29 novembro, 2010

Avenida Q

Posted in Eventos tagged , às 12:24 pm por Deborah Sá

Adoro musicais, entre meus preferidos estão West Side Story, Chicago e Funny Girl. Ontem, após a prova da FUVEST passei em frente ao Teatro Brigadeiro e o cartaz anunciava: Avenida Q. Aproveitando a oportunidade de relaxar, aguardei até o início da peça. Além da careca, era a única mulher de havaianas e “sem produção” – um sujeito com a camiseta “I don’t Need Viagra, Im Italian” me olhava como se eu usasse o boné 1DASUL.
E de fato, é de onde vim.

A peça iniciou de modo encantador, é inegável o quanto os atores são talentosíssimos. Mas aos poucos, da primeira fileira pude perceber: Avenida Q era de Status Quo. Um Glee às avessas, por mais absurdo que seja. No número “Todo mundo é meio racista” ouvi piadas que me deixaram sem chão, principalmente pela reação da platéia que só faltava engasgar das piadas escancaradamente racistas que prefiro não reproduzir aqui.
Este número inicia com a idealista, ingênua e romântica Kate Monstra que compartilha com Princeton seu sonho: Criar uma escola para Monstrinhos, ele indignado diz: E você aceitaria alguém como eu lá? Não? Então você é racista também… (sabe quando afirmam que identidade negra é racismo ao contrário? Feministas são machistas ao contrário? )

Ao sair, notei que a Veja deu quatro estrelas para Avenida Q (porque será?).

Princeton, o rapaz, se relaciona ocasionalmente com uma prostituta (uma mulher feliz, que usa sua sexualidade pra conseguir o que quer), Kate Monstra fica triste mas é aconselhada por sua amiga JapaNeusa a esperar, afinal, algumas pessoas demoram para amadurecer e se amor e ódio andam sempre juntos, restava esperar, Princeton era seu.
Em Schadenfreude (expressão em alemão para designar o sentimento de prazer pelo sofrimento dos outros), o personagem negro canta o quanto está feliz ao ver um colega virar mendigo. Há também um número de nostalgia aos tempos de colégio, onde ali era o espaço de aceitação.

Enquanto feminista “calejada”, ouvi “Uma mulher pode ser gorda e pode ser feia, nunca as duas coisas”. No número “Internet é Pornô” senti a revanche reacionária e temi, não minto; que os holofotes caíssem sobre mim quando perguntavam a mulheres na platéia se elas gostavam de pornografia. A piada era eu. Só faltava ser negra. Porque a cultura de auto-ódio faz isto com mulheres, negras e gordas, quando nos humilham somos nós, que acostumadas sentimos vergonha. E é de nós, cobrada a postura da diplomacia, não importa o quanto humilhadas nos sentimos.

Em termos técnicos a apresentação é impecável, friso o talento e a dedicação do elenco. Minhas críticas são direcionadas exclusivamente a narrativa pertubadoramente reacionária, não estava preparada para esta enxurrada, o preconceito costuma vir até a mim em doses homeoticas, inclusive daqueles que amo. Quem não tem um parente reacionário, homofóbico ou elitista que atire a primeira pedra.

A Avenida Q é Berrini, Jardins, Leblon. É onde rir de mendigos é a norma e assumir o contrário é mentir. Em verdade, quando reconheço a série de privilégios que tenho em relação a outras pessoas e não humanos me sinto um lixo.

Sempre há uma onda conservadora (Backlash) quando novas idéias surgem, este musical (originalmente de 2003) é uma brisa suave á aqueles de suspensórios que podem ver sob os holofotes, todas suas piadinhas de quem não encontra riso na marginalização.

Atualização em 30 de Novembro:

Peço, atenhamo-nos ao debate sincero sem ofensas pessoais.

Não tenho paciência para troll

Em nenhum momento xinguei os atores de elitistas, ou parti para ofensas pessoais, tenham o mínimo de maturidade, por favor.

Não tenho potência de Estado, não sou colunista de jornal.

Estão me ofendendo no Twitter da Avenida Q com o fato de eu prestar FUVEST, terminei meu ensino médio com Supletivo. Invalidar a minha opinião porque não tenho diploma, isso sim é elitismo.

Repetindo: Respeito o trabalho da produção, o elenco, todos os envolvidos, mas não acho graça de racismo.

149 Comentários

  1. Bárbara said,

    Nossa, e eu que não sabia de nada disso e estava querendo muito assistir a essa peça…
    Obrigada por postar seu ponto de vista sobre ela :)

  2. Jaqueline said,

    Querida,
    Compartilho da sua angustia, nossa sociedade é hipócrita, e sustenta todos os tipos de estigmas negativos ao mesmo tempo em que prega o discurso da mistura e da convivência harmônica.

  3. jun said,

    O humor se disfarça de transgressor, mas é peça importante para a manutenção da ordem social. Mantém estereótipos e faz as pessoas ficarem de “consciência tranquila” ao realizarem atos discriminatórios. Lamentável.

  4. Olá Débora, também sou da da Sul!
    (…)
    Fiquei bem curiosa quanto a peça. Não costumo ir a teatros, mas dessa vez fiquei curiosa. Talvez eu tenha uma percepção um tanto diferente da sua, mas entendo o que vc está falando. E falar sempre é importante.

    Beijo e saudade de você!

  5. Mariani Lima said,

    Eu gosto de musicais, mas prefiro peças teatrais, e dramáticas.
    Vejo que não há mais espaço para peças nos teatros, estão dando preferência para Stand Up ou no máximo peças de humor, que são extremamente racistas.
    Foram pouquíssimas peças de humor que assisti e que não tinha algum preconceito nelas. Por isso acabo até desistindo de ir. E esperando (em vão?) que apareça algo legal para eu assistir.
    Mas parece que o que dá lucro é o riso fácil. E rir da desgraça do outro parece ser a única solução para a maioria.
    ¬¬

  6. Nossa, não vi e não tinha ideia de que era assim… Tô fora!

  7. Erik Almeida said,

    Minha nossa.. eu sinceramente não sei de onde você conseguiu tirar tudo isso! rs Avenida Q conta com humor que todos nós somos racistas, preconceituosos, que muitos de nós damos risadas da desgraça alheia, impressionante mas em 3 anos foi a primeira vez que li algo que me deixou realmente surpreso, eu nunca tinha visto alguém tão indignada com uma musica, que por sinal sempre falamos ‘UM MUSICAL POLITICAMENTE INCORRETO”.

    Minha dica é que você abra seu coração de modo que não veja nada como uma agressão ou uma ofensa, Avenida Q é mais que um musical é uma lição que por mais que você esteja na merda, você pode ser feliz! E no fim como você mesma viu, “Tudo há de passar, o teu sorriso, sua dor no dente ciso…”

    Outra coisa, você fala que a Avenida Q é Berrini, Leblon.. Acho que você precisa saber um pouco mais sobre a real história da Avenida Q, afinal é o único MUSICAL com preço popular, o único MUSICAL que fez o projeto escola , para que alunos de escolas estaduais assistissem o musical, mais de 3 mil adolescentes puderam participar. Preços populares que eu duvido que alguém consiga chegar, cobrando R$ 20,00 por ingresso em um musical da BROADWAY. Acho injusto você colocar este seu ponto de vista tão equivocado.

    Relaxa e aproveita a vida.. Bem-Vinda à Avenida Q! =)

    • Deborah Sá said,

      Então, eu sou branca. Mas não dou risada de piadas de negros. Sério, eu não acho a mínima graça, ainda mais sabendo que a maioria das mulheres negras tem sérios problemas de auto-estima e que se eu andar com um grupo de brancos, ninguém vai nos chamar de “bandidos” ou atravessar a rua. Isso me incomoda pessoalmente, mesmo que eu não seja negra. É empatia.

      Mas talvez você queira um exemplo pessoal: Mulher gorda. É, sou uma mulher gorda. E linda e feliz com meu corpo, mas sei que a maioria das mulheres não se sente bem. Não vejo graça em pegar um grupo marginalizado e fazendo o papel de acentuar esse preconceito humilhá-lo ainda mais. Se estivermos “todos na merda” pra que humilhar “quem está mais na merda ainda”? Porque não trabalhar para um mundo mais igualitário?

      Politicamente incorreto é ter aval pra dar risada das piadas ofensivas? O Brasil é o país do preconceito velado, dizem que aqui todo mundo se respeita, mas querem o viado discreto e a negra de cabelo alisado, que bonito, que bacana, é a festa da democracia.

      Ok, entendo o que fala de sorrir. Mas imagine, por exemplo, que você trabalha em uma ONG de crianças portadoras de necessidades especiais, sendo recorrente escutar as histórias de vida delas, do quanto são estigmatizadas, humilhadas, segregadas. Então imagine agora, que você ouve alguém contando uma piada de alguém em situação parecida. Eu não acho graça humilhar ou menosprezar a dor e a angústia de alguém, ao contrário, meu papel é amparar e fortalecer.

      Acho louvável (mesmo) a democratização do Teatro, quando falei dos bairros caros, eu quis falar da mentalidade, ouvir que mulheres devem esperar homens “amadurecerem” e piadas antiguíssimas sobre a subjugação dos negros sobre os brancos não é novidade, já usaram a Bíblia, a Ciência, as Artes e hoje o intocável que carrega esse privilégio é o humor.

  8. Viviane said,

    Débora… na verdade… a intenção do musical é criticar de maneira engraçada esses comportamentos, mostrando que o que nós achamos comum e engraçado é sim feio…

    O texto mostra que podemos ser racistas com pequenas piadas e que isto está incrustado na nossa sociedade.

    Esse musical é uma crítica social disfarçada de comédia e é muito mais sério do que a grande maioria que assiste consegue compreender.

    A mensagem é… vc faz tudo isso que esses bonecos fazem… olha como isso é errado apesar de ser socialmente aceito…. outra mensagem é… Como a sociedade é hipócrita… vamos lutar contra isso….

    Acho que vc entendeu tudo errado… analise por este ponto de vista….

    • Deborah Sá said,

      Olá Viviane,

      A diferença é que eu não acho que ofendendo os negros ajuda em algo, somos criados em um mundo rodeado de privilégios para brancos, isso eu já sei. Concordo em “vivemos em mundo hipócrita, vamos lutar contra isso”, mas usar o humor com piadas de negros? Eu prefiro outro modo, por favor :)

  9. Rebeca Candido said,

    Acho que você precisa ser mais sincera com você mesma. :)

    Concordo com o que o Erik disse acima, e digo mais, se você diz que nunca riu da desgraça alheia, ou de uma piada preconceituosa, está mentindo.

    Sobre ser elitista, discordo totalmente. Estão todos “na merda”. Sou gorda, moro na Zona Leste, e mesmo assim sei que o mundo não conspira contra mim. “Porque a cultura de auto-ódio faz isto com mulheres, negras e gordas, quando nos humilham somos nós, que acostumadas sentimos vergonha.” O triste é saber que quem alimenta essa cultura é justamente quem se sente ofendida e não sabe ver o outro lado da vida.

    Se você for assistir Avenida Q com a mente aberta, livre de preconceitos, ai sim você vai conseguir aproveitar. E se mesmo assim não gostar, tudo bem …”Tudo há de passar”.

    • Deborah Sá said,

      Olá Rebeca,

      Sobre ser elitista, como falei para o Erik, me referia à mentalidade.

      Não estou fazendo competição de “sou mais oprimida que você”. Não me faço de vítima, os preconceitos estão aí e dentro do que posso luto contra eles, julga mesmo tão errado defender que ricos não humilhem pobres, que brancos não humilhem negros, que humanos não maltratem animais?

  10. Lívia said,

    Eu faço a Japa Neuza na montagem da escola 4Act de Avenida Q.

    Mesmo não concordando com todos os pontos do seu texto, o achei muito interessante, em especial pelo fato de mostrar uma nova interpreteção da peça.
    É como os filmes do Tarantino, tem gente que fala que as cenas de violência servem como um tapa na cara da sociedade norte-americana, outras falam que só reforça o sadismo daquela nação.

    • Deborah Sá said,

      Olá Lívia,

      Tudo bem? Minha crítica é unicamente destinada a narrativa e os preconceitos (não é com piada racista que se critica o racismo). O elenco e a produção do espetáculo são excelentes, a democratização do teatro também.

  11. fernanda said,

    Eu SOU mulher, lésbica, meio negra, meio japonesa, agnóstica e não sou nem um pouco rica, ou seja, de minorias eu realmente entendo!
    O que diferencia as pessoas é o processo de vitimização.

    Você vai me desculpar mas sua crítica à peça nada mais é que um processo de auto vitimização!!

    Avenida Q trata justamente de temas delicados como a homossexualidade, o racismo, a pobreza, justamente para levar isso ao público de um modo que um musical consiga atingí-lo. Avenida Q nos faz lembrar que não podemos fechar os olhos pra esses temas da sociedade.

    Alí, o que a peça buscou foi rir de absolutamente tudo! De homens, de mulheres, de gays, de héteros, de negros, loirass, orientais, judeus cristãos, ricos, pobres, etc etc etc! Se você não conseguiu sentir união nesse humor que mistura absolutamente tudo, realmente, quem está à margem é justamente você!!

    Nessa sua opinião eu só consegui ver ressentimento, até porque você concluiu dizendo que os atores são realmente excelentes. O tema de Avenida Q não tem nada a ver com Berrini, até porque a peça vem de Nova Iorque! Tem a ver com a realidade, tem a ver com esmurrar a hipocrisia e o falso moralismo! Tem a ver com arte! Antes de ver a peça eu pensava como você em relação ao racismo e, graças à peça, hoje eu posso dizer sim, eu SOU MEIO RACISTA! E nesse meu meio racismo eu incluo tudo, não apenas raça, incluo o que me faz rir como uma piada saudável. E hoje, minha piada foi esse texto.

    • Deborah Sá said,

      Vamos lá:

      Do que falei para a Rebeca:

      Sobre ser elitista, como falei para o Erik, me referia à mentalidade.

      Não estou fazendo competição de “sou mais oprimida que você”. Não me faço de vítima, os preconceitos estão aí e dentro do que posso luto contra eles, julga mesmo tão errado defender que ricos não humilhem pobres, que brancos não humilhem negros, que humanos não maltratem animais?

      “Nessa sua opinião eu só consegui ver ressentimento, até porque você concluiu dizendo que os atores são realmente excelentes.”

      É que uma coisa é criticar técnica e atuação, outra é criticar roteiro.

      Por favor, leia as respostas anteriores que direcionei a outras pessoas.

      • E foi a q me referi…o seu ressentimento ao roteiro!!! Eu só quis deixar claro de como a peça é positiva!

        Você luta contra o preconceito e o roteirista desta também! Ele só tem uma visão mais pé no chão do que a sua, bem como, não se deixa ofender facilmente.

        Como eu disse e você não entendeu. Na peça não há rico humilhando pobre, ou isso humilhando aquilo. Pelo contrário, procurou-se humilhar a mente do ser humano, indiferente de cor, credo, sexo…procurou-se expor como podemos todos ser escrotos. porque admitir ser escroto é o primeiro passo pra buscar um mundo melhor! e o mais importante, fazer tudo com humor. Coisa que fica mais nítido que é preciso existir, porque tem gente ainda que não tem humor.

        Você não ri de quem cai, de alguém se ferrando?! Desculpa, mas acho impossível acreditar nisso pois, ou você é um robô ou você é hipócrita!

      • Deborah Sá said,

        Sou do Daft Punk, essa careca é só pra disfarçar.

      • sério??!!
        pq eu tava mais pro hipócrita msm! huahuahuahuauhauha

      • Deborah Sá said,

        Como Daft Punk vos digo:
        AAAAIIIAAAAMMM DE BRRRAAAIIINNNUÁÁÁÁSHEEEERRR

        Trabalho para o Pentágono e com todas as conspirações Extras e Intra Terrestres. Sou um Grey. Todos que me lêem viram Zumbis. Deborah Walking Dead. Sendo careca fica mais fácil comer o próprio cérebro. Câmbio

        [Agora sério:]

        Fernanda,
        Espero que seja muito feliz com sua namorada. Se não se sente discriminada, que bom. Não invalido sua luta, cada um luta com o que quer e como quer.
        Achar-me hipócrita ou não é um direito seu

        “Não conheço a deborah mas ficou explícito que ela chega aos lugares já esperando ser discriminada, fica procurando quem vai ser o próximo algoz (como vc msm disse) dela.”

        É não conhece, nem eu te conheço. Por isso não ataco sua vida pessoal, só critiquei o roteiro de uma peça de teatro.
        Sobre me expressar “da maneira correta para que não haja pessoas desistindo de assistir a uma montagem tão maravilhosa como aquela”, abri o espaço para quem discordasse, vocês todos se expressaram aqui, certo? Isso dá outra perspectiva sobre a peça e enriquece o debate, oferecendo outras opiniões e convidando-os a assistir a peça. Eu opino do que vi, nunca disse que era a verdade absoluta, tanto é que tem muita gente discordando por aqui.

    • Ághata said,

      Hahahahahahaha!
      Mas que gracinha.

      Bem, Deborah, você estava absolutamente certa. É uma peça tão racista, mas tão racista e funciona tão bem que a galera consegue admitir seu racismo e se sentir bem com isso.

      Como termina a peça? “Muito bem, agora que rimos de todos (Oops, duvido que tivesse piada de homem branco hetero) vamos admitir todos os nossos preconceitos e parar de reclamar deles”?

      • Ághata said,

        Afe, que nojo… A Fernandinha admite na cara de pau que ri e se diverte com o povo se ferrando e acha que Deborah é hipócrita porque não faz o mesmo???
        é bem esta a mentalidade do povo que gosta desse tipo de peça.

        (Em tempo, adoro ver gente caindo e se ferrando, mas quando são pessoas que eu detesto e abomino. Você abomina pessoas negras, gays, nordestinas e mulheres, Fernandinha? Sei que vc disse que se encaixava nas categorias, mas isso não significa nada.)

  12. Emilio said,

    Você não entendeu a peça, está claro…Avenida Q é justamente o contrário de tudo o que você escreveu….

  13. aaahh…desculpa…eu coloquei apenas fernanda…mas deixar claro que meu nome eh Fernanda Thiemi!

  14. Paula said,

    me desculpa, mas em que MUNDO vc vive aonde não existe preconceitos? A peça justamente satiriza as coisas erradas q acontecem na sociedade pq se fossemos armar um escândalo por tudo q acontece, obviamente não daria certo. Você com certeza não entendeu a peça.

  15. Camila Martins said,

    De fato, esse texto foi escrito para a sociedade estadunidense, que tem séculos de hipocrisia e preconceito em sua história, em maiores proporções que a sociedade brasileira, creio eu. Desse modo, a arte vem cumprir o papel de desnudar e expor o que há de mais podre no ser humano, com intuito de provocar a reflexão sobre essas questões. Isso vale tanto para a pintura expressionista quanto para Stand Up Comedy.

    “Avenida Q” lança mão da ironia e exposição exacerbada dos defeitos humanos do mesmo modo que preconizava, séculos atrás, a Comédia Grega. E, pelo visto, vem cumprindo bem o papel a que se propôs, já que te instigou e tocou de alguma forma.

    Se você não se considera racista de maneira nenhuma, infelizmente é exceção. Não me refiro apenas a preconceito contra negros, que, aliás, eu também repudio, mas de toda e qualquer forma de discriminação. Eu sou magra e posso te dizer que já fui discriminada por sê-lo; o que mais vejo no meu meio (sou Produtora Cultural) é discriminação pela beleza (leia-se: se você é bonito(a), não pode ser talentoso, consegue tudo pela beleza) e, por fim, sou gay, já tomei dura de policial por beijar minha namorada na rua de madrugada.

    Acho sua crítica válida, porém extremista. Reduzir o espetáculo a racismo e preconceito é subverter os conceitos básicos da teatralidade ali apresentada. O choque que você sentiu foi, sim, planejado pelo autor, que teve a coragem de abordar o tema.

    • concordo com absolutamente tudo q a camila disse!

    • Deborah Sá said,

      Olá Camila,

      Sei que mulheres no meio artístico sofrem preconceitos, há quem diga que são incapazes de conseguir bons papéis por mérito na profissão. E sou contra esta idéia também.

      Não reduzi o espetáculo ao racismo, tanto é que elogiei o elenco, a produção, é tudo muito bonito e as pessoas são talentosas. Sei separar os atores, a interpretação e trechos específicos que não me agradam em uma obra.

  16. Yuri Scardino said,

    Não comento nunca, mas achei isso num blog americano falando sobre a peça.

    ” The question, of course, is whether the satire is honest or whether the joke is on micro-racism itself.”

    Eu não vi a peça ainda, mas o relato da Deborah me lembrou de uma ocasião na EPM (escola paulista de medicina): O jornal dos alunos dessa faculdade publicaram uma matéria sobre racismo e, vejam só, a título de esclarecimento, publicaram em anexo mais de 100 piadas racistas… Não seria o mesmo caso do “micro-racism itself?”
    Eu creio que sim. Ficar encontrando subterfúgios para ser racista, homofóbico ou sexista de um modo aparentemente ético não torna a coisa toda menos preconceituosa. Ao contrário, é só a ponta do iceberg, mostra como as pessoas estão interessadas em manter as desigualdades como estão, mas de uma forma obscura, para não ferir o decoro social.
    Nem vi, e nem sei mais se compensa ver.

    • Carol said,

      Se você não viu e não tem o interesse em ver, por favor não comente. Acredito que somente aqueles que conhecem sobre um assunto podem criticá-lo. Sua crítica está sobre outra crítica, ou seja você não tem nenhuma base e já formou opinião.

      • Jo said,

        Quer dizer então que precisa ser expert no assunto pra comentar?…cagando regra!

  17. Lau said,

    Também fui assistir Av. Q no domingo depois da fuvest; estava de camisa cortada, toda acabada (pois tinha saido de um ensaio), suada, meu cabelo é enrolado e armado, ou seja, chinelo, enfim… Não tinha salto ou maquiagem e ainda assim não me senti excluída das outras pessoas que haviam ido ao teatro. Fora isso sou gorda, guarulhense, entre outras características de tantas que são ‘zuadas’ na peça que não vou enumerar nesse comentário.

    A diferença entre a minha opinião e a sua é que eu encaro a peça como uma crítica a quem age daquela forma e não como um aval para que esse tipo de comportamento seja aceito. Você prestou atenção no que eles cantavam?

    “Todo mundo é um pouco racista, é sim, todo mundo é um pouco facista, é sim… Quando a gente admitir que é babaca mesmo e não fingir quem sabe a gente aprende a se aceitar e fazer o mundo melhorar”

    O fato de admitir que a gente é babaca só ocorre se a gente perceber o quanto horrendo é o racismo e que isso é algo que não deve estar arraigado em nós mesmos, ou seja: é quando a gente se aceita não importa como ou em qual situação (eu me aceito gorda, guarulhense, boca suja, de cabelo armado e também me aceito gorda, guarulhense, sendo educada e usando um salto e maquiagem para ir ao teatro), que a gente começa também a aceitar os outros e é aí que as pessoas param de achar que ser de um jeito é mais certo que ser de outro. É aí que as pessoas param de achar e FALAR que ser Paulista e não ter votado na Dilma é mais certo que ser Nordestino e ter. Que ser gay é errado e que por ser cristão alguém quer ter o direito de ser homofóbico. – Quer dizer, o que o Princeton diz na hora do racista para mim não é diferente de alguém que diz que odeia brancos ou de alguém que diz que odeia negros. Quem está errado? Os dois.

    O preconceito velado é o pior tipo de preconceito – ainda mais no Brasil. Se nós déssemos uma chance pra rirmos de nós mesmos e percebermos o quanto nós estamos na merda, quem sabe não pararíamos de apelar para o “Schadenfreude”? Afinal, assim como o outro está na merda agora daqui a pouco posso ser eu ali naquele lugar. Todo mundo ri da merda dos outros por que não quer rir da própria merda.

    O que eu adquiri ao assistir a peça foi, com certeza, que não está tudo bem você sair cantando por aí que é racista. Que não está tudo bem você sofrer bullying na escola (vide Trekkie monstro) pois com isso a sociedade se torna ainda mais separatista. Com o bullying e o tratamento diferenciado dispensado aos monstros, Kate constrói uma escola exclusiva para monstros. E quanto mais separatista isso pode se tornar? E se os monstros de dentro da escola se voltarem contra os outros tipos de pessoas? Eles vão estar certos? Não estariam os dois errados? Pra que a necessidade de uma escola só pra monstros se o correto é que tanto os montros como os negros, os japoneses, os brancos, etc etc etc convivam simplesmente em paz? A necessidade de algo ainda mais divisor vem pois as pessoas não assumem que são escrotas e continuam velando seu preconceito.

    E aí a gente vê que Avenida Q é bem mais que um monte de bonecos fofos falando coisas erradas – porque eles falam coisas erradas, e muito erradas. É bem mais que uma piada sobre mulheres gordas e/ou feias feitas por um cara gordo. Pra entender Avenida Q a gente precisa mais do que se sentar pra ver um show de fantoches com (como vc mesma disse) atores fantásticos.

    Enfim… Sei que você não perguntou (^^””’) mas quis deixar minha opinião pq as vezes a gente perde um show muito bom por que a gente deixa a nossa cabeça já adquirir um pré-conceito no começo do show e aí ao invés de o assistirmos como algo que critica o que odiamos, assistimos como algo que nos agride e aí passamos a odiar o show que poderia ter sido uma válvula de escape tão boa para o stress da FUVEST.

    Enfim… Boa sorte com o vestibular! =)

    • Deborah Sá said,

      Olá Lau,

      Políticas afirmativas não são “preconceito ao contrário”, no caso das mulheres por exemplo:

      Feministas não possuem essa força política toda de levantar-se contra estruturas que oprimem mulheres por séculos. Mesmo se as mulheres “da noite para o dia” tomassem o poder, não há como garantir qual o regime seria instaurado. Machismo as avessas é impossível, pois o registro histórico é outro, impensável dentro das perspectivas concretas que temos em mãos.

      Por isso “100% Branco” é diferente de “100% Negro” não esvazie as minorias de sua historicidade ;)

      Recomendo que você frequente qualquer “Escolinha de Monstros” e verá, ninguém vive em uma ilha, quantas pessoas do Movimento Negro, Feminista e demais minorias você(s – no caso leitores) conhecem? Nós somos plurais, só buscamos Políticas Afirmativas em um mundo sem representação.

      O blog é público e de comentários moderados (porque pra você ter uma idéia, até ameaça de estupro eu já recebi), sou disposta a dialogar com tod@s aquel@s que desejam contribuir, inclusive quem discorda de mim. E bem, a maioria das pessoas que vem aqui me xingar, não sabe bolhufas do que penso, o que aconteceu na minha vida e como de fato sou uma pessoa extrovertida, afetuosa e bem-humorada. Só critiquei o preconceito da peça, não ataquei ninguém pessoalmente e alguns comentários que expressaram sobre este post só não são mais desnecessariamente agressivos do que os trolls cristãos que tentam me evangelizar.

      Assisti a peça até o fim porque pensei que talvez fosse a introdução de uma lógica maior, seria MUITO pior se eu visse a peça até a metade e reclamasse depois, não?

      Boa sorte pra você também =)

  18. Giulia said,

    É o espelho do preconceito por aqui. Nunca tem nada demais, é sempre paranóia nossa.
    Aqui em casa é assim: “faço piada com tudo, não sou preconceituoso, só bem humorado.” “Sou gordo e careca e não me sinto ofendido com as piadas.”

    E assim fazem a manutenção da opressão. Uma piadinha inocente aqui, outra ali, como se não fosse ISSO necessário pra manter essas idéias sempre evidência. E como se não fossem ESSAS idéias que oprimissem as pessoas das formas mais variadas e veladas. Tão veladas que as vítimas, quando isso acontece, demoram pra se conhecerem como tais. Tão veladas que andamos de mãos dadas e rimos com o inimigo. E, pra variar um pouco, passam a culpar quem se sente ofendido.

    Pelo menos, com quem convivemos, pode ser possível tentar fazer entender aos poucos. Já com essas pessoas que te julgam tão cabeça fechada, mas não conseguem enxergar um palmo à frente do nariz, só nos resta lamentar. Não vão entender o que você tem a dizer pq não tão interessados e têm certeza de que estão certos. Não conseguem nem parar pra pensar que vivemos no mesmo contexto e, pra termos esse tipo de opinião, tivemos que, uma hora, refletir e mudar pra sair do senso comum. Ao contrário deles, que continuam nessa inércia. Só vão gastar mais tempo e energia protestando a favor de algo que nem precisa deles pra se manter. Tão fazendo papel de bobos e nem fazem idéia, são orgulhosos por isso.

    • “pra termos esse tipo de opinião, tivemos que, uma hora, refletir e mudar pra sair do senso comum. Ao contrário deles, que continuam nessa inércia.”

      garanto que o processo foi o contrário comigo. pensava como vocês e só após pensar em como existe outras formas para lutar contra as opressões, dentre ela o humor escrachado, é que escolhi por esse caminho. pois, além de ser menos cansativo, é o menos retórico!

      • Giulia said,

        Claro que é menos cansativo e retórico. Quem é preconceituoso encara como piada e sai dali com a consciência limpa pra fazer as mesmas coisas de antes. Não mudou nada, não se sentiram atacados (pq, quando criticamos atitudes erradas, as pessoas se ofendem), vão reclamar do quê?

        Tem gente (mas MUUUUITA gente) que usa as frases do Homer como se fossem frases sérias pra reger a vida com aquele tom de piada clássico, pq, como o Thiago disse, é cool ser politicamente incorreto. 99,9999% dos fãs de Simpsons que já vi, não param pra pensar nas críticas com o humor escrachado ali apresentadas. Não entendem que o Homer não é ídolo, é uma caricatura tirando sarro daquelas atitudes, só que eles acabam sentindo orgulho em reproduzir. Acham graça e só.

        Não tem como esperar que reflitam em cima dessas piadas. Não assisti à peça, mas não acho que assitindo retiraria um vírgula do que eu disse. Pra mim, é a mesma coisa de sempre e, como a Deborah, prefiro lutar contra o racismo sem piadas racistas. Não só não acho que funcione, como acho que retrocede a suposta luta. Por mais bem intencionada que a peça seja, o público precisa estar preparado pra ela.

  19. Thiago Beleza said,

    Excluindo os comentários que se resumem a justificar o próprio racismo com o jargão: É SÓ DE BRINCADEIRA.. a GENTE CHAMA PRETO DE MACACO MAS NÃO É RACISTA NÃO!!!, fiquei confuso se a peça é realmente racista e preconceituosa ou se foi apenas uma leitura diferente, ao contrário do que disseram aí sobre vitimização (acho mto fácil dizer que os outros estão se fazendo de vítima qdo se está do lado do algoz).

    Talvez não tenha sido a intenção do autor, e ele queria mesmo era expor, escancarar.. Gosto do paralelo com tarantino…
    De qualquer forma, bons artistas estão sempre preparados para leituras diversas…

    Concordo com vc e com o Yuri: Satirizar preconceitos serve pra normatização, afinal, é legal ser politicamente incorreto.. É cool…

    • Thiago Beleza said,

      Esqueci de comentar… Não assisti a peça.. Se chegar aqui em BH, quem sabe…

      • se vc está dizendo q eu sou a algoz…por favor, leia de novo o comentário e veja onde eu disse que faço parte das inúmeras minorias oprimidas!!

        foi sim vitimização! foi alguém que assistiu à peça com um próprio pré conceito. Avenida Q é simplesmente maravilhosa e deixa exposta a hipocrisia em que o ser humano vive em sociedade! Por conhecer a peça e ter lido o que foi escrito aqui é que volto a repetir, foi vitimização!!!

  20. Thiago Beleza said,

    Esqueci de dizer tbm.. tem um filme que trata de maneira mto sutil essa questão das piadas racistas que não são racistas.. o documentário PRETOXBRANCO.. simplesmente genial…

  21. “Você está certa e eu errado! E olha que eu ainda não disse nada…”
    – Eu sou aquela que discorda de você!
    “Mas eu nem falei nada, ainda…já fui Trollado”

    Credo já fui julgado e condenado, sem abrir a boca!
    Que mundo cruel… não acha?! É eu sei…vc não acha!
    Quem sabe poderiamos concordar em algo…
    Ok desculpe por tentar… você é tão igual aos outros!

    Acho legal que suas forças seja direcionadas apenas para protestar, mostra que é forte e disposta a lutar… mas proteste contra coisas que valem realmente a pena protestar e procure sempre ler o que vc escreve, não falo sobre erros de português mas sobre um preconceito arraigado que transborda em suas palavras.

    Não seja preconceituosa com quem está lutando do teu lado!

    Como não preciso discordar ou concordar com nada… devo te parecer um Zé Ninguem sem opinião ou personalidade, devo ser mesmo…

    Vou dizer algo que me fez gostar da peça.

    A IRONIA – Um breve relato sobre o que pode ser a ironia “pode ser utilizada, entre outras formas, com o objetivo de denunciar, de criticar ou de censurar algo. Para tal, o locutor descreve a realidade com termos aparentemente valorizantes, mas com a finalidade de desvalorizar.”

    Eu não sei se eu estou entorpecido por esta sociedade machista, discriminatória que ri dos desafortunados em que vivemos, mas achei a peça super ironica e foi exatamente isto que me fez gostar dela, ver alguns assuntos em pauta, que na sua maioria nem são discutidos.

    Mas fico um pouco encucado por achar alguém acostumada a lutar pela minoria interpretar a peça forma como interpretou!

    Minha intenção não é discordar de você e sim entender o seu ponto de vista, apesar de já ter sido Trollado logo de cara, talvez vc não tenha paciencia para discutir este meu ponto de vista… queria entender como vc sugeriria tratar estas pautas? Ou você é como os outros, por falta de criatividade não falaria sobre o assunto… ou então faria melhor, criaria uma tese para ser colocada em alguma prateleira velha de uma faculdade onde ninguem leria, acredito que vc assim como eu goste de defender o seu ponto não para uma banca de mestrado e logo em seguida engavetar o assunto, e sim para uma sociedade realmente ativa que pode ter idéias distorcidas sobre este ou aquele assunto e nem sabem ainda.

    Quero que você entenda que se você que realmente ajudar, negros, monstros, gays, pobres, deficientes e todos os outros marginalizados vc não tem que simplesmente fazer barulho…tem q mostrar para o cidadão normal como ele é preconceituosos… faça com que ele se identifique com tudo aquilo, se orgulhe e depois mostre o quão podre ele é! Só assim vc consegue fazer “ele” o “Discriminador” pensar, refletir e talvez sem pretenções…MUDAR!

    Ou você realmente acha que a melhor forma de mostrar a sua indignaçnao é levantar uma plaquinha com meia duzia de gatos pingados?

    Só estou escrevendo tudo isto, pois vc já se mostrou inteligente…. mas sua crítica me pareceu egoista e rasa, olhe além das suas havaianas e veja aquelas senhoras bem vestidas sendo obrigadas a concordar que o racismo é burrice, que o dinheiro não faz ninguem ser melhor que ninguem e o netinho viado dela também se sente sozinho e nem por isto é uma má pessoa.

    Estamos falando de um musical que falal mal de musicais, não podemos ser extremistas, é incrivel você afirmar que não consegue ver o valor disto tudo!

    Você acha realmente que Schindler teria salvo tanta gente se ele ficasse segurando plaquinhas numa avenida movimentada! Vc tem que entrar no meio e fazer com que o meio te entenda e não ficar dando murro em ponta de faca! Vc discorda de tudo isto também?

    Hj não sou 1DASUL mas morei no Capão muito tempo e tenho ótimas lembrança de lá.

    Fred Aguiares

    • Deborah Sá said,

      Eu sei o que é ironia.
      Wow! É o primeiro troll que me trolla falando que é trollado. WIN

      Minhas idéias não precisam de banca de mestrado, até porque, nem diploma tenho 8)
      Creio que pediu um exemplo de humor, certo?

      Gosto muito do 31 Minutos, olha só que legal:

      Adoro as tirinhas da Mafalda, Calvin e Haroldo e Mutts :)

      Meu ativismo é mais que segurar plaquinha, Fred. Sou feminista, vegana e atéia, ao menos tento fazer algo para tornar o mundo mais justo, agora se você acha que o melhor é contar piadas racistas para despertar a auto-estima dxs negrxs, só posso discordar.

      • Fred Aguiares said,

        O lance do troll foi a critica ao “que discorda de vc” do cabeçalho, sua pre-disposição de discordar sem ao menos saber do vai ser falado! Como o amarelo não é amarelo? Se ele é… então diante de fatos óbvios a discordancia é impensada…mas enfim o lance do troll foi uma sátira sem pretenção alguma, nem pretendia me demorar nisto.

        Achei legal o 31 minutos, simples… e tranquilo.
        Mostrei para algumas pessoas, ocultando claro o contexto todo da nossa conversa, eles gostaram… mas vc percebe q talvez falte força para propor mudanças sociais??
        A verdade está aí… e o que 31 minutos faz é mostrar de forma fofa, sem se aprofundar muito ou propor uma forte mudança…. ele apenas joga, se vc tiver um pouco mais de interpretação de texto, vc pega a mensagem.
        Ok, tem seu mérito… mas a sociedade média (que é a que realmente faz a diferença ajudando ou não os “marginalizados”) dificilmente vai perder seu tempo para digerir e repassar um conceito que não faz grande diferença na sua vida e nem deixou marca nenhuma, agrediu ou invadiu seu coração, te tirando da sua zona de conforto… e é isto que ao meu ver a Av.Q faz, eu me senti assim, será que sou desligado e que minha interpretação foi superficial?

        Na verdade voltei a escrever aqui pq vc citou Mafalda, Calvin que amo e fico imaginando se nós eu e vc iriamos ler a mesma tira e rir de coisas diferentes, na verdade foi isto que me intrigou, preferi deixar a poeira baixar e o furor da galera acabar, inclusive a propria peça fará sua ultima apresentação no brasil esta semana, então não teremos mais o calor da emoção recente nas respostas.

        Se interfirissimos sobre a Av.Q retirando a acidez e o protesto ironico que te agrediram tanto… como poderiamos transformar este texto para se tornar algo que realmente tocasse as pessoas de forma bem clara para estas “diferenças sociais abordadas” ?

        O intuito da comédia desde o teatro grego é enganar espectador ou personagem e fazer rir, atingindo assim atravez do riso a politica que era a mão opressora na época, e vi isto na Av.Q

        Quando te perguntei sobre segurar plaquinhas, vc me respondeu que não segura plaquinhas, vc é “vegana, feminista e atéia” ou seja é bem similar a “não gosto da cor vermelha, portanto não uso roupas vermelhas” me intriga uma revolta que vai até a segunda página… sou revoltado com todos que usam o vermelho… “minha luta? não uso vermelho” Oh Really? How Convenient, massificar a mensagem e lutar de verdade por uma causa, não em busca de uma própria personalidade ou em busca de visibilidade mas sim pelo objetivo em si.

        Acreditar naquilo que “acredita” não apenas por querer ser ou parecer Zen e sim fazer a diferença.

        Talvez vc concorde com o seu amigo Beleza que Shindler “fez apenas sua obrigação, apenas por peso na consciência” por ter enriquecido diante da exploração…
        Gandhi fez sua obrigação, Madre Tereza fez sua obrigação eles não tem nada de heróico certo, fizeram o que fizeram apenas para dormir melhor a noite, poxa descordo muuuito estas pessoas deveriam ser seguidas e sua história disseminada… afinal o nosso peso na conciencia não nos movel a fazer coisas tão grandiosas.

        Não penso só em mídia em si, penso em fazer o bem “vezes” o ponto multiplicador disto! Sorrir, não por estar feliz, mas sorrir diante do compromisso de espalhar alegria, e a vontade de mudar.

        Percebe? Acredito que parte dos nossos pensamentos semelhantes, mas cada um atua da sua forma… só não posso ficar quieto vendo vc lutar contra aquilo que está ao seu favor! Perder uma energia preciosa desta forma. Vejo como se vc lutasse contra o mosntro que luta da forma dele por ser total marginalizado, talvez fosse mais coerente lutar junto e usar esta força p/ derrotar o “marginalizador” e depois discutir as diferenças…

        Fica parecendo um agricultor que destroi solo e a vida local queimando-o ao invez de lutar somente contra a erva daninha, pode até triunfar… mas a que custo? E quando acontecer de novo… pois vai, o que fazer? contabilizar os prejuizos mais uma vez? Iniciar uma luta contra a corrente que vai causar uma falsa vitória ou uma conquista momentanea, na falo de criticar as cegas, falo de mudar conceitos, abrir olhos!

    • Thiago Beleza said,

      Claro, Shindler era o maior ativista de direitos humanos do mundo…

      Shindler salvou poessoas por peso na consciência.. Repare que ele teve o controle sobrea vida das pessoas…..Ele fez fortuna graça a estas pessoas.. O mínimo que podia-se esperar dele era que fizesse o que fez.. isso não faz dele um salvador da pátria que luta pelos direitos dos judues e contra os Nazistas…

      Noss Deborah, Seu blog da cheio de pérolas hj, hein… parabens..hahah

      • Fred Aguiares said,

        =|

        Sim ele não é um salvador e só fez isto pois tinha insônia.

        Desculpae velho! Não vou seguir com isto pelo menos não contigo.

        Nossas perolas (discordancias) não seguem para uma discução!

        Até

  22. Thiago Beleza said,

    Fernanda Thiemi… Sua resposta foi o único exemplo de vitimização aqui…

    Qdo eu digo do lado do algoz, é de forma geral… ou vai dizer que são os negros que são racistas?

    A sua interpretação do texto é tão livre quanto a interpretação da Debora a peça… Eu li, sinceramente, já me senti como ela… Cê faz idéia do que é ser ameaçado pela polícia por sua orgiem? Faz idéia do que é ser morto por causa da sua cor ou orientação sexual? Eu entendo as angústias da autora pq compartilhamos várias formas de discriminação.. simples assim.. o que vc chama de VITIMIZAÇÃO, eu chamo de leitura diversificada… Exatamente o que aconteceu conosco ao ler o post..

    • thiago, eu pedi para q vc lesse meu comentário.
      mas não tem problema, eu repito aqui.

      você me perguntou:
      “Cê faz idéia do que é ser ameaçado pela polícia por sua orgiem? Faz idéia do que é ser morto por causa da sua cor ou orientação sexual?”

      thiago, eu sou mestiça. meu pai é negro e minha mãe é japonesa, bem como, eu sou lésbica. namoro há um ano e meio com uma menina que é o amor da minha vida. Eu sofro preconceito diariamente pela minha condição sexual. Mas eu escolhi levantar a cabeça e encarar as coisas da melhor forma possível, e sempre lutando. por favor, ênfase em SEMPRE LUTANDO, porque eu sou militante LGBT. e acredito que tem gente aqui que fala muito e nem faz nada.

      o que eu chamo de vitimização é vitimização msm. o que eu vejo aqui é alguém que é oprimido e por isso acha que tem o direito de oprimir de volta.

      não conheço a deborah mas ficou explícito que ela chega aos lugares já esperando ser discriminada, fica procurando quem vai ser o próximo algoz (como vc msm disse) dela.

      eu sou gay e desde que me assumi sempre soube que seria vítima de preconceito. o que não acho q devo aceitar. por isso msm, bjo minha namorada em qlq lugar q esteja, não aceito a reprovação alheia, ando de mãos dadas com ela, aconteça o que acontecer. Se alguém se meter com a gnt, eu procuro a justiça pq daí sim estão invadindo meu espaço. quanto à reprovação, sempre vai existir, pq ngm eh obrigado a concordar com isso, afinal, se existe liberdade pra mim, existe liberdade pro outro considerar isso errado. a única coisa que exijo é uma lei q garanta meus direitos de casar, separar, suceder…

      assim, a deborah tbm tem o direito de não gostar da peça e etc. mas quando for ilustrá-la, ilustre da maneira correta para que não haja pessoas desistindo de assistir a uma montagem tão maravilhosa como aquela sem nem terem visto como já expressaram acima.

      na música do racismo, a japaneusa canta: JUDEU É MÃO DE VACA E AS LOIRA É RETARDADA. OS PRETO CAGA SEMPRE NA SAÍDA OU NA ENTRADA.
      espero msm que vc não fique preso apenas à parte onde ela fala sobre os negros. e é isso que a deborah não mostrou. a peça “ACABA” com td mundo! ela é uma sátira do ser humano em sociedade. não julgue o humor de Avenida Q como um humor cretino ou negro, é um humor inteligente.

      agora eu me pergunto, fui eu q me vitimizei!? eu tenho certeza que não!

      • Jo said,

        faz assim entao…conheça a Deba primeiro e depois posta de novo.

        qual é a maneira correta de criticar uma peça entao? se vc achou ruim…vc achou ruim e explicou pq achou isso!!!! é tão dificil entender? Se me deixar influenciar por comentários sobre filmes, peças e etc eu nao assistiria nada e engoliria tudo que me dizem que é bom…que algumas vezes não é! Acho que tem mta gente aqui q caga regra pra tudo, até pra vida dos outros.

  23. Dennys Távora said,

    Débora, existe um brocárdio latino que diz: “RIDENDO CASTIGAT MORES”. Significa “o riso corrige os costumes”. Evidentemente, refere-se aos maus costumes.

    Avenida Q vai na linha do “Ridendo Castigat Mores” e faz uma crítica forte e incisiva aos preconceitos e maus costumes da sociedade, embora de uma forma alegre e divertida.

    Débora, você definitvamente não entendeu o intuito do roteiro da peça e, com todo o respeito, está a distorcê-lo.

    Para aqueles que ainda não assistiram o musical Avenida Q, vejam-no quando voltar para Sampa e tirem as suas próprias conclusões, pois as que foram expostas pela Débora estão muito equivocadas.

    • Deborah Sá said,

      Recomendo quem assim desejar, veja a peça.

  24. Alezinha Angel said,

    Eu assisti Avenida Q 3 vezes e achei tudo muito fantástico… Tudo isto que estão criticando é aceito por quem não entendeu nada o que o musical quis passar, ou seja será que vcs não perceberam que todo mundo é meio racista… Sejam os loiros, os negros, os judeus… todos somos uma sociedade racista… o racismo não escolhe cor, raça nem religião… por ser um musical politicamente incorreto ele mostra bem a realidade da sociedade em que vivemos de uma forma bem humorada… fala de vários assuntos que enfrentamos, de medos, amores, política, amigos… tudo… Parabéns ao Avenida Q com certeza vcs irão voltar com sucesso total… Amo muito todos vcs!!! Sentirei saudades neste tempo de “Ferias” mas qdo voltarem estarei ai novamente com certeza…
    Avenida Q… pq a vida aqui é assim..E não se esqueçam que todo mundo é meio racista… é sim…. Bjssss

    • jun said,

      “o racismo não escolhe cor, raça nem religião”

      Maior PÉROLA que li nos últimos tempos.

      • Thiago Beleza said,

        Fato…

      • Ághata said,

        Huauauauhauhauahuahuahuahuahuahuahuah, é mesmo, Jun!! Essa foi demais!!!

  25. Má Reginato said,

    Sua critica ao roteiro e a enfase a “mentalidade elitista” se enquadra na palavra: Preconceito. Repare.

    “Opinião desfavorável que não é baseada em dados objectivos!objetivos. = intolerância” [Fonte: Dicionário]

    E todos, preconceituamos tudo, é natural do ser humano. A falta de respeito é muito mais revoltante.

    A peça, o roteiro trata com bom humor o que acontece na sociedade, não foi inventado, tá lá… puro humor negro que ensina e MUITO, pq critica a raça humana, o ser humano. Roteiro genial.

    O roteiro mostra o que as pessoas não querem ou fingem não ver… e quando algo é tratado com humor fica claro, que só fechar a cara para uma piada sobre “racismo” não muda, absolutamente nada, se as atitudes na vida, não mudam em nada.

    Ex.: Certa vez, meu irmão jogando basquete, brincou com o amigo:
    “-Desce daí macaco” que era branco e falou pq macacos vivem em arvores, como todos sabem… e o menino do outro lado, negro, achou que fosse gozação com ele…

    Conclusão, o preconceito tá na cabeça das pessoas, o respeito precisa ser mais levado em consideração.

    • Thiago Beleza said,

      Justificar preconceito cmo algo inerente ao ser humano, portanto, aceitável, foi a atitude mais babaca que eu ja vi.. Sorry, mas, ñ consegui pensar em outro adjetivo…

      • Patricia said,

        Opinar sobre uma peça que você não viu pode ser ainda pior. ‘Sorry’.

      • Má Reginato said,

        Hahah! E a coisa mais “babaca” que consegui pensar no seu caso foi: Pessoas com síndrome exagerada de “gente que faz” nunca levaram o mundo a lugar nenhum, pq se colocam num patamar superior como você tem feito aqui, com placas e gritos, e atitudes que não condizem com o que “pregam”… repito, a sua atitude com as respostas das outras pessoas é totalmente, PRECONCEITUOSA.

        Vc devia chorar muito, então, quando assistia “Pica Pau”, “Tom e Jerry” e “Chaves”. Hahah!

        Pq até para escolher se vai ou não ler alguma livro:
        rola o preconceito básico.

        Vamos, assuma, muito melhor do que ser hipócrita.

      • concordo plenamente com a má reginato

        preconceito super tah na cabeça da pessoa! tanto na de quem pratica qto na cabeça de quem se sente atingido sem ter sido alvo.

      • Ághata said,

        Reforce o babaca nisso.

        Ué, dona Má, Pica pau, Chavez e Tom e Jerry é algum tipo de entretenimento que se propõe a causar alguma reflexão…? Ou o exemplo foi só pra dizer que a peça Avenida Q é tão rasa quanto esses programas?

    • Jo said,

      é gente..o preconceito tá na cabeça das pessoas, ele surge do nada ou do além…acho que foi Deus que colocou ele ali? ou ele é “natural” da especie humana? Vou buscar no dicionário!
      Melhor vamos fazer assim, contar umas piadas zuando nós mesmos assim poderemos enxergar quanto somos escrotos, para que assim possamos ser mais legais com os q são diferentes de nós…ou nós que somos diferentes dos outros?

      Desculpe Má Reginato, seu comentário sobre “mente elitista” é tão duro quanto pedra e vazio quanto oq a compõe….procure no dicionário oq é elitismo, já que vc se deu o trabalho de procurar oq é preconceito.

  26. Patty K said,

    O problema é que a linha que separa humor de ofensa é tênue e varia de pessoa pra pessoa. Mas não acho certo dizer que quem ri de uma piada que ridiculariza algum estereótipo é racista. Eu rio de piadas politicamente incorretas mas jamais discriminaria uma pessoa por causa de sua raça, credo, crença, opção sexual, aparência física etc.

    A peça deixa claro que é politicamente incorreta. Inclusive, parte da graça é ver bonecos fofinhos fazendo tanta coisa feia. Mas não acho que a intenção da peça seja transmitir preconceito, muito pelo contrário. Eu encaro essa música sobre o preconceito como uma forma de refletir se nós mesmos não temos, bem no fundo, algum preconceito guardado.

    Às vezes a maldade está nos olhos de quem vê.

    Só a minha opinião, espero que não se ofenda. Não te conheço, mas respeito a sua luta pelas minorias.

    • Deborah Sá said,

      Olá Patty,

      Peço que leia as outras respostas (em especial a da Lau) :)
      O problema (pra mim) é que não se combate racismo com piada racista.

      Um abraço,

  27. Thiago Beleza said,

    Óbvio que os atores que participaram da ´peça a defendam… Artistas que se acham salvadores da pátria jamais vão admitir que participaram de um trabalho que talvez, e apenas talvez, vá contra as suas convicções…Uma pena, já que a arte permite leituras diversas e, como artistas, deveriam, mais do que ninguém, entender que suas verdades não são absolutas…

    Vamos celebrar o South Park.. E que viva o preconceito cooll.. vamos fazer piada com a desgraça alheia e deixar de ser mal-humorados radicais e extremistas incapazes de entender a arte (até pq, sempre que eu discordo de ARTISTAS, é óbvio que eu é que sou culpado por não entender o que eles queiseram dizer….

    reitero o que a Deborah falou.. é babaca achar que piadas preconceituosas servem pra combater o preconceito…fosse assim, viveríamos em um paraíso governado pelos humoristas stad up, do CQC, Pânico, Praça é nossa, Zorra Total, etc, etc, etc…..

    • Má Reginato said,

      E babaca também, achar que apenas, fechar a cara e falar horrores de um roteiro, que o fazem muito melhor…

      E sim, vamos celebrar “piadas preconceituosas”. pq assim, talvez, alguém acorde e descubra que não é o preconceito que acaba com o mundo e sim A FALTA DE RESPEITO com o outro.

      • Giulia said,

        Nossa, desisto até de ler. Onde dá unsubscribe!?

      • Má Reginato said,

        Fácil, Giulia.

        Só ter clicado em “Cancelar resposta”. Hahah!

      • é, Má

        a verdade é que eles acham q não eh certo combater preconceito com humor. mas acham certo oprimir o opressor. Negro se voltando contra branco. Gay se revoltando contra hétero. Gordo se revoltando contra magro.

        Eu sou preta, japa e lésbica. E vou defender eternamente o direito de alguém usar uma camisa escrita 100% BRANCO ou ORGULHO HÉTERO! pq tenho amigos brancos e héteros que defendem os meus direitos tbm!! sou a favor da união, não dessa segregação defendida aqui.

        aqui a gnt vê um novo tipo de preconceito. não os que afastam…mas os que se auto excluem e, como vc disse, se mantendo numa posição de superioridade. devemos sentir pena?! não sei!

      • Deborah Sá said,

        “Não confunda a resistência do oprimido com a violência do opressor”

      • Jo said,

        esse povo pós-moderno é motivo pra muita piada! aAHUauhaUAhua pega um assunto, distorce tudo!! absolutamente tudo!! e depois vomita oq entendeu, se é que entendeu.
        É gente…daqui a pouco vão dizer que estão discriminando os brancos, heteros de se defenderem…vaõ dizer que estão “oprimindo o opressor” coitado do opressor, ele só quer ter o direito de oprimir as pessoas né?
        Pode começar a pensar agora? ou continuo lendo e não acreditando no que vejo?

  28. Patricia said,

    Eu pago pra ver alguém aqui que consiga citar UM único exemplo de comédia que não deboche de alguma pessoa, situação ou condição. Digo isso em qualquer esfera: política, social ou econômica.
    Até nos gibis da Turma da Mônica a graça está no fato dela ser gordinha, do Cebolinha falar errado, do Cascão não tomar banho, da Magali ter compulsão por comida.
    Convenhamos: a comédia está mais próxima do trágico do que a gente imagina. É disso que se trata Avenida Q, saber rir da própria desgraça, da nossa desgraça.

    • Jo said,

      é por isso que Mônica é uma porcaria! Grande maioria das pessoas que estão na minha idade cresceram lendo Mônica…e por isso acham tudo isso normal e comum, se espantam quando digo que nunca gostei desse tipo de coisa, pq nao é o padrão neh?

      Tô vendo que a resposta do século se resumo com “dúvido que alguem, faça, seja… #insira seu comentário aqui# ” Já deu né?? Esse lance de duvidar de todos é a coisa mais manjada de alguem que não tem resposta mas quer opinar de qualquer jeito.
      Vai pós-modernismo, termina oq começou por favor UAHAuhaUHAhuaUAHAuhaU

  29. Michelle said,

    Todo mundo é meio racista, meu bem.
    E pode colocar você na lista também ;)

  30. Bel said,

    Oi, Deborah.
    Tudo bom?

    Avenida Q foi o primeiro musical que eu assistir ao vivo e um dos quais mais me tocou, de forma positiva. Tudo que a galera que é fã do musical e de musicais em geral disse aqui é a mais pura verdade. É um musical que expõe no palco todos os lados do ser humano, na intenção de fazer com que pensemos “será que somos tão racistas, tão preconceituosos com os gays, tão sem sentimento e puramente egoístas a ponto de ignorarmos sentimentos que poderiam ser bons?” dentre outros temas abordados na peça. Faz com que a gente ria de isso tudo, mas que também pense a respeito.

    Acho que a sua opinião é válida, afinal teve gente que se ofendeu com um seio de uma menina, e o beijo gay em O Despertar da Primavera, que se ofendeu com a imagem de uma mãe de família extremamente conservadora e que criou suas filhas para o mundo espelhada no que desejava para sua própria vida frustrada em Gypsy, e ainda se chocam com a nudez e a abordagem de Hair em relação ao mundo.

    Se tem gente se choca com isso, nada me surpreende que se choquem ou se ofendam com Avenida Q. Vai realmente de cada um. O que aconteceu com vc foi apenas que vc não estava preparada para essa abordagem dos temas expostos, e talvez não seja público para a peça. Vá saber, não é? Tenha uma boa semana.

    • Deborah Sá said,

      Olá Bel,

      Tudo bem sim, e com você?
      Ao contrário do que podem pensar, apóio o Amor Livre, Poliamor, trepar sem amarras Cristãs, ser livre com seu corpo e sexualidade. O curioso é que estou acostumada a ser hostilizada por Cristãos e pessoas que defendem “a moral e os bons costumes” O_o

      Se lerem, notarão que critiquei além do racismo, foi a pornografia, a piada de gorda… Focaram no que os impactou mais (no caso, o racismo e entenderem errado que xinguei algum indivíduo envolvido na peça de elitista).

      Boa semana pra você também ;)

  31. Erik Almeida said,

    Deborah não é no twitter da Avenida Q que estão te ofendendo, as pessoas mandam mensagens lá… são livres ok!?

    Quem cuida do twitter sou eu e não ofendi você com nenhuma mensagem pelo twitter.

    Beijos… e to achando muitoooooo legal o debate. =)

    • Deborah Sá said,

      Não xinguei ninguém envolvido na peça, espero que façam muitos shows pelo Brasil.

      Não sei por que ficaram tão irritados se possuem um público tão numeroso que os aplaude de pé, o espetáculo é bom, bonito e tem cenas divertidas como “Rumo” no telão com as ilustrações. Bastou a discordância de uma pessoa (nada famosa, sem sobrenome “importante”) para colocá-los em polvorosa? Eu, hein?

      O espetáculo tem fama por si só e não depende de mim sua existência.

      Da mesma forma, escrevo há muitos anos e meu alvo nunca foi “irritar” as pessoas, é desabafar, por sorte fiz ótimas amizades e adquiri/compartilhei conhecimento.

      Erik, você disse que eu devia buscar a real história do espetáculo certo? Tanto pesquisei que coloquei a data da produção original no post. O contrário, quem está disposto a fazer? Não entrei com “os dois pés na porta” xingando vocês (pessoas por trás do espetáculo, ou seus fãs), mas vieram até a mim com preguiça de ler sobre o que sou/acredito/luto e com base em um post.

      Querem me achar babaca, idiota, imbecil? Okey, sem problemas, só não sei por que “perdem tempo”, isso não mudará a vida de vocês.

      • Erik Almeida said,

        kkkkkkk

        Ninguém quer mudar a vida aqui não, fique tranquila, acho que apenas as pessoas se indignaram pelo fato de algumas das suas opiniões serem tão opostas à realidade, não estou e nem quero criar nenhum atrito contigo. Não faz parte do meu perfil, apenas não gosto de injustiças.

        Acho que toda essa “muvuca” no sei Blog foi legal, importante e inteligente, mostra a força de um espetáculo e sua força em saber discutir o assunto. Mostra que o que você é convicta no que escreve. Pode não ser real, mas você acredita no que escreve isso é bom….. (pra você) rs…

        Estamos num país que sofre preconceito com tudo, a Avenida Q é uma peça que sofre preconceito sabia? Temos bonecos lindinhos e fofinhos, mas muita gente fala “NOSSA! É com bonecos, eca não vou assistir”. E não por isso que vou achar que somos fracos ou temos menos privilégios que outras peças, saca?

        Avenida Q machuca apenas os carentes, pessoas que precisam de atenção ou traumatizadas, porque o que gordos, feios, negros, judeus, japas, gays saem de lá rindo mais que tudo.

        Enfim, por mim já deu né? rs Fico feliz que tenho sido a primeira a entrar no teatro, por eu vi, que tenho sido bem tratada por todos nós da produção, que tenha assistido o espetáculo inteiro e tenha curtido alguns trechos..

        Mas fico triste em saber que sua mente ainda não está preparada pra viver neste mundo nojento que vivemos rs.. e que todos nós temos nossos preconceitos inclusive você….

        Super beijo… VENHA ASSISTIR AVENIDA Q NOVAMENTE.. COM O CORAÇÃO ABERTO.. e pra quem esta falando demais aqui e não viu a peça eu convido também, porque pra mim só pode falar quem viu, não é?

        FICA A DICA.. =P

      • Deborah Sá said,

        Também não gosto de injustiças, tipo… Piadas racistas.

        Sobre o fato de ter bonecos, foi uma das coisas que me atraiu na peça! Adoro o programa Chileno 31 Minutos, é todo com bonequinhos e fantoches :)
        Na verdade, fiquei na dúvida mesmo, foi pelo preço. Mas como caiu meu 13º salário, resolvi me dar ao “luxo” de pagar R$ 60,00 por uma peça, até porque a-do-ro musicais e achei que merecia, sabe? Incentivar o teatro, o esforço de montar uma peça com bonecos. Não estou ironizando, entrei muito feliz para assistir e fiquei espantada com o talento de todos no palco. Quando o Pinceton disse a Katy Monstra “Viu, você também é racista?” e começou a música que emendou outros preconceitos (judeus, loiras, orientais…) fiquei muito triste. Não saí naquela hora porque “acreditei” na peça, que algo ali poderia mudar, dando tempo ao tempo, a trama seria algo maior.

        Avenida Q machuca apenas os carentes, pessoas que precisam de atenção ou traumatizadas, porque o que gordos, feios, negros, judeus, japas, gays saem de lá rindo mais que tudo.

        Vocês não mexeram com meu maior “trauma” (acho que não fariam piada com violência sexual), aliás, superado e ajudando outras mulheres a superar.

        Mas isso meu caro, é invalidar minha opinião por “desequilíbrios”, sei bem o mundo que vivo, onde amig@s superam coisas bem pesadas, que não me cabe expor aqui.
        Isso (que você fez) é usar o discurso médico (permeado de valores morais, pois é produto histórico e longe de ser imparcial) da “normalidade” pra invalidar o que sinto. E comigo, isso não cola.

        Vi a peça de coração aberto, senão teria abandonado a apresentação.

    • Ághata said,

      Oi? debate onde? Até agora, só li argumentos esculhambando Deborah, nada que prestasse minimamente como argumento. Aliás, depois dos comentários aqui que defenderam a peça, percebo que os argumentos da Deborah ficam ainda mais fortes. É exatamente o que ela disse mesmo. Humor não é desculpa pra ser preconceituoso.

  32. N said,

    Ai, ai, dá uma preguiça enorme qndo o povo começa com ‘vc n entendeu o intuito da obra’. Sério q tem gnt q ainda acha q a obra está limitada ao q o autor quis dizer?! Aff Algm avisa q td obra está sujeita a diversas interpretações e elas deveriam ser analisadas pelo seu conteúdo e n por irem contra a suposta intenção do autor.

    Se qrem criticar a visão da Deborah pelo menos critiquem com argumentos, algo q vá além de tentar desmerecê-la como incapaz de receber a mensagem, ou pior, como vítima e mulher mal comida (hahaha tá, usaram versões meigas do tipo ‘abra seu coração’, ‘deixe de ser mau humorada’, etc). Ah, e tmb nd a ver qrer calar críticas alegando q a peça tem outras qualidades como oferecer um preço mais acessível, etc. N misturem as coisas.

    Vi o Avenue Q em inglês e nem sabia q tinham feito uma versão brasileira. Só posso concordar com a Deborah. Esse tipo de humor mais serve como manutenção do status quo do q como crítica. Ok, considerando q a intenção do autor seja realmente a melhor possível, n podemos ignorar o público e como ele recebe a mensagem. N falarei mais pq o exemplo do Homer foi perfeito!

    N se sintam ofendidos pq gostaram do musical por entenderem como ironia. Ao menos considerem q esse tipo de humor n é recebido dessa forma pela maioria e, portanto, ele tende a funcionar mais de forma reacionária.

    O humor alcança melhor o objetivo de lutar contra preconceitos e opressões qndo zomba do opressor e n do oprimido. Então, mais eficaz do q instigar o riso tendo em foco a situação ruim do negro e do mendigo, é satirizar o comportamento absurdo do branco racista classe média, por exemplo. O riso tmb serve pra desmoralizar o outro, pq sim, o humor costuma se basear na desgraça alheia.

    Mas colocar um negro feliz pela desgraça de um mendigo (lembrando q a esmagadora maioria da população de rua é formada por negros) dá mt espaço pra uma visão conformista q lava as mãos jogando a culpa na própria minoria oprimida. Perde-se mts oportunidades de colocar em evidência problemas mais graves. Enfim, no mínimo, faz-se uma crítica MUITO superficial e bem confortável pro opressor.

    • said,

      A peça é explícita, fala da raça humana, de maneira geral.

      Não abre espaço algum para interpretações diferentes.
      A hipocrisia reina para o que é fato: Preconceito, SIM!!!

      Pré-conceituamos tanto como forma de elogiar, como forma de ofender.

      Engana-se aquele que pensa que é livre de preconceitos, pois não é. Sempre fazemos um à primeira vista ou à um primeiro ouvir falar sobre.

      Ironicamente, as pessoas falam demais enqto suas atitudes falam de menos.

    • Giulia said,

      Se humor escrachado e absurdo levasse consciência, Pânico na TV seria um programa feminista e as paniquetes militantes!

      Vai ver é isso mesmo e eu sou mal humorada por só ver mulheres humilhadas. Da próxima vez, vou ver pânico com o coração aberto :P, sou preconceituosa com eles, coitados.

      • Patricia said,

        Só não sei onde vc viu relação entre Pânico e Avenida Q.

      • said,

        Mulheres humilhadas?! O que tem a ver com o assunto.

        Até pq as “paniquetes”, não me parecem humilhadas e menos ainda deprimidas, pelo contrário, estão lá pq querem. :)

        E concordo com a Patricia. Avenida Q não tem nenhuma relação com Pânico na TV. Humor, completamente, diferente.

    • Patricia said,

      O que menos me impressionou no texto da Deborah foi a opinião dela a respeito das piadas do musical. Não concordo, mas se ela pensa desta forma, tudo bem. Ao menos ela assistiu a peça (diferente do Thiago).
      Agora, não me venha com esse papinho de ‘elitismo’. Primeiro que, não sei quanto a vocês, mas eu costumo separar meus amigos por caráter, não por classe social. Conheço gente que nasceu pobre e que, por esforço próprio hoje mora nos Jardins. Eu pergunto: essa pessa merece ser classificada como ‘elitista’ ou ‘classe média reacionária’? Não, não merece. Assim como não foi justa a observação da Deborah em classificar os espectadores de Avenida Q como parte essa ‘elite’.
      Quanto à frase de ‘N’: ‘e tmb nd a ver qrer calar críticas alegando q a peça tem outras qualidades como oferecer um preço mais acessível, etc. N misturem as coisas.’ -> Isso foi justamente pelo fato dela ter alegado que Avenida Q tem um teor elitista, o que não é verdade. Estamos falando de um musical da Broadway, já começa por aí. Realmente, vocês não devem ter noção de quanta grana é preciso para manter uma peça dessas em cartaz e ainda mais conseguir ingressos a preço popular.
      Na real? Vocês, que separam o X elite do Y classe pobre oprimida são os que mais discriminam pessoas. Lembem-se: o ponto de partida do preconceito é o estereótipo.

      • Deborah Sá said,

        Patrícia,

        No dia em que fui, só vi uma negra na platéia. Não sou obrigada a ter visão de águia, mas ao meu redor só via pessoas brancas. E não tem a ver com o dinheiro em si, mas a mentalidade: Conheço pessoas elitistas que humilham garçons e ganham menos que eu.
        Já namorei caras com mais dinheiro que eu, não por interesse, mas pelo o que pareciam ser (legais, atenciosos, bons de papo etc). Você não sabe quem são meus amigos O_O

        Aliás, vocês têm de saber separar minha vida pessoal (da qual não fazem parte, nem conhecem) da minha opinião sobre o roteiro de uma peça de teatro ¬¬’

        Olha só um dos trechos do post:

        “Quem não tem um parente reacionário, homofóbico ou elitista que atire a primeira pedra.”

        Não sou perfeita, não sei de onde tiram isso ¬¬’

      • eu vi Avenida Q todos os fds desde que estreou em SP. lembro-me de um dia em que um casal hétero sentou na minha frente…ele negro, ela loira. eles estavam com amigos, negros e brancos.

        Na hora em que houve a piada do negro…ela olhou pra ele e disse “viu?” e os dois riram, no momento em que houve a piada sobre a loira, foi a vez de ele fazer graça com ela. Eles e tds os demais saíram rindo de absolutamente tudo.

        Outro dia, na primeira fileira, de um lado estava a família da minha namorada q tbm eh japonesa e do outro estavam meninos negros. e todos riram de absolutamente tudo, numa boa.

        Eu realmente discordo do “elitismo” que vc atribuiu à Avenida Q justamente por ser uma peça que lutou tanto pra conseguir ficar anos em cartaz pelo Brasil, coisa que não acontece com os demais musicais que soh rodam os grandes teatros de SP e Rio. Vc diz que gosta de musicais mas vc não conhece o mundo dos musicais! A grande verdade é que Avenida tanto procura a união que ela aborda esses temas delicados. Ao contrário de mtos e mtos e mtos por aí que não fazem qlq questão nem de lembrar que as minorias existem. Pense nisto caso vc tenha oportunidade de assistir a algum espetáculo montado no Teatro Abril, Bradesco, Alfa…

        Avenida Q jamais procurou segregação!

      • Deborah Sá said,

        Obrigada Fernanda,

        Está aí seu depoimento de que negrxs, loirxs, lésbicas, das mais variadas origens, práticas e orientações sexuais divertiram-se com a peça e não se ofenderam com coisas que me ofendi. Quem desejar (eu não prendo ninguém) vá e confira por si, assista até o fim e contribua, se desejar, com o debate.
        Reservo-me ao direito de opinar das mais variadas formas respondendo sempre a tod@s que assim como você fez acima, argumentou sobre minha opinião quanto ao roteiro, sem ataques pessoais.

      • Patricia said,

        Se não tem a ver com dinheiro, por que vc fala de Berrini, Classe Média e Leblon?

        Não suporto idéia de que todo pobre é bonzinho e todo rico é ruim.

        Eu não falei dos teus amigos, falei dos meus. E não falei nada da sua vida pessoal, falei da minha.

      • Deborah Sá said,

        Porque tem a ver com a mentalidade burguesa.

        Sabe quando se compra um tênis Puma falsificado porque não tem dinheiro pro “original”? Isso é comprar a mentalidade burguesa, os símbolos de status continuam lá, é só outro modo de alcançá-lo.
        Há pessoas com muito dinheiro e que ajudam os outros.
        Há pessoas que moram na favela e curtem ler um bom livro.

        Foi uma analogia de mentalidade associada.

      • Jo said,

        aaaaah nao me venha, mas nao me venha com esse papinho de “elitismo” ein!!!
        Desde quando elitismo é sinônimo de condição financeira?? E pra que vai morar no Jardins?? pra se sentir…….hmmm…melhor? ou mais rica?? “sabe que é, fui morar no Jardins pq lá sim é um bairro bacana, longe da pobreza né gente? Se não, pra que teriam criado esse bairro longe dos pobres? Ah nao qué isso, não estou sendo elitista, longe de mim quem é!! ”

        As pessoas que separam o X elite do Y oprimidas são o W separatistas, o Z anarquistas ou o Ç comunista? Nao entendi…me explica isso ae!

  33. Thiago Beleza said,

    “Mas fico triste em saber que sua mente ainda não está preparada pra viver neste mundo nojento que vivemos rs.. e que todos nós temos nossos preconceitos inclusive você….”

    “Agora, não me venha com esse papinho de ‘elitismo’. Primeiro que, não sei quanto a vocês, mas eu costumo separar meus amigos por caráter, não por classe social”

    1 – Eu separo meus amigos por classe social primeiro, por caráter depois. São mundos diferentes, OK? E eu não costumo me misturar. Com pessoas das classas abastadas eu sou, no máximo, tolerante. Isso não é preconceito, é resistência….
    Não me venha dizer que todos somos iguais e temos os mesmos direitos e oportunidades que esse papinho ja deu.

    2 – No mínimo arrogante, dizer que aquele que discorda do teor da peça é pq não entendeu o intuito.. Sorry, nesse caso, eu deva ser um burro, e a realdiade em que eu vivo deva ser um mundo de fantasias.. talvez eu tenha escolhido viver em um mundo assim.. coisas como essa….

    Enfim, os artistas…conseguem ser piores até que os filósofos…

    • said,

      Resistência é uma maneira sublime de falar que é PRECONCEITUOSO. ;)

      Qual é o drama de ser preconceituoso?! Palavra forte e daí…

      Não é o “preconceito” que é o vilão da história e sim, A FALTA DE RESPEITO com diversidades.

      Respeitar é conviver em paz com diferenças, sem excluir suas convicções.

      • Thiago Beleza said,

        A Palavra nãpo muda nada.. chame de falta de respeito, discriminação, preconceito.. não faz mta diferença…A questão é que existe, eu não acho que fazendo chacota de quem sofre com esse preconceito/discriminaçãofalta-de-respeito seja uma maneira inteligente de atacar o problema.. ao contrário, serve pra normatizar.. Zorra total faz piadas homofóbicas o tempo todo. O programa Furo MTV destila preconceito de classe a torto e a direito.. o pânico humilhas as mulheres do programa com frequência…e isso não ajuda a combater…

        Concordo com a opnião de quem disse que a comédia poderia servir pra combater os problemas, se fossem feitas com o opressor e não com o oprimido.. agora, continuar afirmando que negros ou homossexuais não são discriminados e que eles é que criam estas coisas, é viver em um mundo paralelo.. onde não se encherga que a cada dois dias um homossexual morre por sua orientação ou onde se ignora o fato de que nas universidades, somente 10% dos alunos são negros, mesmo vivendo em um país onde metade da população é negra… São fatos e nao coisas da cabeça de quem sofre a discriminação todos os dias.

        Cê la faz idéia do que é alguém cruzar a rua qdo te ve? De ser barrado (ou morto, como aconteceu recentemente) na porta do banco? Sabe o que é ser vítima de violência policial (que serve pra garantir a SUA sensação de segurança) todo dia?

        Claro, pra quem esta do lado do opressor, é sempre mto fácil dizer que os oprimidos se fazem de vítima…É a maneira mais SUBLIME de negar a própria mediocridade…

      • said,

        E porque isso acontece, Thiago?! Tantas violências?! Tantas injustiças?!

        Porque as pessoas NÃO SE RESPEITAM, foi exatamente, isso que escrevi…

        E sim, tenho noção dos absurdos violentos que acontecem. Impossível viver num mundo paralelo.

        Avenida Q só critica/mostra como a maioria das pessoas são.

      • said,

        Incrível a maneira que você tem de distorcer as coisas. Lado do opressor?! Q viagem, hein!!! ;)

        Mediocre é quem se acha dono razão. Esse sim é o pior de todos.

  34. Deborah Sá said,

    E o fato de falar que sou vegana, feminista e atéia não me torna perfeita.
    Gente escrota tem em toda parte, dentro de qualquer movimento.

    Não vou até vocês xingá-los ou menosprezar seus respectivos ativismos: “hipócrita”, “ativismo de plaquetinha”, “comunista”, podem achar o que quiserem, é um direito.
    O debate é sobre o roteiro de uma peça, não: “Se acha A fodona?”, “Quer ser careca e que ninguém repare?” Eu sei que todo mundo olha, não vivo em uma bolha, é o mesmo tempo/espaço que vocês.

    Gostei da peça, só não gostei das piadas que julguei preconceituosas.

  35. Bom, depois da peça ser honrosamente louvada pela revista VEJA, não há muito mais o que se dizer. Eu vi a coisa toda lá no twitter, é sádico. Mas é mais do mesmo senso comum: bonito, rosinha e risonho por fora e infeccionado de paradigmas excludentes por dentro. È isso, as pessoas não enxergam como essas palavras e opiniões retumbam socialmente, nem o que elas significam lá trás. È tipo novela da globo. Todo mundo é feliz na sua e tá tudo bem e todo mundo é explorado e tá tudo bem, e todo mundo é estúpido e preconceituoso e está tudo bem.

    Não está tudo bem.
    não está mesmo.

    E sobre as piadinhas da FUVEST, é sério, risos. tem gente aí com 3209432 pós-doutorados que não tem absolutamente nada a acrescentar.E só usa o que sabe pra continuar oprimindo, pra ter status social, pra um monte de coisa que não presta. È um ataque demente e infantil.

    e a galera aí ainda tá precisando de uma checada rápida no dicionário pra observar a diferença-abismo entre resistência e preconceito. Resistência tem como pressuposto alguma forma de opressão, seja ela cultural, moral, sexual ou econômica. Aquele que RESISTE é o que, mesmo em meio a adversidade, faz questão de ser quem é de defender sua própria cultura, natureza, sexualidade, etc. Preconceito não tem nada haver com isso. Preconceito é você atravessar a rua quando vê um mendigo, é você achar que aquele rapaz que tá andando na rua de noite, que é pobre e preto é ladrão, é achar que mulher é fraca, burra, fútil, etc. È você imputar qualidades negativas a uma determinada classe e com isso excluí-la, renegá-la e advinhem o quê: chacoteá-la também.

    Deborah, você é muito política. Não tenho mais paciência com esse tipo de argumentação. Já tive. Li coisas absurdas aqui. As paniquetes estão felizes, então está tudo bem (significa que a mulher não é explorada sexualmente pela tv). O negro riu da piada, então está tudo bem (não existe racismo no brasil). Gente nasceu pobre e por esforço próprio mora nos jardins (nossa sociedade é perfeitamente meritocráticae e dá oportunidade a todos), então está tudo bem. Vamos todos brindar o Avenida Q, a revista veja, e aproveitando a onda reacionária miguxa, vamos brindar a nova fase pós-genocídio do rio de janeiro, que agora está livre dos traficantes (aham cláudia, senta lá) e a burguesia poderá curtir as olimpíadas de 2012 sem fim do mundo. Ou não.

    • Patricia said,

      COLAR DE PÉROLA? Olha, isso é coisa de elite. Vou me retirar.

    • Patricia said,

      Realmente, vocês enxergam podridão em tudo. Melhor desistir.

    • said,

      Quantos absurdos vc leu, não?! Você não é a única.
      Olha um deles> “È um ataque demente e infantil”.

      O que escreveu é o que?! Resistência… Faz me rir.

      Quanta contradição para quem entende TÃO bem de “dicionário”. Pura verborragia. Ok, desisto…

    • Jo said,

      Camila….genial!!! g-e-n-i-a-l !

    • Ághata said,

      Genial, Camila.

    • Zaíra Pires said,

      As Olimpíadas não são em 2016?

  36. Seu blog está bastante “perolado”! dá pra fazer vários colares! ;D

  37. Discordar com inteligência agora é carência. Há. Se for assim, vc é uma das pessoas mais carentes que conheço. Espalhe sua carência por aí, o mundo precisa dela!

    Abraço!

  38. […] O estopim foi um texto publicado no blog  ‘Aquela Deborah’, que pode ser acessado por aqui. Em resposta, a leitora e também membro da equipe do site, Fernanda Thiemi, fez um texto para […]

  39. casosecriticas said,

    Olá, td bem? Esapero q sim, msm com esse debate afiado (aliás, é isso q movimenta a vida, né?)
    Eu entendi seu ponto de vista, juro que enendi, apesar de discordar, mas quero aqui atacar idéias e não pessoas (o ser humano confunde uma coisa com a outra).
    “Avenue Q” foi escrito por 2 caras, 1 latino e 1 gay, q sofrem nuam sociedade preconceituosa como o é a estadunidense. Eu entendi esse texto como uma catarse, em que gnt sofrida resolveu jogar no ventilador msm. Tlvz a metodologia utilizada ñ tenha sido do seu agrado, e é nesse ponto q eu concordo com vc. Fazer uma peça com racismo, sexismo e esterótipos é mto pesado, mas o objetivo dos autores era esse msm. Mas, ao contrário de vc, minha visão foi diversa: colocar o dedo na ferida é forte, dói demais, e acho q a condução do roteiro de “Avenue Q” e sua brilhante versão brasileira ñ foi o de marginalização, mas o de integração. Sinceramente ñ consegui ver essa carga preconceituosa, eu vi uma grande crítica à hipocrisia humana através da dramatização da própria hipocrisia. Pode ter sido de uma forma meio violenta, hei de concordar, mas ñ tira sua qualidade. Sua crítica, q é um ponto de vista muito interessante, devo reconhecer, na minha humilde opinião ñ observou a peça como um todo. Se ela tivesse se restringido a gays, negros ou qq outra minoria, cocnordaria. Mas duramte o texto todos os esterótipos estadunidenses são sacaneados. a versão original em inglês então, ô, mto mais pesada. Por ex, a Christmas Eve (aqui, Japaneusa) cponta sua triste história de imigrante japonesa: “Eu vim para esse país atrás de oportunidades/Tentei trabalhar em mercadinhos Coreanos, mas eu sou japonesa/Com dificuldades consegui 2 graduações/Em Serviços Sociais e agora sou Psicóloga/Mas ñ tenho clientes…” Gary Coleman, ator-mirim q foi esquecido dps q cresceu e o programa foi cancelado. Princeton não tem foco. Sacanearam-se obsesos, brancos, ricos, pobres, mendigos, atores, advogados, evangélicos, judeus, republicanos (nos EEUU), jogador q sai com travesti, políticos, advogados, até universitários (no “Schadenfreude” original). Enfim, estamos todos lá. No final das contas, tanto seu post qto “Avenida Q” falam da mesma coisa: a capacidade q o humano tem de ser preconceituoso e cruel. Só q vc fez de um jeito, o teatro de outro.

    Abs!!!
    Marcelo

    • Deborah Sá said,

      Olá, tudo bem Marcelo?

      Comigo tudo ótimo e com você?
      Pra mim, isso é “picuinha de internet”, ou seja, quando atacam a vida pessoal e/ou suas ideologias, ao invés de delimitar o assunto e discuti-lo (nesse caso, uma especificidade do roteiro). [Clássico comportamento troll]

      Nesse caso não me importo quem escreveu, a cultura de auto-ódio faz um morador da favela, chamar o vizinho de “favelado”. [Mas muito obrigada por compartilhar a informação]

      O fato de “zoar todo mundo” não torna “mais leve para mim”, é a mesma coisa de alguém dizer: “Eu não sou racista! Também sou homofóbico e odeio nordestinos!” Em geral se faz piadinha com quem não tem o mesmo privilégio, brancos fazem piadas de negros, isso é: Não apenas ignorar o fato de pertencer a um rótulo que obtém certos privilégios sociais, é se orgulhar dele ao ponto de humilhar o próximo. Não acho graça disso.
      Não sei quantas vezes será necessário dizer isso, mas…: Eu não resumi a peça a isto, eu elogiei o elenco, o talento, até comentei trechos que achei bons (como o vídeo de “Rumo” no telão).

      Adoro Belle and Sebastian, vamos imaginar que eu não goste de um álbum novo, então crio um post e digo: “O disco é bem produzido, tem até umas faixas empolgantes, mas de modo geral, achei bem fraquinho…”. Pronto! Mereço ouvir que sou hipócrita, preciso de psicólogo, sou mal amada, uma derrotada vegan e gorda que só quer atenção, incapaz de perceber toda a magnitude da obra, “esse tipo de gente devia pagar o dobro só pra pisar ali”.
      Sério, tem muita gente me levando a sério demais (depois a exagerada sou eu), a minha palavra vale tanto quanto a de qualquer um, é só um blog (não famoso) que discordou de um aspecto específico da peça, aprendam a lidar com críticas.

      Concedi a todos o direito de resposta, mas o que alguns fizeram foi mostrar incapacidade em sustentar suas respostas sem partir para o lado pessoal. Aprendam a debater, falar que sou gorda e tenho cara de mamão é perder a razão, vamos superar? Vamos continuar a vida?

      Quem desejar se manifestar aqui tem total liberdade, mas vamos nos ater ao roteiro?

      Em especial, peço para quem chegou até aqui, leia toda a discussão antes de participar. Assim não perde (mos) tempo em colocações repetidas ou pré-julgamentos.

      Boa leitura :)

      • casosecriticas said,

        Sofri algo parecido no meu blog qdo mostrei minhas preocupações com a montagem brasileira de “Hedwig and the Angry Inch”, pelo fato de ser Evandro Mesquita o diretor, q não tem experiência em teatro musical e estar no elenco Paulo Vilhena. Nossa, recebi tanto comment negativo, q qse desisto de manter o blog. As pessoas de um modo geral não suportam uma opinião diversa, mas tb não sabem argumenta-la com classe e ética. Enfim. Boa sorte no seu debate (continuo gostando de Avenue Q, e não achando nada demais, mas entendo o q vc quer dizer. Foi o q eu disse, criticar o racismo e a hipocrisia é louvável, tlvz a metodologia de Avenue Q não seja a ideal, mas qual seria?)

  40. Roberto Donadelli said,

    Gente, fenomenal esse Thiago!
    Rsrsrs … é o que posso dizer!

    • Anônimo said,

      Só pra constar, Roberto Donadelli é o ator que faz o Princeton/Rod na montagem de Avenida Q que a Deborah foi ver

  41. Fred Aguiares said,

    KKKK…
    Descobri o que causou toda esta discussão!!!

    A Deborah e seu amigo Thiago Beleza queriam atenção e conseguiram!
    \o/ \o/ \o/
    O blog teve seu maior pico de visita!

    Eu recomendo aos dois uma Psicóroga, uóoooootima! Que cura criente no primeira consulta! Sei que precisam de salguém que amem vcs, e alguem q vcs amem de volta!

    Todo há de passar! Isto é que é vida!

    • Yuri Scardino said,

      Eu acho interessante que só quem defende a avenida Q é que posta risinhos, fica dizendo que é necessário um psicóloga, que a deborah não entendeu a peça… Eu acho péssimo esse verniz de “vamos discutir de forma civilizada” e depois mete a faca nas costas.
      Assumir que algumas pessoas são mais autorizadas que outras pra falar sobre a peça não é exatamente uma forma de preconceito?
      Outra coisa, se espera do bom artista que ele recebe críticas pelos seus trabalhos. A crítica foi feita ao conteúdo da peça, não às qualidades morais dos atores envolvidos ou da produção da peça.
      É natural que nem todos gostem da peça principalmente por que teatro, como toda arte, é subjetivo. Portanto, não é uma questão de entendimento, mas de interpretação.
      Com relação ao preconceito, é muito comum que as pessoas discutam isso em termos de ofensa, como se o preconceito estivesse relacionado somente a essa esfera. Não está. O preconceito tem a ver desde o acesso a bens públicos (como educação, saúde, transporte) até questões de morte. Nunca vi nenhuma notícia do tipo “Feminista tarada estupra mais um na vila clementino” nem “Grupo de jovens são atacados com lâmpadas por serem heterossexuais”
      Nesse sentido, defender que todo mundo tem preconceito não ajuda em nada, é uma forma de excluir quem já está excluído, é manutenção de status quo.

      • Jo said,

        Yuri tbm é Genial!!

    • Jo said,

      I discovery something amazing!! amazing!! AMAZING!!!
      que esse tipo de comentário é o mais estupido que já li \o/!!! que tvz quem precise de um “psicóroga” é vc!! \o/…sério pra quem perde tempo bolando e pensando esse tipo de comentário, precisa ser mto forever alone e dizer que os outros que não são amados.

      antes que comentem, sim eu sou grosso, irônico na medida que os mesmos o são…Não dá pra pegar na mão e ensinar que é feio. Faz bem pensar, pesquisar e refletir sobre oq se diz por aí.

      Pessoal que não sabe ler uma crítica e entender que foi apenas uma uma visão completamente diferente do padrão das pessoas, que se acham com o direito e DEVER de metralhar os outros. “ah vai dizer que vc nunca fez isso?” < ja disse que essa é a frase do século?

  42. Thiago Beleza said,

    É lamentavel. É a história do reconhecimento de privilégios. |Reduzir todos os problemas causados pelos preconceitos a “FALTA DE RESPEITO” e “O MUNDO SERIA MELHOR SE TODOS SE RESPEITASSEM”, é bizarro… oq dizer?

    Ou afirmam que o preconceito e a discriminação e o racismo são coisas da cabeça de gente carente e doente, ou dizem que o mundo é preconceituoso mesmo e que os incomodados que se mudem.. ou negam ou tratam como se fosse natural…

    É ISSO AÍ, TODOS TEM PRECONEITO, INCLUSIVE VOCÊ, ENTÃO RELAXA, LARGA ESE MAL-HUMOR DE LADO E VEMRIR DAS VÍTIMAS COM A GENTE…

    Aqueles que se julgam gurus do saber e afirmam que a autora não entendeu o intuito da peça são ainda piores, egocentristas que crêem que todos que discordam deles é pq não entendem suas idéias.. pobres artistas incompreendidos…

    Acho que ja deu, né? Argumentar com esse tipo de gente (essas mesmas, cheias de privilégios mas que referem afirmar que sofrem tanto preconceito quanto os outros) é uma perda de tempo tão grande, mas tão grande, que chega dar comichão…

    • Yuri Scardino said,

      Por isso que eu detesto discussões on-line. Esse comichão se resolve é tomando as ruas.

      • Thiago Beleza said,

        E não é?…

  43. Joana said,

    Eu só gostaria de lembrá-lo, Thiago, que você tem acesso a um computador e à internet. Sinto informá-lo, mas você faz parte dessa tal ‘classe abastada’.

    • Jo said,

      e desde quando um meio de comunicação LIVRE configura-se como “classe abastada” ??
      Com internet populares, lan houses, computadores populares a todo direito…vai me dizer que isso é coisa de gente rica agora?? Oxi..dessa eu nao sabia…perae que vou encomendar meu Mercedez agora pelo site.
      Vai usar a desculpa da “maldita inclusão digital” também ??

      A internet surgiu de um projeto exclusivo e fechado, vide ARPANET, e se tornou exclusivo a todos!!! entao a mesma, hoje em dia, está para todos, mas não são todos que estão para ela. (isso é importante entender)
      Isso tbm não quer dizer que os que não participam da rede sejam menos ou mais “abastados”

      • Joana said,

        Querida, somente 25% dos brasileiros tem acesso à rede. Isso nos faz abastados sim, seguindo a lógica de vocês… inclusive eu, vc e o Thiago.

    • Jo said,

      Querid@ acho que vc errou a conta ein, vejo q o pessoal adora usar estatísticas vou usar tbm então.

      67,5 milhões de usuários de internet no Brasil, isso apenas em 2009..por mês isso sobe 1,2milhões, conforme as facilidades aparecem.

      56% das escolas do Brasil usam internet. Acho que eles são mais abastados, pois o nível de aprendizado desses estudantes sobe 90,2%.
      O Brasil é o 1º país no mundo em gasto de horas com navegação na internet, chegando a 71h com uso de Messengers e outros aplicativos.

      Enfim, não sei pq classificam internet como algo para pessoas privilegiadas, sendo que considerando a sua historicidade, ela tende a não restringir mais ninguem e tornar-se totalmente free, como é o caso de vários países que já o fazem, e o Brasil nao está mto longe…graças há projetos que visam distribuir totalmente o acesso ao país com a reativação (já reativada) da Telebrás.

      E agora, todo mundo é abastado? ou vão enfiar divisor de classes por tamanho de banda que cada um possue?

      • Joana said,

        Como vc mesma disse, 67,5 milhões de usuários de internet no Brasil..o Brasil tem mais 190 milhões de pessoas. Oi? 56% das escolas utilizam interne? Se tratando de educação, é MUITO pouco, desculpa. Como você mesma disse, é o caso de outro países, não do Brasil. E cá pra nós, eses programas de inclusão digital estão longe, muito longe de atingir as minorias.
        Assume que é “abastada”, é melhor. Isso não te torna uma pessoa pior…a nao ser pro Thiago.

      • Jo said,

        não é questao de assumir “ser uma pessoa abastada” vc realmente gosta de etiquetar rótulos….Vc pelo menos tem uma certa noção doq são 67,5 milhões de pessoas? Tá pensando que as coisas acontecem insta ntaneamente assim como seu miojo no microondas?
        Ah se então os programas de inclusão digital são uma porcaria…faça algo para melhorar!!! pelo menos algumas pessoas se mobilizaram para dar início ao programa.
        Ainda continuo achando incrível o espírito classe média que baixou por aqui…sério.

  44. Alex Arantes said,

    Boa Tarde

    Sou estudante de teatro musical, e serei o Brian da montagem de AVQ da escola 4Act.

    O que eu acho que se perdeu um pouco em todo o comentário é o conceito de SÁTIRA. A sátira é uma forma de arte que existe desde o teatro grego, e antes disso até no antigo egito, e tem por princípio a ridicluarização de um tema para promover o pensamento crítico sobre ele. O que o seu post leva a entender é que você encara toda forma de sátira como uma exaltação, uma promoção do tema. Isto é uma análise tremendamente superficial, e uma compreensão errônea do próprio conceito que não só este texto, mas tantos outros escritos através dos séculos, têm como mensagem. Então você concordaria em dizer que a comédia grega “Lisístrata” ou “Muito Barulho por Nada”, de Shakespeare são peças ofensivas?

    A grande verdade é que a sociedade tende a reagir de forma extremamente individualista ao humor. Recentemente, numa entrevista, o humorista americano Sean Mills disse, sobre as cartas de ameaça que recebia constantemente sobre seu jornal humorístico, o THE ONION: “No final, é o que afeta cada um. Alguém pode dizer “adoro quando fazem piadas sobre gente gorda, mas não contem piadas sobre câncer pois meu primo tem câncer”. Você pessoalmente se sentiu ofendida com a peça pelo seu histórico de vida e pelas suas convicções, e por isso está invalidando toda uma forma de arte.

    Desculpe-me se estou sendo muito franco aqui, mas a verdade é que você parece ter sido cegada pelos seus próprios preconceitos. Exatamente, os seus preconceitos, seus “pré-conceitos”, sua opnião formada antes de entender o contexto. “Contar piada de negro é errado”, “Não é certo falar de mulher gorda”. O fato de ter ouvido uma piada desse tipo no meio do espetáculo disparou algum tipo alarme no seu cérebro que lhe fez esquecer completamente o contexto ou a idéia, e manchou qualquer opnião sensata que pudesse ter sido formada. Você diz ter assistido a peça até o fim tentando enxergar um contexto, algo que “redimisse” o texto aos seus olhos. Mas já estava tão ofendida pelo simples fato de ter ouvido uma piada preconceituosa que foi incapaz de perceber qualquer coisa que sim, aconteceu.

    Isso não é diferente de um cristão radical que ouve a palavra “gay” e já fecha sua mente a qualquer opnião. É o reflexo de uma mente fechada tanto quanto a que você tanto critica.

    • Deborah Sá said,

      Boa tarde Alex,

      Olhar obras antigas com valores do presente é anacronismo, um erro de contextualização histórica.
      Avenida Q é uma produção de 2003, somos contemporâneos e dentro deste contexto onde xs negrxs ainda tem de lutar para se afirmar enquanto indivíduos e o movimento feminista (do qual faço parte) luta para que as mulheres alcancem autonomia, reservo-me ao direito de criticar piadas que vão na contramão disso.

      Tem muita gente aqui criticando quem opina no post sem ver a peça.
      Pois bem, peço que estes ao menos leiam sobre Promotoria Legal Popular, produções voltadas para Assistência Social e freqüentem qualquer núcleo que promova Políticas Públicas Afirmativas.
      Conhecem o PLC 122? Aquele que criminaliza a homofobia? Considero uma vitória do movimento LGBTTT, mas pra vocês é exagero, certo? Vitimização. Maria da Penha também? Todo mundo sabe o quanto é alarmante o número de mulheres que sofrem violência. É exagero?

      Vamos ao humor, certo? Fazer piada de estupro? http://www.youtube.com/watch?v=HxfWktiLXs0
      Pronto, agora todo mundo dá risada e desperta a consciência igualitária.

      Aliás, seguindo a lógica de vocês, para uma empregada doméstica alcançar consciência de classe, basta repetir em frente ao espelho e para sua “patroa” piadinhas racistas. Genial, hein? *__________*

      Ridicularizar as minorias e quem busca empoderá-las não é sinal de mente aberta ;)
      É bem retrógrado.

    • Jo said,

      Se não reagirmos de forma individualista primeiramente, entao temos que engolir oq a maioria acha? A questão é como conscientizar todos sem ofender ninguem!! Isso é possível! claro que é possivel!! O problema é que tornam tudo de uma maneira mto utópica e preferem caminhar pelo mais fácil, já que é oq rende mais.

      Não vejo sentido tbm em combater preconceito fazendo piada ao oprimido….pq nao fazem piada ao branco? ao hétero? ao dominante?…acho que isso é medo de se identificar e realmente perceber que os “dominantes” fazem e pensam.
      Invertam os papeis…coloquem as piadas de negros no papel de brancos, na de gays no papel de heteros, na de gordas no papel de magras. Não vai ter graça né?? Pq será?? Reflicktam!

      • Joana said,

        Cara, por isso que eu digo e repito: assista ao musical antes de falar bobagem. A Deborah aqui é a mais sã das idéias, porque viu a peça e comentou sobre ela, com educação (apesar de não concordar, ela tem todo o direito).

        Avenida Q tem piada de loira, tem piada de judeu, tem piada com orientais e homossexuais. Se informe, Jô

    • Jo said,

      E como vc presume se eu assisti ou não?? Tu nem me conhece!?!?!?!
      Já assisti ao musical gringo tbm…não tem nada de diferente.
      Pode me pré-julgar agora?

      • Joana said,

        Nossa, então é pior do que eu pensava. Da próxima vez, assista com legendas. Acho que você não pegou o espírito da coisa.

      • Jo said,

        além de encherem o saco dos que não assistem…fazem questão de encher o saco dos que assistiram…é o cúmulo da cara de pau, tem q ter pós-graduação em entendimento teatral. Me poupem.

  45. Erik said,

    Como disse, eu respeito a opinião da Deborah, agora quem não assistiu o musical, peo amor de Deus não tem moral alguma pra falar aqui sobre o fato. Recomendo que antes de chegar aqui e querer comprar a discussão, vá ao teatro e assista antes de falar absurdos.

    A Deborah foi ao teatro, foi a primeria a chegar e entrar e pode dar a opinião dela, mesmo eu sendo contra e não querendo levantar a bandeira da Avenida Q, respeito tudo que ela disse.

    Mas Thiago, fica quetinho pra eu continuar gostando de você. Deus perdoa ele que o garoto não sabe o que fala. =P

    Acho que já deu esse debate né? rs

    • Jo said,

      E o teísmo se mostrando como ameaça e chacota! bravo!

    • Ághata said,

      Thiago pode falar o que quiser, deixa o garoto se expressar a vontade!
      Quem é você pra mandar ele ficar quieto? E se ele já leu a crítica e já se decidiu que não quer ver a peça?

      Eu li a crítica de Deborah, li os comentários aqui que defenderam a peça e já tenho minha opinião formada de que é: Não vou gastar tempo e nem dinheiro pra ver uma peça dessas!

  46. Mariani Lima said,

    Este post ficou bem polêmico… será que é porque a Deborah tocou nas feridas do povo? ;)

    • Joana said,

      Not. Avenida Q tocou nas feridas da Deborah.

    • Jo said,

      com certeza tocou…ainda mais pq repercutiu em alguns meios e o pessoal ficou com “raivinha” de UMA crítica….imagina se houvessem mais.
      Daqui a pouco fazem ganguismo contra críticas teatrais, pq os “elogios” via twitter que a Debah recebeu são complicados.

  47. cely said,

    Bombou hein amyga!

    Deu vontade de ver a peça pra tecer minhas críticas também!

    • Jo said,

      faz isso memo Cely..vai ser outra onda de ódio, só que contra vc!
      Quero ver peitarem a Celymania tbm aUHauhaUHAuaHU

  48. Thiago Beleza said,

    Joana, eu tinha desistido, mas confesso que senti vergonha alheira por vc… seus agumentos são fracos…
    Achar que usar a internet e ter um computador me coloca no mesmo nível de mediocridade da elite paulistana…pegou meio mal, não? Ao inves de usar o espaço pra expor suas idéias e rebater com inteligência, vc não faz nada além de desqualificar as pessoas baseadas nas suas verdades absolutas e na sua visão distorcida de mundo…

    VCnão me conhece, ñ tem a menor idéia de quem sou, de onde ou como eu vivi… então, pq esse ataque direto? Defesa de idéias? Sorte é que eu ja ando vacinado contra esse tipo de mentalidade…No fim, o Yuri tem razão.. debates pela internet de pouco adiantam…

    • Joana said,

      Thiago, foi você quem fez isso primeiro.

      “Argumentar com esse tipo de gente (essas mesmas, cheias de privilégios mas que referem afirmar que sofrem tanto preconceito quanto os outros)” -> você me conhece?

      E sim, eu acho que o fato de você usar a internet te coloca no mesmo patamar social que o meu.

      Ah, e que bm você ter tocado na questão dos argumentos. Os seus é que são fortes, não? Você nem asisstiu a peça, você nem possui argumentos!

      Sério, desisto.

  49. Valter Paulino said,

    Debora

    Ni próximo post você podia falar do final da peça.
    Eu e minha namorada (ela nordestina) saimos no meio.

    Abraços
    Valter

  50. Julia said,

    Acho no mínimo irônico que, no twitter da peça, alguém tenha dado RT em quem falou que “a Deborah não entendeu as críticas, não sabe interpretar” e que “não agüentou ver tantas críticas respondidas com tanta sinceridade”. Ou seja, a Deborah se ofender por aspectos da peça é exagero dela; a peça que é sincera, que não cai no politicamente correto. A Deborah discordar de aspectos da peça é não entender; a peça que é boa e rica. Que lógica tem isso? As falhas da Deborah são não entender e ser uma exagerada, mas fazer exatamente o mesmo para humilhá-la é perfeitamente aceitável?

  51. Ághata said,

    Quantos comentários! Eu não li nem metade!!

    E tudo isso só porque vocÊ fez uma crítica da peça (e olhe que foi uma crítica muito educada)! Enfim, recebeu quatro estrelinhas da Veja? Eu já ia presumir que ia ser uma porcaria.

    Essa escória reaça simplesmente não entende que as coisas que os fazem rir matam algumas pessoas de raiva e OFENDE, Sim!!

    Porque, não basta a gente ter que ter a mesma orientação sexual, a mesma cor de pele, o mesmo discursos ideológico e político vazio deles, não, nós também temos que ter o mesmo senso de humor doente e distorcido deles!

  52. Ághata said,

    Pronto, agora já li todos os comentários.

    Muito bom o post, Deborah.
    E admiro sua paciência com os comentários.

  53. Zaíra Pires said,

    Eu sempre te leio tarde e chego atrasada nas discussões.
    E sempre me dá tesão ler o quanto você incomoda as pessoas por aí.
    E é curioso e não faz nenhum sentido. Se Avenida Q é tão boa assim e ganhou até estrelinhas na Veja, que diferença faz o que vc escreveu? Uma “maria ngm”, sem nenhuma relevância, com um blog como qualquer outro na internet? (sei que vc entende minha provocação)
    Tanta gente com diplomas e mais diplomas cheirando a sovaco que continuam jogando porcarias na cara das pessoas e ninguém faz nada.
    Vide Ives Gandra Martins, Bolsonaro, Demétrio Magnoli, Pondé e os babacas todos pelas revistas Vejas e plenárias da vida.

    Não vi a peça, e me reservo o direito de citar Graciliano Ramos:
    “Não li e não gostei”.

    E, se tenho direito à livre expressão, posso dizer o que quiser.
    Esse não é o grande argumento dos homofóbicos contra a aprovação da PLC 122 ou de qualquer outra iniciativa contra a homofobia?

    Não sei quem foi que comentou aqui que, se o intuito da peça é mesmo ir contra os preconceitos, seria mais válido fazer piada com homem-branco-hétero-rico.
    Mas isso me lembrou um curta chamado Vista minha pele, que está disponível no youtube em 3 partes.
    Não é bem uma piada, mas vale como ilustração.

    Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

    Sou fã da Debah sempre!
    Amo sua careca!

    Beijo

  54. […] Minha luta, antes de mais nada, é pra romper os meus preconceitos e construções históricas. E isso não é fácil. É um processo longo e doloroso sair da zona de conforto ideológico, onde tudo é natural e aceitável, afinal, todo mundo é assim. Todo racista que se reconhece como o tal, tenta amenizar seus preconceitos com o preconceito geral (Ah, mas todo mundo é um pouco racista, até você). […]


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