28 janeiro, 2011

Defletindo ataques gordofóbicos

Posted in Corpo tagged , , , , às 10:56 am por Deborah Sá

Tidas como comodistas preguiçosas que preferem um brigadeiro ou uma pizza repleta de queijo ao invés de se movimentar, gordas são censuradas: Andar, dançar – diziam para eu não dançar aos 12 -, cantar, cair… Qualquer ação vira vídeo no YouTube para que magros (e nem tão magros assim) humilhem alguém com o peso acima do seu.

“Gorda baleia. Saco de areia”

Quando era bem pequena e mal sabia pronunciar as palavras corretamente, ri no ônibus de uma mulher de traços orientais:
– Que “gaçado”! Por que a cara dela é assim?
– Ela é do Japão, Deborah, as pessoas lá são assim.
– Japão? O que é isso?
– É um lugar muito, muito longe.
– Igual Santo Amaro?

Nessa fase não conhecia a pluralidade étnica (além de meus amigos negros, lindos). Excluir, destratar e humilhar gordos é de uma ignorância e prepotência vergonhosa. Um dos garotos que mais me humilhava publicamente foi o primeiro a tentar me agarrar quando estávamos sozinhos. É chegado o momento de companheiros e amantes de gordas admitirem suas preferências, saírem do armário e incluí-las em sua vida pública, reduzir a participação na esfera privada caluniando-as frente aos amigos é a prova do quanto o ego é pequeno, definitivamente elas merecem alguém com mais hombridade e menos cabaço.

“Não acha que está comendo muito carboidrato?”

Pretexto de quem não admite incomodar-se com o aspecto físico alheio, sou gorda, Vegan, danço, trepo, gozo, corro atrás de ônibus e nada do que desejo fazer é impedido pelo meu condicionamento ou forma física. Entretanto, convivo com pessoas que bebem, fumam, comem carne, ingerem muito açúcar e gordura saturada sem a vigilância do que colocam em seus pratos, ao contrário, essas condutas fazem parte de uma etiqueta social. Mulheres são penalizadas ao obterem prazer gastronômico e sexual, prerrogativas masculinas.

“Não temos nada aqui pra você”

Descrições verídicas

– Quero aquele biquíni da vitrine (de arco-íris)
– Só temos M
– Nada de G ou GG?
– Não, não tem nada aqui para você

– Moça, esse vestido é muito bonito, mas aperta os meus peitos… Teria maior?
– [Mede com o olhar e faz careta] Não, esse é o maior tamanho da loja

– Tem tamanhos especiais?
– Sim, temos muitos, do 44 ao 46 (isso é um número de diferença para quem não sabe)

– Mas o nosso 44 é gigante, estica
– Moça, eu quero um vestido 46
– Okey, nem parece que você tem tanto quadril
[Após me vestir e abrir o provador]
– Minha nossa senhora, que grande o seu quadril, tinha razão, mas minha nossa, nem parecia que… E não é que é grande mesmo? Não parece, não parece

– Tem manequim 46/48?
– Não, só tamanhos normais.

– E aí gostou?
– Essa 46 e 48 tem o mesmo tamanho e não fecham
– [Faz careta de “Ai coitada, humpft”]

– Esses sabonetes têm algo de origem animal?
– Não, mas já que gostou dos sabonetes, tenho um creme maravilhoso pra tirar essas estrias horrorosas da sua barriga!
– [Levanto a blusa e faço carinho] Minhas estrias? Eu amo as minhas estrias! Não quero tirar por nada.

Outras respostas que podem servir de inspiração:

– Já que não gostam de dinheiro de gorda, o problema é de vocês (uma das que mais uso, em alta voz)

Para a clássica “Tem um rosto tão bonito”:
– É que nunca me viu pelada ;)

– Por que está fazendo/usando isso?
– Porque eu sou uma delícia.
– Sério, por quê?
Porque sou um ahaso!

– Não agüenta meia hora de surra de bunda comigo

– Você! Usa Biquíni?
– Não, burca (resposta cedida pela minha irmã a um colega de trabalho que me importunava).

Na contramão – Gordas sem barrigas – Uber-Fêmeas

Assistentes de palco, musas do carnaval e demais responsáveis por entreter na televisão atendem uma (não tão recente) tendência: Desproporção na distribuição de massa e gordura. O tamanho da bunda, seios e especialmente coxas seriam encontrados em mulheres gordas com o diferencial da barriga “chapada”, isso é alcançado com bisturi, malhação, anabolizantes e bronzeamento artificial. Não as julgo superficiais, essa manutenção implica abdicações, investimento, esforço e disciplina.  É a forma de ascensão que oferecem as mulheres para em seguida tratá-las como não merecedoras de respeito “interesseiras” e “fúteis”.

O Mito da Beleza é benéfico ao Capital e Patriarcado, em busca de uma aprovação que nunca ocorrerá nos lançamos em um espiral de culpa que nos vigia através de familiares, enquanto nossa identidade é formada sob o olhar do “outro”, um comercial anuncia o novo sabor de sorvete seguido por dicas de Dieta em SMS.

60 Comentários

  1. Kami @lucubratione said,

    As frases das vendedoras eu já ouvi todas tirando a do creme, mas eu sou toda do mato e morro de medo de dar respostas nas pessoas.
    Estava pensando…Em uma sociedade que 50% da população se intitula acima do peso, gostar de “gorda/gordinha/fofinha/obesa” é FETICHE BIZARRO, as pessoas podem assumir gostar de meninas esqueléticas,meninas fruta, MENOS meninas gorda, é tipo “você ta zuando? você gosta de gorda,peitinho caído.”? e essa coisa aí do cara que te zuava te cantar é o que mais rola…
    Ah, e tem mais, sabe aquele ensaios plus size? em li em uma postagem de um blog um comentário muito verdadeiro “impressionante, vocês homens só assumem seu desejo por mulheres fora do “PADRÃO” quando estão no anonimato, na vida real fazem tudo as escuras”.
    AFF, falei demais, mas é que eu tenho pensado nisso tem vários dias.
    Obrigada pelos posts, seu blog sempre aumenta minha auto-estima de uma maneira ou de outra.
    Beijo meu bem =*

    • Deborah Sá said,

      Muitos dos admiradores escondem-se no anonimato, pois temem pela “reputação”, acredito que muitos homens admiram e se excitam com gordas e o fazem em segredo, afinal valorizam-se peitos, bundas, coxas e bundas grandes. Mas se não há coragem para assumir o próprio desejo que se acabem na punheta (entendam, não tenho nada contra masturbação, patético é ridicularizar a pessoa e morrer no FAP FAP por ela).

      Pode comentar sempre que desejar ;)

      Beijos e um abraço apertado!

      OBS: Desculpem a demora para responder (devo isso ao meu trabalho), mas saibam que é sempre prazeroso ver as respostas e como se expressam aqui =)

  2. Lola said,

    Muito legal, Deborah. Vou divulgar. Os diálogos das compras são incríveis! Sempre odiei comprar roupa, inclusive quando eu era magra. Agora tô precisando urgentemente comprar alguma coisa, e sei que será tenso…

    • Deborah Sá said,

      Gosto muito de comprar roupa e de moda (na verdade acho que todo mundo gosta de moda, roupas que representem seu estilo e bonitas). Recomendo que vá direto a uma loja de “tamanhos especiais”, você fala o seu tamanho e as vendedoras buscam as peças ideais e no seu estilo. ;)

      Lojas “convencionais” só com muita paciência x____X

      Depois nos conte como foi!
      PS: Obrigada por divulgar :D

  3. Aline said,

    Eu choro todas as vezes que vou comprar roupa, me sinto muito mal. Entro em dezenas de lojas, nada serve, nada fica bom, as vendedoras parecem não ligar…Passei a comprar tecido e mandar fazer sob medida, pelo menos assim não me sinto humilhada…

    Aline

    • Deborah Sá said,

      Aline,

      O problema não é seu, é de um mercado que ganha com a insatisfação dos corpos, isso é tão forte que nem o capital (que poderia ganhar mais dinheiro vendendo modelagens que se aproximam do biotipo diverso das Brasileiras) interfere, quer dizer, preferem ganhar com indústria cosmética, revistas femininas, academias, cirurgias…

      Lojas que me trataram bem:

      Very Rose
      Due Punti
      Kauê

  4. Edilene Mora said,

    De novo, amei seu post. Também sou gorda, também passei por tudo isso (inclusive o menino que me zuava e quis me agarrar…) e demorei pra me aceitar. Hoje, 40 anos, casada com um “garoto” de 21 (!!!juro!!!), que é magro e malhadinho, tipo tanquinho, e que assume que gosta das minhas gordurinhas. Mas para o resto do mundo, eu sou aquela que não cabe nas roupas, que não tem biquini que sirva, que fica com a barriga toda marcada depois de passar umas horas de jeans. E não importa o quanto eu deixe de comer, o quanto me esforce, não vou mudar, já sei. Agora aprendi a me amar, e se alguém faz um comentário do tipo desses que vc descreveu, a resposta está prontinha, principalmente se o maridão está perto: “Olha, bb, esta loja não tem nada que sirva pra mulheres, só pra garotinhas anoréxicas. Vamos procurar um lugar onde tenha roupas pra gente de verdade?”.
    Bjus,
    Edilene

    • Deborah Sá said,

      Edilene,

      Sei como é, tenho um companheiro que me ama, amig@s maravilhos@s, uso biquíni, me divirto, danço, não me sinto limitada fisicamente, em verdade tenho bastante energia.

      São as pessoas que me julgam “acima do peso adequado”, mesmo com meus exames em dia e perfeito estado, quem deve se sentir confortável na própria pele sou eu, ninguém é obrigado a me achar linda, interessante e atraente, peço apenas que respeitem meu espaço (eu não ando por aí apontando o dedo para quem acho estúpido).

      Beijos e arrasa no carão
      Muah!

  5. Rebecca said,

    Como a Kami já disse, se for fetiche gostar de gente gorda, pronto! Tá todo mundo no mesmo barco. Claro, se a gente entender fetiche com essa conotação de coisa ‘rara/bizarra’.
    Uma das mulheres que mais me fascinaram, com quem saí e namorei, era mãe já. E o registro disso no seu corpo era algo que me intrigava e instigava. E acreditem ela era e é linda!
    Como o rosto das pessoas com quem convivemos tende a misteriosamente se transformar em algo belo ou asqueroso de acordo com as emoções que essas pessoas nos despertam, penso que com o corpo não é diferente.
    Peitos e bundas, barrigas e pênis, pés e coxas podem ser deliciosos de acordo com as experiências vividas nessas ‘degustações’ e nada tem a ver com forma, com a cor ou a ausência de bronze.
    Soube de mulheres que fazem cirurgias plásticas nos pequenos lábios, cortando-os para se parecerem com os de atrizes pornôs. Até esta época não imaginava que havia um padrão de beleza para ‘xexeca’. E quem vai dizer que ter pequenos lábios grandes, ou quem sabe barriga com estria, ou bico de seio que não seja rosado, ou bundinha furadinha de celulite, pênis torto é feio? Comparado com o que? Com quem?
    Claro! Que reine a liberdade, naturalmente, que cada pessoa tenha o direito de se atrair e se envolver com quem lhe agrada e seduz.

    Mas que eu também tenha a liberdade de assumir e confessar que Ana Paula Arósio é uma gata, mas que as mulheres e homens que estão circulando por aí, que estão atrás dos balcões, nos ônibus, nas ruas, nos teatros e manifestações – com seus sorrisos nem tão brancos e olhos nem tão azuis – são os que realmente me fazem chorar, rir, sofrer, fazer planos, me frustrar, me divertir, gozar e amar.

    Deb, pertinente, como sempre =)

    • Deborah Sá said,

      Rebecca,

      Concordo em absoluto!

      Beijos

  6. Marilia Costa said,

    Adorei as respostas! Não sou gorda, já fui acima do peso, mas acabei emagrecendo depois de me tornar vegetariana.
    Mas odeio essas imposições de felicidade que a sociedade nos faz. Fui feliz gorda, magra, “normal”(existe isso?), de todo jeito. E tive relacionamentos em todos os momentos da vida, com homens bonitos e “magros”.

    Esse negócio de ficar olhando sempre pro outro para dar opinião sobre corpo/sexo/comportamento é muito recalque. É o que acho, pelo menos.
    =D

    Vou acompanhar o blog! =D Adorei.

    • Deborah Sá said,

      Marília,

      Seja bem vinda, eu também já fui mais “magra” (menos peso que hoje, socialmente sempre fui “gordinha”), hoje peso 78 quilos (1,68 cm) e nunca me senti tão plena em auto estima e sexualidade :D

      Beijos e comente sempre que quiser ;)

  7. Mcr_Sunko said,

    Cara,

    Sempre vi, tanto em filmes como na vida real o ataque a pessoas gordas/obesas. Como de fato fossem patogênicas (doentes). Se a gordura é taxada como um padrão de beleza, imagine o que se pensa quando além da mesma, é excluída da sociedade por um fator orgânico? Algumas cometem a frenesi de “Tirar a barriga cirurgicamente” e implotar outras manipulações plásticas.

    É quando nascem alguns comentários, por que gastar tanto em cirurgia plástica? Muitos dos motivos é originado por causa dessa etiqueta de sobrevivência que a sociedade impôs. Cada tempo muda, nos tempos de Van Goh era arte, retratar mulheres gordas no impressionismo. Eram tidas como elegantes e graciosas. Agora são…bem excluo afirmação.

    • Deborah Sá said,

      Mcr_Sunko,

      Sim, é sintoma do nosso tempo, associar magreza a uma classe mais nobre (quando pensam em alguém rico a imagem mental é sempre magra), ser gorda ainda é visto como uma afronta.

  8. Como ávido consumidor de mulheres que pareçam mulheres (cheias de curvas, carnes onde pegar, peso e estrutura para aguentarem o tranco!), digo a vc, IGNORE estas besteiras todas. Quem gosta de osso é cachorro! Eu gosto de carne! Macia, delicada e sensível! E como tb sou do tipo que entope catraca de ônibus, ocupando espaço em qq lugar, sei pelo que passa vc ao procurar roupas! Costumo logo botar os vendedores no lugar deles perguntando se tem roupa para homem na loja, ou só para modelitos leves e “antenados”! Será que estes comerciantes são cegos?! O que devia ser um prazer para o cliente, encontrar roupas que o deixassem bem, se sentindo bem consigo mesmo, vira um suplício! Tive uma única experiência boa na ESPANHA. O vendedor chegou, pedi calças para mim, e ele nem titubeou, tirou a fita métrica, me mediu, foi numa prateleira e tirou 3 calças, TODAS MARAVILHOSAMENTE adaptadas ao meu corpinho com barriguinha MÁQUINA DE LAVAR da Brastemp! KKK… Fora esta vez, já ouvi tudo isto que vc ouviu. Gordo sofre, mas fica pior pelo que os outros querem fazer vc sofrer! Boa sorte!

    • Deborah Sá said,

      @Pedalar_Olhando

      “Como ávido consumidor” -> Achei esse termo estranho O_o
      Ninguém toma para si ou come um corpo, você sabe, mas enfim, a linguagem demonstra a mentalidade do tempo.

      Não acho que o oposto da “Gordelícia” é a insipidez, mulheres magras podem ser ovacionadas pela moda, mas são infantilizadas e negadas de sua pulsão sexual como se tirassem delas qualquer tesão, isso é muito prejudicial também, minha intenção aqui não é calcular quem sobre mais ou menos, é mostrar especificamente o que as gordas passam. Uma mulher pequena e magra (se falar “fino” então…) terá mais dificuldades de se impor fisicamente/moralmente que eu!

      Bom saber esses dados da Espanha! Obrigada por compartilhar, sinta-se livre para comentar aqui, agradeço pela força ;)

  9. Flávia said,

    “- Tem manequim 46/48?
    – Não, só tamanhos normais.”
    Não creio q falaram isso mesmo, q horror!! “normais”, argh!!

    “- Esses sabonetes têm algo de origem animal?
    – Não, mas já que gostou dos sabonetes, tenho um creme maravilhoso pra tirar essas estrias horrorosas da sua barriga!”
    me fala q lugar foi esse pra eu NUNCA ir, onde já se viu falar de estrias alheias?? Nem ligo pras minhas =P

    “- Não agüenta meia hora de surra de bunda comigo”
    Er…o q é surra de bunda? =o

    • Deborah Sá said,

      Falaram sim (mais de uma vez), muitas pessoas (inclusive da minha família) encrencam com minhas estrias. O local foi um Shopping de SP

      Surra de bunda é bater a bunda na cara da pessoa. Rá!

  10. Raiza said,

    “- É um lugar muito, muito longe.
    – Igual Santo Amaro?”
    Hauahauahauahau
    Gosto quando vocês escreve assim,com humor.Gostei das respostas também.
    Uma coisa que me surpreende é como existem tão poucas lojas que vendem tamanhos grandes.Será que o preconceito das pessoas pesa mais do que a chance de ganhar dinheiro? se eu tivesse grana contratava um(a) estilista pra desenhar umas roupas legais e abria uma loja só de tamanhos grandes.Ia nadar na grana.Nunca pensou em fazer isso não?Junta umas amigas,vai que você fica rica.

    • Deborah Sá said,

      :D
      Tenho uma amiga que faz moda e conversamos bastante sobre isso, quem sabe um dia? Uhahaha

  11. ninocoutinho said,

    Bem, cheguei a este blog apenas hoje e, numa rápida olhada, não sei ainda se eu sou o tipo de leitor que costuma comentar aqui, mas como o Rogerio comentou acima, sinto também liberdade para fazê-lo.

    Acho até uma grande besteira precisar ficar falando dessas coisas… É incrível como ainda temos q discutir assuntos como esse, e ainda existir gente com cabeça tão fechada!

    Desde q eu gosto de mulher, eu gosto de gorda. Vamos usar este termo, mesmo. De cheinha a balão, ou baleia. Qnto mais, melhor pra mim. Nunca escondi de ninguém e, se não é ‘preconceito’ q eu sofro por isso, sempre sou motivo de piada. Mas não estou reclamando disso, não; só não entendo como uma coisa ÓBVIA DESSAS (qual: gosto e cu cada um tem o seu) pode ser tão estranho pra maioria.

    Eu não gosto de jeito nenhum dessas super-mulheres q posam pra Playboy, Sexy, Papparazzo… essas publicações não mexem em nada comigo! Despertam zero de tesão. Além do mais, o desenho dos corpos são todos padronizados via photoshop, o que piora ainda mais a coisa. Se elas já não tinham nada de especial pra mim, dpois q vão pra revista passam a ter menos. Eu gosto da mulher de verdade, a mulher real, q tem o calcanhar grosso, q sua e pode ficar fedida, q fica com sujeirinha debaixo da unha… aliás, mãos e pés sujos me enchem de tesão! Gosto de falta de bunda ou excesso de bunda (proporcionalmente), peito grande ou murcho; hum, dente torto também adoro! Negras ou brancas, ou orientais com as pernas grossas imbatíveis. Pança, qualquer tipo, estufada ou caída. Mas claro q só ser gorda não é requisito único pra me atrair, tem q ter algo a mais – só q quase sempre eu acho esse algo a mais!

    Tenho 27 anos e minha mulher tem 40. Nos conhecemos qndo eu tinha 17 e ela, 30, e começamos a namorar desde o primeiro dia, praticamente, e nunca passou pela minha cabeça escondê-la de ninguém, nem pela idade (q, no início, é como se fosse maior a diferença) nem pelo peso. Pelo contrário, eu “desfilo” com ela com o maior orgulho, acho-a a coisa mais linda do mundo, sempre digo q ela é a melhor namorada do mundo (tenho certeza absoluta disso; é namorada pq ainda não nos casamos) e meu maior tesouro. Gosto muito quando ela se arruma pra sair, por exemplo, mas não tem nada mais excitante do que ela na versão “do lar”, seja de pijama ou de ‘doméstica’.

    Fui bem gordo no iniciozinho da adolescência, até uns 14 ou 15 anos, talvez, dpois fui magérrimo quase anoréxico, mas logo me estabilizei e até hoje tenho uma forma mediana. Não sei se vem desse histórico a ‘explicação’ pra esse meu gosto (pq eu podia simplesmente gostar de mulher em geral, mas tenho verdadeira aversão a mulheres muito magras, e apenas admiro a beleza daquelas que desfrutam de um corpo “escultural” segundo os padrões, mas sem me atrair por elas).

    Me divirto participando de rodas de amigos em q ficamos falando de mulheres, e eles também se divertem. Nunca deixo de emitir minha opinião, e confesso q acho q estranho q tantas pessoas gostem das coisas do mesmo jeito. Às vezes acho até q é mentira!

    Sei q isso não deixa de ser uma forma de eu me afirmar (tipo, mesmo que eu queira “mudar”, posso ter dificuldade pois este não seria o Nino com quem estão acostumados… na verdade já vi amigos se queixando, qndo eu elogio alguma mulher de gosto mais ‘convencional’: “peraí, Ninão, essaí não tá no seu padrão, não!!”)

    Poxa, tudo é padrão, até o fora-do-padrão??

    Saudações a todos e parabéns pelo texto e pelo blog, Deborah! Obrigado por se dispor a divulgar suas ideias!

    • Edilene Mora said,

      Nino,
      essa é outra questão que as pessoas A-DO-RAM comentar, não é? A diferença de idade. Como eu disse no meu post, meu marido tem 21 anos, e eu tenho 40. Tenho, sim, idade pra ser mãe dele, e me perguntam isso muitas vezes. Começamos a nos relacionar quando ele tinha 17 anos tbm, e desde então todo tipo de pessoas, em vários níveis de intimidade conosco, se acharam no direito de comentar e/ou criticar. Às vezes me pego pensando se só eu tenho um rabo para cuidar.
      Hoje, com a experiência que adquiri na vida de “fora-do-padrão”, levo tudo com humor, e, junto com meu marido, gosto de rir muito da cara e da reação das pessoas. Adoro escandalizar as pessoas que querem me criticar, e encontram DUAS razões óbvias para fazê-lo. Quando começam a falar do nosso relacionamento, seja pela diferença de peso ou de idade, começo a falar da nossa vida sexual, em tom de fofoca, de quem quer contar um segredinho, e das vantagens de ter um marido “em forma” e tão mais jovem. Geralmente isso faz com que as pessoas recuem imediatamente à sua insignificância…rsrsrs…
      Abs,
      Edilene

      • ninocoutinho said,

        Edilene, engraçado, como nossa diferença de idade não é tanta quanto a suas (a nossa 13, a sua quase 20), eu acho q não chama tanto atenção e pra falar a verdade nunca nos incomodou tanto ‘socialmente’… tlvz pq eu sempre tenha tido cara de mais velho, e ela seja mais jovial até! Acho q é até difícil escandalizar no nosso caso hehehe!

        Mas já nos confundiram com mãe e filho, ou tia e sobrinho. Só q, curiosamente, era mais comum acharem q somos irmãos rsrsrsrs! Até a hora q começa a pegação!!

        Abraços e sempre leve com humor, mesmo!

    • Deborah Sá said,

      Nino,

      Sinta-se livre para comentar, gostei muito do seu depoimento, como disse acima, acho que muitos admiradores de gordas vivem “no armário”.

      Um abraço

  12. Ronaldo said,

    Oi, Deborah
    Como tudo que acontece de melhor nessa vida, encontrei seu blog “por acaso”. Li alguns dos seus textos e já notei que tu é “das minhas”. Voltarei aqui muitas vezes e espero ter coisas relevantes a comentar.

    Grande abraço!

    Ronaldo.

    • Deborah Sá said,

      Ronaldo,

      Obrigada, até o/

  13. dora said,

    Mais um texto incrível :)

    Eu não sou muito de comentar nos blogs que leio, infelizmente, mas faço questão de prestigiar esse aqui que acompanho desde que te conheço com muito prazer, Deba!!

    Esse assunto mexe bastante comigo, apesar de eu não ter tido experiências assim. Minha irmã, mãe, namorada e quantas amigas! são discriminadas de forma injustificável apenas por não seguir o padrão estético de uma sociedade que além de condenar os que não se encaixam nos “pré-requisitos da normalidade” faz crer, equivocadamente, na infelicidade instantânea do indivíduo que não segue as regras do estereótipo do físico “belo” imposto por ela.

    Absurdo e repugnante.

    Gordofóbicos existem, não são raros e como você bem disse, é incrustado na nossa mente desde criança que não é certo, não é bom, não é bonito ser gord@. Que se explodam então.

    Eu não vou me esforçar e não quero que ela se esforce pra entrar nesse ou naquele número, eu quero é que respeitem nossos corpos, que não são mais de uma de suas mercadorias.

    • Deborah Sá said,

      Dorita,

      Obrigada ;D
      É muito ruim ver mulheres queridas sofrendo e chorando por causa de uma idéia que diz que seus corpos são “errados”, mas o amor de pessoas próximas e elogios sinceros sempre fazem bem.

      Beijos,

  14. Lu said,

    Adorei seu post!
    Engraçado como alguns humanos adoram, sentem um prazer mórbido em humilhar e apontar os “defeitos” [que não são defeitos, e sim meras características físicas] alheios.

    Não sou gorda, mas da infância até a adolescência passei por humilhações terríveis pelo fato de ter a pele clara, sou branquela, rsrs… Numa época de “culto ao bronzeado” [fim dos anos 80 e início dos 90], com novelas em cenários de praia, aquela “geração saúde torrada ao sol” e eu, cegando todo mundo quando usava bermuda… rsrs
    Lembro uma vez, numa daquelas festinhas de escola, que minha irmã me convenceu a ir de vestidinho [ela achava um absurdo eu não usar saias, bermudas, vestidos e similares por ser branca] que um garoto deixou de dançar comigo porque o amigo dele tirou sarro da minha brancura… Como disse, era um garoto… Ainda bem que mais tarde conheci homens, rsrs
    Foi uma luta pra deixar isso de lado, pois eu era boba, imatura, besta e me importava demais com qualquer adjetivo negativo ao meu respeito.

    Enfim, é ridícula toda essa padronização de pessoas, e mais ridículo ainda é assumir gostos e vontades porque terceiros [sabe la quem] ditaram que “o legal é gostar desse tipo de mulher/homem”. Besta quem se deixa guiar por isso.

    Beijão! =D

  15. Lu said,

    Errata, faltou a palavra “não” no meu comentário anterior!

    “Enfim, é ridícula toda essa padronização de pessoas, e mais ridículo ainda é NÃO assumir gostos e vontades porque terceiros [sabe la quem] ditaram que “o legal é gostar desse tipo de mulher/homem”. Besta quem se deixa guiar por isso.”

    Desculpe, erro de digitação, rsrs [gatos pulando aqui, rsrs]

    Beijão! =D

    • Deborah Sá said,

      Lu,

      Bacana o seu depoimento :)
      Fico feliz que hoje reconheça essas inseguranças como parte do passado ;)

      Beijos =****

  16. Eneida Melo said,

    Passo muito por essa via crúcis na hora de escolher roupas, especialmente maiô ou biquíni. Parece até que querem deixar a gente fora da praia…

    Essa escolha (porque, sim, é uma escolha!) das lojas e dos estilistas em não vender ou fabricar roupas em números maiores é uma combinação de variadas porções de preconceito, preguiça e incompetência.

    Ah, e adorei o termo “gordofóbicos” trazido pela dora.

    • Deborah Sá said,

      Eneida,

      Sim, o que parece meio ilógico, se vivemos em um tempo que o Capital apropria-se de tudo para continuar lucrando…

      Beijos,

  17. Tatiana said,

    Algo me incomodou bastante em certos comentários.
    Parece que a mulher magra não é mulher o suficiente simplesmente por não ter muitas curvas e que deveria se sentir mal por ser assim, afinal quem “gosta de osso é cachorro” (argh)!

    Bem, já fui magra, muito magra. E também sofria com a patrulha pelo meu biotipo. Não, eu não era anoréxica, era uma mulher saudável mas com o IMC abaixo do recomendável apesar de comer todas as porcarias engordativas existentes. Mas não engordava nem com reza brava.
    As pessoas se sentiam no direito de chegar até mim e dizer que eu ficaria mais bonita com uns “quilinhos a mais” e que homens gostam de ter onde pegar – como aqui nos comentários (mas eu gosto de garotas, comofas?).

    Recebia também muitos elogios, mas infelizmente sempre levei as críticas mais a sério.
    Um dia, caminhando por uma praça aqui de BH, ignorei alguns rapazes que faziam cantadas grosseiras dentro de um carro. Os playboys passaram por mim e um deles me chamou de “aidética”, fazendo uma referência clara a minha magreza.
    Chorei muito em casa.
    Parti para uma guerra contra meu próprio corpo, tentando engordar de todas as maneiras possíves. Não obtive êxito.
    Só consegui ganhar peso quando tive um sério problema de pele e passei a tomar corticóides (receitados por um alergista).
    Engordei 4 Kg em dois meses!
    Hoje posso dizer que estou satisfeita com o meu corpo.

    Por fim, gostaria de destacar dois pontos:

    1º) a mulher deve estar satisfeita com o corpo dela. É só isso o que importa.
    F.. para os padrões pregados pela mídia. F… a preferência masculina. Se, por exemplo, uma cara não gosta de mulheres gordas, por que depreciá-las?
    Que procure então uma garota magra e pare de ficar palpitando sobre o corpo alheio (e aqui também incluo as mulheres).

    2º) sei que “o patrulhamento do corpo perfeito” pega muito mais pesado com as gordinhas e com as obesas. Mas quis mostrar que também existe o outro lado da moeda, e que as magras com poucas curvas são mulheres de verdade também.

    Nenhum corpo é perfeito, pois os padrões de beleza existentes são inatingíveis para a grande maioria. Os patrulheiros de corpos alheios se aproveitam disso para destruir a auto-estima dos outros, muitas vezes por inveja. Não suportam ver alguém supostamente fora dos padrões feliz.
    A felicidade incomoda. Muito.

    Parabéns pelo post, Deborah!

    Abraços!

    • ninocoutinho said,

      Vc está certíssima, Tatiana! É q como a maioria aqui está pro lado “de cá” do campo, valorizamos muito a denúncia da ‘gordofobia’, mas a ‘magrofobia’ também pode existir, assim como ‘mediofobia’, loirofobia, negrofobia, nerdfobia, homofobia…

      Eu ia falar q devemos nos afastar de qualquer tipo de intolerância, mas nem gosto desse termo, pq não acho q, se uma pessoa é ‘diferente’ de mim, ou diferente do que eu acho legal ou diferente do q eu desejo, eu deva tolerá-la… nem aceitá-la. São palavras muito ruins!!! Tlvz, a gente deve se esforçar na direção contrária, não da neutralidade, mas da admiração! Pode ser meio forçação de barra, mas não costumamos vislumbrar coisas às vezes inalcançáveis, e mesmo isto nos faz felizes?

      TOLERAR eu faço qndo passa um carro todo ‘tunado’, tocando um funk na última das alturas… qndo o vizinho se excede no horário da festa… qndo a pessoa amada está estressada e se mostra pouco compreensiva… Agora, um heterossexual convicto não precisa TOLERAR um homossexual. Pq a prática sexual do outro não pode ser uma afronta, a ponto de clamar sua tolerância… e, como disse, o termo ‘aceitar’ eu acho também fraco.

      Assim como deixaram de usar o termo ‘homossexualismo’ (confundido com doença ou síndrome) e passaram a usar ‘homossexualidade’, eu defendo o fim dos termos tolerância ou intolerância. Eu acho q eles reforçam as diferenças e o sentimento negativo em relação à atitude do outro.

      Obrigado pela lembrança, Tatiana, e desculpem a viajada!

    • Deborah Sá said,

      Tatiana,

      Sua colocação está perfeita! Enquanto mulheres não há para onde “correr”, sempre nos taxarão de inapropriadas. A mulher magra muitas vezes é vista como “não sexual” e é até infantilizada. Uma lástima

      =/

  18. Tatiana said,

    Olá Ninocoutinho!

    Concordo com você.
    Basta estar fora do padrão, da média aceitável para ser alvo de preconceitos.
    Acho que a gordofobia merece sim destaque. Acontece com muito mais frequencia do que a “magrofobia”(e é bem mais cruel, principalmente quando se é mulher). Mas ambas devem ser combatidas.
    A luta deve ser contra qualquer tipo de discriminação, sempre!

    Abraços!

  19. Mayara said,

    Se as pessoas se preocupassem mais com seus próprios corpos tudo seria melhor, não? Eu só acho que uma pessoa deve fazer uma dieta quando aqueles quilos a mais começam a prejudicar sua saúde, em seu bem estar, quando aqueles malditos quilos te deixa sem auto estima. Se ela está bem daquele jeito, se ela se sente bem, foda-se o resto. Tem que mandar tomar no cu esse padrão – ridículo – de beleza estabelecido para as mulheres, para a sociedade, na verdade.
    Tu tem que se importar com ladrão que sai por aí roubando famílias, com políticos que sai por aí roubando o SEU dinheiro.

    Como sempre, você sabe MUITO BEM transmitir o que eu penso pela forma bela que escreve, Deborah.

    Beijos, SUA LINDA! :*

    • Deborah Sá said,

      Mayara,

      Obrigada :D
      E concordo com você, a preocupação seria genuína se abrangesse apenas o aspecto “saudável”, mas sabemos que isso é uma “máscara” para muitos destilarem seus preconceitos.

      Beijos ;)

  20. cely said,

    Oi gatchénha!

    Achei interessante um dos comentários que citou “médiofobia”, hahaha. Claro que a gordofobia é mais evidente, e que também existe uma pesada magrofobia cobrando “curvas localizadas” das garotas (você mesma já citou a bizarrice do modelo peitão-bundão-barriga chapada), mas, pasmem, o preconceito contra os corpos “normais” ou “dentro da média” também existe!

    Se você está dentro do padrão de peso considerado “normal” pelas pessoas, é comum que elas comecem a cobrar que você faça “melhorias” no físico. Parece que ter um peso normal e um corpo mediano incomoda, pois é como se você estivesse a “um passo” de conquistar a forma “dos sonhos” e não desse a mínima para essa suuuper oportunidade. Fora que, quando a mulher mediana engorda uma grama, é certo que todos vão cair matando em cima, cobrando, do tipo “você estava mais magrinha hein, tá na hora de fechar a boca”. Me enoja!

    Para eles, é como se as médias estivessem “quase lá”, e por vezes nos cobram “intervenções localizadas”, do tipo…”malha um pouco essa barriguinha que vai ficar nota dez”. ARGH! Enfim, não tem escapatória, o mote geral é impedir que estejamos satisfeitas com nossos corpos, independente do quanto próximas possamos ficar do modelo ideal.

    • Deborah Sá said,

      Cely,

      Sua linda,
      É bom ver esse tipo de depoimento aqui, pois a impressão que nós mulheres gordas temos é que todos nos deixariam em paz se atingíssemos o corpo “médio”, é essa a meta que nos colocam todo o tempo, como se o corpo médio fosse um ponto de equilíbrio, onde não demoraríamos em encontrar roupas com bom caimento e silenciaríamos todas as críticas.

      Beijos,

  21. Twilight Haters said,

    Wow, muitos comentários. Não consegui ler o post todo no dia que vi, então não quis comentar antes… hehe.

    Enfim, nem preciso dizer que concordo com tudo. Tudo mesmo.

    Mas eu acabei me enfiando em uma onda de “auto-depreciação” nessas situações com vendedoras. Quer dizer, em algumas lojas, nem entro. Agradeço de não gostar de quase nada da maioria das vitrines… mas quando entro, é sempre o mesmo papo:

    – Tamanho?- Ah, não sei, 46 ou 48.
    – Tem certeeeza? Mas a forma é grande!
    – É, mas meu quadril é ENORME, então não adianta a forma ser GRANDE.

    Certo que agora emagreci 20 kg, continuo acima do peso, vestindo 44 e me sinto ótima, obrigada, mas ainda é uma cruz entrar em lojas. Descobri que a saga atrás de tamanho 44 é mais deprimente do que de 48: é uma reprovação vinda de todos os lados, em loja “comum” (quem define o que é comum, afinal?) o limite é o 42-que-na-verdade-é-38-com-etiqueta-errada; em loja “de gordo” os vendedores insinuam que você tá querendo confete. Por isso é que resolvi todos os meus problemas mandando fazer minhas roupas. Sob medida, sem julgamentos e às vezes por preços mais razoáveis do que em lojas convencionais. Ufa.

    Aliás, outra coisa que comentei um dia desses com a minha mãe foi sobre bíquinis. Tem uma loja aqui em Piracicaba que trabalha com roupas íntimas e de banho de tamanhos especiais… mas, pra mim, é inaceitável ver um manequim de plástico vestindo as peças, mesmo que ele seja maior, já que cria a falsa ilusão de que o tamanho certo não vai marcar nem criar dobrinhas. Aí eu lembro que ainda é tabu reconhecer que o corpo da mulher, obesa, gorda, gordinha ou só “na média” tem dobrinhas…

    (acho que o comentário está bem desarticulado, mas tudo bem)

    Também é interessante isso da “patrulha” e das falsas necessidades do corpo. Eu emagreci 20 kg, como comentei. Aquelas coisas: não conto os métodos porque não me orgulho, como não me orgulho de ter precisado disso pra me sentir bem comigo. Agora me sinto bem, sei que estou com a saúde perfeita e meu corpo me agrada, mas as cobranças continuam: tem que tirar a barriguinha (que pra mim é insignificante), malhar o braço pra tirar a flacidez, sumir com as celulites da coxa…

    Aaah, me respeita, né!

    Ótimo post, como sempre!

    • Deborah Sá said,

      Twilight Haters,

      Espero que esteja bem (no aspecto “saúde”) agora, porque quando nos pedem para emagrecer uma das últimas conseqüências que esperam é nossa saúde, pedem resultados em tempo, pouco importa se nos escondemos para tremer de frio. Querem que atendamos as expectativas que criam sobre nossos corpos, pouco importando se há saúde e felicidade.

      Beijos,

      =********

  22. yohanandrade said,

    Adorei as respostas!!!! ;)

    • Deborah Sá said,

      Obrigada :D

  23. Ana Hórus said,

    Esses padrões a qual querem nos encaixar são ridículos, alias, todos os tipos
    Eu sou uma pessoa muito arredia se tratando de padrões a seguir, então me identifiquei muito!

    Parabéns! Esse blog agora está favoritado : ]

    • Deborah Sá said,

      Obrigada,

      Seja bem vinda :)

  24. Deh, é foda comprar roupas. Isso me irrita demais e o mais complicado é que vou tomar uma medicação que vai me fazer ganhar mais peso.
    Agora vou ser abatida a tiros pelas vendedoras.

    • Deborah Sá said,

      É de SP?

      Conheço boas lojas:

      Very Rose
      Due Punti
      Kauê

      Recentemente descobri uma Plus Size muito boa na Av. São João (na calçada do Bar Brahma) chamada Magnólia. Ótim@s vendedor@s ;)

      Se elas vão com armas, vá com um escudo bem bonito e ahasa no carão 8)

  25. Giulia said,

    Assunto relevantíssimo! Não passei por essas situações, mas aguentar as pessoas tendo repulsa, como se gordura fosse medição de caráter….. dá vontade de andar com um taco de beisebol, principalmente pq a maioria esmagadora de quem eu ouço julgando é homem que mal consegue escovar os dentes.

    Nunca fui gorda na minha vida, mas mesmo assim minha mãe conseguiu me deixar paranóica falando que eu tinha tendência pra engordar, que precisava tomar cuidado pq tava no “limite” (na verdade até um pediatra falou isso SEI LÁ PQ, eu sentia que num descuido ia entrar pra obesidade mórbida e não ia conseguir me mexer direito), evidenciando minhas gordurinhas. Lá pros 13 anos, quando comecei a encorpar, apareceram estrias nos pneusinhos do lado da barriga e ela passou a insistir pra eu ir pra estética tirar antes que se instalassem. Nunca fui por vergonha do meu corpo (de tirar a roupa) e passei muitos anos me culpando por não ter ido enquanto era fácil de resolver esse PROBLEMÃO.

    Não precisei de ninguém na rua me chamando de gorda pra ficar totalmente complexada com a gordura e aparência do meu corpo.
    Só comecei a cogitar que não era “tão enorme assim” quando passei a experimentar calças 34… e olha que nem é história de anorexia. Na faculdade me chamavam de magrela e, apesar de não querer parecer magra, eu ainda queria emagrecer 5 quilos. Me achava gorda mesmo, e pior que nem por gordura, mas pq meu corpo é diferente do ideal. Sempre falei que tinha “ossos leves” por pesar menos do que minha cabeça enxergava.. pff.

    Deixem nossos corpos em paz :(

    (obs: engordei um pouco e tô aqui exercitando minha autoaceitação, usando roupas que não tinha coragem de usar nem quando tava “magrela” :D além de agora finalmente conseguir ir na academia pra me sentir bem, não por obrigação de emagrecer e “moldar” o corpo).

    • Deborah Sá said,

      Giulia,

      Esses depoimentos todos só constatam que não há para onde fugir, sempre seremos “inadequadas”.

      Fico muito feliz que esteja mais confortável em sua própria pele ;D

  26. Edicléia said,

    Olá Débora,

    adorei o post e os comentários. Deixo minha estória.

    Emagreci 25 quilos ano passado. Fui tida como vencedora e por muito tempo comprei essa visão, chegando a ser muito incoveniente com um amigo (como assim, pensava, você NÃO faz NADA para emagrecer?). Essa estória que me abriu os olhos.

    Agora, estou grávida. A minha mãe já disse para não vai mostrar a barriga. Eu? Claro, estou engordando, comendo feliz. Sou vegetariana estrita mas tenho vontade de guloseimas (batata frita, macarrão) na mesma medida que tenho desejos por saladas, frutas, legumes. Adivinha? Todo mundo mandou comer carne.

    Também sou corredora e ainda estou na ativa. Até profisisonais de ed. física me disseram para NÃO correr pois agora não deveria pensar em mim, mas no bebê… Detalhe: se você já é corredora, continuar na gravidez é mega saudável.

    E ainda existe toda a pressão para, uma semana após o parto, estar com o mesmo peso de solteira (manequim 36). Tanto que há pessoas que ficam piradas em não engordar mais que 9 kg, não ter estrias, não ter sinal algum da gravidez. Enfim…

    Minha posição é comer pois sinto vontade, correr pois sinto vontade, aceitar os kg a mais pois há coisas mais importantes no momento. Todos vão falar do mesmo jeito. Não importa o que eu faça. Então, enquanto eles cuidam da minha vida, eu farei o mesmo e serei feliz.

    Abraço!

    • Deborah Sá said,

      Edicléia,

      Todas as mulheres que engravidam sofrem horrores com a pressão para “recuperarem” seus corpos “antigos”, especialmente apagando qualquer “registro” corporal que por ali já habitou um feto.
      Enquanto isso essas mesmas mulheres são casadas com homens que ganham “barriga”, cabelos grisalhos e impotência…

      Abraços :D

  27. Twilight Haters said,

    Ok ok, entrona no post, mas vc viu isso, Deborah: http://vestibular.uol.com.br/ultimas-noticias/2011/02/01/video-mostra-calouras-da-unb-lambendo-linguica-durante-trote-do-curso-de-agronomia.jhtm ?

    Tem hora que me sinto num mundo de involuções de dar medo.

    Ana

    • Deborah Sá said,

      Escrevi sobre aqui

      :D

  28. carla said,

    Eu adorei os comentários a cerca do ataques gordofóbicos…..eu sempre sofri muito por ter sido sempre bem acima do peso…..mas o que me leva a escrever hj é que fiquei mto triste com o comentário do meu filho de 5 anos de q seus amiguinhos da escola estavam chamando a mãe dele (ou seja…euzinha de gordona!!!) e é lógico que ele estava mto triste. Triste fiquei eu ao saber que crianças tão pqnas já são gordofóbicas…..e na verdade não sei como agir…..conversei um bocado com ele sobre “as diferenças entre as pessoas”…..q essa diferença tem que ser respeitada….mas na verdade eu estava com uma baita vontade de chorar…..bom…..estou com vontade de falar com a professora sobre isso,…….o q acham…falo com ela ou não????

    Na verdade outro dia estava falando com uma amiga que eu não estou gorda….eu sou gorda…..desde sempre……
    pronto …desabafei….um beijo
    Carla

    • Yuri Scardino said,

      Carla.
      A Deborah me pediu para te responder há algum tempo e só agora apareceu a chance. O comentário dos amigos dos seus filhos realmente é de entristecer… É difícil para qualquer um na sua situação saber como agir por que ao mesmo tempo que nos revoltamos e queremos resolver a questão imediatamente, temos medo de sofrer mais preconceito e ainda colocar o filho numa situação frágil (do tipo em que os coleguinhas o provoquem com “precisa da mãe pra se defender”).
      Eu entendo que uma conversa com a professora seja um bom caminho sim, mas não só e depende também do que você vai dizer.
      Por que esse tipo de situação a maior parte das escolas resolve chamando os agressores e o agredido, fazendo pedir desculpas e ponto, nada se resolve.
      A escola, como qualquer orgão que presta serviço, está subordinada a leis e a diretrizes que podem e devem ser invocadas por você num caso como esse. Toda escola tem um projeto pedagógico que você tem o direito de conhecer e questionar. Como a escola vem tratando da questão do respeito às diferenças? Como eles trabalham isso junto as crianças e aos pais? Como eles tratam bulling? Todas essas questões podem e devem ser conversadas com a professora, mas é um problema maior do que a pontualidade da agressão que o seu filho sofreu… Se não se toma medidas mais eficazes, como levar a questão para a direção e exigir uma melhor discussão com os professores, pais e alunos sobre o tema, então a chance de ficar por isso mesmo é grande…
      Para fazer isso você vai precisar de mais do que simplesmente protocolar uma reclamação, será preciso participar ativamente do processo educacional (coisa prevista por lei, mas que nenhuma escola faz) Ir a reunião de país e discutir mais do que as notas e rendimento dos alunos, acompanhar o processo junto da direção e eventualmente precioná-la. Não é fácil, mas acho que é o melhor caminho por que infelizmente é um problema maior do que a nossa vontade.
      Nessas situaçõees é sempre bom estar munido de referenciais. Por exemplo, se você chegar com o ECA (estatuto da criança e do adolescente) na mão e souber usá-lo já é uma forma a mais de conseguir uma escola mais igualitária.
      Por exemplo:
      Artigo 53, Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.

      Artigo 58, No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura.

      Isso só para citar exemplos de como o aluno deve ser respeitado e de como você tem direito de intervir na escola… Claro, há especificidades de cada escola (se for particular, é mais fácil ainda, é só dizer que vai relatar o ocorrido para todas as outras mães gordinhas) mas todas estão subordinadas às leis. E nesse caso ela está a seu favor e mesmo que talvez não se possa recorrer a instâncias superiores, saber dos seus direitos sempre assusta quem os estão infringindo.
      Espero ter ajudado.

      • Deborah Sá said,

        Carla,

        Espero que o Yuri tenha lhe ajudado, acreditei que ele teria bastante a acrescentar na sua situação. Espero que esteja melhor.

        Beijos,

  29. maria said,

    Adorei as respostas. Mas como sou troglodita vou continuar proferindo meu já célebre “vá tomar no cú”.
    Passei do manequim 46 para o 42 mas não passei de gorda para imbecil. Meu sistema continua bruto.

  30. maria said,

    Ah, antes que me esqueça: passei da roupa 46 para a 42 mas continuo gostando de homens rechonchudos. Emagreci mas não virei hiena, tá bom?


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