29 junho, 2010

Hey Jude!

Posted in Egotrip às 5:22 pm por Deborah Sá

De alguma forma que não deveria, de um modo que prefiro esquecer. E é tanta reprovação que mirar o espelho tem sido mais difícil do que me era. Introvertida, envergonhada e quietinha. Nem pareço eu mesma. Choro por pedaços no meio da tarde me sentindo aflita, dor de cabeça, angústia, será o excesso dos chás? Quantas xícaras produzem o sumiço?
Ando tão suscetível, insegura, cansada, qualquer coisa me faz chorar. Do que é pouco pro resto, é o suficiente pra não desejar além das cobertas. Sinto-me minhoca do mundo, lesma, melhor ainda: Um caramujinho preguiçoso.  Tola, é isso que sou, basta um sopro pra construir um mundo inteiro de idéias, o vento pentear meus cabelos, passear pela nuca em tons amarelos. E esta corrente de ar pára cessando meu riso, pedindo uma melodia triste, para ao menos essa, me acompanhar.

Mal sabia eu, que essa música que cantarolava aos quatro anos faria tanto sentido vinte anos depois.

23 junho, 2010

Respeito, mas longe de mim

Posted in Corpo, Gênero às 5:43 pm por Deborah Sá

Dizem que no Brasil mulheres podem usar roupas curtas ¹, não há racismo ² ou homofobia ³.

Quer ser lésbica? Não precisa parecer homem / Não tenho nada contra gay, mas odeio “viadinho”.

Lésbicas são mulheres com orientação (atração) e/ou prática sexual direcionada a outras mulheres, não implicando na identidade de gênero. Qual a classificação de uma mulher que mescla símbolos femininos e masculinos na vestimenta?


O menino vai dizer para o pai (gay) “Mãe, me empresta o modess?”

Gays são homens com orientação (atração) e/ou prática sexual direcionada a outros homens, não implicando na identidade de gênero. Por favor, reveja seus conceitos, se informe.

Desmunhecar

A maioria das mulheres não gosta de homens brutos, em verdade ídolos juvenis são pouco másculos. Sabe aquele conceito pornográfico de que mulheres sentem prazer em serem humilhadas por homens mais velhos? É mentira.

Não sei se é homem ou mulher. É uma “coisa” lá.

Tradução: Pode-se esperar qualquer reação deste exemplar pós-humano. Incluindo práticas excêntricas, tais como gostar de seriados ou musicais.

Se passarem cantada em mim, encho de porrada.

Abordagens invasivas são desagradáveis, independente de quem as faça. Mostrar-se interessad@ não é crime.

Travesti não aceita o próprio corpo.

Todos modificam o corpo, explico melhor aqui.

Como defende “aquilo”? Crianças vêem travestis quase pelados, mostrando o pinto.

Discurso comum de quem fala com admiração “Meu menino tem só 4 anos! Mexe no pintinho toda hora, até mostrou pra prima, como é “esperto” o moleque!”

A prática sexual não-hétero é “tolerada” na esfera privada.

“Não tenho nada contra, mas não na minha frente”, quer dizer:

“Meu preconceito é velado, não sou racista ou homofóbico. Só não quero isto “entre os meus”. Filho? Nunca será gay. E se a filha branca casar com um negro (ou “moreninho”), torço pro cabelo “puxar” o dela”.

¹ Geyse Arruda.
² Os privilégios em ser branca.
³ Travestis são odiados, lésbicas são invisibilizadas.

OBS: Ouvi todas as frases em negrito.

Ouvi todas as frases em negrito.

21 junho, 2010

Inércia

Posted in Egotrip às 5:48 pm por Deborah Sá

Talvez isso me ajude a sair daqui, na verdade sempre ajuda.
Escrever, esse é meu muro das lamentações certo? Onde coloco minhas angustias mesmo que desconexas. Creia-me, há quem leia, há quem escute e pasme (!) entenda exatamente o que passo.  Alguém está cantando por mim, conseguiu sem nem ver meu rosto colocar pra fora as palavras que não alcancei ainda, na verdade é o que tento agora.
Queria entender minha tendência á inércia. Se me deito, falta coragem pra levantar, seria capaz de dormir por 20 horas sem me cansar, sem me fugir o sono. Um psicólogo diz que talvez seja meu modo de desligar, aprendi assim com meu Vô: Acordar sem saber o que era real. Entristece-me que cicatrizes sejam cíclicas, estou bem e lá encontro a causa da dor novamente, é porque não me sinto amada, nem objeto de amor, só eu sei o quanto me dói dizer tudo isso sem soluçar em lágrimas.
O Yuri já aprendeu a identificar isso, começa com o choro, depois sinto um calor descomunal e com isso o suor nem sempre vem. É um calor de deixar minha cara vermelha, quem vê preocupa. Temo não sentir meu corpo novamente, por que é isso que acontece quando vai no máximo que deixei chegar.
E a inércia aparece, me prendendo. Ás vezes atraso porque falta coragem, é um pequeno “desistir”. Devo cancelar o cursinho, sair do emprego, acabar com tudo? Porque levantar da cama? Porque pegar o ônibus? Porque deixar minhas amigas esperando? Canso-me de minhas repetições, pra ser sincera,  me envergonho delas.

