28 setembro, 2010

Aborto

Posted in Corpo, Gênero, Por um Estado Laico tagged , às 4:20 pm por Deborah Sá

A intervenção religiosa nas diretrizes do Estado fere (entre outros direitos) a autonomia sobre o corpo, característica fundamental em uma democracia. Essas instituições reclamam para si maior representatividade no Congresso assumindo os dogmas de sua prática como infalível conduta, execrando as demais religiões (em especial as de origem Afro-Brasileiras) do debate.

É de extrema importância o reconhecimento do Aborto como constituinte das políticas públicas na Área da Saúde, não legalizar-lo é encobrir a morte de mulheres negras, pardas e pobres em situação vulnerável que arriscam suas vidas em clínicas clandestinas, ignoradas sob o estigma de “Malditas”. Quem possui recursos para tal, mantém a integridade física e reputação preservada.

Descriminalizar esta prática não ocasionaria mutirões abortivos por não se tratar de um processo simples e prever acompanhamento interdisciplinar. Enquanto aguardamos, centenas de mulheres engravidam na fila do SUS a espera de uma laqueadura.

Se uma mulher próxima a você (companheira, mãe ou irmã) apresentasse grandes chances de morrer no parto e houvesse a chance de optar pela vida do bebê ou a dela, quem escolheria?

Respeito é resguardar a autonomia, do contrário, não há qualquer opção de livre-arbítrio, restando à mulher subjugar- se aos mandamentos religiosos e estatais regidos por patriarcas. E como se sabe; patriarcas não engravidam.

[Hoje é o Dia pela Descriminalização do aborto na América e Caribe. Este dia foi criado durante o V Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe, realizado na Argentina, em 1990, em função da enorme preocupação que o Encontro demonstrou com o tema. Fonte]

Trolls (e curiosos) possivelmente questionarão:

Defender o direito ao aborto e ser VEGetariANA?

Para começo de conversa, vacas são fecundadas contra vontade (na interferência humana) e não escolhem ter seus filhos arrancados do convívio. Esses “filhos” não vão para orfanatos ou assistentes sociais, eles viram Baby Beef. Sequer, foi descoberta uma horrível fábrica onde garotinhas são criadas unicamente para atingir a puberdade e inseminadas para gerar leite (vacas também só amamentam quando prenhas). A exploração de fêmeas não humanas é bem diferente, embora existam paralelos.

Ou seja, a autonomia dos corpos dos animais não é respeitada quando viram comida de humano, além disso, tal indivíduo geralmente pode comprar proteína não-animal no mercado. Nenhum animal não-humano voluntaria-se ao sacrifício. Defendo a autonomia dos corpos, de todos os que já estão fora do útero, ou do ovo.

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24 setembro, 2010

Entrevista – Data

Posted in Eventos às 12:14 pm por Deborah Sá

Abaixo, e-mail da moça que me entrevistou:

Oi, Déborah! Td bem?

As matérias da 5ª Mostra Árabe de Cinema irão ao ar neste sábado. Não sei te dizer se passará tudo neste sábado, ou se as matérias passarão uma parte neste sábado e depois em outro, pois ainda não vi o programa finalizado. Qq dúvida, entre em contato.

Bjos
Sanny Hosney Mahmoud Mohamed

TV Chams (canal da comunidade árabe brasileira)

Sábado 10:30 e 18:00
Quinta: 00:00

NET – 9
TVA Analógica 99/72
TVA Digital 186
Ou assista online aqui

23 setembro, 2010

Over and over

Posted in Desabafos, Egotrip às 5:31 pm por Deborah Sá

Não sei expressar desejo, submersa em rotina. Olhar o papel da parede intacto, a pilha de roupa pra lavar, os azulejos incrustados. É muito duro ter estes períodos de processamento, quero tudo agora. Às vezes só as guitarras e violinos falam. Pra isso que preciso do meu espaço, do meu tempo. Pra debruçar sobre o que há por aqui sem regrinhas, ás favas com as convenções. Ponto e vírgula quando querem. Todas as minhas expectativas são projeções, quero tanto ser legal pra todo mundo, começa com um favor, aí vira obrigação e me frustro porque não sinto retribuição. I don’t want the world, I only want what I deserve. Tenho medo e me canso de coisinhas medíocres, daí eu espero mesmo que as pessoas pensem “Poxa, o que custa eu tomar a iniciativa dessa vez?”. Eu gosto de cuidar dos outros, de verdade. Mas ás vezes me cansa, porque dou todo meu empenho, quatro tipos de salada, dois pratos quentes, um suco e uma sobremesa para quem nem liga pra avisar “Olha, não posso ir…” E eu fico olhando as bexigas da decoração murchar pensando se as pessoas gostam mesmo de mim. Porque eu chamo pra sair, corro atrás, me preocupo com horários de cada um que mora longe. É bom me entregar às pessoas (e faço muito isso), mas me sinto idiota quando o retorno é som de torneira pingando. Everyone is almost done with me. Fio vermelho ou azul? O tempo todo, o tempo todo. E é tão bobo colocar toda minha confiança a prova em coisas cotidianas. Querer morrer porque um bolo deu errado, vi um gato morto ou estou atrasada.

Drama Queen por excelência. Ninguém se leva mais a sério do que eu. Amo e me jogo em espirais e lá dentro só ando sob linhas retas. Ninguém é tão despido de moral quanto posso imaginar, sou acostumada com hostilidade em níveis absurdos. Naturalmente isso me leva a tentar ser dócil para evitar conflitos. Tem tanta coisa sendo processada na minha cabeça que me deixa confusa. E quando é que uma pessoa tão impulsiva quanto eu sabe de fato? Tangerine. Habituei-me jogar em frente do carro, do tiro, da dor. Deixe que eu assuma a culpa, não, não tem problema, eu não quero dar trabalho pra ninguém, eu não quero aborrecer com meu falatório. Talvez isso explique o fato de eu ser tão cara de pau: Espero a pior resposta do mundo, de um modo que quebraria qualquer coração em pedaços. E eu manjo de carão.

22 setembro, 2010

Masturbação, Sexo Oral e Clitóris

Posted in Corpo, Sexo tagged , , , às 5:18 pm por Deborah Sá

A masturbação é o momento de viabilizar o desejo, um dos maiores equívocos femininos é não praticá-la na dependência sexual de terceiros. Se você não gosta de intercurso e adora estimulação clitoriana não há razões em “forçar” práticas que não lhe trarão satisfação.

Em meio a mitos e silenciamentos a vagina permanece um enigma para muitas, dizem que a “Revolução Sexual” permitiu maior liberdade. Basta conviver com mulheres para constatar que os padrões de beleza e comportamento cada vez mais rígidos nos “castram” psicologicamente.

“Não agüento tanta reclamação” ou “Ela é frígida”

Se sua companheira freqüentemente se queixa da própria aparência e isto te incomoda tenho de lhe informar: Megan Fox, Angelina Jolie e outras mulheres para as quais bate punheta interpretam personagens. Se sua namorada é franca, agradeça, converse e reveja seus conceitos, assim podem juntos construir um relacionamento.

Mas a culpa é dela, nunca me diz o que gosta

Ninguém gosta de trepada medíocre (daquela que dá na mesma fazer as unhas), há vários motivos que levam uma mulher a não explorar o próprio corpo: Educação religiosa, traumas, vergonha do próprio corpo…

Caso 1
Mulher por algum motivo perde o desejo

M: Ai desculpa. Não dá mais, vamos parar!.
H: Hum, acho que você é frígida, minha ex-namorada adorava isso. Sou homem, tenho as minhas necessidades, acho que vou trepar com outra. [Alguns tem coragem de verbalizar]

Pressioná-la a fazer sexo sem vontade só vai diminuir paulatinamente o desejo e deixá-la ainda mais insegura.

Caso 2
Homem por algum motivo perde o desejo

H:*Chuinf*
M: Tudo bem querido, não tem proble…(pensando: O que eu fiz de errado?).
H: Nunca me aconteceu antes. Estou cansado, vamos dormir?
M: Mas é claro, mas se quiser podemos tentar novamente.
H: Melhor não.
M: Pensando: – Preciso descobrir onde foi que errei.

São poucas as mulheres tão insensíveis ao ponto de dizer: “Você é brocha, sou mulher e tenho orgasmos mais intensos. Preciso de um amante”.

O que há de errado com a minha vagina?

Sem referenciais é de se esperar que a mulher questione o cheiro, gosto e aspecto de sua vagina, já que todas as associações são relacionadas a algo negativo.

