25 agosto, 2010

Plano das idéias

Posted in Corpo, Gênero tagged , , , às 5:01 pm por Deborah Sá

A inquestionável elaboração de Políticas Públicas que reconhecem disparidades não leva imediatamente a execução (a famosa “letra morta”).  Do mesmo modo, é importante distinguir o “Plano das Idéias” (onde qualquer tema pode (e deve – ser teorizado) da realidade.

O discurso acadêmico

A universidade é um espaço dedicado a argumentação teórica, no “Plano das Idéias” é possível ressignificar qualquer conceito e discutir realidades ainda distantes da maioria da população.  Incomoda-me frequentar simpósios, conferências ou congregações que defendem exclusivamente essa como fonte genuína de conhecimento.

Exemplo:

“X Simpósio –  A Mulher no Mercado de Trabalho'”

Alguém se apresenta:

Meu nome é “Tal”, sou Doutor em (insira curso em outro país) e a minha colocação é a seguinte (…). Posso falar isso, porque sei que somos todos universitários.

Depois do “Dr. Tal” ser respondido, uma mulher de aparência humilde levanta a mão e pergunta algo “menos teórico”. A resposta? :

“Olha minha querida. Isso foi ultrapassado pela academia, é um conceito [insira alemão/britânico/francês somado ao sufixo – ano. Ex: Foucaultiano]. Leia o “Beltrano” [outro teórico]. Próxima pergunta?”

Além de não responder, esta postura inibe novas manifestações e assume que tod@s @s presentes tiveram o mesmo acesso a informação. A primeira vez que entrei em uma Universidade¹, temi que me julgassem incapaz (baseando-me na chacota dos alunos de escolas particulares). Qual seria o tratamento dispensado a quem estudou em escolas públicas e concluiu o ensino médio com supletivo? Estaria em meu semblante algum indicativo das informações precárias que recebi?  Para minha surpresa, fui bem recebida e me manifestei publicamente em uma sala com desconhecidos.

Poucas sensações são tão desagradáveis quanto sentir que te julgam desprovida de qualquer entendimento.  Determinados procedimentos acadêmicos silenciam os indivíduos: Vêem uma amostra cinematográfica intitulada “Rap, Favela e Identidade”, mas não estão dispostos a dialogar com quem pega cinco conduções para voltar pra casa.

BDSM

O universo BDSM (entenda melhor aqui) tenta ressignificar na prática diversos conceitos considerados “ruins”, através de um novo olhar.

Dor

Transcender limites corporais, alcançar a elevação espiritual ou o prazer é a motivação do autoflagelo²:

No Brasil

FilipinasAfeganistão, Malásia etc.

Consenso

Dos preceitos básicos “São, Seguro e Consensual”, a prática BDSM aprova qualquer ação que leve ao prazer (abrangido o universo hétero e LGBT).

Nenhum corpo é etéreo nem deve ser privado de descobrir a própria maneira de canalizar o desejo.

Mas o que são as representações de poder no sexo?

Procure qualquer informação (de literatura a MTV) sobre BDSM, as imagens serão em maior parte de mulheres em posições “submissas”.  Estas reproduções mostram a humilhação de grupos minoritários (gordas, gays afeminados, negras), em menor ou maior escala. Porém, isso não significa que todas as práticas BDSM seguem essa lógica.

Qual o problema com a prática do Estupro Consentido?

Por que a maioria dos que procuram executar este ato são homens (em figura “ativa”)? Defender esta prática é encobrir a realidade d@s que sofreram com este abuso e buscam desvincular (dolorosamente), o prazer da dor (no sentido “comum” da palavra). A combinação das palavras “Estupro” e “Consentido” sequer faz sentido, você pode ter um desejo de dominação, o que for, mas o estupro nunca é de comum acordo, é um termo ilógico.

Você sabe o que é interromper um sexo maravilhoso por sentir medo?

Um judeu não precisa justificar um pornô nazista ser ofensivo, mas nós mulheres ainda somos tachadas de frígidas e temos de fundamentar o não excitamento com estupro ou a releitura desta prática.

Faz parte da natureza humana se excitar com cópulas e demonstrações de poder?

Sexo não é sinônimo de intercurso.
Há muitas representações de atos sexuais: Gravuras, textos, fotos… Mas a indústria pornográfica se consolidou de tal forma que ganhou o status de representação fidedigna. Assumir que biologicamente nos excitamos com violência é determinismo raso.

Nos anos 80

VHS

A grande disponibilidade de pornografia nesse formato impulsionou sua difusão, refletindo uma tradição que mostra que a pornografia é também um combustível para a consolidação de novos formatos (a Internet é um exemplo óbvio disso). Fonte

¹ Unifesp – Guarulhos – Onde o Yuri estuda
² Agradeço a @Mexy (minha querida irmã, pelas referências).

13 agosto, 2010

Até o percutir da porta

Posted in Desejo às 3:03 pm por Deborah Sá

Resvale entre excessos,
Venha, tome entre suas mãos qualquer trecho
Tente, é maior do que pretende abarcar
Ouça, a música está alta e guitarras me excitam
Veja, a pouca distância de frontes unidas
Beijo. Coxas, costas e ventre
Lábios. Grandes, pequenos, concomitantes

11 agosto, 2010

Direito ao gozo feminino

Posted in Corpo tagged , às 2:35 pm por Deborah Sá

Mulheres hétero não esperam muito dos homens seja no companheirismo ou no desempenho sexual, conformando-se com maridos infiéis e/ou egoístas sexuais dos quais afirmam: “homem é assim mesmo”.

Preliminares

Classificar sexo oral, masturbação e toda a gama de carícias como elementos secundários de excitação, exalta o intercurso ao status de sexo “real” ou ainda, como a conduta obrigatória após qualquer estímulo.

Se você procura tutoriais de como sentir prazer com penetração mesmo após tentativas frustradas, talvez não note que essa busca é a tentativa de afirmação a si mesma (e muito provavelmente para seu namorado) do que seria uma prática “normal”. Ninguém força o próprio paladar ingerindo alimentos considerados desagradáveis, não importando a quantidade de pessoas que adoram outros modos de preparo. Ao pesquisar formas de agradar seu parceiro ele não poderia fazer o mesmo?

Todo intercurso é violação?

O orgasmo feminino pode ser mais intenso e duradouro quando comparado ao masculino, mesmo com este fator biológico a nosso favor centralizamos os homens e seus prazeres como protagonistas através da linguagem. São eles que “arrombam”, “arreganham”, “fodem”. Não são as feministas que criaram o conceito do falo como “arma”, a própria cultura diz isso.

Problemas de ereção? Consulte-nos e surpreenda sua parceira

Publicidade sobre ereção (além de heteronormativa) cria a falsa impressão que basta um pau grande e duro para satisfazer, se assim fosse, um vibrador seria o suficiente. Não reduza sua identidade a um membro do corpo.

Mas meu namorado é ótimo e eu gozo com penetração, está me chamando de alienada?

Não. Homens são diferentes entre si, se ele te trata bem não muda o fato da maioria das mulheres não chegar ao orgasmo. Escolha implica consciência, se a mulher permanece em um relacionamento insatisfatório “por obrigação,” é porque não encara como possibilidade o próprio deleite.

Ser lésbica é a única saída?

A nossa matriz é baseada em relacionamentos heterossexuais com divisão nos papéis de gênero, sendo assim, é possível encontrar lésbicas que exigem comportamentos “femininos” de suas parceiras. O relacionamento lesbiano pode ser mais igualitário não só por tratar de uma união entre gênero, identidade e prática sexual, mas porque essa transgressão quebra uma série de protocolos das dicotomias de poder, entre elas o intercurso e suas simbologias.

Breve recado para homens hétero

Se você goza apenas com penetração não levando em consideração o prazer da sua parceira, isso não te faz “normal”. Faz-te um babaca.

2 agosto, 2010

O Controle Social da Imagem da Mulher na Mídia

Posted in Gênero, Publicidade às 9:54 am por Deborah Sá

Fonte