Permito que todos chorem, se enervem, sorriam, sejam humanos como pede nossa cartilha contraditória de sentimentos.  Mas quando o conflito é em mim, não sei o proceder. Raiva, choro pra aplacar. Tristeza, impotência. Nada mesmo.

E sobra o arrastar dos passos, os olhos inchados.
Será que só eu não sei o que é passar cinco dias sem chorar?

16 junho, 2010

Electronic Renaissance

Posted in Desejo às 2:02 pm por Deborah Sá

– Divirto-me ao buscar músicas que dizem por mim.
– Mesmo? E qual cantaria pra mim?
– The Wrong Girl, do Belle and Sebastian.
– E uma pra você? O que sente agora?
– My Body is a Cage.
– Por quê?
– Me sinto terrivelmente atraída por você.
– …
– E definitivamente não quero te machucar, alguém seria capaz de amar por inteiro? Quem me amaria tão complicada havendo pessoas simples e sorridentes? Quero amar sem culpa, te fazer gozar e sorrir. Diga… O que gosta? Não é efêmero, todo prazer é sincero, abro-me. Tocar seus cabelos, desabotoar sua camisa, contar quadrados em xadrez do seu pijama. Aprecio a forma do meu corpo em suas mãos.

8 junho, 2010

Caminhada Lésbica 2010

Posted in Eventos às 3:19 pm por Deborah Sá

Após o susto da noite anterior, acordei feliz para participar da Caminhada Lésbica, o horário previsto eram ás 12:00, cheguei vinte minutos antes e não havia ninguém na praça, quer dizer, apenas três homens e um deles com uma câmera.

– Vocês vieram para a Caminhada?
– Sim – apareceram cinco moças, avisaram que o caminhão chega ás 13:00-
– Certo, muito obrigada. Vou almoçar no Shopping.

Na Spoleto a Be me ligou avisando que logo estaria por lá. Encontrei algumas mulheres queridas: Tamy, Manina, Smelly, Dinha, Poly, Auad, Mara, Denise e conheci outras tantas, como a Cristal e Dri Guedas.


Dancei Like a Prayer (minha preferida da Madonna), Le Tigre, Abba e outras :)

Veja mais fotos: Terra, De Bandeira, Dykerama

Qual a importância da Caminhada?

Lésbicas são invisibilizadas. Quando optam por mostrá-las abusam de estereótipos “para hétero ver” incitando a idéia que o desejo lésbico é incompleto e serve apenas de entretenimento sexual masculino. A parada gay é apoiada pelo Estado visando o lucro, a mídia não mostra a pluralidade dos casais focando-se em Go-go boys e travestis, distorcendo o conceito de amor livre. Estas mesmas emissoras de televisão camuflam anualmente  as notícias de mortes e violências em decorrência da lesbofobia, transfobia e homofobia. Anulam em suas novelas a prática não heterossexual e programas de humor ridicularizam a luta de ativistas. Caminhemos todas.

Mão na cabeça que vai começar…

Posted in Cotidiano às 1:38 pm por Deborah Sá

Sexta-feira 04 de Junho de 2010

Eu e o Yuri íamos para uma festa na casa de uma amiga com o carro do pai dele. Subimos uma rua, perguntamos aos três jovens que passavam:

– Por favor, sabe onde fica… –*Ignoraram*
– Liga a luz, mas no mapa já passamos dessa rua aqui…
– Sai, sai, sai!

Um dos jovens de boné branco, aparentemente de 15 anos (possivelmente um pouco menos) abriu a porta do Yuri -que dirigia-, instintivamente deu ré, fez um cavalo de pau (a porta fechou), cruzou a van, subiu na calçada (!) e correu. #FastAndFuriousFellings

– Você está bem?
– Estou, vamos pra casa, vamos pra casa.
– Você viu? Eles estavam armados!
– Não… Estava de olho no mapa. Estavam armados?
– Nem viu né? Um Uno fechou a gente, desceram quatro moleques armados… Que loucura! Desculpa colocar sua vida em risco! Você está bem?
– Sim, estou. Só preocupada com você.

Por favor, em caso de assaltos (especialmente a mão armada) não reaja.

Bem vinda ao mundo corporativo

Posted in Cotidiano, Crônicas e contos às 10:21 am por Deborah Sá

É daqui que a saia lápis vira uniforme e a dor de cabeça pela noite mal dormida se instala, quando a mulher chora em sua baia é fraca, o patrão esmurrando a mesa jamais nomearão TPM. A bebida é escura: cafeína, tabaco, chá preto e chocolate –meio amargo – Apontam o dedo na cara de quem estoura o limite do quinto cartão de crédito. Entupimos-nos de fritura, refrigerante e fúria, não há tempo para mastigar, os filmes são vertiginosos, caso contrário, não parece ficção. Quanto tempo dentro do ônibus? Aprendemos a sorrir quando sobra uma vaga, assim é possível descansar os olhos (mesmo que a coluna não agradeça, ou a cabeça bata eventualmente no vidro).