20 novembro, 2010

Do que me irrita nas sociabilidades obrigatórias

Posted in Desabafos às 12:42 pm por Deborah Sá

Muitas coisas andam passando pela minha cabeça, escrever é sempre a melhor forma de organizá-las, gosto de compartilhar com vocês mas são coisas que não necessariamente se relacionam, perdidas, mescladas, não seria possível sintetizá-las ao que tudo indica.  E como conhecem meus posts de desabafos são contínuos e de vírgulas e pontuações independentes (se joga bee). Enfim, ontem saí e encontrei pessoas muito legais no Sesc Pinheiros, palestra das Guerrilla Girls. Genial. Eu podia ir na Valentina e tal. Mas tinha festa na USP, quem lê aqui há um tempo (ou me conhece) sabe que esta seria a segunda vez que entro em uma faculdade pública. E não foi agradável.

Não sei se era bonito o lugar, pois estava escuro ás 00:00. O fato é que o ambiente universitário me irrita. Parece um bando de gente branca que vive em uma bolha. Não que eu desmereça o movimento estudantil. É muito válido. Apoio mobilizações. Sempre. O foda é que “vendo de longe” há um clima de confraternização no ar “vamos para o bar” e isto mistura ás vezes com um clima de hostilidade elitista. Tipo: Ó que foda, sou comunista, ó que foda, sou a elite intelectual desse país. E eu não curto essa vibe. Cheguei lá e quase todo mundo fuma e bebe. Fumar é meu anti-excitação imediato. Eu amo/tenho amig@s que fumam e são lind@s, querid@s pessoas fantásticas. Eu não odeio fumantes,  não quero que eles se fodam e cuspam o pulmão na tosse. Foi escolha deles fumar e já escutam MUITO que são bestas por isso, deixam que vivam, digo eu. Não é a minha forma de levar a vida, é a vida e o corpo deles. Mas fumaça de cigarro me emputece. Justifico: Está difícil um dia da semana onde não convivo com cheiro de cigarro. Isto tem me angustiado. De uma maneira gigantesca,  em especial em lugares fechados. Ou se mesmo em um lugar aberto a multidão fuma, fico rodeada por fumaça e não tem para onde fugir. Fumaça de cigarro é quase um lance claustrofóbico. E sim, eu fico surpresa quando acabei de conhecer uma garota e ela acende um cigarro. Porque é quase pré-requisito ser sapatão e beber/fumar. E ao contrário do que muita gente pensa, há muita sapa que é bem conservadora. Quer ser mãe. Não curte mina peluda. Esses lances, mas é direito delas.

Gente bêbada me irrita. Ambiente UHUUULLLL me irrita. Acho plástico, acho Control + C + V geral. Caras de pólo e gelzinho, meninas de cabelo castanho, comprido e bolsa de alça dourada (corrente). Quando eu era pequena no início dos anos 90 todas as mulheres da igreja usavam isso e era cafona sabe? Igual as meia-calça de chochê. Mas hoje curtem usar batom Snob. Acho feio, mas foda-se é só um batom. Há quem diga que me irrito por falta de boa companhia, mas quando fui (sozinha) a The Week encontrei várias pessoas bacanas e isso não salvou a minha noite.

Eu curtia sair para dançar músicas dos anos 80. Amo Smiths. Mas esperava sentada por muito tempo até tocar uma música boa. Sweet Dreams. Daí me emputeci desse ambiente hétero onde caras bêbados se aproximam de forma escrota. Já me diverti horrores nas baladas LGBTT dançando Spice Girls. Gosto de ambientes onde as pessoas dançam mais “soltas”, onde podem se beijar e curtir. E isso não é característica de balada hétero. Característica de balada hétero é Black Eyes Peas e música fragmentada sem refrão (o que significa eu gritando “eh, eh, eh, eh” – de Telephone- Forever Alone enquanto mudam bruscamente pra Ke$ha). Beber e fumar são passaporte para vida adulta. Maconheiros me respeitam mais que onívoros, fumantes ou amantes da cerveja. Eles ofecerem o baseado, eu recuso e só, onívoros, fumantes e “bebedores” só faltam enfiar o troço a força.

