18 outubro, 2010

Como Esquecer

Posted in Filmes tagged , , , às 12:56 pm por Deborah Sá

O que é o contrário do amor?

Notei nos primeiros instantes que talvez não fosse simples tarefa escrever ou mesmo falar de como impactou. Por encontrar um pouco de mim em cada personagem, reconhecer na tela grande meus defeitos tornou-se uma inusitada autocrítica. Tal qual Júlia me desdobro em equações racionais para lidar com conflitos e metáforas corporais (nem sempre compreendidas), “Mas do que você está falando? Está maluca?”. O sentimento de corpo aprisionado me rondou em maior parte da vida e a ironia é idêntica quando mal humorada. Júlia tenta superar o término de seu relacionamento com Antônia e ao contrário de Hugo não crê que um envolvimento resolveria sua frustração, ligar-se a uma linha invisível geralmente leva a dependência e ao longo da trama Júlia busca o desprendimento.

Hugo tenta acolhê-la enquanto lida com a morte do companheiro e propõe a Lisa (amiga), dividir uma casa a três. Júlia possui uma amargura que não me pertence levando a uma identificação absurda com Helena, seu modo franco e suas frases poderiam ser facilmente ditos por mim. Mas o que fez gostar tanto deste filme vai além da identificação.

Os personagens não são imbatíveis e plenos, o foco é justamente a fragilidade transitória que tod@s passamos, quer seja comendo biscoitos em frente à TV ou bebendo pra esquecer lidamos de forma distinta com o cotidiano. Não se faz qualquer questão de apontar direções e talvez este seja o grande mérito da narrativa: Permitir que caminhemos por destinos incertos.

Prudentemente as cenas lesbianas não se enveredam por clichês para “Hétero Ver“, tornando as imagens de sexo fluídas de aspecto “sem retoque”, o que pode decepcionar homens que esperam uma Ana Paula Arósio de “Hilda Furacão”, ao invés de uma mulher “comum”. Aprecio quando o cinema consegue mostrar estas mulheres tão palpáveis a nossa realidade, uma das minhas atrizes preferidas Kate Winslet (*suspiro*) geralmente interpreta papéis do gênero.

Embora o Cinema Nacional tente trazer luz a pluralidade, infelizmente estas produções são restritas a poucas salas de exibição, se na programação televisiva as insinuações de sexo oral mulher/homem são freqüentes, ao que tudo indica, falta muito para que em rede nacional uma mulher faça sexo oral em outra.

Nesse ínterim, o Capitão Re-Nascimento da Testosterona encobre qualquer estréia e revive um Nacionalismo bizarro típico de quem espera que a Ditadura retorne para manter o Cidadão de Bem na bolha TFP.

13 Comentários

  1. said,

    espero q suas/seus leitrxs fiquem inspirados e assistam ao filme, assim, esse filete terá seu espaço.

    eu confesso q a Júlia sou eu antiga, agora me identifico mto mais com a Lisa. e acho q posso ver bte de vc na Helena.
    acho q há uma mistura equilibrada, pq se houvesse um enfoque naquele pesar da Júlia seria insuportáaaaveeeel!

    enfim, dos últimos filmes brasleiros desse gênero q andei assistindo, esse é o q recomendaria.

    uma coisa q comentaram no bate papo depois do filme é a respeito da cena de sexo: não há uma exposição higienista da lesbianidade.

    eu, ingenuamente, acredito q estamos vivendo um momento em q a comunidade homossexual está saindo do armário como parte integrante do cotidiano universal…tomara!

    • Deborah Sá said,

      Também gostei do equilíbrio entre os personagens, se focassem na “fossa” da Júlia, seria mesmo difícil!
      Dei risada de:
      “Porque você não vai conhecer meu Ateliê? Lá tem quadros, tem vinho… e tem eu” – Isso é muito minha cara uahahhaha

  2. _Vegan said,

    Fiquei com vontade de assistir :)

    • Deborah Sá said,

      Depois comenta aqui ^^

  3. barbara said,

    Deborah, sempre ótmos posts. vou ver tb.

    beijo,

    Barbara

    • Deborah Sá said,

      Obrigada ^^

  4. Twilight Haters said,

    Adoro o cinema nacional que não tem cara de rede Globo. Apesar de muita coisa enveredar pros clichês de sempre, dá pra garimpar algo interessante.

    Mas vou dizer que acho válido que Tropa de Elite tenha uma boa bilheteria. O primeiro e a sequência são bons filmes. O maior problema ali é que a intenção primeira de crítica a tudo falhou, mas não atribuo isso a um problema do filme, mas do público mal preparado pra ele. Só alguém com preguiça cognitiva considera “canonizar” um sujeito como o capitão Nascimento… e, infelizmente, reflexão não é muito o forte dessa geração.

    AInda não vi esse, mas pretendo ver!

    • Deborah Sá said,

      Preciso ver o Tropa de Elite 2 :)
      Um abraço :)

  5. Narayan said,

    Eu adorei esse filme!
    Adorei ver a Ana Paula Aroisio sem aquele esteriótipo e maquiagem de femme fatale. Muito bom ver que ela tem rugas, e pelos no braço (e ela é incrivelmente mais bonita assim do que asoutras aparições na tela)

    Eu me identifico com a personagem Julia, no sentido de viver a fossa até ela se esgotar, não busco refúgios em amigos ou diversões. É uma espécie de tortura até que a dor não incomode mais.
    E tbm me identifico com a aluna dela, a Carmen, hehehe. Principalmente na hora em que ela segura o braço da Julia quando a convida pra tomar um café.

  6. Narayan said,

    Ah, só que eu não fingo intimidade, rs.

    • Deborah Sá said,

      Também me identifiquei com a Carmem e me assustei quando fala o último sobrenome “Sá”, o mesmo que o meu! Tirando o fato de forçar a barra² que não faz meu estilo. Sendo bem mais “Helena”. 8)

      Um abraço e um cafuné nesse cabelo lindo :)

  7. Laura Oliveira said,

    Achei estranho não ter BEIJO NA BOCA entre as duas! não se pronuncia a palavra LÉSBICA no filme inteiro! apenas “homossexual” “gay”… o.O
    Eu nao queria ver uma cena lésbica estilo “voyerismo masculino” apenas UM BEIJO NA BOCA! mas nem isso! parece lesbofobia,, parece q uma atriz da rede globo como a ana paula arosio nao “quis” ou nao “pode” dar um beijo cênico de lingua iguais aos beijos heteros das novelas das 18h??? no cinema!? o roteiro é otimo! faltou visibilidade lesbica.. parece q tem vergonha de dizer lesbica! de beijar mulher! nos beijamos na boca! nao apenas fazemos sexo oral no escuro!
    o cinema é a arte que mostra escondendo, e esconde mostrando!
    neste filme, tirei esta conclusao

    • Deborah Sá said,

      Laura,

      Ela não beija a Helena? O_o
      Será que minha memória pregou peça?
      Gostei bastante do filme, plural em mostrar outras formas de sexualidade lésbica (além da Caminhoneira).


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: