9 novembro, 2010

Tropa de Elite 2

Posted in Filmes às 1:18 pm por Deborah Sá

No primeiro filme, telespectadores vibraram com o método antiético que Capitão Nascimento exercia sua função no estilo “os fins justificam os meios”. Sob a couraça incorruptível de bravura moral e prezando a manutenção da paz social (aos cidadãos de bem, que fique claro), saudavam este anti-herói que seria o “Presidente Ideal”. Parece que alguns espectadores alienariam sua privacidade para saudar câmeras e policiamento maciço nas ruas. V de Vingança?

[Atenção: Contém Spoilers]

O que difere Tropa de Elite de sua seqüência são os desmembramentos da mentalidade Libertária e Conservadora, sendo Lado A para a torcida de Direita e o Lado B para nós (pois me incluo), os vermelhinhos. O Professor de História Diogo Fraga (no início tratado como um vilão ingênuo) defende os Direitos Humanos diante de uma platéia de universitários ludibriados por um discurso utópico (lembrando que a narrativa é conduzida por Capitão Nascimento).

O personagem Fortunato me arrancou gargalhadas, fazendo rir também o Yuri (Vilão Aluno de História) e minha mãe (que faz faculdade de Serviço Social). O resto do cinema não achou tanta graça das “ibagens”.

Capitão Nascimento é “sujeito homem” da forma mais visível que poderia: Cumpre suas funções como dever cívico e busca a proximidade entre o filho quando lutam juntos, insinuando em descontração que o favor que o filho fez à amiga, deve ao fato de ser “Muito gostosa”.

Para os fãs que buscam referências ao primeiro encontrarão além do objeto-fetiche “Saco Plástico”, um aprendiz que segue a risca seu instrutor e por não ter a proteção que só mesmo os protagonistas possuem, vira mártir. Proteção esta que Nascimento parece esbanjar em uma cena digna dos anos oitenta onde um só homem enfrenta projéteis em profusão.

O discurso de Fraga ganha legitimidade na medida em que Nascimento constata que seus esforços não alteram a lógica da corrupção e o sistema opera de forma indireta, impessoal e auto-sustentável.

7 Comentários

  1. May May said,

    Pow, curti o segundo filme… O Capitão Nascimento cai na real q toda a violência q ele gerou não serviu pra nada

    • Deborah Sá said,

      Entendo, mas a direita ainda não perdeu “seu herói” :P

  2. Twilight Haters said,

    Eu achei o filme bem interessante.

    Infelizmente, pede alguma reflexão.
    Infelizmente de novo, o público-alvo não é um público que reflete.

    E no fim ele acaba sendo uma contradição por si só, ou uma esperança bem utópica de fazer com que o pessoal que riu de cenas de tortura no primeiro tenha um insight e entenda que não tá vendo uma ode à violência e aos métodos do Capitão Nascimento… hm.

    Mas acho válida a tentativa. E acho que o 2 funciona melhor como filme do que o 1… não parece tão remendado e descontinuado como o primeiro, sabe.

    • Deborah Sá said,

      Concordo :)

  3. Carla said,

    o que me surpreendeu positivamente no filme foi isso. esse novo olhar que se inseriu – mesmo não sabendo ao certo qual foi o impacto para a maioria das pessoas que assistiram. mas não sei, a quebra do “herói torturador” parece ter ocorrido.

  4. Carla Jaia said,

    obs: eu morri de rir com as “ibagens” tb!

    • Deborah Sá said,

      :)


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