 

Ah, mas você é muito séria, bebe aEEEEE. A Picanha tá sen-sa-cio-nal. *FUUUUUH* (Cigarro) Não acredito que nunca fumou. Nada? Você se acha superior por isso? Odeio a geração saúde. Então caras, eu não sou fodona por não gostar dessas coisas, mas você não é especial por beber cerveja. Juro, você é normal. Só isso.

Achei o pessoal da USP mais “cheio de si”. Mas UHUULLL. E não é só porque mais de cinco carros passaram na entrada da USP com os caras gritando coisas como “AÊ seus fracassados! Se fodam eu vou de carro”. “Hahaha trouxas” enquanto eu aguardava meu ônibus ás 4:30 . Os incomodados que se mudem, certo?

Pra que ficar com cara de bunda se eu posso sair do local? Um dos motoristas gritou: “Vai se foder careca! Porra, é uma mulher!”  E eu saí de lá porque não aguentava esperar músicas legais sentada, enquanto tocava MC. Catra. Esse cara que o pessoal anda puxando muito o saco. Ok, as mulheres dele parecem felizes, mas  o discurso é preso na Mística Feminina, algo que sou contra. E ao que tudo indica (vi a entrevista dele no Superpop), ele criará as filhas para serem como suas esposas, já os rapazes podem ter quantas mulheres quiserem (desde que possam manter). Poligamia cristã total. Não tenho nada contra relacionamentos abertos (em todas as partes envolvidas), mas dizer que ciúme é “coisa de mulher” e homem que queima gostosa é viado invisibiliza a luta das minorias e a violência que sofrem cotidianamente. Separar mulheres entre bonitas/feias, de casar/trepar também não ajuda.Infelizmente uma coisa não é atrelada a outra, com isto vi pessoas que são conscientes de Classe e não Raça, de Raça e não Gênero. E isso é bem a perspectiva do Mr. Catra. Então cheguei a um ponto onde minha paciência para Buatchy tem se esgotado, me divertindo mais dançando na casa de amigos. Ou Forever Alone com fones de ouvido.

21 Comentários

  1. said,

    devo dizer q sinto o msm.
    e por isso ñ vou em festa de usp.
    ando pensando se farei uma outra graduação, mas se for fazer,mas usp ñ será.
    eu prefiro meu fones de ouvidos ou as raras baladas livres.
    fora isso, não quero me estressar, não preciso disto.
    beijos.
    foi bom te ver ontem. msm q breve.

    • Deborah Sá said,

      Também é sempre ótimo te ver

      =*****

  2. Gostei muito,muito do texto.
    Compreendo seu olhar sobre os universitarios…hahahah…ri muito, me identifiquei muiiiito.
    Tente desencanar total, porque l[a dentro [e pior…rsr….eu quase morri nos meus anos na unicamp…adorei muita coisa,calro…mastive alergia de taaaantas.
    R[a!

    • Deborah Sá said,

      :)

  3. Gabs said,

    kkkkkk Deb vc resumiu o ambiente universitário de todo o país.Não só universidade.O povo anda falando q eu tô ficando velha,mas eu não aguento mais ir pra estes cantos onde só tem bebedeira,gente fumando e enchendo o rabo de drogas e se achando o máximo por isso.Esse tipo de ambiente também não me agrada,e pior que aqui em Natal só tem isso,e pior,ambientes de forró e pegação,vaquejadas, as festas alternativas que rolam são todas assim,eu tô me divertindo mais ficando em casa e desenhando do que saindo pra enfrentar isso…=/

    • Deborah Sá said,

      Va-que-ja-das, lamentável =/

  4. Gabs said,

    ah,e as drogas q eu falo não é maconha não…é pedra,craque,coisas assim.aos moontes.e se vc não usa isso hj em dia por aqui vc é careta =/

  5. Twilight Haters said,

    Bem conveniente esse post… passei a semana passada inteira em São Carlos, fazendo provas na UFSCar, justo no “pós-Tusca”. Era Tusca pra lá, Tusca pra cá. Ouvi a conversa de um pessoal da psico falando que fulana lembrava só de “esquenta-SAMU-casa, roubaram o celular e dinheiro dela, não sabe como não levaram as chaves também”. Tava com o meu irmão do lado e comentei: talvez esteja ficando velha quadrada, mas o conceito de “diversão” desse povo é bem esquisito. Se fosse comigo, tava constrangida até agora de dar trabalho pra amigos e desconhecidos por ser uma inconsequente.

