18 janeiro, 2010

Onde vivem os Monstros

Posted in Filmes às 4:03 pm por Deborah Sá


A música Wake Up do Arcade Fire me arrebata de uma forma poderosa desde a primeira vez que a ouvi, com este trailer tão bonito é claro que contei os dias para assistir a película.

A estréia foi nesta sexta feira data em que cheguei cansada de Trindade, no sábado foi dia de uma limpeza mais pesada no quintal, com aplicação de anti-pulgas no ambiente, banho (e tosa do Ted) das crianças, e medicação anti-parasitas em todos (inclusive no Costela), tingir e cortar meu cabelo (voltei praticamente loira da praia)…. No domingo pude finalmente assistir. E. Quanta decepção!

{Atenção: Se não quiser saber de trechos importantes do filme, não leia daqui em diante.}

Max é um garoto que se sente solitário: Brincando constrói um “iglu” na neve em frente de sua casa e para atrair a atenção dos amigos de sua irmã mais velha, joga bolas de neve que são revidadas em um “montinho” em cima dele que se esconde na “fortaleza” destruída rapidamente. Furioso, espera sua irmã sair e com os pés cobertos de neve pula em sua cama, destrói o quarto. A mãe chega cansada do trabalho e põe-se a limpar a “travessura” do pimpolho.
Certo dia, quando sua mãe recebe um pretendente, Max enciumado coloca sua roupinha de “lobo” e sobe a mesa gritando:
– Me alimente mulher!!
(sussurrando) Desça daí Max, não me envergonhe, saí já daí, agora!
– Grraaauuurrr! Vou te devorar (Pula em cima dela e morde o braço)!
– Ah! Você me mordeu! Está descontrolado!
– Não… Não é minha culpa (olhos mareados)!

Max foge e pula em um barco enfrentando tempestades até encontrar uma floresta encantada onde residem criaturas grandes e peludas. Cada uma destas criaturas é “uma parte” do que ele é:

Carol: Agressivo, másculo que no fundo tem bom coração, o legítimo “bate-assopra” que todos temem, “explode”, quebra tudo, sabe a figura de marido violento que tem ciúmes e bate por amor, é bem por aí…pavoroso.

KW: Maternal, par romântico de Carol que se afasta dele por motivos óbvios, mas que todos adoram e pedem que ela volte já que é extremamente amável.

Judith: Realista (a única desconfia que o garotinho conte lorotas), personagem para ser chata, amargurada, estraga-prazeres, personagem feminina “nhém, nhém, nhém”.

Ira: Companheiro de Judith, simpático e bom em fazer túneis.

Alexander: Um bode que ninguém ouve ansiando por uma palavra de reconhecimento.

Douglas: Saco de pancada oficial do Carol, procura ajudar, mas sempre é arremessado ao ar contra uma árvore, rocha, parede…

Touro: Solitário, calado.

Hostilizado, Max afirma que é rei para não ser devorado, quando esta mentira é descoberta aos poucos Douglas (o único com coragem para contar isso ao Carol), tem seu braço arrancado.
– Olha o que você fez, arrancou meu braço!
O que ele faz? Coloca um graveto no lugar e o perdoa.

Max se dá conta que ele não é um rei. Ele é Max. Não é a o fim da infância: È como um menino se torna homem.

Ao voltar para casa, sua mãe não o repreende, apenas o abraça preocupada e serve sua comida. O filme termina em silêncio com Max contemplando sua mãe cansada, dormindo com os braços sobre a mesa.

O título original do filme é Where the Wild Things Are (Tradução livre: Onde as coisas selvagens vivem), a resposta que ele nos trás é:

Vivem dentro de cada homem (que por dentro é um garoto), em seu lado selvagem e bruto, sua natureza masculina: Aterrorizante, inconseqüente em seu furor machucando quem mais ama, quando na realidade só expõe  sua carência afetiva e é até capaz de chorar.

Onde Vivem os Monstros naturaliza a violência masculina desde a infância chamando esta “travessura própria de garotos” de “modo masculino de expressar afeto”.

2 Comentários

  1. _Vegan said,

    Poutz, esses filmes geralmente são uma decepção mesmo…
    Há tempos que não vejo algum filme de grande público que não seja machista. Eu ia ao cinema [ou locava algum filme] para relaxar, mas saía do cinema ainda mais nervosa do que quando entrei.
    Estou ansiosa para assistir “Alice no País das Maravilhas” [na versão do Tim Burton], e “Sherlock Holmes”. Espero mesmo que esses filmes não nos agridam enquanto mulheres e seres humanos dignos de respeito.

    • Deborah Sá said,

      Ouvi dizer que Sherlock Holmes é bem ruim =/


Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: