11 agosto, 2010

Direito ao gozo feminino

Posted in Corpo tagged , às 2:35 pm por Deborah Sá

Mulheres hétero não esperam muito dos homens seja no companheirismo ou no desempenho sexual, conformando-se com maridos infiéis e/ou egoístas sexuais dos quais afirmam: “homem é assim mesmo”.

Preliminares

Classificar sexo oral, masturbação e toda a gama de carícias como elementos secundários de excitação, exalta o intercurso ao status de sexo “real” ou ainda, como a conduta obrigatória após qualquer estímulo.

Se você procura tutoriais de como sentir prazer com penetração mesmo após tentativas frustradas, talvez não note que essa busca é a tentativa de afirmação a si mesma (e muito provavelmente para seu namorado) do que seria uma prática “normal”. Ninguém força o próprio paladar ingerindo alimentos considerados desagradáveis, não importando a quantidade de pessoas que adoram outros modos de preparo. Ao pesquisar formas de agradar seu parceiro ele não poderia fazer o mesmo?

Todo intercurso é violação?

O orgasmo feminino pode ser mais intenso e duradouro quando comparado ao masculino, mesmo com este fator biológico a nosso favor centralizamos os homens e seus prazeres como protagonistas através da linguagem. São eles que “arrombam”, “arreganham”, “fodem”. Não são as feministas que criaram o conceito do falo como “arma”, a própria cultura diz isso.

Problemas de ereção? Consulte-nos e surpreenda sua parceira

Publicidade sobre ereção (além de heteronormativa) cria a falsa impressão que basta um pau grande e duro para satisfazer, se assim fosse, um vibrador seria o suficiente. Não reduza sua identidade a um membro do corpo.

Mas meu namorado é ótimo e eu gozo com penetração, está me chamando de alienada?

Não. Homens são diferentes entre si, se ele te trata bem não muda o fato da maioria das mulheres não chegar ao orgasmo. Escolha implica consciência, se a mulher permanece em um relacionamento insatisfatório “por obrigação,” é porque não encara como possibilidade o próprio deleite.

Ser lésbica é a única saída?

A nossa matriz é baseada em relacionamentos heterossexuais com divisão nos papéis de gênero, sendo assim, é possível encontrar lésbicas que exigem comportamentos “femininos” de suas parceiras. O relacionamento lesbiano pode ser mais igualitário não só por tratar de uma união entre gênero, identidade e prática sexual, mas porque essa transgressão quebra uma série de protocolos das dicotomias de poder, entre elas o intercurso e suas simbologias.

Breve recado para homens hétero

Se você goza apenas com penetração não levando em consideração o prazer da sua parceira, isso não te faz “normal”. Faz-te um babaca.

12 Comentários

  1. Rebeca Remédios said,

    Nossa, que bom ler em algum lugar que pau grande e grosso não é sinônimo de prazer… Na verdade, quanto maior e mais grosso o pau, mais incômodo ele é. Comecei minha vida sexual aos 16 anos e só aos 26 consegui gozar pela primeira vez, e não foi com a penetração. Mas eu acredito que a escolha de um parceirO preocupado com o prazer de ambos, garantiu minha tranquilidade.

    • Deborah Sá said,

      Rebeca,

      Fico feliz que encontrou a plenitude sexual :)
      É fundamental que noss@s parceir@s tenham dedicação e empatia, para junt@s desfrutarmos intensamente nossas possibilidades.

      Um grande abraço =***

  2. Raiza said,

    Adorei a música e achei bastante válido o post.
    Como acho que você já disse em algum outro post,quando o homem tira o foco do pau ele consegue não só dar mais prazer a parceira como a ele mesmo.Mas enfim,acho que o problema não é só focar extremamente no pau,acho que o problema também é o modo de usar.Pelo que eu vejo/ouço,a maioria só fica naquele entra e sai que nem britadeira.Podiam ao invés disso usar o material de forma mais criativa.Felizmente não tenho problemas com isso.Até porque quando não tá bom,peço pra mudar.

    • Deborah Sá said,

      Olá queridam :)

      Sei de casos em que a mulher fala abertamente o que deseja, mas o homem recusa-se a fazer e diz que o “problema” é dela ¬¬’
      Ou ainda o clássico “Eu faço em você, mas você não faz em mim”, há homens que recusam beijar suas parceiras depois que ejaculam na boca delas.
      Sei de um caso divertidíssimo em que o marido insistia em receber sexo oral e a esposa o fez para livrar-se das cobranças, optando por segurar o esperma e cuspir na boca dele o/
      O dito cujo ficou cheio de “nojinho” da própria porra e não mais insistiu.
      Creio que o melhor era a mulher nem começar o ato (já que este desejo não era mútuo), mas achei no mínimo “justa” a transgressão que cometeu.

      Um abraço o/\o

  3. said,

    Por isso eu digo q sexo entre mulheres é carinho e amor de verdade. ^^

    • Deborah Sá said,

      ^^

      *abraça*

  4. Juh Sales said,

    Nada como preliminares bem feitas, acredito no prazer conjunto, se eu não sair feliz… ai ai ai.. shahshahsha
    Mas concordo, ja gozei muito nessa vida depois que descobri o que era ter prazer de verdade…

    • Deborah Sá said,

      Juh,

      A prática sexual leva a conhecer melhor o próprio corpo e ter segurança dos desejos, baseando-se na minha experiência, o tempo só intensifica o prazer :)

      Apareça por aqui :)

      =***

  5. Cynara said,

    Comecei minha vida sexual aos 16.Adorava fazer sexo.Eu não gozava.Mas….não sabia.Pensava que era aquilo e pronto.
    Gozei aos 27 anos com um cara que ainda não era meu namorado,era a terceira vez que ia pra cama com ele.
    Resultado.Acho que confundi tudo:(
    Fiquei 5 anos vivendo o pior relacionamento da minha vida,cheio de traições,falta de respeito,posse e etc…tudo pq achava que NUNCA MAIS iria conseguir sentir ‘aquilo’ sem ele.Pode?É muita falta de auto estima!
    Hoje tenho 40 anos.Sou casada e sexualmente muito satisfeita.Mas foi foda até descobrir que agora era comigo.Bjs amazonenses.

    • Deborah Sá said,

      Cynara

      Imagino que isto seja uma constância: Mulheres mais jovens e inseguras gozam (ou sequer gozam) bem menos do que mulheres mais velhas e seguras.
      Um grande erro é depositarmos toda a auto-estima sexual na mão dos outros e responsabilizar toda “falha” em nós mesmas.
      Tenho 24 anos e me imagino (ainda) linda e segura aos 40 (e com ótimos orgasmos!).

      Um grande abraço
      =****

  6. Tiago said,

    Há algum tempo venho lendo e tendo contato com textos e propostas feministas. Acho esse movimento bem complicado e extremamente delicado porque, até onde li, ele tem como principal objetivo o combate ao machismo a fim de colocar homens e mulheres no mesmo “patamar moral” – ou como quer que seja conceituado por autoras feministas -, sendo que o próprio conceito de machismo é um tanto vago, já que não há qualquer consenso sobre a definição de tal.
    Minha impressão nesse momento é que o feminismo é realmente dotado de um certo engajamento e reais aspirações sociais, mas também é, em partes, uma tendência demasiadamente simplista de promover preceitos maniqueístas em que a mulher é tratada sempre como a vítima e o homem, como o opressor. Tendência essa frequente na abordagem da sexualidade femina, que é o tema do seu texto, e sobre a qual eu gostaria de levantar algumas questões.
    Em primeiro lugar, deve-se ter em mente que as pesquisas sobre peculiaridades de gênero – sejam acerca de fatores socioeconômicos ou culturais -, assim como as relativas à sexulidade feminina e masculina – e também de interação entre os dois sexos -, podem apenas ser interpretadas como peculiaridades da região/comunidade em que foram realizadas, não podendo na maioria das vezes ser extendindas para outras regiões de modo a generalizar o que foi constatado.
    Tendo isso em mente, vamos à discussão.
    Entre as variáveis que formam a equação dos argumentos feministas, há uma constante que é a espinha dorsal do seu texto, e que os filósofos chamam de a falácia da “generalização apressada”. Logo no primeiro parágrafo do seu texto você afirma – não sem se precipitar – que a maioria das mulheres heterossexuais não esperam bom desempenho sexual de seus parceiros, talvez generalizando o que ocasionalmente pode ter ouvido de algumas mulheres. Como homem heterossexual que se relaciona com mulheres heterossexuais, eu me sinto no direito de dizer que essa é uma afirmação extremamente equivocada, que não condiz com a realidade da maioria dos grupos e subculturas atuais. Tanto o é, que não é raro um homem que ocasionalmente não corresponde às expectativas sexuais de uma mulher ser difamado de forma extremamente hostil por ela e talvez suas amigas etc.
    No segundo parágrafo, a mesma coisa: você, talvez partindo de um caso espefíco, o generaliza, de forma a rebaixar e subestimar o conhecimento e desempenho sexual dos homens em geral.
    E no terceiro parágrafo, algo semelhante, desta vez de novo em respeito às mulheres, você parte do pressuposto de que as mulheres em geral (ou pelo menos uma grande parte delas) não sentem prazer com a penetração no ato sexual. E sobre isso em específico me parece que esse grupo de mulheres, que você toma como seu universo de análise e pressupõe que seja o grupo numericamente predominante, parece apresentar tendências homossexuais, e, dessa forma, é natural que uma mulher desse grupo tenha dificuldades em sentir prazer por meio de experiências sexuais com homens – e então, o lesbianismo, que é apontado para a solução da incapacidade do homem em proporcionar prazer à mulher, na verdade não é a solução, mas uma tendência óbvia.
    Por último, eu gostaria de levantar uma questão muito delicada relativa ao quinto parágrafo do seu texto, em que você trata da questão da publicidade peniana, curiosamente se referindo a ela como sendo algo que atinge negativamente as mulheres e não os homens. Há uma correspondência muito semelhante entre o que vocês chamam de “padrões estéticos e morais socialmente impostos” à mulher com a publicidade – não só, mas talvez principalmente – peniana que o homem vem sendo vítima, principalmente, nas últimas décadas. Em outras, palavras o falo vem sofrendo uma supervalorização que é negativa ao homem. Isso porque, nesse aspecto, o termo “valorização” tem o sentido de dever, de cobrança (o homem precisa ter o pênis grande) e não de valorização pessoal propriamente dita (o homem é superior porque possui pênis). Esse sentimento, que é implicação do machismo, tem abalado profundamente a autoestima de muitos homens. E, ao contrário do que você deve pensar, para muitos homens a problematização do falo é muito mais complexa e dolorosa do que uma mera questão de honra. Dizer a um homem que ele tem pênis pequeno em algums casos significa dizer que ele não pode proporcionar prazer a uma mulher heterossexual, que ele não é um homem de verdade, que ele não é bom o suficiente para satisfazer a mulher que ele ama – porque é essa a visão que a indústria pornógrafia e muitas mulheres tem. Isso pode causar transtornos e sofrimentos tão profundos que só tratamento psicológico pode resolver.
    Obs: só para citar, cerca de 90% dos homens que procuram ajuda médica para aumento peniano tem pênis considerados normais.
    A própria ideia do falo, quando comparada a uma arma, tem um sentido machista que é PEJORATIVO – e não enaltecedor – ao homem. Isso porque o machismo impõe ao homem um padrão comportamental em que não há espaço para inseguranças, que exige que o homem esteja sempre rijo, com “a arma “carregada”, “pronto para a batalha”.
    Enfim, o meu objetivo não é colocar o homem como a vítima e a mulher como vilã, e muito menos começar uma guerra dos sexos; o meu objetivo é mostrar que as inseguranças, sofrimentos e dificuldades existem de ambos os lados, que o machismo é algo que atinge as mulheres e também os homens.
    Muitas feministas sustentam uma visão extremamente maniqueísta, fruto de uma análise muito supercial e simplista que não corresponde com a realidade da maioria dos grupos e subculturas e que, por isso, além de não resolver a questão, ainda acaba por piorá-la.

    Espero sua resposta,
    Tiago.

    • Deborah Sá said,

      Tiago,

      São generalizações nos parágrafos em que afirmo que muitas mulheres não consideram um direito exigir o próprio prazer. Mas não são regras, todo tipo de configuração variada pode ser traçada. E não há nada de errado de estabelecer algumas generalizações com base em experiências pessoais, você também fez isso na sua argumentação “Como homem heterossexual que se relaciona com mulheres heterossexuais…”. Uma mulher que não sente prazer peniano não tem “tendências homossexuais”, só não tem prazer nessa prática.

      Quanto aos arquétipos feministas caricaturados;

      Quanto aos padrões normativos genitalizados;

      F.A.Q Feminista;

      Saudações,
      Deborah


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