28 abril, 2010

Be someone, Be someone

Posted in Egotrip às 10:41 am por Deborah Sá

Ah, quem nunca quis pular?
De um alto prédio?
De um precipício?
De todo tédio?

Ah, quem nunca quis forjar?
A própria sorte
Pedir a morte
Não se fazer escutar?

Quem nunca fraquejou diante
De cada frasco, semáforo ou ponte?

Quem nunca sentiu o quanto a vida broxa qualquer sorriso?
O quanto o sentido não é preciso no peito que sobe e desce já que o ar precisa entrar?

Dói-me tanto quando dizem que não é desejo o que sinto, agarro cada esperança em devaneios construídos tão logo me ergo da queda. Meu gozo reside em trepar quando não há justificativa além do sentir.
Porque a morte chegará um dia, sei que sim. Nisso não antecedo nada, quero extrair o melhor que posso fazer deste mundo (tão formatado antes que eu pudesse existir).
Há alegria em um passarinho comendo pipoca no Terminal Bandeira, no sorriso da minha cadela, na saudade de quem foi, no beijo das minhas companheiras.
Os que me cercam não parecem tão aflitos e atormentados, quem sabe prefiram chorar na chuva, cortando cebola, culpando cílios ou o pó da lousa.
Tenho tanto amor que acham estranho.

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27 abril, 2010

Nesta mesa

Posted in Desejo às 12:30 pm por Deborah Sá

Um abraço. Sei que pode ser bom para nós.
Meu corpo lateja e talvez possa sentir minhas costas suando
Olhos dentro dos seus a perguntar: Por que não nesta mesa?

Beije minha nuca agora, excessos fartos entre seus dedos,
Por que não nesta mesa?
Mordidas em teu corpo, por que não nesta mesa?
Tua língua agora, por que não nesta mesa?

Sou imensidão aos olhos constatada pela língua, vasta aos dedos.
Quem não sorri ao fartar-se?

26 abril, 2010

Sacrifício de Animais em Rituais Religiosos

Posted in Crenças tagged às 2:26 pm por Deborah Sá

É praticamente consenso ser contra o sacrifício de animais em rituais das religiões afro-brasileiras.

Esta quase unanimidade deve-se ao forte preconceito que estas religiões despertam na maioria das pessoas. Na minha quarta série havia uma garota umbandista e eu era uma das únicas a não temer conviver ao seu lado “Eu não, ela é macumbeira” – diziam os alunos.

Evangélicos e católicos (em geral, espíritas são mais esclarecidos) pregam o medo ao desconhecido associando os Orixás a algo extremamente nocivo, sem ao menos sugerir uma pesquisa para melhor compreensão das múltiplas formas de fé.

Tupã ou Iansã?

Negras e índias são vistas como “serviçais” enquanto ao índio e o negro são chamados de “preguiçosos”, a fé professada por quem colonizou é a norma. Os ritos são vistos com desdém por quem dança “na presença do espírito santo”, quem não conhece alguém que teve medo de passar ao lado de um despacho?

Construiu-se esta imagem d@ negr@ mal intencionad@ que por uma oferta de sangue alcança seu pedido “não civilizado”, “brutal” e “bizarro”. Este preconceito racial fica ainda mais evidente quando classificam em “Magia Negra” e “Magia Branca”.

Criar/comprar uma galinha e matar para um Orixá é crueldade? Comer canja é justificável sob qual ótica? É mais fácil lutar contra a prática de uma religião que sempre foi vista como “selvagem” que admitir a manutenção de uma indústria da exploração humana e animal: A pecuária.

Na cantina da sua igreja vende coxinha?

16 abril, 2010

Escutei outra versão na igreja

Posted in Crenças às 5:42 pm por Deborah Sá

Nela, a moça escondia dos colegas da faculdade que era evangélica e só ia de calça. O desfecho é o mesmo do vídeo.
Lógico que não em ritmo de forró, mas sim em um testemunho:

Meu passado evangélico aqui.

12 abril, 2010

Para os meus Trolls (2)

Posted in ♥ Trollolândia ♥ às 4:14 pm por Deborah Sá

Você, troll, injustiçado que não pode me xingar no blog.
É tão bonzinho em dar conselhos amigáveis e não ser aceito! Que ingratidão >:(

Clique para ampliar (e entender)

Mas agora tudo mudou! Aquela Deborah que discorda de você e seu regime ditatorial criaram uma linha direta de comunicação!

trollaqueeuteescuto@gmail.com

Nele você pode:

•    Abandonar argumentos retóricos e criticar minha aparência.
•    Xingar de gorda ditadora
•    Rogar pragas de um Deus cheio de ódio
•    Ensinar a perder peso dormindo
•    Escrever tudo em MAÍUSCULA
•    Sentir pena por eu ser desorientada

Clique para ampliar

E tantas outras ofensas nada originais.
Conselho: Nunca fiz diferença na sua vida, nem você na minha, que tal usar o seu tempo para conversar com pessoas de maior relevância?

Notícia triste :O

A troll descobriu que eu pago pra vocês comentarem aqui no blog. Quem foi que contou? Só atrasei o depó$ito esse mês =(

9 abril, 2010

Os privilégios em ser branca

Posted in Corpo às 5:35 pm por Deborah Sá

Hoje resolvi almoçar fora (99% dos dias almoço marmita), depois de montar meu prato “modesto” com arroz e agrião, feijão, escarola, cenoura, palmito, batata sorriso, fritas, polenta (carboidrato no frio *_*), sorridente perguntei a uma senhora se eu poderia me sentar ao seu lado (um dos poucos lugares disponíveis). Ela assentiu.

Meu prato era muito maior que o dela, já que mulheres em geral comem pouco se comparadas com homens. Em seu prato havia uma carne rosa (salmão?) e uma marrom, arroz integral e alguns legumes. Quando estava finalizando meu prato soltei um suspiro (daqueles que a comida está muito boa. Não estava “explodindo”, só expressando satisfação). E a mulher fez uma cara estranha pra mim e eu respondi com um sorriso:
– Comer é tão bom né?
– Hum, é mesmo…a melhor coisa da vida.
– Uma das melhores de fato.
– (Silêncio) Olhando pro meu prato com cara de “que ogra”.
– Eu como mesmo :)
– Tô vendo…
– Tem gente que conta calorias, sou feliz assim, fora que quase não como gordura saturada e minha saúde está ok. Pra que me privar não é mesmo?
– É, porque aí já vira doença, igual a menina da novela, você acompanha?
– Não, quando eu chego em casa já acabou…
– Ah, aquela mãe tem muita paciência com ela! De onde você é?
– Eu sou do Centro, mas trabalho aqui perto.
– Hum, pensei que você era do Sul (fez gesto de “rosto” na cara).
– Não O_O Minha mãe é Pernambucana, meu pai é Paulista.
– Bem, tenho que ir. Qual seu nome? Prazer, boa tarde.

Assim que ela saiu duas senhoras conversavam o quanto era difícil ter que pagar tantas contas: O carro, a empregada, o supermercado…

Este tipo de situação me faz sentir desconfortável: Perceber como o mundo me vê.

Será que se eu fosse negra ela conversaria comigo?

A cor da minha pele faz toda essa gente com comportamentos estranhíssimos (falar de empregada na categoria “coisas” e achar que salva o mundo porque paga alguém que limpa a privada da família, depois volta pra casa de pé no ônibus lotado para limpar outra casa), se identificar comigo.
Minha mãe é Pernambucana, veio pra SP ainda pequena, minha bisavó paterna veio da Itália para trabalhar como mão de obra barata.

Meus pais passaram por muitas dificuldades quando crianças, meu pai não concluiu o ensino fundamental (e é analista de sistemas), minha mãe faz hoje a primeira faculdade: Serviço Social. Trabalhou “em casa de família” onde separavam os talheres dela dos outros.

Mas quem me vê não conhece minha história e a impressão que eles têm é essa: Sou como os filhos deles que usavam uniformes bonitos e comiam Pringles sem nunca lavar um banheiro.

Não quero dizer que sou coitadinha branca (eca! longe disso!), reconheço que mesmo com tanta coisa ruim na minha vida é fácil imaginar que muitos acontecimentos foram relacionados com a minha cor. Reconhecer privilégios é fundamental.
Quando a classe média se chama de pobre e brancos falam que não tem vantagens sociais “sofrendo de maneira igual” isto NÃO é verdade.

* Fui escolhida para ser Branca de Neve (mesmo gorda) em uma peça da escola, qual garota negra é escolhida como princesa?
* Nunca xingaram meu cabelo ou queimei a testa pra alisá-lo.
* Nunca se afastaram de mim com medo que eu assaltasse.
* Nunca falaram: “Deborah, essa cor não combina com sua pele”.
* Embora não use maquiagem, são direcionadas a pele branca usualmente.
* Nunca falaram: Este estilo que você ouve é música de branco – com uma careta em seguida -.

É horrível privar/restringir uma menina negra de ser quem ela É.

É óbvio que não percebo outros grandes problemas por não vivenciar a realidade da mulher negra. Um que noto e me magoa é ouvir meninos/garotos/homens negros dizendo que querem namoradas loiras =/

Não pretendo liderar a luta da mulher negra mas julgo importante que mulheres brancas não se esqueçam que fatos muitas vezes imperceptíveis a nós, fazem a diferença da forma como o mundo nos trata. Mulheres negras são exemplos de superação.

Por entre livros

Posted in Desejo às 9:50 am por Deborah Sá

Por isso escrevo, é mais fácil de organizar os sentimentos.

E eu queria te tocar hoje, te tocar entre livros. Queria rir e conversar sobre aquele parágrafo, aquela estrofe oblíqua e dissimulada e entenderia porque muitos me descrevem assim. Entenderia a minha dor e nisto se calaria, eu queria te tocar esta noite.
Como um carinho, um afago e uma força. Queria sentir a textura de nossos corpos ainda vestidos transmitindo ondas de calor em silêncio. Queria por instantes de pulsão ouvir o seu sorriso, apertar o seu cabelo e beijar a sua boca. Queria cada pedaço, cada sentir, cada cheiro. E também queria é claro, ouvir suas unhas roçando nos meus pêlos. Eu queria sentir o meu próprio gosto quando me beijasse e um leve sabor do sangue da sua boca, lábios úmidos escorrendo em nossos tremores.

8 abril, 2010

Críticas ao movimento Straight Edge (SxE)

Posted in Animais, Consumo tagged , , às 12:49 pm por Deborah Sá

Se você não sabe o que é Straight Edge (abreviado para sXe ou SxE) clique aqui.

Há algumas semanas atrás um rapaz no metrô me perguntou se eu era vegana (estava com a camiseta “Abolicionismo Animal: Não queremos jaulas maiores, queremos jaulas vazias”).

Em seguida disse:
– Mas que legal! E quando será a próxima Verdurada?
– Ah cara, eu não gosto desses eventos. Tenho “birra” de SxE, galera que se diz libertária e é um bando de machista escroto! – Ele usava uma camiseta do Gandhi-

– O que é uma contradição né? Como alguém pode defender a libertação animal e defender o machismo, o racismo?

Não é porque a pessoa defende uma ideologia libertária (verbalmente) que sua prática o é, se sua prática é, não implica que seja libertário em outros âmbitos.

Sei que rappers fazem letras misóginas*, veganos fazem piadas homofóbicas, gays cobram outros de terem corpos malhados e moradores de favelas xingam seus vizinhos de “favelados”.

Na cena Straight Edge é comum ver grupos de garotos tatuados organizando eventos, apresentando suas bandas e suas namoradas retraídas com visual pin-up. Geralmente estas jovens são conhecidas como “namorada do fulano” (não pelo nome delas), quase não se manifestam em uma postura bem retraída.

Freqüento alguns espaços comuns aos sXe já que muitos oferecem lanches veganos. Algumas pérolas que ouvi nestes espaços:

Espaço Impróprio: Embora o local contenha pôsteres com dizeres “Não somos sexistas ♀” já ouvi grupos de freqüentadores falando mal de mulheres.

Vegacy: Adoro a lanchonete: O atendimento é ótimo, clima agradável e preços acessíveis. Mesmo com isto, ouvi mais de uma vez freqüentadores e atendentes conversarem sobre “Mulheres que não se valorizam”, “Vagabundas que ficam com todo mundo”.

A pior conversa que já ouvi nestes espaços foi no Vegethus em um rodízio de pizza.
Um grupo de rapazes ao meu lado (Straight Edge) amigos de um conhecido meu riam ao contar o quanto um vídeo de estupro era engraçado.
Imitavam com desdém a resistência da mulher, forçavam coquetismos e ignoravam completamente qualquer tipo de empatia. Cansada com besteiras ouvidas anteriormente somadas a esta prova máxima de brutalidade respondi:
– Cara “numa boa”! Isso não é engraçado! Não é.
– Uhahahah é sim
– Está falando isso porque não conhece ninguém que passou por isso.
– Uahahhaha…é!
– É… Porque não é no rabo da sua mãe!
– É, ela tá sentada no sofá uahahha

Falei para o conhecido que não acreditou quando informei as palavras mais usadas para os que acham o meu blog: Vídeos de estupro – Viu? Não disse que se excitam com isso? Que acham graça? Não te disse?

Por sorte estava quase pra sair. Fui embora me despedindo com um punho fechado e erguido: – Valeu hein? Boa noite pra vocês!

Gloria Steinem e Dorothy Pitman Hughes

Estes absurdos são percebidos no movimento punk, anarquista, esquerdista…

Repetindo o que eu disse a um punk certa vez:
Meu, usa o couro da sua jaqueta pra encadernar bíblia, sua idéias não são diferentes de um ancião religioso.

*Fim de Semana no Parque – Racionais

“De verde florescente queimada sorridente
A mesma vaca loura circulando como sempre”
“Olha quanto boy, olha quanta mina afoga essa vaca dentro da piscina”

Conheça o projeto Hip Hop Mulher

Update: Sei que existem SxE que defendem o feminismo, um exemplo indicado pela Cely está aqui.

Update²:
Muitos SxE’s são ótimos, minha intenção não foi dizer que todo mundo desse meio é escroto e sim denunciar a estranheza que é perceber o machismo desses espaços ditos “sem preconceitos” da mesma forma que me espantaria ver essas posturas em locais de esquerda. Já presenciei discussões sobre o jeito certo de “pisar na cabeça dos outros, sem machucar (sic!)”, bem como já vi propostas muito bacanas de debate. Peço o mínimo de senso crítico da parte dessa galera que me faz excluir comentários que me chamam de “vadia” (entre outros), fazendo ameaças e distribuindo raiva. Usem a revolta de vocês para algo de produtivo, criando boas músicas, trocando idéias, o machismo de vocês (ou de qualquer um) não torna qualquer discussão em um ambiente saudável, na realidade só demonstra imaturidade e um senso de igualdade muito torto. Antes de me enxergar como inimiga: Releia o texto (os links que deixo) mais de uma vez. Sou Feminista, Vegana, nunca usei drogas por priorizar a sobriedade (além de achar desagradáveis os odores desses produtos), esse blog é um espaço para construção de idéias e tod@s são bem vindos, mas os tacanhos embriagados de ódio serão banidos.

6 abril, 2010

Humildade

Posted in Gênero às 1:42 pm por Deborah Sá

Este sentimento tão atrelado aos valores de moral religiosa faz-se necessário na socialização. Experimente comentar em um grupo de pessoas o quanto está satisfeit@ com sua aparência (em especial se o que você elogia é algo esteticamente fora dos padrões) e tão logo lembrarão que é uma postura arrogante. O famoso “se acha”.

Esta humildade “forçada” atrapalha muito na aceitação da auto-imagem, é corriqueiro ao receber um elogio depreciar-se em seguida:

– Como você está bonita!
– Que nada! Olha o tamanho dos meus poros (!), estou com pontas duplas e nem tirei o buço este mês!

Qual o problema em dizer: “Muito obrigada”, ou quem sabe cometer a ousadia de emendar: “Eu sei ;)”?

Orgulho

O problema não é a resposta, mas a dedução espontânea que muitos fazem:

“Se diz ser tão bonita automaticamente é em parâmetro comparativo desqualificando os presentes no quesito atrativo”.

Esta inverdade pode tanto patrulhar quem elogia quanto o alvo. É possível elogiar e reconhecer as próprias virtudes (carisma, generosidade…) ou atributos físicos sem humilhar quem ouve a manifestação de orgulho.

Admitir as próprias falhas (“humildade”) é possível a qualquer um provido de autocrítica, negar as próprias aptidões não anula este reconhecimento.