31 março, 2010

Interrompi uma reunião de baratas

Posted in Egotrip às 12:15 pm por Deborah Sá

Comecei um cursinho popular para ano que vem tentar História na USP. Os professores são ótimos e meu relacionamento com colegas de classe nunca foi tão tranqüilo.

É comum os professores soltarem alguma piadinha machista e corrigirem-se em seguida, sou muito participativa em todas as aulas me posicionando ideologicamente quando necessário.  Até onde conheci há ao menos um SxE, alguns tatuad@s, uma moça que tem uma pinta parecida com a minha (perto da boca), dois gays e a maioria não se espanta em eu ser atéia, vegana e bi.

Claro que há exceções.
Muit@s pensam que eu e minha irmã somos namoradas. Não é lindo?

O fato é que eu acordo cedo, vou pro trabalho, do trabalho pro cursinho e chego em casa perto das 00:00, falo com o Yuri, como alguma coisa, tomo banho e cama.  Hoje de manhã quando consegui sentar no ônibus dormi (costumeiro) e acordei três pontos depois do esperado. Voltei, cheguei atrasada, cara de sono e brava por isto.

Hoje (mas precisamente ás 4:00)  eu tive um sonho muito engraçado, só me lembro de abrir uma porta e interromper uma reunião de baratas. Acordei com minha mãe dizendo:

– Filha? Filha? Está tudo bem? É sonho, é sonho, está tudo bem? Filha?
– Ai! Ai! – Olhei para a quina da parede, as baratas não estavam ali, apertei os olhos, realmente, não havia baratas ali.
– O que estava sonhando?
– Baratas, uma reunião de baratas!
– Uahahhaha como assim filha? Joe e as baratas?
– Elas estavam todas conversando, aí eu sem querer interrompi e tive que sair de fininho, porque fiquei com medo delas subirem em mim.
– Você estava com as mãos pra frente falando: Ai! Ai! Como quem diz “Saí daqui”.

Temos de "startar" o feedback...WTF! Quem é essa? - Clique para ampliar

– E o que é estranho é que eu não tenho medo de barata (costumo colocá-las para fora dos ambientes com um papel).
– Foi muito engraçado!
– Foi assustador! Eram “baratões” do tamanho de Pinschers! Com roupas! Todas pararam de conversar, ficaram mudas e olharam pra mim. Vou me agarrar em você! *abraça* Ai que sono! São vários níveis de consciência né? Acho que vão caindo os níveis e esse deve ser o intermediário, as coisas parecem mesmo reais. Obrigada mãe, te amo. Ah, o professor de biologia falou de baratas hoje, baratas são iguais camarões..zzzzz.

Rápidas

O show do Gossip foi cancelado :(
O Dourado ganhou a merda do BBB, não gosto dele nem do Bial.
Minha gata Thundera foi embora e nunca mais voltou T_T
Mesmo com a vida corrida não desisti de ser vegana.Não tenho tempo pra ver Twitter e fóruns.
Tentarei ver os cães este feriado.
Estou em uma vibe Joven Pan dos anos 90, ouvindo Alexia, Hanson e Shakira.
O post Gorda E linda foi o mais visualizado em um único dia desde que criei o blog – 370 Visualizações
Os mais populares são os da CCB e graças a eles recebo mensagens de trolls raivosos diariamente.

18 março, 2010

Senso de humor

Posted in Egotrip tagged às 2:37 pm por Deborah Sá

Muitos fazem uma idéia completamente diferente do que sou quando me conhecem, é bem verdade que costumo levar quase tudo a sério. Quase. Basta conviver um pouquinho para notar que meu senso de humor (sarcasmo, em sua maioria) não me abandona. Sabe gente auto-divertida (que ri das próprias piadas)? Então…

Tudo isso pra compartilhar com vocês, queridas leitoras, algumas bobagens que faço:

Imaginação aleatória: Estou comendo uma “coxinha” (de palmito/soja) e cai um pedaço dela no livro do Machado, o que penso? : Massado de Assis e uma Carolina. Acabo rindo muito sozinha e todo mundo me olha com cara de idiota ¬¬’

Querida, ao pé do leito derradeiro/ Em que descansas dessa longa vida...