Cheiro: Sempre ouvi que vaginas “cheiravam a bacalhau” o que me deixava intrigada, já que julgo o cheiro estimulante e convidativo. Há diversos produtos que prometem “mascarar” o odor como lenços umedecidos e sabonetes especiais.

Gosto: Se deseja que alguém lhe lamba, não seria importante saber se o sabor é realmente bom? Isso também vale para homens. A vagina é tão “invisível” que nossa “porra” é inominável.

Aspecto: O que é uma vagina “normal”? É aquela que te dá prazer, se seu método de comparação é com fotos e vídeos da internet, seria interessante conversar abertamente com mulheres reais (de maior variedade anatômica).

Como alcançar um orgasmo?

Se sua parceira for mulher, provavelmente não encontrará problemas na prática do sexo oral (afinal, ela sabe como é ter uma vagina). Já em um relacionamento hétero muitos homens não obtêm boas performances entre um dos motivos, as reproduções pornográficas.

Em qualquer site padrão, o maior número de visualizações é: Sexo anal, sexo oral (no homem) e Bukkake (gozar na cara), onde a força e pressa são mais importantes que a dedicação. Atire a primeira pedra a mulher que nunca teve de avisar “Ei, assim você me machuca” porque o parceiro realmente acreditou que aumentar a velocidade e “ir mais fundo” causaria prazer.
Isto explica o motivo de tantos homens não saberem como lamber* uma mulher, algumas dicas:

– Língua dura não é legal, principalmente quando insistem em usá-la da mesma forma que usam o pênis (em movimentos mecânicos).

Não morda o clítoris! Possuindo mais de oito mil nervos, o clítoris é a parte do corpo da mulher que contém mais terminações nervosas, inclusive mais do que a língua ou o pênis masculino. Então nada de apertá-lo como um botão do controle de videogame.

A ciência

Outrora responsabilizado por histeria e loucura, perversão demoníaca ou instabilidade emocional, o estudo do prazer feminino e sua anatomia é constantemente renegado a segundo plano. Muitos homens recusam-se a realizar um exame de próstata, mas o que é isso em comparação a uma Coloscopia, Vulvoscopia (com biópsia) e o Papanicolau?

Espéculo usado em exames ginecológicos

Excesso de força é o maior erro que os homens cometem no sexo oral, dizem as brasileiras

Documentário – O Clitóris
(vi na comunidade Feminismo e Libertação)

Parte 2Parte 3 Parte 4Parte 5Parte 6

*Lamber uma mulher: Dizer “chupar” pode levar à má interpretação que o modo “correto” é a sucção.

20 setembro, 2010

Beijaço – 19 de Setembro

Posted in Eventos, LGBT às 6:13 pm por Deborah Sá

Com menor repercussão na grande mídia (em vista do primeiro), este Beijaço contou com apoio de ativistas que reivindicaram:

* Propostas de Políticas Públicas voltadas para a equiparação dos Direitos Civis entre héteros e LGBT.
* Apoio a Carta aberta aos candidatos brasileiros – Manifesto Pró-Casamento Igualitário no Brasil ( @gaycasamento )
* Aprovação do PLC-122, que criminaliza a homofobia.

Atraindo a atenção de quem passava pelo local, lésbicas (em maioria), gays, bissexuais e héteros finalizaram o ato por volta das 18:00.

Zaíra

Márcio

Gutto

Zaíra e Kamila


Fernanda

Márcio, no carão


O único candidato destas eleições a comparecer foi o Sargento Fernando Alcântara.

Quem é Fernando Alcântara de Figueiredo?

Nasceu em Recife (PE) em 19 de setembro de 1973. De 1992 a 1995 foi Soldado da Aeronáutica. Em fevereiro de 1995 ingressou no Exército como aluno do curso de Sargentos, formando-se em novembro daquele ano e permanecendo na Arma até junho de 2008. Escritor, personagem da história recente do país por protagonizar com seu companheiro, também Sargento, Laci, emblemática exposição pública do relacionamento íntimo que possuem a mais de dez anos e os desdobramentos da perseguição que ambos sofreram. São o primeiro casal gay a declarar publicamente esta condição, ainda na ativa no Brasil e no mundo. Hoje preside o Instituto SER de Direitos Humanos cuja missão é a proteção a vítimas do preconceito. Atua também no Grupo Tortura Nunca Mais do estado de São Paulo.

Blog dele e o Twitter

Mais fotos

Por Mike_Wino aqui

15 setembro, 2010

O vestido de carne da Lady Gaga

Posted in Animais, Só falam nisso tagged , às 11:48 am por Deborah Sá

Ao ver Lady Gaga no traje de açougue e aquele sapato horroroso foi inevitável não pensar:

Políticas Sexuais da Carne

Neste livro Carol J. Adams aborda as associações que nossa cultura patriarcal atribui ao consumo de animais mortos (sobretudo os de carne vermelha) e o caráter masculino.

Cozinhar para quem?

No Dia dos Pais podemos ver nas vitrines Kits de Churrasco e os programas matinais ensinam a preparar Costelas, nos outros dias não propõem grandes inovações gastronômicas: Empadinhas, tortas, pudins e mousses com ingredientes de aceitação geral (ovos, leite condensado, frango…).
Revistas femininas reservam ao menos uma coluna dedicada a receitas e ingredientes emagrecedores em pequenas porções, já que muito provavelmente a leitora consumirá a “comida saudável” sozinha. Mulheres casadas ao tentarem introduzir a dieta vegetariana em seus lares falham miseravelmente: Seus maridos dizem não serem coelhos para folhas ou granola e suas crianças, adoram nuggets.

Frutas, legumes e vegetais são considerados alimentos que não “sustentam”, “inspirando pouca força”, “debilitando as funções psicomotoras” e por isto são associados à alimentação feminina. Os produtos de origem animal relacionados à mulher também assumem um posicionamento baixo na escala hierárquica que denominamos aos alimentos (derivados do leite e carnes brancas).

Lembram-se da Ruflles “Para Meninos” (crocante) sabor churrasco e “Para Meninas” de Cream Chesse (lisinha)?

Prato de pedreiro

Esta “necessidade masculina” de ingerir carne também é justificada nos trabalhos que demandam maior esforço físico, o que dá a entender que as tarefas “femininas” não são tão pesadas e estafantes ou que ser atleta e vegan@ é impossível.

Classe e Raça

Se comer carne é um privilégio social e possui hierarquias, quanto maior o poder aquisitivo mais “nobre” será o corte servido. A maioria das empregadas domésticas (pardas e negras) prepara na casa de suas “patroas” alimentos que dificilmente são integrados ao próprio cardápio. Somos estimulad@s a reproduzir as relações de poder nas instâncias possíveis a nossa realidade:
Patrão – branco – come filé mignon
Funcionário – branco – come picanha
Esposa – branca – come filé de frango com molho de creme de leite e mostarda
Empregada – negra – Come carne moída ou salsicha

Certamente se houver alguma crise no mercado da carne e os preços tornarem-se abusivos, @s primeiros a excluírem este ingrediente serão pobres e negr@s.

Comer carne não é meramente uma escolha

Moralmente escolha não é a possibilidade de praticar qualquer ato, mas a sua implicação ética. Com minha constituição física é perfeitamente “possível” bater em alguém mais “fraco”, mas não o faço, seria covardia e muito provavelmente esse “alguém” não consentiria em sentir dor.

Proposta bem-estarista

Criar animais “livres” para matá-los em seguida não anula a morte. Amenizar danos é sempre bom, mas você acha alguma das opções abaixo justa?:

¹ Ok, eu te deixo viver livre. Construa sua família, viva tranquilamente e quando eu julgar conveniente te mato. Não vou ganhar dinheiro com isso e não deixarei morrer nas mãos de um desconhecido.

² Olha, é a lógica do mercado. Não leve pro lado pessoal, fique nessa cadeia lotada de canibais (tiramos os dentes pra que não te machuquem, eles ficam um pouco “alterados” sem ver o sol), em pouco tempo você morrerá e não sofrerá mais.

Ninguém explora aquele que é seu “igual”, se ainda exploramos os animais é porque os julgamos “estúpidos demais” e isentos de viver plenamente. É como colonizadores justificam derramamento de sangue e escravidão.

E o vestido da Gaga?

Onde o uso de casacos de pele é imoral e venera-se couro legítimo, onde se critica sacrifício animal fazendo churrasco, usar um vestido de bife é sintoma de um problema muito maior (que quase ninguém quer admitir).

