23 junho, 2010

Respeito, mas longe de mim

Posted in Corpo, Gênero às 5:43 pm por Deborah Sá

Dizem que no Brasil mulheres podem usar roupas curtas ¹, não há racismo ² ou homofobia ³.

Quer ser lésbica? Não precisa parecer homem / Não tenho nada contra gay, mas odeio “viadinho”.

Lésbicas são mulheres com orientação (atração) e/ou prática sexual direcionada a outras mulheres, não implicando na identidade de gênero. Qual a classificação de uma mulher que mescla símbolos femininos e masculinos na vestimenta?


O menino vai dizer para o pai (gay) “Mãe, me empresta o modess?”

Gays são homens com orientação (atração) e/ou prática sexual direcionada a outros homens, não implicando na identidade de gênero. Por favor, reveja seus conceitos, se informe.

Desmunhecar

A maioria das mulheres não gosta de homens brutos, em verdade ídolos juvenis são pouco másculos. Sabe aquele conceito pornográfico de que mulheres sentem prazer em serem humilhadas por homens mais velhos? É mentira.

Não sei se é homem ou mulher. É uma “coisa” lá.

Tradução: Pode-se esperar qualquer reação deste exemplar pós-humano. Incluindo práticas excêntricas, tais como gostar de seriados ou musicais.

Se passarem cantada em mim, encho de porrada.

Abordagens invasivas são desagradáveis, independente de quem as faça. Mostrar-se interessad@ não é crime.

Travesti não aceita o próprio corpo.

Todos modificam o corpo, explico melhor aqui.

Como defende “aquilo”? Crianças vêem travestis quase pelados, mostrando o pinto.

Discurso comum de quem fala com admiração “Meu menino tem só 4 anos! Mexe no pintinho toda hora, até mostrou pra prima, como é “esperto” o moleque!”

A prática sexual não-hétero é “tolerada” na esfera privada.

“Não tenho nada contra, mas não na minha frente”, quer dizer:

“Meu preconceito é velado, não sou racista ou homofóbico. Só não quero isto “entre os meus”. Filho? Nunca será gay. E se a filha branca casar com um negro (ou “moreninho”), torço pro cabelo “puxar” o dela”.

¹ Geyse Arruda.
² Os privilégios em ser branca.
³ Travestis são odiados, lésbicas são invisibilizadas.

OBS: Ouvi todas as frases em negrito.

Ouvi todas as frases em negrito.

22 Comentários

  1. Jo/Iolaus/Ilusorium said,

    Pois é esse tipo de situação sempre acontece e aparece em todos os cantos “ah eu nao sou homofobico..soq longe de mim essa prática!!”…é o tipico comentário mais escroto do mundo no qual a pessoa deveria se envergonhar por tal hipocresia doentia. Já houve casos de “amigos” assumirem serem homofobicos e eu indagar sobre o pq de ser..e pior..nao saberem responder, pois nao o conseguem, simplesmente respondem que são e ponto!! Aí me pergunto!?! A que ponto a sociedade está mergulhada de cabeça nessa era preconceituosa, consegue enxergar oq se passa a sua volta? Pois ainda, mal entendem que o outro tbm é um ser humano assim como outro qualquer e que nao importa a orientação sexual, etnia, condição financeira que está ou se encontra, pois no fundo isso nao faz diferença alguma e que não somos um objeto de plástico.
    bjo lind@ (kct to escrevendo mal pra burro…deve ser final de tcc) AHUAuaHUAu

    • Deborah Sá said,

      Beijo, Suflair 8)

  2. Vegan_ said,

    “Se passarem cantada em mim, encho de porrada” equivale a -> sou macho, passo cantada nas mulheres na rua, mas tenho medo de que um homossexual masculino faça o mesmo comigo.

    • Deborah Sá said,

      É bem por aí…

  3. Vegan_ said,

    “Travesti não aceita o próprio corpo” -> todo mundo modifica o próprio corpo, exatamente. basta ver o quanto de revistas por aí sugerindo cortes de cabelo, maquiagem, musculação, dietas miraculosas, tatoos, piercings.

  4. Vegan_ said,

    Como defende “aquilo”? Crianças vêem travestis quase pelados, mostrando o pinto. -> Tem muito mais pornografia na internet e nas RUAS do que travestis “mostrando o pinto” por aí.. E concordo, Deborah, quem diz uma coisa dessas geralmente se contradiz mesmo.

    • Deborah Sá said,

      Só se trata do pinto de quem mostrou, hétero pode, travesti não. ¬¬’

  5. “Como defende “aquilo”? Crianças vêem travestis quase pelados, mostrando o pinto.”

    Mas mulher com peito de fora no carnaval (e no resto do ano) na TV pode.

    As pessoas passam por lavagens cerebrais tão fortes que nem conseguem perceber as incoerências no discurso. E normalmente nem querem…

    • Deborah Sá said,

      Não querem porque teriam de abrir mão de uma série de previlégios que não estão dispostos a perder.

  6. Carla said,

    ótimo exercício de desconstrução! :) “oh, mas isso é tão estranho…” – alguém diz, com horror. Mas e as práticas “normais” (normalizadas, normatizadas, normativas), o que são?

    E como me incomoda essa coisa de “eu aceito, mas longe de mim”. Ou: “aceito, mas desde que não seja muito exagerado.” blé…

    • Deborah Sá said,

      Exatamente.

  7. Excelente post, Déborahquela. =)

    Vai direto no ponto. E aliás, eu nem precisava dizer isso, pq vc provavelmente sabe muito melhor do que eu onde estes sapatos apertam.

    Vou te retuitar mto lá nu tuíter. =)

    • Deborah Sá said,

      Obrigada =***

  8. RMax said,

    E é mais triste ainda quando os próprios gays reproduzem essas frases ou outras do tipo: “sou gay, mas não dou pinta”, como se dar pinta fosse errado ou fosse um problema.

    • Deborah Sá said,

      Sim, há gays que recriminam os dançam rebolando O_O

  9. Lidia Zuin said,

    Sei lá, mas acho que justificando alguns preconceitos, você levantou outros. Você acha errado terem preconceito contra gays e lésbicas, mas mostrou ter preconceito com quem gosta de seriados ou musicais… e ainda falou de pós-humano [????]. AIiás, tudo agora é preconceito, pré-conceito… masa minha pergunta é: afinal, somos obrigados a gostar de tudo ou somos obrigados a respeitar? Gostar no sentido de achar legal e querer isso para si ou para demais; respeitar no sentido de não ofender verbal ou fisicamente.

    • Deborah Sá said,

      Olá Lidia

      Musicais e seriados

      Adoro! Já viu West Side Story? Chicago? São meus preferidos. Gosto de Glee também (um seriado musical *_*)
      Usei um tom irônico de “gostos gays” como musicais. A minha música preferida da Madonna é Like a Prayer.

      Somos obrigados a gostar de tudo?

      Claro que não, eu detesto cheiro de cigarro. E tenho amigas fumantes lindas e queridas. Isso não diminui meu amor por elas. Sabe qual é o “salto” entre o preconceito contra o cigarro e LGBTs? Este último é utilizado em crimes de ódio.
      O que não entendo é: O que ter contra as pessoas usarem o corpo delas com outras pessoas em consentimento?

  10. Barbara said,

    ser mulher já é mesclar elementos femininos e masculinos na vestimenta. ou alguém aqui anda por aí como uma camponesa de tranças do século XVI?
    Fora as amish, judias ortodoxas, mulçumanas xiitas, vestimos calças, não? terninhos? cintos? Mas daí tem um limite em que a incorporação é inaceitável.
    Tudo muito regulado.

    • Deborah Sá said,

      Não entendi essa de “regulado” O_o
      É algo como: “Calça social feminina é sempre justa na bunda”?

      • Barbara said,

        não quis dizer isto. quis dizer que é natural incorporar elementos do “outro”: homens de mulheres, mulheres de homens, índios de portugueses e vice-versa. mas, ainda que seja natural, há um limite do aceitável. um limite que é bem arbitrário. sempre usei calça e nunca ninguém achou feio. mas quando raspei o cabelo, para alguns já ficou mais perto do inaceitável. quer dizer- a transferência acontece, mas procura-se regulá-la. deu pra entender?

        abraço,
        B.

      • Deborah Sá said,

        Entendi sim, obrigada :D

  11. […] pessoas, contribuimos para a “verdade” de que homosexuais não são normais e que não merecem nosso respeito. Com esse comportamento contribuimos diretamente para legitimizar os ataques de violência física […]


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: