29 novembro, 2010

Avenida Q

Posted in Eventos tagged , às 12:24 pm por Deborah Sá

Adoro musicais, entre meus preferidos estão West Side Story, Chicago e Funny Girl. Ontem, após a prova da FUVEST passei em frente ao Teatro Brigadeiro e o cartaz anunciava: Avenida Q. Aproveitando a oportunidade de relaxar, aguardei até o início da peça. Além da careca, era a única mulher de havaianas e “sem produção” – um sujeito com a camiseta “I don’t Need Viagra, Im Italian” me olhava como se eu usasse o boné 1DASUL.
E de fato, é de onde vim.

A peça iniciou de modo encantador, é inegável o quanto os atores são talentosíssimos. Mas aos poucos, da primeira fileira pude perceber: Avenida Q era de Status Quo. Um Glee às avessas, por mais absurdo que seja. No número “Todo mundo é meio racista” ouvi piadas que me deixaram sem chão, principalmente pela reação da platéia que só faltava engasgar das piadas escancaradamente racistas que prefiro não reproduzir aqui.
Este número inicia com a idealista, ingênua e romântica Kate Monstra que compartilha com Princeton seu sonho: Criar uma escola para Monstrinhos, ele indignado diz: E você aceitaria alguém como eu lá? Não? Então você é racista também… (sabe quando afirmam que identidade negra é racismo ao contrário? Feministas são machistas ao contrário? )

Ao sair, notei que a Veja deu quatro estrelas para Avenida Q (porque será?).

Princeton, o rapaz, se relaciona ocasionalmente com uma prostituta (uma mulher feliz, que usa sua sexualidade pra conseguir o que quer), Kate Monstra fica triste mas é aconselhada por sua amiga JapaNeusa a esperar, afinal, algumas pessoas demoram para amadurecer e se amor e ódio andam sempre juntos, restava esperar, Princeton era seu.
Em Schadenfreude (expressão em alemão para designar o sentimento de prazer pelo sofrimento dos outros), o personagem negro canta o quanto está feliz ao ver um colega virar mendigo. Há também um número de nostalgia aos tempos de colégio, onde ali era o espaço de aceitação.

Enquanto feminista “calejada”, ouvi “Uma mulher pode ser gorda e pode ser feia, nunca as duas coisas”. No número “Internet é Pornô” senti a revanche reacionária e temi, não minto; que os holofotes caíssem sobre mim quando perguntavam a mulheres na platéia se elas gostavam de pornografia. A piada era eu. Só faltava ser negra. Porque a cultura de auto-ódio faz isto com mulheres, negras e gordas, quando nos humilham somos nós, que acostumadas sentimos vergonha. E é de nós, cobrada a postura da diplomacia, não importa o quanto humilhadas nos sentimos.

Em termos técnicos a apresentação é impecável, friso o talento e a dedicação do elenco. Minhas críticas são direcionadas exclusivamente a narrativa pertubadoramente reacionária, não estava preparada para esta enxurrada, o preconceito costuma vir até a mim em doses homeoticas, inclusive daqueles que amo. Quem não tem um parente reacionário, homofóbico ou elitista que atire a primeira pedra.

A Avenida Q é Berrini, Jardins, Leblon. É onde rir de mendigos é a norma e assumir o contrário é mentir. Em verdade, quando reconheço a série de privilégios que tenho em relação a outras pessoas e não humanos me sinto um lixo.

Sempre há uma onda conservadora (Backlash) quando novas idéias surgem, este musical (originalmente de 2003) é uma brisa suave á aqueles de suspensórios que podem ver sob os holofotes, todas suas piadinhas de quem não encontra riso na marginalização.

Atualização em 30 de Novembro:

Peço, atenhamo-nos ao debate sincero sem ofensas pessoais.

Não tenho paciência para troll

Em nenhum momento xinguei os atores de elitistas, ou parti para ofensas pessoais, tenham o mínimo de maturidade, por favor.

Não tenho potência de Estado, não sou colunista de jornal.

Estão me ofendendo no Twitter da Avenida Q com o fato de eu prestar FUVEST, terminei meu ensino médio com Supletivo. Invalidar a minha opinião porque não tenho diploma, isso sim é elitismo.

Repetindo: Respeito o trabalho da produção, o elenco, todos os envolvidos, mas não acho graça de racismo.

25 novembro, 2010

It Gets Better

Posted in LGBT tagged , , às 2:10 pm por Deborah Sá

A campanha It Gets Better (algo como “Vai Ficar Melhor”) procura mostrar aos adolescentes que eles devem dar mais atenção ao seu futuro e à exemplos de gays bem sucedidos, do que aos preconceituosos valentões da escola ou da rua.

Porque eu chorei, achei bonito e quero compartilhar com vocês! E se pudesse, também @s abraçaria :)

Fonte

23 novembro, 2010

Com Quem tu Andas?

Posted in Corpo, Gênero, LGBT tagged , às 1:50 pm por Deborah Sá

Ser perigosa no patriarcado é dizer que busquem seus reais desejos, viverem segundo o próprio ritmo, não só reproduzir o que terceiros esperam. Incentivo a quebra de armários, soltar a franga, ser asexuad@ ou trepar por simples tesão.

Incito:

01) O amor próprio e a reciprocidade.

02) A reflexão de todas as formas de pensamento, em especial das ideologias que sigo. “Fé cega” nunca fez bem.

03) O direito de mudar de idéia, de dançar até o chão, de desconstruções e aprendizagem mútua.

04)
Que toda mulher tenha o direito de gozar.

05)
Que toda minoria social saiba se defender fisicamente.

06)
A possibilidade de encontrar beleza e empoderamento sem usar salto, alisar os cabelos ou fazer dieta.

07)
A escolha ética partir da empatia.

08)
Não se encaixar em “macho” ou “fêmea” e mesclar qualquer elemento estético que julgar propício.

09)
Conviver com pessoas de realidades sociais distintas, respeitá-las e ouvi-las.

10) Não menosprezar a dor ou o medo de alguém.

Se disserem que lhe faço mal, talvez seja o medo de perder os privilégios de seu silêncio.

"Somos as mulheres que os homens lhe alertaram sobre"

Dedicado a sua mãe, seu pastor, seu pai, companheir@ e amig@s que alertam o quanto “Aquela sapatão careca, atéia, feminista, libidinosa e vegetariana, faz mal!”

20 novembro, 2010

Do que me irrita nas sociabilidades obrigatórias

Posted in Desabafos às 12:42 pm por Deborah Sá

Muitas coisas andam passando pela minha cabeça, escrever é sempre a melhor forma de organizá-las, gosto de compartilhar com vocês mas são coisas que não necessariamente se relacionam, perdidas, mescladas, não seria possível sintetizá-las ao que tudo indica.  E como conhecem meus posts de desabafos são contínuos e de vírgulas e pontuações independentes (se joga bee). Enfim, ontem saí e encontrei pessoas muito legais no Sesc Pinheiros, palestra das Guerrilla Girls. Genial. Eu podia ir na Valentina e tal. Mas tinha festa na USP, quem lê aqui há um tempo (ou me conhece) sabe que esta seria a segunda vez que entro em uma faculdade pública. E não foi agradável.

Não sei se era bonito o lugar, pois estava escuro ás 00:00. O fato é que o ambiente universitário me irrita. Parece um bando de gente branca que vive em uma bolha. Não que eu desmereça o movimento estudantil. É muito válido. Apoio mobilizações. Sempre. O foda é que “vendo de longe” há um clima de confraternização no ar “vamos para o bar” e isto mistura ás vezes com um clima de hostilidade elitista. Tipo: Ó que foda, sou comunista, ó que foda, sou a elite intelectual desse país. E eu não curto essa vibe. Cheguei lá e quase todo mundo fuma e bebe. Fumar é meu anti-excitação imediato. Eu amo/tenho amig@s que fumam e são lind@s, querid@s pessoas fantásticas. Eu não odeio fumantes,  não quero que eles se fodam e cuspam o pulmão na tosse. Foi escolha deles fumar e já escutam MUITO que são bestas por isso, deixam que vivam, digo eu. Não é a minha forma de levar a vida, é a vida e o corpo deles. Mas fumaça de cigarro me emputece. Justifico: Está difícil um dia da semana onde não convivo com cheiro de cigarro. Isto tem me angustiado. De uma maneira gigantesca,  em especial em lugares fechados. Ou se mesmo em um lugar aberto a multidão fuma, fico rodeada por fumaça e não tem para onde fugir. Fumaça de cigarro é quase um lance claustrofóbico. E sim, eu fico surpresa quando acabei de conhecer uma garota e ela acende um cigarro. Porque é quase pré-requisito ser sapatão e beber/fumar. E ao contrário do que muita gente pensa, há muita sapa que é bem conservadora. Quer ser mãe. Não curte mina peluda. Esses lances, mas é direito delas.

Gente bêbada me irrita. Ambiente UHUUULLLL me irrita. Acho plástico, acho Control + C + V geral. Caras de pólo e gelzinho, meninas de cabelo castanho, comprido e bolsa de alça dourada (corrente). Quando eu era pequena no início dos anos 90 todas as mulheres da igreja usavam isso e era cafona sabe? Igual as meia-calça de chochê. Mas hoje curtem usar batom Snob. Acho feio, mas foda-se é só um batom. Há quem diga que me irrito por falta de boa companhia, mas quando fui (sozinha) a The Week encontrei várias pessoas bacanas e isso não salvou a minha noite.

Eu curtia sair para dançar músicas dos anos 80. Amo Smiths. Mas esperava sentada por muito tempo até tocar uma música boa. Sweet Dreams. Daí me emputeci desse ambiente hétero onde caras bêbados se aproximam de forma escrota. Já me diverti horrores nas baladas LGBTT dançando Spice Girls. Gosto de ambientes onde as pessoas dançam mais “soltas”, onde podem se beijar e curtir. E isso não é característica de balada hétero. Característica de balada hétero é Black Eyes Peas e música fragmentada sem refrão (o que significa eu gritando “eh, eh, eh, eh” – de Telephone- Forever Alone enquanto mudam bruscamente pra Ke$ha). Beber e fumar são passaporte para vida adulta. Maconheiros me respeitam mais que onívoros, fumantes ou amantes da cerveja. Eles ofecerem o baseado, eu recuso e só, onívoros, fumantes e “bebedores” só faltam enfiar o troço a força.

 

Ah, mas você é muito séria, bebe aEEEEE. A Picanha tá sen-sa-cio-nal. *FUUUUUH* (Cigarro) Não acredito que nunca fumou. Nada? Você se acha superior por isso? Odeio a geração saúde. Então caras, eu não sou fodona por não gostar dessas coisas, mas você não é especial por beber cerveja. Juro, você é normal. Só isso.

Achei o pessoal da USP mais “cheio de si”. Mas UHUULLL. E não é só porque mais de cinco carros passaram na entrada da USP com os caras gritando coisas como “AÊ seus fracassados! Se fodam eu vou de carro”. “Hahaha trouxas” enquanto eu aguardava meu ônibus ás 4:30 . Os incomodados que se mudem, certo?

Pra que ficar com cara de bunda se eu posso sair do local? Um dos motoristas gritou: “Vai se foder careca! Porra, é uma mulher!”  E eu saí de lá porque não aguentava esperar músicas legais sentada, enquanto tocava MC. Catra. Esse cara que o pessoal anda puxando muito o saco. Ok, as mulheres dele parecem felizes, mas  o discurso é preso na Mística Feminina, algo que sou contra. E ao que tudo indica (vi a entrevista dele no Superpop), ele criará as filhas para serem como suas esposas, já os rapazes podem ter quantas mulheres quiserem (desde que possam manter). Poligamia cristã total. Não tenho nada contra relacionamentos abertos (em todas as partes envolvidas), mas dizer que ciúme é “coisa de mulher” e homem que queima gostosa é viado invisibiliza a luta das minorias e a violência que sofrem cotidianamente. Separar mulheres entre bonitas/feias, de casar/trepar também não ajuda.Infelizmente uma coisa não é atrelada a outra, com isto vi pessoas que são conscientes de Classe e não Raça, de Raça e não Gênero. E isso é bem a perspectiva do Mr. Catra. Então cheguei a um ponto onde minha paciência para Buatchy tem se esgotado, me divertindo mais dançando na casa de amigos. Ou Forever Alone com fones de ouvido.

9 novembro, 2010

Minha redação no Enem

Posted in Egotrip às 2:53 pm por Deborah Sá

Tema: Trabalho na construção da dignidade humana

O conceito do trabalho como meio de realização pessoal, não parece aplicável a rotina dos usuários do transporte público a caminho de seus compromissos profissionais. As vagas de emprego que oferecem oportunidades de ascensão, salário justo e a garantia de direitos trabalhistas são reservados aos que possuem formação técnica e acadêmica, estes requisitos são preenchidos por uma pequena parcela da população que obteve auxilio de terceiros no período em que freqüentou instituições de ensino. A lacuna de mão de obra “não qualificada” é destinada a tarefas de pouco prestigio social e mesmo quando há conscientização sobre os acordos na contratação, exigir seu cumprimento em grande parte significa demissão.

A construção da dignidade humana através do trabalho só será completa quando democrática e o acesso ao “saber” não for propriedade de uma elite conservadora que privilegia seus descendentes, esses que sequer cogitam interromper seus estudos para o encargo da renda familiar.

OBS: Erros ortográficos –  No meu rascunho escrevi “Ascenção” /o\ e não coloquei “saber” entre aspas. Espero que tenha transcrito corretamente para o original. ARGH!

OBS²: O começo ficou confuso, mas depois da prova, questões de matemática e cansaço, esse foi o melhor que consegui fazer :(
Espero que no próximo ano, faça melhor >.<

Tropa de Elite 2

Posted in Filmes às 1:18 pm por Deborah Sá

No primeiro filme, telespectadores vibraram com o método antiético que Capitão Nascimento exercia sua função no estilo “os fins justificam os meios”. Sob a couraça incorruptível de bravura moral e prezando a manutenção da paz social (aos cidadãos de bem, que fique claro), saudavam este anti-herói que seria o “Presidente Ideal”. Parece que alguns espectadores alienariam sua privacidade para saudar câmeras e policiamento maciço nas ruas. V de Vingança?

[Atenção: Contém Spoilers]

O que difere Tropa de Elite de sua seqüência são os desmembramentos da mentalidade Libertária e Conservadora, sendo Lado A para a torcida de Direita e o Lado B para nós (pois me incluo), os vermelhinhos. O Professor de História Diogo Fraga (no início tratado como um vilão ingênuo) defende os Direitos Humanos diante de uma platéia de universitários ludibriados por um discurso utópico (lembrando que a narrativa é conduzida por Capitão Nascimento).

O personagem Fortunato me arrancou gargalhadas, fazendo rir também o Yuri (Vilão Aluno de História) e minha mãe (que faz faculdade de Serviço Social). O resto do cinema não achou tanta graça das “ibagens”.

Capitão Nascimento é “sujeito homem” da forma mais visível que poderia: Cumpre suas funções como dever cívico e busca a proximidade entre o filho quando lutam juntos, insinuando em descontração que o favor que o filho fez à amiga, deve ao fato de ser “Muito gostosa”.

Para os fãs que buscam referências ao primeiro encontrarão além do objeto-fetiche “Saco Plástico”, um aprendiz que segue a risca seu instrutor e por não ter a proteção que só mesmo os protagonistas possuem, vira mártir. Proteção esta que Nascimento parece esbanjar em uma cena digna dos anos oitenta onde um só homem enfrenta projéteis em profusão.

O discurso de Fraga ganha legitimidade na medida em que Nascimento constata que seus esforços não alteram a lógica da corrupção e o sistema opera de forma indireta, impessoal e auto-sustentável.