6 abril, 2010

Humildade

Posted in Gênero às 1:42 pm por Deborah Sá

Este sentimento tão atrelado aos valores de moral religiosa faz-se necessário na socialização. Experimente comentar em um grupo de pessoas o quanto está satisfeit@ com sua aparência (em especial se o que você elogia é algo esteticamente fora dos padrões) e tão logo lembrarão que é uma postura arrogante. O famoso “se acha”.

Esta humildade “forçada” atrapalha muito na aceitação da auto-imagem, é corriqueiro ao receber um elogio depreciar-se em seguida:

– Como você está bonita!
– Que nada! Olha o tamanho dos meus poros (!), estou com pontas duplas e nem tirei o buço este mês!

Qual o problema em dizer: “Muito obrigada”, ou quem sabe cometer a ousadia de emendar: “Eu sei ;)”?

Orgulho

O problema não é a resposta, mas a dedução espontânea que muitos fazem:

“Se diz ser tão bonita automaticamente é em parâmetro comparativo desqualificando os presentes no quesito atrativo”.

Esta inverdade pode tanto patrulhar quem elogia quanto o alvo. É possível elogiar e reconhecer as próprias virtudes (carisma, generosidade…) ou atributos físicos sem humilhar quem ouve a manifestação de orgulho.

Admitir as próprias falhas (“humildade”) é possível a qualquer um provido de autocrítica, negar as próprias aptidões não anula este reconhecimento.

8 Comentários

  1. luci said,

    ah, isso eu faço! (recebo elogio numa boa, agradecendo. acho que eh mais porque eu detesto a pose “mimimi, nao tou/sou bonita nao”), mas realmente nao sou nem louca de me auto-elogiar, de dizer que meu cabelo de palha eh bonito. infelizmente, esse tipo de atitude contribui pra que essa historia permaneça assim. admito.

    mas ao menos ja deixei ha muito tempo de ser mulher de se olhar no espelho procurando defeito ou me antecedendo à opiniao alheia e apontando meus defeitos. eu hein. as pessoas costumam olhar mais pros defeitos quando a gente aponta. parece obvio, mas eu nunca tinha me tocado de que, caso eu ficasse calada, certas coisas iam passar despercebidas à vista do outro.

    • Deborah Sá said,

      É difícil pois é quase um reflexo automático. Desconstrução sempre :)

  2. Chris said,

    Na minha humilde (lol) opinião, com base exclusivamente nas minhas próprias experiências, há uma diferença tremenda entre ouvir uma pessoa fora dos padrões dizer que está bem consigo mesma, que é bonita etc. do que quando uma “Barbie” o diz. Pode soar revanchismo, mas eu sinto como se no primeiro caso me passasse inspiração, autoconfiança; e no segundo um desejo de humilhar o outro.
    Claro que tudo depende da pessoa, generalização é estupidez.

    Ótimo post para levantar essa questão.

    • Deborah Sá said,

      Obrigada :)

      Eu entendo, mas hoje não sinto raiva das “Barbies”.
      Só de homens como o Dourado…

  3. Flávia said,

    Ahahaha meu, esse negócio de “olha o tamanho dos meus poros!” é mto verdade…parece q sempre estamos procurando algum defeito na gente…eu pelo menos, costumava ser assim.

    Eu acho q o mais legal é qdo a pessoa aceita um aspecto de si mesma q difere dos demais, q difere do comum, e passa a achar isso bonito! Daí num tem quem derrube a auto-aceitação da pessoa! =D
    Exemplo: aposto que se alguém chegasse pra Frida Kahlo e dissesse “meu deus, olha esse bigodón, q horror!!” ela diria “mto obrigada, me acho linda, beijos me liga” ahahah ok, nem tanto…mas é isso, tipo, o esquema é reconhecer suas diferenças(geralmente são chamados de “defeitos”) e ver que eles sim é que são legais!!

    • Deborah Sá said,

      Adoro isso também :)
      Por isto curto nariz grande :)

  4. Dånut said,

    Também detesto essa de “que nada, não sou tudo isso”. Se a pessoa acha, qual o problema?

    Nunca tive (mentira, mas foram pouquíssimas vezes que tive) que ouvir essa de “como está bonito” (afinal, é um elogio que se faz quase que exclusivamente a mulheres, e eu além de homem não sou lá um primor de beleza :P). Mas comigo isso acontece direto na escola. Porque eu vou melhor que meus colegas. E tanto repeti que “que nada, eu não sou inteligente, olha essa questão aqui que eu errei” que passei a acreditar que eu estava na média da turma (considerando que eu considerava minha turma muito burra me colocar na média era me colocar como burro).

    É um caso diferente, mas é a mesma coisa, no fundo.

    O melhor acho que é agradecer o elogio mesmo. Assim tu não cai naquela de sair apontando os teus “defeitos” só para contentar os outros, mas não é tão chocante quanto dizer que “também acho”.
    Embora eu pessoalmente adote a estratégia de dizer “eu sei, sou mesmo muito inteligente/bonito/whatever” rindo. Aí eu digo o que quero só que ninguém sabe se eu penso isso mesmo ou se tava só brincando. Aliás, falar rindo é ótimo, dá para dizer todo tipo de coisa que tu tem vontade de dizer na cara das pessoas e elas não fazem nada o/

    • Deborah Sá said,

      \o


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