13 setembro, 2010

Lesbo/Trans/Homo Normatividades

Posted in Corpo, Gênero, LGBT tagged , , às 4:42 pm por Deborah Sá

É um direito viver (e se relacionar) entre quem partilha dos mesmos ideais

A aproximação se desenvolve basicamente por identificação e diálogo, assuntos e interesses em comum aprofundam este processo, divertindo e fortalecendo a auto-estima (afinal, ninguém considera amig@ aquel@ que despreza). Mesmo visando o amor próprio e a convicção de ser reconhecid@ como sujeito, a cultura nos lembra diariamente qual é “o nosso lugar” e onde “devemos estar” na manutenção do status-quo.

Grupos marginalizados criam maneiras de subverter sua exclusão e isto se dá de várias maneiras: Vestuário, vocabulário, locais para interação (os também denominados “guetos”) e assim criam sua própria norma de conduta.

Meu intento não é “culpar” qualquer grupo, nem acentuar desavenças entre minorias. Isto desviaria o foco da opressão heterossexual, branca, cristã e  de classe média (dentro dos recortes de Raça, Gênero e Classe).

Lanço um olhar crítico sobre qualquer assunto ou conduta que pareça interessante (isto inclui as ideologias que sigo). No mais, a ferramenta de comentários é aberta a tod@s que se depõem ao diálogo.

Lesbo-Normatividades X Bi-Normatividades

Lésbicas são mais descriminadas que bi?

Certamente lésbicas correm maiores chances de atentados físicos e são “invisíveis” a diversos setores, incluindo o da saúde pública. Ou alguém já viu protetor para sexo oral distribuído gratuitamente?

Bissexuais são indecisas/confusas/covardes, ou as lésbicas “não se soltam” para conhecer “homens que prestam”?

A orientação e prática bissexual não implicam caráter.  Se uma lésbica opta por não se relacionar com bissexuais é um direito, já classificá-las em “covardes e nojentas” enfraquece a luta feminista. Se você bissexual não entende o porquê de uma lésbica sentir-se confortável e satisfeita leia isto aqui.

Trans

A feminilidade é a marca da subversão, transcender os conceitos corporais e ressignificar estes objetos é uma afronta ao senso comum. Ao mesmo tempo não é tão raro ouvir travestis criticando mulheres “pouco femininas” e repelindo aqueles que optam por manter certos aspectos “masculinos” quando “montados”.

Homo

Há subcategorias LGBT: Dykes e Ladies, Travestis e Crossdressers, Barbies e Ursos… Neste último, os padrões de masculinidade são exaltados, geralmente censurando comportamentos “femininos” (nada de se jogar no Waka Waka, Bee).

Festividade

Pornografia gay? Prostitutas contratadas por lésbicas? Submissão e dominação nos padrões Feminino/Masculino? Padrão de beleza caucasiano?  O ativismo LGBT não deve limitar-se a festividade. Queremos aproveitar todas as possibilidades sem recriminação, mas não podemos dispensar o questionamento de nossas “normatividades” e a apropriação delas como constituintes de nossa identidade.

10 Comentários

  1. Raiza said,

    Não entendo muito do assunto,mas comentarei do mesmo jeito já que você pediu.Sobre o negócio do protetor para sexo oral eu realmente já tinha pensado nisso,que as lésbicas não tem proteção nenhuma.Nem pro sexo oral nem praquele vagina-vagina.Sobre as lésbicas serem invisíveis,uma professora de medieval discutiu isso com a gente.Falou que na época havia séria perseguição aos gays mas nem uma linha sobre as lésbicas.Segundo ela “Mulher era tão desimportante,que elas podiam fazer o que quisesses que ninguém tava nem aí.”
    Enfim…
    obs:Atualizei o blog.

    • Deborah Sá said,

      É a tal invisibilidade lésbica.

      Obrigada por comentar querida ^^

  2. Carla said,

    me chamou a atenção essa parte do protetor para sexo oral. é algo tão pouco falado. já li em algumas revistas, mas bem breve. aparece mais como uma informação sobre algo que “também existe”.

    • Deborah Sá said,

      Sim, na verdade a maioria das pessoas tem muita dificuldade de imaginar sexo sem intercurso.

      Beijos, linda.

  3. Camila/Vegan said,

    O protetor para sexo oral realmente é pouco divulgado e distribuído – o que novamente remete à invisibilidade lésbica e à negação da sexualidade feminina, fora do esquema sexo=intercurso – já que mesmo em práticas heteros pode haver sexo oral na mulher, o que aliás geralmente* proporciona maior prazer/gozo a ela do que penetrações. (*baseando-se em dados do relatório hite)
    E soma-se a isso o fato de muitas mulheres acharem que não se pega AIDS nem outras DSTs via sexo oral em outra mulher.
    Ou seja, ou há invizibilização de práticas sexuais que excluem a presença onipotente do pinto, ou condenam tais práticas com o risco de DSTs.
    Não sei se estou exagerando, mas é minha opinião.

    • Deborah Sá said,

      Eu concordo.

      Beijos.

  4. Thiago Beleza said,

    Conversava sobre isso com um amigo HM….COmentamos sobre esta questão da HOMOnormatividade entre os que rompem com os padrões da Heteronormatividade…

    Deduzimos que os heteros tendem a ser extintos, substituidos pelos bissexuais.. mesmo que essa bissexualidade seja somente em um caráter mais sexual do que afetivo.. ou vice-e-versa… nunca se sabe… enfim, o que vale é trepar… rá!!!..

    òtimo texto, anyway

    • Deborah Sá said,

      Não sei se compreendeu exatamente.
      Minha intenção é falar de normatividades de LGBT entre LGBT (baseando-se muitas vezes em padrões dominador/dominado, feminino/masculino). Não há força política e historicidade capazes de realizar opressão LGBT para com héteros.
      E infelizmente ainda existem racistas após muito tempo depois da escravidão, imagina o tempo que levará para as instituições do estado e religião reconhecerem a multiplicidade sexual.

      Beijos.

      • Thiago Beleza said,

        NA verdade eu falei merda…. Nossa conversa foi exatamente sobre esse ponto: De LGBT que julgam o Comportamento de Outros LGBT.. Masl aí…

      • Deborah Sá said,

        Ok ^^


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