6 maio, 2010

Modificação Corporal

Posted in Corpo às 5:26 pm por Deborah Sá

Quem opta pelo uso de alargadores, tatuagens, implantes e outras “modificações” é hostilizad@ (ao ponto de ser ofendid@ por desconhecidos na rua).

Baseando-se na idéia de que o corpo é imaculado e possuidor de um “estágio natural” critica-se o direito á construção visual na afirmação da identidade. Em costumes reforçamos os signos de gênero, homens usam gel, mulheres usam o arsenal necessário para esconder/modificar qualquer “defeito”.

Maquiagem

Algumas mulheres afirmam que seria impossível sobreviver sem lápis de olho, rímel e blush, talvez você pergunte: “Nem isso pode?”. A questão não é proibição, proponho apenas uma reflexão do quanto estas “pequenas modificações” estão ligadas diretamente com a imagem que projetamos de nossos próprios corpos, ao ponto de não nos reconhecermos sem estas.

Esmalte

Suas unhas não se fortalecerão (ao contrário), a cada semana cansará daquele tom de vermelho substituindo-o por uma versão 2.0, já notou os nomes divertidos? Cappuccino, Preguicinha, Batida de Coco, Gatinha, Chamego? Se não comprar spray secante ficará imóvel por muitos minutos e não poderá dormir em seguida (a não ser que busque unhas texturizadas exclusivas).

Cabelo

A manutenção da tintura é ao menos quinzenal, em cabelos grandes multiplicam-se os gastos, o ressecamento necessita de produtos para reparação. A maioria das brasileiras tem o cabelo em tonalidades escuras e certamente você conhece muitas de cabelos “modificados” no corte e tonalidade.

Brincos

É uma das provas que a feminilidade é associada ao brilho, strass, gloss, sapato em verniz…

Sutiã

Com seios muito grandes provavelmente o corpo terá dificuldades em equilibrá-los proporcionalmente, necessitando de auxílio médico para lidar com conseqüências (aliviar dores nas costas, por exemplo). Qual o propósito de usar sutiã? Esconder os mamilos? E homens por acaso não os tem? Mantê-los eretos? Unidos?

No Brasil os tamanhos não se adaptam as variedades anatômicas, sendo comum uma mulher com pouco seio e costas largas não encontrar algo que atenda suas necessidades e use um número inadequado que marcará suas costas (talvez ao ponto de criar “divisões” – vale o mesmo para calcinhas).

Salto

Esta modificação muda a estrutura óssea, coluna (conseqüentemente) postura, pernas, ocasionando joanetes, calos e ressecamentos. No meu caso provoca indisposição e extremo mau humor.

Esta semana minha irmã saiu para comprar outro sapato de salto já que o da minha mãe ficou muito folgado (minha mãe calça 37,  ela 36 e eu, o sapatão da casa uso 38/39). Para ir até a loja emprestei meu tênis e de forma empírica constatei o desconforto aos amados pés: Foram projetados para uma hiperlordose.

Pés tristes, literalmente oprimidos =(

Livres /o/

Gel

O corte de cabelo masculino espetado é sustentado por uma pasta de odor característico, modelando o penteado. Quer uma opção sem “peso” ou “meleca”? Use uma pomada (própria para cabelos – Buscam as dúvidas mais estranhas para chegar aqui no blog).

Depilação

Falei sobre isto aqui

Modificar as estruturas de nossos corpos não ocorre apenas no uso de cintas redutoras e técnicas “Enlarge your Penis”, é parte dos rituais que nos lançam na puberdade e constroem pouco a pouco a identidade visual.

11 Comentários

  1. Raiza said,

    Maquiagem eu uso quando eu quero.Depilação também faço quando eu quero.Uma vitória que eu conquistei sobre o julgamento alehio.Quanto ao soutien,eu simplesmente adooooooro.Sei que é fruto de condicionamento,mas me sinto muito bem usando.Embora sem ele também me sinta bem (embora ainda não tenha coragem de sair à rua sem ele).Quanto a modificações mais fora do comum,eu adimito que acho feio na maioria das vezes,mas não me incomodo com isso,não é no meu corpo,então tá beleza.Acho que a maioria das pessoas se incomoda mais por as pessoas que se modificam ousarem não se enquadrar no padrão de beleza.”Ohh como ousas não ser o que eu acho bonito?”.Acho que isso soma-se aquilo que você disse do corpo imaculado.Quanto a ser uma afirmação de identidade,eu tenho minhas dúvidas.Por exemplo a tatuagem,que tá ficando mais comum e deixando um pouco de ser tabu.Todas as pessoas que eu vejo tem as mesmas tatuagens.Tipo,as meninas com flores,borboletas,fadas e os garotos com tubarões,leões,etc.Até onde isso é fugir dos padrões?
    Enfim,me alonguei demais.Por último fica a dica de uma série que o nat geo vai exibir,sobre modificação corporal.Vai desde gente que põe alargador até quem faz mudança de sexo.Mostra a reação da sociedade e tal.O nome é Tabu.O mais legal é que vai ser totalmente focada na américa latina.
    Agora eu realmente me vou.Beijos.

    • Deborah Sá said,

      Olá Raiza!

      Não gosto de sutiã, amo meus peitos como são e não como o sutiã os faz parecer. Adoro sair por aí com eles soltos :D
      Só no ambiente de trabalho que não o faço, sei que não entenderiam.

      Afirmação de identidade não tem a ver com exclusividade, ninguém é original a este ponto. Quando cortei meu cabelo curtinho sabia que o modo como o mundo me enxergaria seria distinta, de fato recebo mais classificações negativas e “sugestões” a todo o momento: Dietas, design de sobrancelha, saltos confortáveis…
      Não vejo inovação em ser tatuada, é reflexo de como “personalizamos” nossos corpos da mesma forma que adesivamos nossos cadernos.

      Parece bem interessante a série, pena que na casa da minha mãe não tem TV a cabo =/

      Beijos =***

  2. qd se entra em assuntos como beleza, daí longe daquela crítica rasa dos padrões da mídia blabla fala-se de depilação, etc, sempre vem uma enxurrada de discursos de pessoas implicadas nessas práticas se justificando pq 1o passo é negar. E aí as meninas falam que são feministas, porém… e desculpam todas essas práticas, abrem ressalvas, e viva o patriarcado. Longe de invalidar que não se abdique desses elementos não somente porque se é cumplice deles, mas porque se tem medo das consequências de transgredir as prescripções de gênero, coisa na qual mulheres estão corretas. Mulheres não se depilam, fazem prancha, pintam cabelo e usam maquiagem porque querem ser coniventes com sistema patriarcal, mas porque precisam trabalhar, subsistir, e mulheres estão empregadas nos setores mais mal remunerados de emprego onde imagem conta muito.

    Agora Debora, acho bem complicado vc defender o body modification e contrapor com as práticas da beleza ‘mainstream’, dizer que esta é consentimento com machismo. Tatuagens e piercings também são, a crítica a essas práticas de beleza já está batida e ainda quase sempre cai em culpabilizar mulheres. Até porque o que entra em jogo, o 1o é um campo de rituais da masculinidade e o segundo, da desprezada feminilidade? O que homens fazem é sinal de coragem, ousadia, heroísmo, e mulheres se submetem voluntariamente? Eu acho modificações corporais de estúdios extremamente patriarcais, violentas. É só ver essas menininhas pin up hiper tatuadas, sempre são aquele perfil hetero eu amo meu cara, sombrancelhas 100% retiradas (não é auto-agressivo também? O que é uma escolha?) o meio é extremamente machista, dominado por homens. Quem te fura, te rasga, para você ostentar os símbolos da tal rebeldia, é um homem. As mulheres vivem nas sombras dos homens no meio do body art. E ainda cria um padrão opressivo que culpabiliza mulheres que não são ousadas suficientemente para seguí-lo, segundo esse discurso. É uma cultura de imagem. Eu falo pelo que já convivi, aqueles machos todos tatuados se achando o máximo, vc vai conhecer esse pessoal eles não tem nenhuma idéia realmente ‘libertária’, até se preocupam demais com aparência e com seguir estilos de vida fechados e massificados. Ao menos eu conheci gente bem vazia relacionada com isso… eu fujo de eleger essas ‘transgressões’, prefiro conseguir ter acuidade pra ver as sutilezas dos movimentos de rebeldia e contestação das mulheres ‘comuns’, já que suas experiências sempre foram invisibilizadas.