    Mas é… eu não costumo frequentar festas universitárias porque sei BEM que não têm o meu estilo, mas nos barzinhos que ia, achava interessante esse “fenômeno” das pessoas se acharem “especiais” com o cigarro numa mão e a garrafa de cerveja na outra. Até achava que era coisa de “criança” querendo ser transgressora, já que a média de idade de lá é aí 17-18 anos, mas pelo jeito é, fato, passaporte pra “maturidade”. Cof, cof.

    • Deborah Sá said,

      Juro que também não entendo O_o

  6. Camis said,

    Posso me alongar? Senti tanta vontade de desabafar…kkkkk
    Na minha época da facul (particular/jornalistmo) tinha uma turminha insuportável, tipo que se sentia moralmente superior e tinha muito uma pose afetada de “u-hum, dividirei minha sabedoria com vcs, remelentinhos” que era tão insuportável que nós os chamávamos de “patota dos fodinhas”…
    Estudante de jornalismo (e aparentemente todo o resto do mundo universitário) costuma ser um tipinho meio insuportável. Ao invés de se abrirem pro mundo costumam ser mais conservadores e chatos do que muito velhinho reacionário por aí. Uma cabeça fechada, total detentores da verdade absoluta do universo, mas que no primeiro JUCA (nunca fui em nenhum exatamente por não suportar este tipo de ambiente) deixam de ser oráculos e dormem de cara no vômito. Mas basta a sobriedade voltar que já se arvoram no trono de novo…
    Lembro que quando eu tinha orkut, lá por 2004, tinha uma comunidade que eu entrei de zueira que era algo na linha “não piso na Vl Olímpia”, e logo no about tinha um “la folia my ass”. Não é muito poético mas eu achava tão engraçado e representativo, pq é um comportamento de manada nesses recantos hetéros que é muito difícil entender como a pessoa se diverte… Na época eu ia muito em baladas GLS e achava muito libertador (podia ser o inferninho ou a Level (to velha!kkk)), mas hj, com mais distância, vejo que o comportamente de manada é o mesmo, talvez mais suave com a gente, mulher, que não é necessariamente encoxada na pista ou tratada como garrafa de bebida.
    E o pior, aquilo que me deixa mais triste mesmo, é saber que isso não se resume apenas à faculdade. É a vida. Em todo canto tem gente assim. Meio que me assusto até quando um farol/semáforo para de funcionar. Repara. É meio um teste de civilidade: um luzinha para de funcionar e os monstros brotam de dentro das pessoas/carros. Pra mim é meio parecido com esse lance de festas universitárias: td mundo entra numa catarse meio assustadora, às vezes.
    Bjs e desculpa o commet giga!
    Adoro seu blog e admiro muito vc. Muito corajosa, em tudo que faz. :)

    • Deborah Sá said,

      Olá, pode se alongar o quanto quiser :)
      Sou tagarela e adoro conversar, quando vejo comentários grandes fico feliz porque se sentiram a vontade para compartilhar suas experiências, isso me deixa muito feliz :D

      Concordo com o que expressou. Também me assusta =/

      Um abraço e comente sempre que sentir vontade ^___^

  7. Mariani Lima said,

    Seu desabafo também poderia ser o meu.
    (Apesar de eu beber uma cerveja de vez em quando.)
    Odeio esses ambientes, e uma das coisas que me desanimam em entrar para uma faculdade pública são realmente essas coisas (e pessoas).
    Pessoas que entram na universidade apenas por causa das festas, da “galera”, e que acham tuda essa farra o máximo.
    Procure na comunidade da UNICAMP, USP e deriavos que você verá pessoas só falando de festa, ou até mobilizando para terem o direito de fazê-las. Um desperdício.
    Talvez seja tudo vontade de serem aceitos, ou a necessidade de “curtir a vida”, embora não saibam como, então imitam velhos padrões.
    Ou pessoas que estudaram muito para passar, se privaram de várias coisas, e quando passam, querem “recuperar o tempo perdido”.
    E como fiz a velha frase: “quem nunca comeu melado…”
    Enfim, lamentável. Se eu passar nessas universidades, espero que encontre pessoas legais. :S
    Porque dá a impressão de que só há 2 tipos de pessoas: as muito loucas e as religiosas. (e não me encaixo em nenhuma delas)

    • Deborah Sá said,

      Entendo, mas já pressinto que ficarei um pouco “deslocada” entre tantos fumantes e gente “descolada” quando entrar na faculdade. Nada muito fora do normal, tanto é que esse blog chama “Aquela Deborah, que discorda de você”.

      Beijos =***

  8. Liana said,

    POis vc listou todos os motivos pelos quais eu detesto ir em ambientes heteros… (e veja bem: EU SOU HETERO!!!). Os homens em geral não têm o menos respeito…

    • Deborah Sá said,

      E eu sou Bi, mas tem tanto machinho no mundo que se interessar por homens é pouquíssimo provável.

  9. camila antero said,

    Deborah, é sério, você é linda.
    puta que pariu, você me representa em quase tudo do que disse aí. As paradas da elite intelectual sou foda.com da universidade pública, o problema das baladas hetero frígidas frustrante de mitiê e das bolsas de alça dourada (que combinam com a saia debaixo dos peitos), a porra de discotecagem ruim que frustra pq nunca chega no refrão (não rola em balada LGBTT que todo mundo curte pra caralho e não tá nem aí pro que os outros vão pensar).
    Sobre a questão dos pseudo intelectualóides vanguarda, isso é em todo lugar. os iguais são todos iguais e os diferentes são todos iguais. é só um tipo novo de exclusividade dentro de uma mesma dinâmica. é um novo mitiê.
    Eu tô falando tudo meio desorganizado, mas vou deixar levar. Tem gente que força o UHULLL mesmo! parece que é na vibe de dançar balada no teto, “olha pra mim gente, sou vidaloca, etc”, e às vezes é só pra aparecer mesmo. Uhul feelings tem que ser genuínos e não é o que acontece na maioria das vezes.
    sei não deborah, é sério. até a “contra-cultura” virou um novo tipo de plasticidade. Onde vou é isso. E esses ambiente pseudo-undergrounds são às vezes até mais chatos e mais frígidos e mais “cerveja na mão olhando o palco fazendo a social” do que os ambientes mainstream. Isso me irrita.
    Eu venho aqui e você pulou da minha cabeça e jogou tudo na tela do computador. Acho que muitas pessoas que vem aqui tem essa impressão. Continue puxando fios de nossa cabeça.

    • Deborah Sá said,

      Obrigada Camila,
      Ao mesmo tempo em que me alivio desabafando, é muito gratificante contar com a participação de vocês :)

      Beijos =***

  10. Ághata said,

    Sabe, Deborah, é por isso que eu gosto de sair com as amigas, em grupos pequenos, ou ficar em casa ou na casa delas. É mais tranquilo, mais divertido, as pessoas ficam mais à vontade pra conversar.

    Lembro de uma vez que estávamos na casa de uma amiga, tava chovendo horrores e fomos pra cama elástica, foi muito divertido!

    • Deborah Sá said,

      Também adoro me reunir com amigas :D
      Eu nunca fui em uma cama elástica, deve ser ótimo *____*

      Beijos,

  11. zuxa said,

    Débora, depois eu dou apoio pro Reitor cancelar toda e qualquer festa dentro dessa merda da USP, eu sou facista. Olha, só com MUITO saco mesmo para aguentar isso. Foi uma vez e nunca mais.

  12. Dayane said,

    Só pra dizer que achei esse texto MUITO engraçado!rs
    Eu tbm não tenho PACIÊNCIA NENHUMA pra esse povo. mas o que mais me irrita são as meninas com roupas de brechó de grife, botinha velha, fumando e falando palavrões em coisas que nao tem nd a ver ( Tipo: “Tó com cólica pra car****!”, “Comprei uma blusa Fod*”) para parecerem “cults”, e os carinhas que só falam de comunismo, chamam todos de reacionários e são uns filhinhos de papai.
    Cm esse povo me irrita ><!


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