29 janeiro, 2010

Nine (Musical)

Posted in Filmes tagged , às 2:21 pm por Deborah Sá

Assisti a pré-estréia de Nine semana passada (dia 24) e posso garantir: A única coisa que salva é o papel de Luisa (Marion Cotillard) a esposa traída.
Guido Contini é um cineasta responsável por criar o gênero “filme italiano” com belas mulheres brancas e jovens, e a caricatura da Itália. Na produção de sua nona película tem uma crise de meia idade não conseguindo resenhar absolutamente nada do roteiro.

Recorrendo a memória ele lembra todas as mulheres que “passaram” por sua vida e quais seus papéis na formação de sua identidade, vamos a elas:

LuisaEsposa católica dedicada, símbolo de “mulher de valor” traída com uma mulher voluptuosa. A atuação dela é excelente e a única mulher a peitar (minimamente) Guido.

CarlaPenélope Cruz interpreta a amante latina. Sim, pode imaginar todos os estereótipos possíveis de “mulher latina”, muita lingerie, salto alto e um número musical envolvendo close da bunda e deslizamento no cetim cor-de-rosa (não é figura de linguagem, estas cenas ocorrem). Corazón*

Claudia
Nicole Kidman é sua musa, tem a áurea de glamour e colar de pérolas, a deusa de marfim em cabelos dourados, protagonista de seus grandes filmes. Nutre amor por Guido e diz algumas frases interessantes.

MãeSophia Loren, a “Mãe”: Dá colo e apóia: “Você sempre será meu filho, meu menino, o mundo é seu, é o centro do universo”.

SaraghinaFergie interpreta um prostituta, em uma cena pavorosa de Buraco de Fechadura Guido vê um flashback da sua infância: Ele e outros garotos de sua idade (9 anos?) juntam moedas e vão ás risadinhas entregá-las a uma prostituta para que vejam seu corpo. É isso aí, irmandade masculina desde pequenos mostrando que ser homem é subjugar uma mulher pelo dinheiro. Pipi de ouro.

Figurinista – (Judie Dench) Uma espécie de figura materna que o incentiva a continuar: “Você tem um dom”.

Stephanie – Sem Cross Fox, Kate Hudson é uma jornalista que acredita na Revolução Sexual Feminina, por isso ela dá em cima de Guido achando muito excitante ser groupie do cineasta super badalado.

Como podem ver o filme é lotado de cenas que me causaram desconforto, vontade de sair correndo da sala e dizer “Acho que vou vomitar” e “Inacreditável”.

Prefiro Chicago.

* Acho que alguém precisa lembrar que Penelópe Cruz é mais que “latina” e que Monica Belucci é mais que uma beleza blasé.

3 Comentários

  1. Raiza said,

    Mais um pra minha lista do que não ver.

  2. Carla said,

    “Acho que alguém precisa lembrar que Penelópe Cruz é mais que “latina” e que Monica Belucci é mais que uma beleza blasé.”

    não é mesmo? elas ficaram aprisionadas nesses papéis. é quase como se fosse sempre a mesma personagem, com nomes diferentes.

    (leio seu blog há um tempo, comento pela primeira vez)

  3. Sérgio Henrique Ribeiro da Silva said,

    É o 8 e meio do Fellini.
    Histórias de italianos em pessoas com a cultura 100 por cento anglo, como Daniel Day Lewis um baita ator, soturno como só um britânico pode ser pra contar essa história, simplesmente não dá.

    Uma história mal contada no fim de tudo. Day Lewis fazendo um papel que foi do Marcelo Mastroianni e Nicole Kidman refazendo uma personagem feita antes pela Claudia Cardinalle deixam o filme desconexo.

    O original é muito bom, bem fluído, tem emoção.


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