Ontem no Cursinho (estudando com minha irmã) comecei a esboçar e logo fiz um desenho dela, eis:

Clique para ampliar - Veja que só sei desenhar pata de cachorro

Ela me desenhou em retribuição:

=D

Depois dizem que feministas não tem senso de humor…

16 março, 2010

Gorda E linda

Posted in Corpo tagged , , às 4:55 pm por Deborah Sá

Quase toda comunidade de mulheres gordas pede desculpas por sua existência: Sou gorda, MAS sou linda, sou gordinha, MAS sou gatinha. As gordas  sentem a obrigação de compensarem o formato de seus corpos.
Gordas, portanto, tem de se esforçar por serem super femininas: Uma mulher gorda tem “pontos negativos” inatos, se não se depilar é achincalhada “Já é gorda e ainda é relaxada”. Absurdo que as mulheres negras passam por pressões neste sentido “É negra, mas tem que arrumar* o cabelo!”. Não admitem que uma mulher se sinta absurdamente linda ao sentir nas mãos os cabelos macios e crespos (quem diz que cabelo crespo é duro nunca fez carinho em um).

Não odeie seu corpo

Gordas precisam ser sempre sorridentes (há quem acredite que “felicidade” é característica de gente gorda) e receptivas. Cansei de escutar pérolas vindas de homens:
– O bom de mulher gorda é que ela topa tudo.
– É mais fácil

Assim como a mulher negra, a mulher gorda provavelmente passou por muitos xingamentos e as mais diversas “medidas corretivas” de familiares e amig@s: Sugestões de cremes de alisamento, dietas, cintas redutoras, apliques… O que muitos homens fazem, é aproveitar essa vulnerabilidade e tornam-se parasitas provavelmente apoiando-se na crença que a parceira julga-se incapaz de encontrar alguém tão “piedoso”.

Há na internet diversas páginas eróticas dedicadas à pornografia com mulheres gordas, não reconheço isso como vitória. Colocam-nas na esfera privada de brinquedo sexual, seus admiradores escondem-se em perfis falsos, partem com as esperanças de quem anseia por carinho mútuo, elas sentem a demarcação da vergonha através de um intercurso escondido.

Se uma linda mulher gorda perguntar se o está, que responderá? Que é gorda E linda? Mulheres gordas devem apropriar o termo e torná-lo símbolo de força.

As mulheres negras eram chamadas de pretas, o que fizeram? Tornam símbolo de força de luta. A luta da mulher preta, cabelos lindos, nariz perfeito, sua cor incrível.

Gordas, devemos esforçar um novo olhar sobre nossos corpos, nossas dobras, nosso tamanho. Ser gorda é ser grande, ser grande só é bom pra homens? Por que “diminuir” nosso manequim? Por que ter orgulho de encher nossas mãos em nossos peitos e não em nossas barrigas?

Meu corpo, minha escolha

A mulher invisível (na sociedade) é negra, pobre, gorda, cadeirante e lésbica.

*Arrumar = Consertar algo “errado”, nesse caso, acham que o “correto” é queimar a testa alisando os cabelos.
 
 
PS²: Sou eu nas fotos :)

15 março, 2010

Chicago

Posted in Filmes tagged às 3:58 pm por Deborah Sá

O filme mais recente que me deu vontade de dançar é Chicago. Vi um trecho de Cell Block Tango na casa do meu pai, como era tarde da noite e precisava trabalhar fui dormir. Aluguei semanas depois e confirmei as expectativas.

Roxie Heart (Renee Zellweger) sonha em ser vedete, enganada pelo amante que promete contato na área pede explicações, jogada contra a parede abre a gaveta, saca a arma e o mata.  Na prisão conhece outras mulheres.

Entre elas está Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), uma arrogante vedete e a carcereira Matron “Mama” Morton (Queen Latifah).

A rivalidade entre Roxie e Velma mostra-se como saída para a sobrevivência de ambas em uma cidade como Chicago.

Mulheres optam por casar-se com um homem (mesmo o achando um imbecil) como conseqüência das opções que restam a elas.

Qual é a saída mais próxima de rebelião nestes casos? Adultério?
Isto também é bem claro nas Brumas de Avalon, a própria Morgana vê-se forçada a casar com um homem que não ama graças aos desígnios da Deusa.
As mulheres não estarão libertas destes inconvenientes enquanto as oportunidades econômicas não forem equiparadas aos homens, um casal hétero terá mais chances de ter dinheiro do que um casal de lésbicas.