14 setembro, 2010

A produção do conhecimento na Religião

Posted in Crenças tagged , às 5:53 pm por Deborah Sá

Além da Congregação Cristã no Brasil (CCB) outras denominações assumem um formato passivo de experimentar a fé. Resumindo-se ao escutar as pregações @ fiel recebe os ensinamentos sem qualquer questionamento.

É preciso estudar a Bíblia para ter fé?

Qualquer crença ou ideologia não precisa de embasamento teórico para prática, em especial as religiões que valorizam a experimentação física e “espiritual” como comprovação da Cristandade.

O silêncio e concentração conjunta (“comunhão”) podem ser experimentados em meios seculares tendo como expoente mais próximo concertos de música: Mãos para cima, emoção elevada, identificação e representatividade.

A Bíblia usa de vocabulário rebuscado em parábolas livres de interpretação e seus pregadores em grande parte, não incentivam os ouvintes a múltiplos entendimentos desta leitura. Mas para refutar argumentações contrárias (portanto teóricas) não seria útil a compreensão do que é incumbido de diretriz moral?

Na igreja que eu freqüentava a escrita nunca era estimulada

Redigir os sentimentos permite o autoconhecimento e para tanto não é necessário uma gramática impecável, o estilo individual imprime nossa historicidade, estilo e forma estilística. Entristece-me que muit@s tenham vergonha de tornar pública sua escrita, por não “escrever direito” ou “fazer sentido”. Escrever é como compor uma música e o direcionamento das frases fazem um conjunto harmonioso para aquele que torna concreto o que ecoava dentro de si.

Quando é possível questionar?

Para elucidar questões pendentes após o término dos cultos, era possível dirigir-se ao Cooperador/Ancião. Por “Congregar” em regiões periféricas da cidade convivi com pessoas de pouquíssima “instrução” que depositavam toda a interpretação bíblica na “Via Direta” que se manifestava nos púlpitos.

A humildade cristã inibe a possibilidade de interpelar esse discurso já que @ fiel julga este ato um indício claro de sua falta de fé. A não “implementação” de reivindicações nas doutrinas intransigentes explica a proliferação constante de novas igrejas.

Pregadores são conscientes de sua importância no alívio a um povo cansado e ansioso por diretrizes e do controle social que exercem (fazendo do seu cargo um trampolim megalomaníaco).

Entrevista

Posted in Eventos às 3:31 pm por Deborah Sá

Concedi a TV Chams (canal da comunidade árabe brasileira) uma pequena entrevista sobre a mulher “Ocidental” e o Feminismo.

Sábado 10:30 e 18:00
Quinta: 00:00

NET – 9
TVA Analógica 99/72
TVA Digital 186
Ou assista online aqui

Estou apreensiva quanto à edição (afinal, nunca apareci na TV).
Assim que souber a data exata de exibição comunico vocês :)

13 setembro, 2010

Lesbo/Trans/Homo Normatividades

Posted in Corpo, Gênero, LGBT tagged , , às 4:42 pm por Deborah Sá

É um direito viver (e se relacionar) entre quem partilha dos mesmos ideais

A aproximação se desenvolve basicamente por identificação e diálogo, assuntos e interesses em comum aprofundam este processo, divertindo e fortalecendo a auto-estima (afinal, ninguém considera amig@ aquel@ que despreza). Mesmo visando o amor próprio e a convicção de ser reconhecid@ como sujeito, a cultura nos lembra diariamente qual é “o nosso lugar” e onde “devemos estar” na manutenção do status-quo.

Grupos marginalizados criam maneiras de subverter sua exclusão e isto se dá de várias maneiras: Vestuário, vocabulário, locais para interação (os também denominados “guetos”) e assim criam sua própria norma de conduta.

Meu intento não é “culpar” qualquer grupo, nem acentuar desavenças entre minorias. Isto desviaria o foco da opressão heterossexual, branca, cristã e  de classe média (dentro dos recortes de Raça, Gênero e Classe).

Lanço um olhar crítico sobre qualquer assunto ou conduta que pareça interessante (isto inclui as ideologias que sigo). No mais, a ferramenta de comentários é aberta a tod@s que se depõem ao diálogo.

Lesbo-Normatividades X Bi-Normatividades

Lésbicas são mais descriminadas que bi?

Certamente lésbicas correm maiores chances de atentados físicos e são “invisíveis” a diversos setores, incluindo o da saúde pública. Ou alguém já viu protetor para sexo oral distribuído gratuitamente?

Bissexuais são indecisas/confusas/covardes, ou as lésbicas “não se soltam” para conhecer “homens que prestam”?

A orientação e prática bissexual não implicam caráter.  Se uma lésbica opta por não se relacionar com bissexuais é um direito, já classificá-las em “covardes e nojentas” enfraquece a luta feminista. Se você bissexual não entende o porquê de uma lésbica sentir-se confortável e satisfeita leia isto aqui.

Trans

A feminilidade é a marca da subversão, transcender os conceitos corporais e ressignificar estes objetos é uma afronta ao senso comum. Ao mesmo tempo não é tão raro ouvir travestis criticando mulheres “pouco femininas” e repelindo aqueles que optam por manter certos aspectos “masculinos” quando “montados”.

Homo

Há subcategorias LGBT: Dykes e Ladies, Travestis e Crossdressers, Barbies e Ursos… Neste último, os padrões de masculinidade são exaltados, geralmente censurando comportamentos “femininos” (nada de se jogar no Waka Waka, Bee).

Festividade

Pornografia gay? Prostitutas contratadas por lésbicas? Submissão e dominação nos padrões Feminino/Masculino? Padrão de beleza caucasiano?  O ativismo LGBT não deve limitar-se a festividade. Queremos aproveitar todas as possibilidades sem recriminação, mas não podemos dispensar o questionamento de nossas “normatividades” e a apropriação delas como constituintes de nossa identidade.

9 setembro, 2010

Coletor Menstrual

Posted in Corpo tagged , , , às 11:44 am por Deborah Sá

Minha primeira menstruação ocorreu aos 12 anos, uma tia acolheu explicando que aquele processo natural não tardaria a ocorrer como uma etapa da puberdade. Com nojo e extremamente irritada habituei-me ao Atroveran e pacotes e mais pacotes de absorventes. De natureza dramática, o mênstruo não seguiria outro ritmo: Dormia de lado e acordava em direção ao banheiro, após o banho continuava o habitual: Limpar o corredor, a cama, os lençóis e o que mais deixasse evidente que alguém sangrando acordou. Foram muitas as vezes que saí chorando da escola devido a um “vazamento”, até que o Ginecologista sugeriu o uso de Anticoncepcionais para conter o fluxo.

Embora “estabilizado” ainda era mais intenso do que de outras mulheres e me incomodava ter de trocar o absorvente a cada duas horas nos primeiros dias.

Inconvenientes do absorvente interno convencional

* É caro
* A cordinha incomoda
* Pode vazar (para quem tem um fluxo muito intenso)

Inconvenientes do absorvente externo convencional

* Tem cheiro ruim
* O sangue “espalha” dando uma impressão maior de fluxo.
* Provoca assaduras
* Não “protege” o contato da pele com o sangue seco
* “Embola” enquanto dormimos
* Marca na roupa

Coletor Menstrual
(Ou como gosto de chamar: “Copinho”)

Há quase dois anos, descobri uma alternativa ao uso dos absorventes convencionais, mais higiênico, prático e seguro:

O meu é da marca Lunette

Como o Coletor Menstrual funciona?

Recomendo que “pratique” a introdução do Coletor, dias antes da menstruação e após o início, use absorventes externos até sentir-se segura.

Compre uma panelinha para a esterilização (pode ser uma leiteira pequena) e reserve-a somente para isto. Antes do primeiro uso, coloque o Coletor em água fervente por três minutos. Retire-o com cuidado e deixe descansar sobre um pano limpo. Depois de frio, dobre ao meio e introduza na vagina (prefiro fazê-lo sentada na privada), segurando-o na base.

Deste modo

Quando estiver dentro, gire-o e ele se “abrirá”, a pressão (costuma fazer um pequeno som) será responsável por não deixar o copo cair.

**É importante que você esteja calma, pois a tensão irá dificultar o processo. Fique tranqüila, não dói**

Ande, sente, deite, verifique se está confortável, caso algo incomode, tire e tente novamente, há quem demore dias, semanas e até meses para se habituar ao uso do Coletor, tudo depende do conhecimento da própria anatomia. Nós mulheres não somos estimuladas a conhecer o próprio corpo, fazendo-se necessário este período de adaptação.

