23 setembro, 2010

Over and over

Posted in Desabafos, Egotrip às 5:31 pm por Deborah Sá

Não sei expressar desejo, submersa em rotina. Olhar o papel da parede intacto, a pilha de roupa pra lavar, os azulejos incrustados. É muito duro ter estes períodos de processamento, quero tudo agora. Às vezes só as guitarras e violinos falam. Pra isso que preciso do meu espaço, do meu tempo. Pra debruçar sobre o que há por aqui sem regrinhas, ás favas com as convenções. Ponto e vírgula quando querem. Todas as minhas expectativas são projeções, quero tanto ser legal pra todo mundo, começa com um favor, aí vira obrigação e me frustro porque não sinto retribuição. I don’t want the world, I only want what I deserve. Tenho medo e me canso de coisinhas medíocres, daí eu espero mesmo que as pessoas pensem “Poxa, o que custa eu tomar a iniciativa dessa vez?”. Eu gosto de cuidar dos outros, de verdade. Mas ás vezes me cansa, porque dou todo meu empenho, quatro tipos de salada, dois pratos quentes, um suco e uma sobremesa para quem nem liga pra avisar “Olha, não posso ir…” E eu fico olhando as bexigas da decoração murchar pensando se as pessoas gostam mesmo de mim. Porque eu chamo pra sair, corro atrás, me preocupo com horários de cada um que mora longe. É bom me entregar às pessoas (e faço muito isso), mas me sinto idiota quando o retorno é som de torneira pingando. Everyone is almost done with me. Fio vermelho ou azul? O tempo todo, o tempo todo. E é tão bobo colocar toda minha confiança a prova em coisas cotidianas. Querer morrer porque um bolo deu errado, vi um gato morto ou estou atrasada.

Drama Queen por excelência. Ninguém se leva mais a sério do que eu. Amo e me jogo em espirais e lá dentro só ando sob linhas retas. Ninguém é tão despido de moral quanto posso imaginar, sou acostumada com hostilidade em níveis absurdos. Naturalmente isso me leva a tentar ser dócil para evitar conflitos. Tem tanta coisa sendo processada na minha cabeça que me deixa confusa. E quando é que uma pessoa tão impulsiva quanto eu sabe de fato? Tangerine. Habituei-me jogar em frente do carro, do tiro, da dor. Deixe que eu assuma a culpa, não, não tem problema, eu não quero dar trabalho pra ninguém, eu não quero aborrecer com meu falatório. Talvez isso explique o fato de eu ser tão cara de pau: Espero a pior resposta do mundo, de um modo que quebraria qualquer coração em pedaços. E eu manjo de carão.

6 Comentários

  1. Mariani Lima said,

    You deserve the best.
    Me identifico com o que você escreve…
    Às vezes as pessoas simplesmente se esquecem de retribuir, de fazer sua parte também… é frustrante, e com o tempo a gente simplesmente não quer mais correr atrás, esperando que corram, mas sabendo que ninguém virá.
    Aliás, amo “As Horas”. ;)

    • Deborah Sá said,

      Você também merece =***

  2. Sou assustadoramente do mesmo jeito que você descreveu.
    E tenho uma dúvida eterna:

    Será que somos fortes ou fracos por agimos desse jeito?

    Suportamos sermos culpados,
    Porém, decaímos em prantos imaginários quando não somos retribuídos.

    Bipolar Feeling!

    • Deborah Sá said,

      Acho que somos apenas humanos :)
      Com suas contradições, apegos, anseios, retratos do nosso tempo, filhotinhos da modernidade :B

  3. “Filhotinhos da modernidade” > Isso explica tudo!

    Saiba que ser a Drama Queen te faz ser excepcional, com toda essa sensibilidade ao comportamento humano.
    Mas não se preocupe em ser cara de pau.
    Como vc mesma disse:
    “-Somos apenas humanos!”

    Ótimo blog, Deborah!
    Vou passar aqui sempre! :B

    • Deborah Sá said,

      Obrigada, compareça 8)


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