é defender a independência das mulheres sobre seus corpos, a igualdade entre os gêneros também questiona as restrições emocionais que homens são submetidos: Não chorar nem demonstrar afeto entre tantas outras. No Feminismo “quem perde” são os homens que desejam controlar a vida das mulheres: Como se vestem e comportam, com quem devem fazer sexo…

Feminismo não tem muitos adeptos porque vocês não têm paciência de explicar! Grossas!

Nem todos que questionam o feminismo o fazem genuinamente, muitos iniciam interrogatórios simplesmente pelo prazer de irritar. Inúmeras vezes fornecemos dados, debatemos e nos dispomos a esclarecer as dúvidas para ouvir em resposta ofensas estéticas. Imagine advogar uma causa seriamente para aqueles que não estão dispostos a nada além de ridicularizar. Quer entender melhor o feminismo? Converse com uma feminista, se informe, use o Google, não culpe as feministas (que não são obrigadas a ter paciência infinita) pela sua preguiça.

Homens e mulheres são biologicamente diferentes!

Determinismo Biológico pode ser ultrapassado, embora faça sentido em algumas abordagens na mídia. É hora de superar isso, não?

Mulher gosta de cafajeste! Bonzinho só se fode!

Se um relacionamento não satisfaz é melhor encerrá-lo, mas já que os termos de análise são esses, há mais razões para mulheres abandonarem seus relacionamentos com o sexo masculino: São estatisticamente eles que roubam, matam, estupram, torturam, traem, seqüestram…

Mulheres educam crianças, a culpa do machismo é delas que ensinam isso.

A educação de uma criança e seu plano Pedagógico é configurada por todas as esferas sociais que interagir: Escola, entretenimento, amizades, brincadeiras, incluindo o relacionamento com seus tutores. Similarmente não dá pra culpar os gays pela homofobia, nem as negras pelo racismo. Há várias ramificações dos problemas da sociedade, não dá pra culpar um único foco, muito menos o alvo.

Feministas se vitimizam, tem até lei Maria da Penha!

Mulheres são vistas como passíveis de estupro, sair de casa tarde da noite é correr um risco além de ser assaltada, há quem culpe a roupa, a profissão, até os gestos para justificar um “corretivo peniano”, como se ao violar um corpo fosse suficiente para discipliná-lo socialmente. Estupro não é “punição”, é um crime de ódio. Qualquer mulher que já transitou sozinha em uma via pública temeu ataques dessa espécie, não é uma suposição paranóica. A violência contra a mulher está mais perto do que imaginamos, o difícil é quebrar o silêncio sabendo que nem todos acreditarão no que diremos.

Homens têm instintos, vocês não estupram porque não tem força.

Assumir que homens tenham impulsos incontroláveis de violência e atribuir caráter “estuprável” ás mulheres é conclusão abjeta. Mulheres não recebem qualquer estímulo ao desenvolvimento de massa e força física, no entanto, qualquer mulher sem treinamento encontra seres mais fracos os quais poderia golpear, todavia, são os homens que agridem em maior número crianças e animais.

Por que vocês escrevem com arrobas? Ou a letra X?

Em uma sala repleta de mulheres com um só aluno presente, faz-se necessário chamá-los de “alunos”, do contrário a masculinidade será ofendida. Nas escolas ouvimos “A História do Homem” por supormos que mulheres são contempladas. Em termos gerais as referências são masculinas e brancas, as arrobas e a letra x também são usadas em outros movimentos de inclusão como o Anarquismo.

Homens podem ser feministas?

Sim! E o mundo é “misto” .

Há muitos ambientes onde mulheres, negr@s, trans e cadeirantes podem debater, por isso defendo ações afirmativas (espaços exclusivos). Criar um espaço de fortalecimento da identidade não é sinônimo de segregação, as minorias necessitam de representatividade para que sejam atendidas, um morador de bairro nobre por mais bem intencionado, não conhece as especificidades de um bairro periférico.

A mulher moderna tem muitas tarefas, era bom o tempo que éramos Amélias, os casamentos duravam mais, havia menor número de divórcios

O feminismo defende a liberdade, se uma esposa está insatisfeita com uma relação encerrá-la será benéfico, qual o propósito de ser maltratada e permanecer em humilhação? Dependência econômica? Emocional? É nocivo para a auto-estima permanecer em um casamento infeliz, é fato que os casamentos duravam mais, as mulheres subjugavam-se em silêncio.

Integrar o mercado de trabalho foi uma das conseqüências da redução do salário dos homens, mas isso ocorreu sem a mudança da atribuição de tarefas domésticas: Mulheres de baixa renda além de limparem a própria casa, foram contratadas para limpar e cuidar das crianças de “patroas”. Atualmente famílias de classe-média encontram dificuldades em contratar Diaristas, enquanto não localizam quem ocupe o cargo essas tarefas são realizadas pelas moradoras: Mães e filhas cozinham, lavam, passam e tiram a mesa, deixando no máximo que os homens vez ou outra lavem a louça. Havendo distribuição, não há sobrecarga.

Donas-de-casa merecem respeito, se essa é sua escolha, siga-a e certifique-se que sua/seu companheira (o) não usará isso contra alegando que “te sustenta” ou que há obrigações “conjugais” em decorrência disso.

Aborto

Escrevi sobre aqui.

Feministas podem usar sutiã, salto-alto, maquiagem? Fazer Streap-Tease?

Sim, existem feministas que se sentem bem usando salto-alto, maquiagem e fazendo streap-tease. A crítica que feministas (inclusive eu) fazem sobre essas práticas referem-se a obrigatoriedade contida em padrões estéticos restringindo as formas de sentir-se bela. Outro dado importante a ser considerado, é que somos influenciadas pelo meio que fazemos parte, nossos desejos e concepções não vieram “do vácuo”, especular suas origens é um exercício de auto-análise que não restringe práticas.

Em tempo: A “queima de sutiãs” foi uma invenção midiática.

Se vocês odeiam tanto os homens, por que querem se parecer com eles?

Essa acusação é característica de quem faz uma idéia absolutamente caricata de um movimento que sequer pesquisou sobre, feministas são plurais. Ninguém “quer parecer homem”, há diferença entre gênero, orientação e prática sexual, não compreender essas categorias pode levar ao equivoco.

O que vocês têm contra pornografia? São frígidas?

O segmento feminista que é anti-pornografia argumenta contra uma indústria que sexualiza opressões (de classe, gênero e raça) e objetifica os sujeitos.

Alguns textos sobre

Está ouvindo os gemidos? São da engrenagem.

Pornô

Sexo Abstrato

Considerações sobre o estupro

Pornografia Gay Masculina – Uma matéria de Sexismo

Sim, pornografia é racista

Tenho que ser lésbica?

Ninguém escolhe por quem sente tesão. Em tempo, nossa matriz é baseada em relacionamentos heterossexuais com divisão nos papéis de gênero, sendo assim, é possível encontrar lésbicas que exigem comportamentos “femininos” de suas parceiras. O relacionamento lesbiano geralmente é mais igualitário não só por tratar de uma união entre gênero, identidade e prática sexual, mas porque essa transgressão quebra uma série de protocolos das dicotomias de poder, entre elas o intercurso e suas simbologias.

Incomodo-me com os comentários machistas que ouço, mas não sei revidar, nem quero que me achem chata, sou covarde?

Não, não é covardia, é por motivação similar que tantas Trans, Lésbicas e Gays permanecem “no armário”, ninguém quer ser hostilizado, perder amigos, afastar quem se ama. O que ganhamos omitindo o que acreditamos? É preferível ser amada pelo o que simulamos?  Esclarecer seus posicionamentos entre as pessoas em que confia é uma prova de que pretende tê-las ao seu lado com honestidade e tolerância.

Um judeu não precisa explicar porque piadas com Holocausto o ofendem, mas as Feministas precisam justificar o porquê das piadas sobre o Goleiro Bruno serem uma afronta. Você é uma mulher e tem o direito de se ofender com o Sexismo.

Interesso-me pelo “Feminismo Teórico”, quais leituras recomenda?

Antes de recomendar leituras, considero importante esclarecer que ser feminista não implica leituras obrigatórias, não é um teste dissertativo nem de assinalar quais respostas são certas ou erradas, tampouco qualquer feminista tem o poder de vetar “sua entrada no Mundo Feminista (?!)”

– Memórias da Transgressão – Gloria Steinem
– O Mito da Beleza – Naomi Wolf
– As boas mulheres da China – Xinran
– O Segundo Sexo I e II – Simone de Beauvoir
– A política sexual da carne – Carol J. Adams (confira uma entrevista com a autora e o lançamento do livro no Brasil, nesse link)
–  A Cor Púrpura – Alice Walker
– As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley
– A voz do dono – Tama Starr
– As heroínas saem do armário – Lúcia Facco
– Como ser mulher – Caitlin Moran
Cem homens em um ano – Nádia Lapa

Na barra lateral a direita há a Categoria “Feminismo não é palavrão”, são links de blogs Feministas.

Se não fosse pelos homens ainda viveríamos em cavernas, nomes de rua são masculinos.

A História é construída pelas ações dos que nela habitam (tod@s), estudos de Gênero e seu debate são incluídos na pauta de muitas Universidades. Se as “Ciências” tem seus “Pais” (Freud, Galileu, Descartes) é devido ao acesso restrito a informação aos considerados de “segunda classe”,  já reparou que quase todo “Grande Pensador” é/foi branco?

O problema é o Femismo! Femininazis!

Femismo não existe, é um termo usado para reforçar os estereótipos ameaçadores que alardeiam sobre o feminismo. Não há estrutura histórica que permita uma opressão as avessas: Seriam homens queimados por serem bruxos, garotinhos sentando de perna fechada e garotas mijando na rua, casamentos forçados, estupros em massa, estigmatização médica (histeria e loucuras associadas ao gênero), Políticas, aparato bélico e Estatal , grandes ídolos, escritoras, ou seja, a base da nossa cultura seria de “Mulheres Viris” e “Homens Frágeis”

Post útil- Feminazi: ignorância a serviço do conservadorismo

Eu sou homem! E presto!

É fundamental reconhecer privilégios, não é motivo de soberba.
Colocar-se no lugar do outro (empatia) é o mínimo que se espera, sou branca e não sou “especial” por respeitar negr@s, tenho acesso a alimentação diversificada em uma cidade grande e posso ser Vegan. Bacana, estamos construindo um mundo melhor, quer uma medalha? Um troféu? Não espere mulheres aos seus pés por respeitá-las, buscamos igualdade, não subserviência.

Quem é aquela mulher mostrando os braços com lenço vermelho na cabeça?

Rosie, the Riveter entenda quem, clicando aqui

PS: Esse post foi atualizado em 2013 com alguns acréscimos de links.

28 Comentários

  1. Roy Frenkiel said,

    Gosto muito de seus pensamentos, sempre gostei desde que a conheci. Quando falamos pessoalmente voce foi sempre gentil e educada comigo, jamais grosseira e jamais quis impor suas ideias. Nao concordo com tudo que voce diz, mas e como voce pensa, e tem o direito de pensar. Alem do que, nao ha falta de logica nas suas conclusoes, so enxergamos algumas coisas de modo diferente. Eu, por exemplo, acho sim que quem se agrega a um grupo que luta por igualdade de genero merece credito e muito, porque apesar de que possamos dizer “fez so a obrigacao”, sei bem que a grande esmagadora maioria nao faz. Mas tem muita GENTE (nao sexo, GENTE) que confunde dar credito com subserviencia. Tambem acredito que parte do raciocinio feminista que voce emprega pode continuar seculos depois (se e que isso acontecer algum dia) da desigualdade de generos, criando assim um matriarquismo ativo. Mas isso sim, esta anos luz de acontecer.

    bjx

    RF

    • Deborah Sá said,

      Oi Roy,

      Um aliado na luta feminista é sempre bem vindo e não creio que mereça adulação.
      Por exemplo, sou vegan e isso pode trazer certo prestígio moral dependendo da ótica, mas a meu ver não sou especial por isso, até porque, o foco são animais que nunca agradecerão. É justo me abster dessa exploração, não dói, não é um grande sacrifício.

      Fico feliz por existirem branc@s não racistas, homens não machistas e humanos anti-especistas, são conseqüências de um olhar amplo de igualdade (sobre as coisas que não nos atingem diretamente) e seria ótimo se mais pessoas aderissem a isso.

      Mas o que vejo no caso dos homens é uma cobrança por “reconhecimento”, as mulheres têm coisas mais importantes para lutar do que ficar passando a mão na cabeça de macho.

      Abraço,

      • Roy Frenkiel said,

        Entendo seu ponto perfeitamente, e por essa otica ate concordo.

        Abracao

        RF

  2. Julia said,

    Adorei, Deborah. Gostei principalmente que tu foi bem plural ao falar “segmento feminista que não apóia a pornogafia”, das lesbianas etc. Muito completinho.

    :***

    • Deborah Sá said,

      Obrigada

      ;)

  3. Ana Hórus said,

    Ah deborah! vou parar de ler seus posts! porque quanto mais eu leio mais apaixonada eu fico!

    “Não sou feminista nem machista, sou humanista.”
    Eu falo a mesma coisa rsrs

    Divulga mais esse post que ele está muito bom!

    Beijos!

    • Deborah Sá said,

      Ana,

      Que linda <3
      Muito obrigada ;)

      O que muita gente não entende é que o Feminismo não é o machismo “ao contrário”, afirmar-se feminista é defender a liberdade e a autonomia.
      Não são as feministas que falam “Homem pode isso, homem não pode aquilo”, o discurso feminista também é libertador aos homens: Por que não podem chorar, demonstrar afeto em público?

      O Feminismo tem esse nome por se tratar de um movimento que reivindicava igualdade cívica ás mulheres, quem lutou para libertar o povo negro? Certamente não foram os brancos. A resistência não deve ser esquecida, abdicar do termo “Feminista” e substituí-lo por “Humanista” é apagar (porque a linguagem é a mentalidade de uma época) uma série de reivindicações que nos afetam com maior intensidade, mas que ao lutarmos por elas, libertamos outr@s também.

      Fora que “Humanista” é um termo que exclui não-humanos (especismo) ;)

      Beijos,

  4. Malu said,

    Excelente post Deborah, espero que as pessoas vejam suas dúvidas em relação ao feminismo esclarecidas e passe a visitar os blogs tbém. O que me incomoda é justamente essa falta de informação sobre o que é o feminismo. Não lêem sobre e ainda cobram um comportamento específico.
    Ósculos ;D

    • Deborah Sá said,

      Malu,

      Minha idéia ao escrever o F.A.Q é ajudar quem busca por informação ;)

      Beijos,

  5. Dånut said,

    Vou pegar esse texto e indicar para todas as pessoas que ouço falando besteiras. Muito bom. Bem objetivo e claro.

    Agora, uma única coisa que me chamou a atenção. Tu considera que não existem diferenças biológicas entre o homem e a mulher?
    Não to falando da besteira do “homem não foi feito para a monogamia” e idiotices afins. Nem ignorando a questão social. Nem falando que “homem é” e “mulher é”, seria mais uma idéia de curvas comportamentais sobrepostas, em que exista uma certa tendência de que mais mulheres sejam assim, e mais homens de outro jeito.
    Pra pegar um exemplo, a questão de haver mais mulheres em determinados ramos de trabalho/estudo, e mais homens em outros. Isso, na tua opinião, é puramente social?

    • Ághata said,

      Eu sei que vc tá perguntando pra Deborah, mas eu realmente não consigo conter o impulso de dizer que o fato de terem mais mulheres numa área que homens é fato puramente social…

      Dependendo da área, você é estigmatizado por causa do seu sexo (mulheres nas forças armadas ou em áreas de exatas e homens que querem trabalhar com ensino primário ou em creches). Fora a questão do estímulo. Meninas são desencorajadas a trabalhar ou estudar determinadas áreas. E tem que ser muito apaixonada para insistir num trabalho ou pesquisa em que todo mundo te despreza, te critica ou te subestima…

      • Deborah Sá said,

        Dånut,

        Concordo com a Ághata, não há conhecimento impossível de ser exercido por qualquer gênero (falando das faculdades mentais), há pouquíssimo incentivo para mulheres serem fortes ou para homens aprenderem crochê.
        É difícil estipular comparativamente o desempenho, pois isso implicaria oportunidades iguais de acesso aos saberes, se o balé fosse estimulado nos garotos Brasileiros, será que não seríamos reconhecidos internacionalmente pela dança?
        E mesmo se saísse uma pesquisa de grande magnitude com o aval de várias universidades alegando essa diferença, isso não é “engessar” talentos inexplorados?

        Conhece a história da Marília Coutinho? É muito interessante:

        Ela tem a força – Matéria da Revista Trip

        Beijos,

  6. Gordinha bonitinha de rosto +- said,

    Querida Debi

    O corpo perfeito, ou melhor,a exigencia de um corpo perfeito para as mulheres. é algo de uma desigualdade muito grande.

    Eu explico:

    Estive apaixonada e não fui correspondida até pouco tempo atrás por um homem baixinho, barrigudo, careca, não é feio, mas também não era lindo de morrer, etc.

    Graças a Deus eu consegui esquecê-lo e estou paquerando, muito soft, é claro, um colega de trabalho que conheço por telefone, que é um cara legal, mas é apenas um amigo meu.Talvez não esteja interessado em mim,senão teria pedido meu telefone. Disse apenas, outro dia,que quando visse a cidade onde moro,queria me ver. Isso pode significar tudo ou nada. Mas,podem ser apenas palavras…ou não.Sou gata escaldada.

    Eu soube , através do correio eletronico da empresa que eu trabalho, que ele virá a Cidade onde moro para um curso.

    Eu pedi a meu chefe para participar deste curso,mas desisti, pois tenho medo que quando ele me vir pessoalmente, (1,60 – 69KG), eu não tenha a menor chance com ele, ele é 7 anos mais velho,mas mesmo assim, sou considerada coroa por ter 43 anos. Ele tem 50,mas é homem. Ele pode ser feio ou bonito,ou barrigudo,mas eu teria que ser perfeita para ter alguma chance com ele.

    Sabe, querida, tenho vontade de virar bi, as vezes, porque mulher quando gama,não vê cara nem corpo! Muito facil e ser amada por uma mulher!!

    Bjs no coraçção

    • Deborah Sá said,

      Gordinha,

      Também já senti na pele discriminações por ser gorda e sei que com o passar dos anos (tenho 24), se acentuará. A beleza tem “a cara” da juventude, suspeito que isso não se deve apenas a estética, mas ao “encargo” que uma mulher com experiência representa.

      Mulheres empoderadas assustam e quanto mais se afastam dos ideais de beleza, mais “assustadoras” se tornam: “Ela não tem espelho?”, “Um ultraje, uma afronta”
      Querem-nos caladas, com vergonha da própria imagem, suplicando atenção e reconhecimento, são os homens de cuecas compradas pela mãe (ultrapassadas e feias) que exigem lingeries incrementadas das parceiras.

      Espero que encontre quem a trate bem e quando isso ocorrer, saiba que aceitar o que você é e te amar não é caridade, é amor e cumplicidade. Relacionar-se com “um cara legal” não dá créditos para ele te magoar ou ferir.
      É desigual esperar que nós mulheres toleremos qualquer comportamento de terceiros (em especial homens), quando essa compreensão mínima não nos é ofertada.

      No seu caso, mesmo que o “pretendente” tivesse 20 anos a menos (sendo recíproco o envolvimento), o “problema” é de vocês ;)

      “Ser escaldada” é uma reação natural após rejeições, não há fórmula para descobrir quem nos engana, trai a confiança ou calunia e se porventura isso ocorrer, não devemos nos flagelar (Fui ingênua, não percebi…), o ideal é abandonar os impulsos de culpa e seguir em frente.

      Textos que talvez te inspirem:

      Ame seu corpo

      Transferência Patriarcal

      Masturbação, Sexo Oral e Clitóris

      Direito ao gozo feminino

      Gorda E linda

      Beijos e até a próxima o/

  7. […] raciocínio de quem não tem a menor idéia do que é feminismo, e gosta de defender seus privilégios até o fim. Típico comportamento imbecil, de homem que se […]

  8. Liana said,

    Deborah, quem dera outros blogs feministas fossem tão bem escritos, tão bem argumentados, tão educados… Você presta um verdadeiro favor a todas às mulheres ao escrever dessa forma objetiva, argumentativa, sem cair em paixões cegas e maniqueísmo. Parabéns!

    • Deborah Sá said,

      Muito obrigada Liana :}

      *Abraça*

  9. […] muitas referências, muitas mesmo, mas o movimento é plural. Recomendo imploro que você leia o F.A.Q Feminista para entender melhor alguns desses […]

  10. […] (se é o seu caso – assim como é o da autora do vídeo – recomendo fortemente que leia isso, talvez algum livro feminista, ou pelo menos CONHEÇA alguma militante do movimento antes de basear […]

  11. […] é segredo, tá? Existe feminista que usa maquiagem. Uau, né? E ainda vou te contar outra coisa: Feminista gosta de várias coisas. Tem feminista que faz ótimos cupcakes, tem feminista que adora jardinagem, tem feminista que tem […]

  12. hamanndah said,

    Querida Xarázinha

    Você poderia escrever um post sobre a mentira que alguns homens acreditam que mulher não gosta de sexo.

    Eu sou mulher e falo por mim

    Gosto de sexo, mas gosto de sexo quando eu tambem recebo prazer e só sinto prazer com a estimulação do clieóris.

    Nada é mais terrível para uma muljer delça ir para a cama com um homem, ele sentir prazer e não acariciá-la, não masturbá-la, ignorar o clitóris dela.

    Fica dificil uma pessoa, homem ou mulher, sentir prazer numa relação sesxual se suas necessidades sexuais tambem não serem levadas em conta

    O homem tambem tem muito direito ao prazer, mulheres podem ajudar nisso, mas o sexo é bom e a mulher gosta quando o prazer é mutuo

    A prova que gostamos de sexo é que as sex-shop são muito visitadas por mulheres. Então, elas sentem falta é de prazer no sexo e não do sexo em si

    bjs

  13. hamanndah said,

    A digitação acima tive problemas com o computado aqui, não que não escreva direito…rs,rs,rs…

  14. yume said,

    “Fazer Streap-Tease? ”

    A crítica se refere á exploração sexual da mulher.Já foi muita coisa escrita sobre o tema,o problema é que o feminismo brasileiro sempre tenta dar desculpas e explicações(regadas com machismo,aquela velha teroria de “no passado vcs não podiam fazer nada,hoje vcs podem tudo”) para tal.Não tem como superarmos os esteriótipos de objeto sexual se fazemos tal práticas.

    Tem também como a vida das mulheres é afetada pela normatização destas práticas vindas da pronografia que nunca/raramente são conradas dos homens,ou seja,o homem sempre teve liberdade sxeual mas sempre teve a posição do sujeito(o que exige) e a mulher de objeto.Em suma: liberdade sexual da mulher sendo comercializada pelo homem sob o pretexto de estarem fazendo algo subversivo e moderno.

    Só uma observação…de resto,muito bom o FAQ.

    • Deborah Sá said,

      Yume,

      Sobre “Não tem como superarmos os esteriótipos de objeto sexual se fazemos tal práticas”, acredito que não importa a escolha das atitudes tomadas pela mulher, a enquadrarão em um estereótipo tirando dela a interpretação da própria identidade, uma saia longa nem sempre quer dizer recato, uma axila peluda nem sempre quer dizer afronta, são terceiros que nos definem assim ou assado. Acredito que o melhor é refletir e ter consciência do que cada uma dessas pressões significa. Quantos “signos” abraçaremos e quais queremos abrir mão, imprimindo a cada um deles nosso olhar, nossa assinatura.

      E concordo com a crítica de “liberdade sexual da mulher sendo comercializada pelo homem sob o pretexto de estarem fazendo algo subversivo e moderno.” O termo “homem” também poderia ser trocado por “capitalismo”, não? Enquanto um método que se baseia nas desigualdades para se sustentar, é o que dá com uma mão (você pode trepar com quantos desejar) e tira com outra (mas será estigmatizada e se te desrespeitarem será uma conseqüência de sua falta de honra).

  15. […] F.A.Q. Feminista […]

  16. Fabi said,

    Muito bom! Há tempos não lia algo tão didático.
    Vinte e alguns anos? Sua linda!
    Percebo nessa geração de jovens feministas algo muito interessante: ponderação e uma paciência (quase) infinita para explicar e debater.
    Considero que a política da tolerância zero de antes tinha sua razão de ser naquele contexto histórico, mas, sem dúvida, o caminho atual permite que mais mulheres (e homens) entendam o lugar e a importância da discussão sem receio dos antigos estereótipos. Isso é muito bom.
    Por último: sim, as mulheres continuam educando os meninos e as meninas no e para o machismo. E, sim, grande parte delas continua machista. Só que não e nem tanto. Afinal, esses meninos fofos que vemos por aí e também Elas não são fruto apenas de experiências ruins, encontros com meninas engajadas e leituras expertas, né?! No mínimo, trazem um alicerce que os permite questionar, suportar, viver e lutar por um tempo de mais igualdade, respeito e diversidade.
    Abs.


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: