16 dezembro, 2010

Bissexualidade

Posted in LGBT às 5:49 pm por Deborah Sá

Hoje passou por mim uma mulher muito bonita e agradeci a Deusa por eu não ter um pênis, caso contrário a ereção seria evidente, o primeiro pensamento que ocorreu foi “PORRA, SAPATÃO”.  Em um daqueles instantes que a excitação te toma de súbito e você olha para os lados para conferir se alguém notou seu estado, atônita.

Digo entre @s mais próxim@s: “Acordei Sapatão” ou “Ando muito Sapatão”, creio que Bissexuais passam freqüentemente por isso, em determinadas épocas sentir sua orientação “puxar para algum lado” (além de mulher/homem/temos Trans é bom não esquecer).
Na Caminhada Lésbica a Dri Quedas me perguntou quem sofria mais discriminação: Lésbicas ou Bi. Embora não seja lésbica, noto minhas amigas sofrerem mais: São invisibilizadas, hostilizadas e motivo de chacota.

O mundo LGBTTT também tem ciúme, pressões estéticas (gays “bombados” e “másculos”, lésbicas depiladas e “femininas”), mito do amor romântico, traição, entregas e corações partidos. Nossa matriz é a mesma e é impossível criar um “novo mundo” sem resquícios do anterior.

O lado “ruim” de ser Bissexual é o preconceito duplo: Acham-te indecisa que não sai do armário ou uma “depravada”. A Bissexualidade não é medida em porcentagem, tampouco é indicativo de ausência criteriosa (muita gente julga ser Bi equivalente a trepar-com-@-primeir@-que-aparecer).  Não somos levadas a sério enquanto não somos (ou parecemos) hétero, neste sentido não aprovo as rivalidades que se colocam entre mulheres de orientações sexuais diversas, pois só torna ainda mais substancial a misoginia que o patriarcado nos prega. As militâncias convergem ao passo que o mundo nos vê, sobretudo como mulheres, e devemos usar isto em nosso favor.

30 Comentários

  1. Diego Fidelis said,

    Dé muito bom o texto como ja tinha dito vc escreve muito bem parabens.

    Bjoss
    Saudade
    Ps. Caso não lembre de mim sou o Diego do henfil ou menino da covinha como vc dizia

    • Deborah Sá said,

      Olá Diego!

      Como está? *abraça*
      Prestou Fudest? Ainda encontra com o pessoal?
      Seja sempre bem vindo ;)

  2. Paola said,

    Adoro seus textos, suas idéias! E como os homens são bocós e prepotentes, mesmo!!! Sou hetero e até amizade sincera é difícil com homens, a todo momento tentando seduzir e não cativar, como se pudessem comer todas as mulheres, é um ciclo de merda, as que tem afinidade com eles dizem não, por medo de serem tachadas de putas e sobra para qualquer uma, mesmo quem não tem nada haver com o cara… Interesse sem senso, é uma merda. – não tão haver com seu texto :/ desabafei… !

    Existe um preconceito com os bissexuais entre os gays não é? E muito conservadorismo gay, como você bem elucidou, tenho muitos amigos gays e vejo o ciúme, posse e conservadorismo, acredito que as coisas vão mudar, mas não vai ser na nossa geração. :(
    Como ser social, agradeço pela sua coragem de viver em liberdade! \o/ Isso é bom para a sociedade.
    Espero encontrar mais pessoas assim :)

    • Deborah Sá said,

      Oi Paola,

      Concordo com você e sinta-se a vontade para participar, sempre! O que mais faço aqui no blog é desabafar e agradeço quem se dispõe a interagir.
      Também espero que com o tempo outras gerações tragam lufadas libertárias, muito embora o backlash seja inevitável =/

      Grande abraço :)

  3. Jaqueline said,

    Muito bom!

    • Deborah Sá said,

      Obrigada ^_^

  4. Paula Borges said,

    Oi Deborah, tudo bem?

    “muita gente julga ser Bi equivalente a trepar-com-@-primeir@-que-aparecer”

    Esse julgamento já aconteceu diversas vezes comigo, quando alguém entra nessa questão da “orientação sexual” e eu digo ser bissexual.

    O pior é quando a pessoa acha que, por você ser bissexual, está disponível a qualquer momento para qualquer um e começa a tentar te “seduzir”… mesmo que você não tenha dado nenhum indício de que se sente atraída pela pessoa. Enfim, um saco!

    Beijos, pessoa!

    Paula Borges.

    • Deborah Sá said,

      Oi Paula,

      È mesmo péssimo, já aconteceu de outr@s reagirem assim: “Então você acha todo mundo atraente? E aquele? E aquela? E eu? E todas suas amigas? E….” ¬¬’

      Beijos =***

  5. Paula said,

    Já foi minha nomorada por 15 segundos *-*

    • Deborah Sá said,

      *dá as mãos*

  6. Julia said,

    Eu também acho que bissexuais, especialmente as mulheres, não são levadas a sério se têm parceiros homens. Noto isso por aí, especialmente em tumblr e sites LGBTT estrangeiros.

    • Deborah Sá said,

      Oi Júlia,

      Na vida real também “Aiii que nojo, você trepa com homens”.

      Abraços,

  7. Cely said,

    Ahhh nem me fala bee!

    O que mais me irrita é esse lance de bissexual = suruba everyday! E quem pensa isso são sempre os nossos queridos homens, por isso eles também estão em segundo plano nas minhas preferências.

    O que a Julia falou é muito real, quem tem parceiro homem é ainda mais julgada pelo LGBTT…

    • Deborah Sá said,

      Meu amô,

      O que eles não entendem é que nosso desejo nos pertence, não é “showzinho” privé.

      Beijos,

  8. Camis said,

    Eu também acho que bissexuais, especialmente as mulheres, não são levadas a sério se têm parceiros homens. (2)

    Concordo, passo por isso e sinto que tenho mais descrédito entre meus amigOs gays do que entre os poucos héteros que conheço e que sabem disso.

    Tenho um namorado que conhece meu passado, mas como temos esse namoro dentro do ideal romântico (mais por ele do que por mim), vivo querendo reviver meu outro “lado”, digamos assim. Ele é ótimo, super carinhoso, amigo e talz, mas sinto muita saudade do meu último relacionamento, uma namoro de 02 anos com outra mulher. Existia uma coisa meio que inexplicável, uma relação muito mais intensa. Saudades disso – acho que to precisando tomar vergonha na cara…kkkk
    Talvez me assumir como lésbica, pq homens na sua maioria esmagadora me dão asco – por sua visão de mundo, seu corpo, tudo.
    São poucos os que me cativam e tenho quase certeza que quando meu namoro terminar passarei década sem me interessar por um.
    De novo fiz um comment interminável. Desculpe, mas parece que posso “desabafar” com vc… ;)

    • Deborah Sá said,

      Camis,

      Claro que pode, sempre desabafe :)
      Te entendo em absoluto quanto a ojeriza por homens sebosos =/

      No meu caso também julgo pouco provável que o próximo relacionamento estável que participe, seja HT.

      Um abraço

  9. ROSA said,

    Deborah, você é a mulher da minha VIDA!!! a SALVADORA,AMIGA,GENTIL
    EU tenho muito Orgulho DE VOCÊ PARABÉNS PELO TEXTO PERFEITO,em poucas palavras disse tudo o que muita gente pensa e sente

    AIIIIIIIIIIII PESSOAL!!!! ESTA É A MINHA ENTEADA COM MUITO ORGULHO, A FILHA QUE EU SEMPRE SONHEI EM TER, E A VIDA ME DEU DE PRESENTE

    • Deborah Sá said,

      Obrigada Rosinha,

      Tembém te amo e tenho muito orgulho de você =*******

  10. Carla said,

    já disse e repito que há tanta beleza no modo como vc se expressa, se abre, se entrega! Não creio que seja “justo” eu me considerar bi, pq – pensando em minhas experiências – o máximo que eu poderia dizer é que estar com uma mulher “é uma possibilidade”. E “possibilidade” é muito pouco perto da VIDA.

    Imagino que bancar um relacionamento, um encontro de verdade, visível, vivo – nisso há uma força imensa e linda. Sair do silêncio. Sair do silêncio Bi é, de fato, bancar paixões possíveis e reais. Vc faz isso, vive isso – pelo menos até onde de conheço, da distância de onde te vejo.

    Inspiradora e linda!

    • Deborah Sá said,

      Carla,

      Saudade grande de você e das nossas conversas ♥
      Orientação sexual difere da prática, se sente atração (orientação) por mulheres e homens; creio que sejas Bi, mesmo que não pratique. Nossa orientação torna-se perceptível mesmo que não plenamente compreendida ou exercida.

      Muitos beijos,

  11. De. said,

    Oi Deborah
    Acompanho seu blog desde o post do GORDA e LINDA, fico muito feliz por poder abrir uma página da internet e dizer …Nossa! Não sou um E.T têm alguém que pensa como eu …nesse mundinho …

    Sobre bissexualidade eu sempre tive relacionamentos com homens , mesmo sentindo atração por mulheres, bom havia pressão da sociedade, familia e igreja, então de certa forma sempre me senti atraída por mulheres e sempre me via virando o rosto e dizendo ..Oh meu Deus ! Pq estou olhando pra essa mulher ?! e ia pra igreja pedindo pra Deus me livrar desses pensamentos lésbicos ..enfim
    Agora estou em um relacionamento com mulher-maravilhosaaa há 2 anos , acho que nunca me senti tão completa …

    • Deborah Sá said,

      De,

      Mas que depoimento maravilhoso! É ótimo encontrar alguém que nos faça feliz, quebrar dogmas, reafirmar laços com nossas companheiras… Parabéns pela força e coragem! Sinta-se livre para participar.

      Abraços,

  12. Paula said,

    Eu ‘tava pensando sobre isso hoje mesmo, haha.

    Como a bissexualidade é discriminada, vista como falta de caráter, personalidade e suruba everyday. Por mais que eu acredite que ela é o futuro do universo, quando pararmos de nos preocupar tanto com gêneros e padrões heteronormativos a serem seguidos.

    Outra curiosidade que ainda não consegui encontrar explicação: Já reparou como é mais fácil encontrar mulheres bissexuais do que homens?

    Deborah, meu blog é novo e vou te adicionar lá, ok? Vou começar a escrever em breve, me dá um retorno, acho que talvez você goste :)

    Beijos

  13. Deborah Sá said,

    Paula,

    As mulheres são mais “incentivadas” a fazerem sexo com outras, dentro de algumas condições:

    1) Lésbica para hétero ver: Consiste na “pegação social” entre mulheres jovens e atraentes para entretenimento HT.
    2) Permanecerem “invisíveis” / “clandestinas”: Os envolvimentos lésbicos são encarados como “fase” e de pouca “profundidade”, sexo entre mulheres é tido como uma brincadeira sexual não ameaçadora das estruturas patriarcais: A família, a religião e o casamento (também o capital). Quando mulheres apaixonam-se por outras e optam pelo enfrentamento social (namorar uma mulher e assumir publicamente é um ótimo exemplo) os mantenedores dessas estruturas tomarão as medidas necessárias para coibir este rompimento.

    Os homens não são incentivados por outras razões:

    1) O pênis é visto como ameaça a hombridade (o ânus masculino tem um status quase sagrado), o que leva ao segundo ponto.
    2) Socialmente os gays são ameaçados de violência por se tornarem “mulherzinhas”, ou seja: frágeis, dóceis, frívolos e passíveis de violações.

    Vou acrescentar o seu blog na minha lista também :)

    Grande abraço

  14. Roy Frenkiel said,

    Aqui e onde eu bato de frente contigo. Por ser feminista, o que acho otimo, voce tambem e anti-machista rss. Nada contra sua opiniao, e certamente nada contra seu gosto, muito pelo contrario. Mas nao acho necessario ter um conceito generalizado negativo de homens para ser feminista.

    Bjx

    RF

    • Deborah Sá said,

      Roy,

      Eu trepo com homens, falo mal deles como estrutura, assim como critico a estrutura branca, cristã e classe-média.

      • Roy Frenkiel said,

        Eu entendi voce. E nao acho que voce esteja errada de todo. Voce deve conhecer homens bacanas e mulheres ruins tambem. Ultimamente eu cheguei a uma conclusao sobre o universo feminino, mas como e uma conclusao regada de sentimentos pessoais, mesmo projetando, expressando, eu me sinto desconfortavel.

        Penso o seguinte: A mulher e e infelizmente sempre foi subjugada em sociedades modernas (e nem tao modernas, claro). Nesse sentido, sigo a vertente de relacoes internacionais que visa o construtivismo estrutural de uma historia em que a mulher faz parte intrinseca, como agora faz Dilma da politica brasileira.

        Na sociedade, no entanto, os valores estao mudando, paulatina, mas certamente. Acho que com a explosao da sexualidade aberta, as mulheres comecam a ganhar maior espaco nao so dentro, mas fora de casa. O homem comeca a entender algo interessante: A mulher tem controle maior de emocoes intensas quando ambos as sentem. Claro que homens frios e mulheres frias sao excecoes. No geral, o homem nao foi educado a sentir ou expressar sentimentos, entao e mais facil, quando ambos sentem, para a mulher lidar com esses sentimentos mais intensos. Nesse sentido unica e exclusivamente, somado talvez a necessidade sexual (homens ainda se sentem na obrigacao de “paquerar” e nao serem “paquerados”), a mulher ja ganha do homem ha muito tempo.

        Se precisasse tracar um paralelo bastante superficial diria o seguinte: O orgulho masculino e mais rispido e bruto, enquanto o narcicismo da mulher e incomparavel.

        bjx

        RF

  15. Cris Qadash said,

    Um texto realmente ótimo!

    Eu sou Bi, mas como vc citou no texto parece haver dias em que tendemos mais pra um q pra outro. Hj tendo mais para as mulheres, amor, ternura, cuidado e preocupação mútua. Tenho tido muitos receios de me relacionar com homens, só de pensar me da ascos, rsrsrs, lembrar da prepotência, da força bruta e despreocupada, do prazer egoísta e das palavras chulas e desnecessárias, sei não mas o sexo oposto só tem trago decepções, minha ultima vez com um homem eu falei pra mim mesma: Puta q pariu!!! Não preciso disso, minha vida como lésbica pode ir muito bem obrigada! Talvez tenha sido falta de sorte, mas algo me diz que não terei sucesso com o oposto. Mas não deixo de cogitar, pode aparecer… mas não estou disposta a me cansar com eles, se for pra acontecer o destino terá quer fazer milagres, pq perto deles eu nem chego mais, rsrs.

    • Deborah Sá said,

      Cris Qadash

      Compreendo, porém pessoas mal intencionadas há em qualquer lugar, conheço muitas histórias de lésbicas ríspidas que também “usam e jogam fora”. Enfim, caráter e comprometimento pouco tem a ver com as práticas sexuais.

      De qualquer forma, boa sorte para você em encontrar pessoas que a façam feliz ;D

  16. Tui said,

    a cada texto viro mais fã!


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