    • Deborah Sá said,

      Oi Jana ♥
      Que bom te ver aqui :D

      Concordo em absoluto: “mas porque precisam trabalhar, subsistir, e mulheres estão empregadas nos setores mais mal remunerados de emprego onde imagem conta muito.”

      Sobre body modification

      Meu propósito era deixar claro que não existe corpo etéreo, puro, “inicial”, mal acabamos de nascer e as roupinhas cor de rosa, brincos e etc. já foram escolhidos. Usualmente criticam o uso de implantes subdérmicos e anseiam por colocar silicone, acham errado cortar a orelha com bisturi mas querem cortar a barriga.

      Também assino em baixo sobre o padrão da Pin Up moderna. Lembra-me o estereótipo da dona de casa nos anos 50 só que agora com piercings, tem de ter o cabelo de topetinho, fazer poses de “Ops…minha-calcinha-está-aparecendo-enquanto-tiro-uma-torta-de-maçã-do-forno” e claro, muito salto. Voltou também a moda do espartilho não? Sei que na Augusta tem uma barbearia especializada em cortes nesse estilo para rapazes e pelo que ouvi falar é um lugar “macho” com direito a revista pornográfica e espuma na cara, um revival da família a moda antiga. Critiquei o movimento SxE, já leu? Nele, falo dessa “retração” das garotas.

      A minha intenção não foi classificar a modificação como uma revolução e sim mostrar que tod@s modificam as estruturas corporais o tempo todo (inclusive eu). É injusto não admitir alguém com alargadores em um emprego ou chamar de fútil uma mulher porque usa salto e roupas curtas.

      Escrevi sobre a “futilidade” aqui.

  3. Amor, indiquei você pro Prêmio Dardos, visita o link e pega o selin pra ti ;)
    http://jotadecopas.blogspot.com/2010/05/1selo-premio-dardos.html
    Bjs

    • Deborah Sá said,

      Obrigada Jota ^^

  4. Barbara said,

    deborah,

    você é uma antropóloga nata. Espero que você saiba disso, mas se não sabe, fique sabendo ;)

    o que pensa mesmo fazer de facu? lembro que escreveu, mas não lembro…

    • Deborah Sá said,

      De história :D

  5. Chris said,

    Eu gostaria de usar menos sutiã, mas não uso porque, sendo bem sincera, aparentemente chama mais atenção e atrai mais olhares nojentos de alguns babacas. Logo, não me sinto à vontade. Mesma coisa com saia curta. Sei que eu deveria ter o direito de usar o que quiser, mas várias vezes acabo optando por uma roupa mais “default” para evitar algum constrangimento.

    • Deborah Sá said,

      Chris, no dia que não estou com muita paciência pra revidar, uso camisas de mangas maiores (é raro depilar as axilas).


      Algumas dicas para não usar sutiã:

      Em casa (assim como tirar os sapatos)
      Em dias frios (sair de casa com blusa grossa)

      São pequenos momentos que ajudam a “acostumar” com a idéia.

      Lembrando que não tenho nada contra mulheres que usam sutiã, apenas apóio o desprendimento deste uso.

  6. Elisa said,

    Só uma observação:

    “Esmalte
    Suas unhas não se fortalecerão (ao contrário)…”

    Isso dá a entender que esmalte enfraquece as unhas, o que não é verdade. Nem fortalecem (a não ser, talvez, algumas bases especiais) nem enfraquecem. Sugiro retirar o “ao contrário” do texto.


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