Em último caso é possível cortar um pedaço do “cabinho”

Para retirar, basta “forçar” para baixo (do mesmo modo que fazemos xixi).

Dica:
Se colocar o copinho enquanto menstruada (em local público, sem a possibilidade de tomar uma ducha) use um pedaço de papel higiênico na calcinha para prevenir manchas.

Higienização

– Só é preciso esterilizar após o término de cada ciclo.
– Pode ser lavado no chuveiro após o banho
– Quando estiver fora de casa e precisar trocá-lo em um banheiro, leve uma garrafinha com água (ou lenços umedecidos).

Quais as vantagens?

Nosso sangue não é sagrado tampouco sujo, ao contrário da lógica: “Enrolar, esconder, jogar no lixo, abrir outro pacote e reiniciar” o contato com a menstruação pode ser uma experiência nova. Com o Coletor o sangue concentra-se sendo perceptível a real quantidade de fluxo, aspecto e odor, possibilitando urinar, práticas de exercícios, masturbação e sexo oral (sem vazamentos).

Onde comprar?

No Guia Vegano por R$ 60,00
Pode durar até 10 anos (economia em absorventes!)

Então, o que aconteceria se, de repente, como num passe de mágica, os homens menstruassem e as mulheres não?

Claramente, a menstruação se tornaria motivo de inveja, de gabações, um evento tipicamente masculino: Os homens se gabariam da duração e do volume. Os rapazes se refeririam a ela como o invejadíssimo marco do início da masculinidade. Presentes, cerimônias religiosas, jantares familiares e festinhas de rapazes marcariam o dia.

Para evitar uma perda mensal de produtividade entre os poderosos, o Congresso fundaria o Instituto Nacional da Dismenorréia. Os médicos pesquisariam muito pouco a respeito dos males do coração, contra os quais os homens estariam hormonalmente, protegidos e muito a respeito das cólicas menstruais.
Absorventes íntimos seriam subsidiados pelo governo federal e teriam sua distribuição gratuita. E, é claro, muitos homens pagariam mais caro pelo prestígio de marcas como Tampões Paul Newman, Absorventes Mohammad Ali, John Wayne Absorventes Super e Miniabsorventes e Suportes Atléticos Joe Namath — “Para aqueles dias de fluxo leve”.
As estatísticas mostrariam que o desempenho masculino nos esportes melhora durante a menstruação, período no qual conquistam um maior número de medalhas olímpicas.
Generais, direitistas, políticos e fundamentalistas religiosos citariam a menstruação (“men-struação”, de homem em inglês) como prova de que só mesmo os homens poderiam servir a Deus e à nação nos campos de batalha (“Você precisa dar seu sangue para tirar sangue”), ocupariam os mais altos cargos (“Como é que as mulheres podem ser ferozes o bastante sem um ciclo mensal regido pelo planeta Marte?”), ser padres, pastores, o Próprio Deus (“Ele nos deu este sangue pelos nossos pecados”), ou rabinos (“Como não possuem uma purgação mensal para as suas impurezas, as mulheres não são limpas”). Liberais do sexo masculino insistiriam em que as mulheres são seres iguais, apenas diferentes. Diriam também que qualquer mulher poderia se juntar à sua luta, contanto que esconhecesse a supremacia dos direitos menstruais (“O resto não passa de uma questão”) ou então teria de ferir-se seriamente uma vez por mês (“Você precisa dar seu sangue pela revolução”).
O povo da malandragem inventaria novas gírias (“Aquele ali é de usar três absorventes de cada vez”) e se cumprimentariam, com toda a malandragem, pelas esquinas dizendo coisas tais como:
— Cara, tu tá bonito pacas!
— É cara, tô de Chico!

Memórias da Transgressão, Momentos da História da Mulher do Século XX / Gloria Steinem; Tradução de Cláudia Costa Guimarães – Rio de Janeiro: Record Rosa dos Tempos, 1997 (Pgs 416-418)

Update :)

Em 10 de Dezembro de 2010, anunciaram nos comentários o primeiro coletor menstrual Brasileiro:
http://www.misscup.com.br

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