Saiba entrar na dança

Roxie não seria facilmente inocentada por um Júri que valoriza uma esposa recatada e de bons modos, para que sua defesa contrata o melhor advogado de Chicago. Com sua credibilidade jurídico-masculina dá uma nova voz a Roxie durante a comitiva da imprensa.

Chicago não culpa

A imprensa local e os populares de Chicago buscam imagens chocantes da punição de mulheres como as mostradas no presídio, mas quem vê as histórias das personagens torce para que elas saiam vivas dali… De preferência em posse de outra arma.


OBS: É infinitamente melhor que Nine.

5 março, 2010

Sexo Abstrato

Posted in Corpo tagged , às 5:07 pm por Deborah Sá

Ontem via Twitter fiquei ciente de mais um material disponível para incrementar a masturbação hétero masculina:
Duas esponjas e plástico bolha.

Um hétero não aprende somente a bater punheta, ele aprende o que pensar e como o ato deve ser conduzido. Experimente dizer a algum homem hétero: “Bata sua punheta pensando em outra coisa que não seja sexo anal (na mulher), oral (nele – incluindo aí bukkakke e variações) ou vaginal. Não saberá responder, porque sua concepção de padrão sexual é normativa.

Onde estes tutoriais são publicados?

Blog de humor quase sempre tem por alvo o adolescente (homem) que consome pornografia. De Chongas, passando pelo Mundo Canibal até os programas de TV como CQC. Neles, piadas machistas aparecem escancaradas (os manuais de como enganar sua esposa) e sutis (como o próprio layout com mulheres e cervejas).

Por que eu tenho que justificar que me sinto ofendida com estes conteúdos?

Eu não gostaria de ver um site que falasse mal das pessoas que vivem nas favelas “vagabundos”, “que não merecem viver”. Vivi muitos anos em periferias da Zona Sul e sei que há quem tenha medo de andar por ali, mas eu não. Cresci em ruas com calçadas que ainda não foram asfaltadas, iluminação precária a noite…

Quando vêem um rapaz vestido com roupas de “mano” (ainda mais se este for negro) o que fazem? Afastam-se.

Quando uma negra passa na rua e é chamada de “mulata gostosa” (as pessoas sexualizam muito a imagem da mulher negra) ela também sente raiva desta atitude.

Então quando eu vejo/ouço uma piadinha homofóbica me lembro dos índices de violência, quando ouço alguém falando que “na favela também tem trabalhador, mas é minoria” eu sinto raiva porque pobre não tem direito nem a assistência psicológica (é uma piada pedir auxílio no SUS), aliás, se tiver uma simples candidíase é mais fácil a vagina cair no chão do que conseguir marcar uma consulta.

Se digo que a saúde pública é essa porcaria, muita gente pode até concordar comigo. Quando falo que estas piadas me ofendem eu que tenho de me justificar?

Piadas machistas/homofóbicas não são ofensivas se ditas por alguém mais “instruído”?

É “curioso” notar que as pessoas esperem que eu não tolere piada ofensiva de alguém que tenha pouca “instrução” um pedreiro ou uma diarista por exemplo. Julgam que pessoas neste “estado” sejam “naturalmente xucras”. Estas mesmas pessoas fazem piadas machistas e quando as indago respondem: “É brincadeirinha sua boba, eu uso essa força de expressão,  não vejo as coisas dessa forma, desça do palanque ás vezes, dê risada de algo politicamente incorreto”.

Qual o problema de usar brinquedos sexuais?

Já visitou uma sex shop? Pense nas cores dos “brinquedos” masculinos, todos eles são pedaços de mulheres brancas. E nas capas tem o que? Mulheres loiras e peitudas. Há mulheres que buscam vibradores ou simuladores de sexo oral, há homens que buscam bonecas infláveis e pés com vaginas na parte de baixo. Acho estas pessoas doentias? Não. Acho lamentável que a pornografia limite os pontos de prazer nos corpos feminino e masculino.

Existe uma coisa chamada Memória Corporal que é o modo que o nosso corpo é acostumado a fazer os movimentos. Uma mulher não brinca de lutinha quando criança, por isto a imensa maioria não sabe dar um soco sem entortar a mão e se machucar neste processo, com isto demora ela aprender a dar um soco correto sem se machucar, mesmo com instrução.

A maioria dos homens por estímulos pornográficos acredita realmente que as mulheres tem pontos “chave” ou “botões” e que basta tocar nos tais e a mulher sentirá um prazer monumental. Peitos, bunda, boca e vagina são super valorizados pela maioria dos homens que fazem sexo com mulheres e isto os torna pouco criativos (muitas mulheres se queixam disso “Ele ficava lá, dez minutos chupando meu peito e eu quase dormindo”).

Não conheço uma única mulher que nunca fez sexo sem ter “tanta vontade assim” só pra agradar o parceiro.

A maioria dos homens hétero também acredita que a melhor parte do corpo para receber carícias é o pau, o que é uma pena. Pois muitos destes que “adormecem” o resto do corpo, cobram que a parceira seja mais “receptiva”.

Estes brinquedos são subprodutos da pornografia e neles estão as mesmas reproduções dos valores normativos.

Sobre a Esponja

Muita gente não tem dinheiro para comprar um tênis de marca e faz o que? Compra um “genérico”. Fazendo isto, se sente incluída no valor que a marca “original” passa (“ser descolado”, por exemplo). A esponja corresponde a um tênis falsificado: Não é um subproduto tão direto da pornografia, mas permanece sustentado pelo status e valores atribuídos ao produto “original”.

Qual o problema com a punheta? O que faço entre eu a minha mão (ou SpongeSex) é problema meu.

Escrevi isto há alguns anos:

Em uma comunidade nerd (ON) postaram sobre Hentai(desenho erótico japonês), e escrevi o seguinte comentário, gostaria de compartilhar com vocês:

Sobre a punheta

Em hentai eles exageram na proporção O_o

Mas não é exatamente isto que os garotos punheteiros buscam?
A perfeição inatingível sem bisturi juntamente com anos de academia.
Mulheres estas que se não vivem profissionalmente do corpo, resolvem casar com um cara rico pra ganhar pensão, enquanto ele bate sua solitária punheta sem nem ler a entrevista, vendo o cu dourado e a buceta que nunca cresce pêlo.
Todas estas mentirinhas que enrijecem o pobre pau. O pau iludido, o pau que acredita na maquiagem, no photoshop e no empresário da moça no papel.
E a buceta de sorriso tímido enriquece sua dona, pra que ler? Pra que pesquisar? Se da mentira é o troféu do punheteiro?
Da futura namorada quem sabe este cobrará as performances no mastro que ele viu em um vídeo de 15 segundos, no qual a moça com anos de experiência demonstra total habilidade.
Resta a moça complexada por não ter a tão sonhada mentira, contentar-se com saladas de agrião, enquanto o macho da relação cultiva a pança com picanha. Se a moça não acompanhar é fresca, se vomitar é absurdo, mas lá está ele gozando com a imagem gélida através do monitor, aquela moça toda de mentira, que vomita antes da seção de fotos e de almoço come alface, enquanto chora ao sentir o cheiro de uma pizza de calabresa.

@thiagobeleza
Esse tipo de declaração me faz ter medo de feministas. Patrulheiras da intimidade alheia…aquelas com o poder de definir…

Tentei responder uma série de dúvidas acima.
Não sou patrulheira da intimidade de ninguém, na realidade acredito que as pessoas podiam andar peladas e trepar ao ar livre mas a estrutura atual infelizmente não permite tamanha liberdade.

Não tenho poder de definir nada, me oponho a definições pré-definidas de heteronormatividade amparadas pelo senso-comum, a grande mídia, o discurso médico, o capital, a pornografia, a religião e tantos outros mecanismos.

Não tenho medo de ser radical.
Ser contra a pornografia e seus subprodutos não é ser contra o sexo.
Pornografia não é sexo, é simulacro normativo.

1 março, 2010

Nerds não são mais compreensivos.

Posted in Egotrip, Gênero, Papo Nerd tagged às 3:09 pm por Deborah Sá

Esta foi uma das minhas primeiras decepções com o “meio” nerd.

O que me atraiu na comunidade “Orgulho Nerd” (ON) foi a “zona de conforto” em encontrar pessoas que assim como eu, não eram populares na escola e buscavam conversas mais substanciais na rede.

Minha primeira participação na comunidade foi no tópico “Existe Nerd Gostosa?”, na época falei que mulheres nerds não eram diferentes de seres humanos em geral e a probabilidade de encontrar alguém que fosse ou não “gostosa’, era similar em qualquer outro lugar.
Em pouco tempo me tornei figura carimbada na comunidade: Alguns membros me chamavam de “Tia Deba”, alguns xavecos, alguns garotos pra sair… Até conhecer o Yuri.
Um dos rapazes com quem fiquei achou estranho que me intitulasse nerd sem ver um único episódio de Star Wars*. Respondi que não acreditava em nerd de boutique.
Quando entrei na ON já possuía uma “veia” feminista, embora visse certas coisas como “naturais”. Vasculhando os arquivos notei pérolas como “Ok, concordo com você, homens em geral são mais “visuais” por isso defendo que ver pornô é questão de gosto”. Com o passar do tempo, fui me aprofundando nos estudos feministas e mudando meus conceitos.
À medida que escrevia algo no meu antigo blog, postava na comunidade e aguardava comentários. O moderador da ON (criador da mesma) ausentou-se por muito tempo e com isto uma onda crescente de SPAMS e Trolls invadiram a comunidade.
Reclamavam mas não tomavam qualquer atitude.
Fui até o perfil saber o motivo deste “abandono”,  ele não respondia, a solução foi deixar um scrap pra mãe dele. Muito atenciosa, respondeu educadamente que o filho tinha coisas mais importantes pra fazer, descobriu que falavam mal do filho pelas costas e com raiva constatou que a comunidade se tornou “um monstro maior que o criador e não queria saber mais disso”.
Fui ovacionada, alguns odiaram a idéia por princípios anárquicos e em pouco tempo elegeram moderadores para a comunidade. Eu era uma deles, a única mulher que “lutou” por isso. A Marisa** era a outra mulher da comunidade (muito mais “antiga” por lá do que eu) e ao que me lembro não se opôs a esta “revolução”.
O Yuri foi adorado por alguns e odiado por muitos que alegavam ter “mãos de ferro”, depois de um tempo ele cansou e pulou fora. Eu permaneci, conversava sempre com todos e logo ganhei fama de feminista da comunidade.
Mas do que isso: Faziam tópicos para enfrentamento direto como “Feminazismo”, “Essa a Tia Deba vai gostar” e outras provocações diretas como, por exemplo, em tópicos que depreciavam mulheres alguém escrever “está demorando pra Deborah falar que é culpa do patriarcado”.
Os nervos tornaram-se cada vez mais acirrados quando alguém teve a brilhante idéia de fazer um concurso de “Miss ON” e a esta altura do campeonato eu defendi que isto não fazia sentido na comunidade nerd, até porque, queriam eleger as garotas que mais se aproximavam dos parâmetros estéticos que fariam ganhar qualquer concurso: Brancas, olhos claros e etc.

Comprovando novamente para meu desgosto:

Os garotos nerds consomem o mesmo tipo de pornografia (alguns se orgulham ao se diferenciar por ver hentais), gostam do mesmo tipo físico de mulher com postura submissa valorizada por um homem comum, são reacionários, defendem as mulheres “de valor”, acham justo pagar uma prostituta para satisfazer qualquer desejo sexual porque “dá menos trabalho”, curtem carros e gabinetes “tunados”,  criam tópicos como “Mulher é interesseira”, sonham casar com a Megan Fox e ridicularizam mulheres foras do padrão inconscientes da própria estética.

O que eu e outras mulheres notamos é que além de extremamente masculino (e talvez por isso), os nerds achincalhavam com qualquer mulher que tentava levantar a voz “lá dentro”, defendendo que não há nada de errado com um homem que estupra uma mulher se ela usava roupas curtas ou que a cena brutal da Monica Bellucci no filme “Irreversível” era excitante.

Antes de sair, avisei as pessoas “mais próximas” que conheci por lá (muitas, em especial as mulheres já haviam saído) que não contassem mais comigo para os debates -seria falta de educação deixar as pessoas me perguntando algo se eu não participaria da comunidade –

A minha ilusão foi crer que um oprimido seria incapaz de oprimir com valores tão similares a quem tanto combatem.


•    * Escrevi sobre Star Wars aqui, aqui e aqui.
•    ** Ela começou a namorar um moço na mesma época que eu e o Yuri e estão muito bem.  A Marisa continua forte lá e não se rebaixa por ninguém :D
•    *** Procurando nos arquivos, ainda tem gente que fala mal de mim, gente contra a Geise Arruda, mulheres declaradamente machistas…
•    **** Um ex-moderador deu entrevista para a Revista Capricho para falar sobre a comunidade.
•    ***** É claro que conheci muita gente bacana, essa foi a parte boa. 20 dos meus 169 “amigos” são de lá.